A Constituição Brasileira prevê que o desenvolvimento de instalações para produção e transporte de energia elétrica, assim como a sua comercialização, podem ser efetuados diretamente, pelo Governo Federal, ou indiretamente, por meio da outorga de concessões, permissões ou autorizações. As companhias ou consórcios que pretenderem construir ou operar instalações de geração, transmissão ou distribuição de energia elétrica no Brasil deverão solicitar a outorga de concessão, permissão ou autorização, conforme o caso, ao MME ou à ANEEL, na posição de representantes do Governo Federal.
As concessões conferem direitos para gerar, transmitir ou distribuir energia elétrica durante um período determinado, ao contrário das permissões e autorizações, que podem ser revogadas a qualquer tempo a critério do MME, após consulta com a ANEEL. Tal período é, geralmente, de 35 anos para novas concessões de geração e de 30 anos para novas concessões de transmissão ou distribuição.
A Lei de Concessões estabelece, dentre outras disposições, as condições que a concessionária deverá cumprir na prestação de serviços de energia elétrica, os direitos dos consumidores de energia elétrica, bem como as obrigações da concessionária e do Poder Concedente. Ademais, a concessionária deverá cumprir com o regulamento vigente do setor elétrico. As principais disposições da Lei de Concessões são:
• Serviço adequado. A concessionária deve prestar serviço adequado a fim de satisfazer parâmetros de regularidade, continuidade, eficiência, segurança, atualidade, generalidade, cortesia na sua prestação, modicidade nas tarifas e acesso ao serviço. • Servidões. O Poder Concedente pode declarar quais são os bens necessários à execução
de serviço ou obra pública de necessidade ou utilidade pública, nomeando-os de servidão administrativa, em benefício de uma concessionária. Neste caso, a responsabilidade pelas indenizações cabíveis é da concessionária.
• Responsabilidade objetiva. A concessionária é a responsável direta por todos os danos que sejam resultantes da prestação de seus serviços, independentemente de culpa. • Mudanças no controle societário. O Poder Concedente deverá aprovar previamente
qualquer mudança direta ou indireta no controle societário da concessionária.
• Intervenção do Poder Concedente. O Poder Concedente poderá intervir na concessão com o fim de assegurar a adequação na prestação do serviço, bem como o fiel cumprimento das normas contratuais, regulamentares e legais pertinentes, caso a concessionária falhe com suas obrigações.
• Extinção antes do Termo Contratual. A extinção do Contrato de Concessão poderá ser determinada por meio de encampação, caducidade, rescisão, anulação do processo licitatório que conferiu a concessão, falência ou extinção da concessionária. A concessionária tem o direito à ampla defesa no procedimento administrativo que declarar a caducidade da concessão e poderá recorrer judicialmente contra tal ato. A concessionária tem o direito de ser indenizada pelos investimentos realizados nos bens reversíveis que não tenham sido completamente amortizados ou depreciados. Nos casos de caducidade, deverão ser descontados da indenização os valores das multas contratuais e dos danos por ela causados.
• Termo contratual. Quando do advento do termo contratual, todos os bens, direitos e privilégios transferidos à concessionária que sejam materialmente relativos à prestação dos serviços de energia elétrica, serão revertidos ao Poder Concedente. Após o advento do termo contratual, a concessionária tem o direito de ser indenizada pelos investimentos realizados em bens reversíveis que não tenham sido completamente amortizados ou depreciados.
7.9 - Outras informações relevantes
O problema, a ser equacionado pelo Governo e que se aproxima rapidamente, advém do fato de que grande parte das outorgas tem o fim do prazo de concessão previsto para 2015. Dados disponíveis indicam que 21.791,8 MW de capacidade instalada terão a concessão expirada sem possibilidade de renovação. Desse montante, a Chesf lidera a lista, com 9.214,5 MW, seguida pela Cesp (4.995,2 MW), Furnas (3.248 MW) e Cemig (2.598,7 MW). Em 2015, expiram ainda a concessão de 73.768 quilômetros de extensão de linhas de transmissão de estatais federais e estaduais, bem como os contratos de 41 das 64 distribuidoras (neste caso, entre 2014 e 2016). O que tende a ser adotado pelo Governo federal e que irá certamente acarretar alterações na regulamentação vigente, é a prorrogação das Concessões vincendas por mais um período a ser definido, cabendo ainda estabelecer o montante e a forma do ônus relativo à prorrogação para cada um dos três segmentos envolvidos.
A expectativa preponderante entre os Agentes do mercado é de que a prorrogação das concessões de geração será onerosa, evitando ganhos fortuitos do detentor da concessão, que comercializaria a preços de mercado a energia proveniente de empreendimentos já totalmente amortizados.
Por outro lado, para as distribuidoras a percepção vigente é de que haverá prorrogação não onerosa das concessões vincendas, posto que existe revisão tarifária para a captura de ganhos de produtividade e a remuneração sobre o capital é fixada, além do que o nível de investimentos durante a prestação do serviço é muito grande, fazendo com que o custo de reversão seja muito elevado. Para as concessionárias de transmissão, a percepção é de que também seja adotada a solução de prorrogar as concessões quando de seu vencimento. Vale ressaltar que nenhuma empresa de distribuição ou empreendimento de geração do Grupo EDP Energias do Brasil S.A. tem vencimento de concessão neste horizonte.
Penalidades
A regulamentação vigente prescreve sanções aos participantes do setor elétrico e classifica as penalidades aplicáveis com base na natureza e gravidade da violação (inclusive advertências, multas e caducidade). Para cada violação, as multas podem ser de até dois por cento da receita (líquida de imposto sobre valor agregado e imposto sobre serviços) das concessionárias verificada no período de 12 meses que anteceder qualquer auto de infração. Algumas infrações que podem resultar em multas referem-se à omissão do operador em solicitar aprovação da ANEEL no caso de: (i) celebração de contratos com partes relacionadas conforme previsto na regulamentação; (ii) venda ou cessão dos bens necessários à prestação do serviço público bem como imposição de quaisquer ônus sobre eles (inclusive qualquer garantia real, fidejussória, penhor e hipoteca) ou sobre outros ativos relacionados à concessão ou à receita dos serviços de energia elétrica; e (iii) alterações no controle do detentor da autorização ou concessão. No caso de contratos celebrados entre partes relacionadas que sejam submetidos para aprovação da ANEEL, a ANEEL poderá buscar impor restrições aos termos e condições desses contratos e, em circunstâncias extremas, determinar a rescisão do contrato.
Taxa pelo uso de recursos hídricos
A Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico exige que os detentores de uma concessão e autorização de uso de recursos hídricos paguem uma taxa de 6,7% do valor da energia que geram pela utilização de tais instalações. Tal taxa deve ser paga ao distrito federal, estados e municípios onde as usina ou reservatórios estão localizados.
7.9 - Outras informações relevantes
Principais Órgãos da Estrutura Institucional do Setor Elétrico
• Conselho Nacional de Política Energética – CNPE
O CNPE é um órgão de assessoramento do Presidente da República, tem como atribuição principal a formulação de políticas e diretrizes de energia destinadas a promover o aproveitamento racional dos recursos energéticos do País; assegurar o suprimento de insumos energéticos às áreas mais remotas ou de difícil acesso do País; rever periodicamente as matrizes energéticas aplicadas às diversas regiões do País, considerando as fontes convencionais e alternativas e as tecnologias disponíveis; estabelecer diretrizes para programas específicos, como os de uso do gás natural, do álcool, de outras biomassas, do carvão e da energia termonuclear; e estabelecer diretrizes para a importação e exportação, de maneira a atender às necessidades de consumo interno de petróleo e seu derivados, gás natural e condensado, e assegurar o adequado funcionamento do Sistema Nacional de Estoques de Combustíveis e o cumprimento do Plano Anual de Estoques Estratégicos de Combustíveis.
• Ministério de Minas e Energia – MME
Órgão do Poder Executivo responsável pelas áreas de geologia, recursos minerais e energéticos; aproveitamento da energia hidráulica; mineração e metalurgia; petróleo, combustível e energia elétrica, inclusive nuclear. Sua função principal é formular políticas energéticas e submeter ao CNPE – Conselho Nacional de Política Energética para validação, bem como implementar as políticas já aprovadas no CNPE para o Setor Energético.
• Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico – CMSE
Criado pela Lei do Novo Modelo do Setor Elétrico, o CMSE atua sob a orientação do MME e tem como função: (i) acompanhar as atividades do setor elétrico; (ii) avaliar permanentemente a continuidade e a segurança do suprimento eletroenergético em todo o território nacional; e (iii) indicar as medidas a serem tomadas para prevenir novos problemas e para corrigir os problemas detectados.
• Empresa de Pesquisa Energética – EPE
Vinculada ao Ministério de Minas e Energia, a EPE é uma empresa pública federal responsável pela realização dos estudos e pesquisas que subsidiam a formulação, o planejamento e a implementação de ações do Ministério de Minas e Energia, no âmbito da política energética nacional. Os estudos e pesquisas desenvolvidos pela EPE subsidiam a formulação da política energética pelo MME.
CNPE
Conselho Nacional de Política Energética
Ministério (MME)
Poder Concedente para implementar Políticas CMSE Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico EPE Empresa de Pesquisa Energética ANEEL Agência Reguladora e Fiscalizadora (Autarquia Independente) CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica ONS Operador Nacional do Sistema
7.9 - Outras informações relevantes
• Agência Nacional de Energia Elétrica – ANEEL
Autarquia em regime especial, vinculada ao Ministério de Minas e Energia - MME. Tem como atribuições: regular e fiscalizar a geração, a transmissão, a distribuição e a comercialização da energia elétrica, atendendo reclamações de agentes e consumidores com equilíbrio entre as partes e em beneficio da sociedade; mediar os conflitos de interesses entre os agentes do setor elétrico e entre estes e os consumidores; conceder, permitir e autorizar instalações e serviços de energia; garantir tarifas justas; zelar pela qualidade do serviço; exigir investimentos; estimular a competição entre os operadores e assegurar a universalização dos serviços.
• Câmara de Comercialização de Energia Elétrica – CCEE
Pessoa jurídica de direito privado sem fins lucrativos e sob regulação e fiscalização da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), a CCEE tem por finalidade viabilizar a comercialização de energia elétrica no SIN.
A CCEE tem por finalidade viabilizar a comercialização de energia elétrica no SIN no ACR e no ACL, além de efetuar a contabilização e a liquidação financeira das operações realizadas no mercado de curto prazo, as quais são auditadas externamente, nos termos da Convenção de Comercialização de Energia Elétrica. As Regras e Procedimentos de Comercialização que regulam as atividades realizadas na CCEE são aprovados pela ANEEL.
• Operador Nacional do Sistema – ONS
Foi criado com a finalidade de operar o SIN e administrar a rede básica de transmissão de energia do País. A sua missão institucional é assegurar aos usuários do SIN a continuidade, a qualidade e a economicidade do suprimento de energia elétrica. Também são atribuições do ONS propor ao Poder Concedente as ampliações das instalações da rede básica, bem como os reforços dos sistemas existentes, a serem considerados no planejamento da expansão dos sistemas de transmissão; e propor regras para a operação das instalações de transmissão da rede básica do SIN, a serem aprovadas pela ANEEL.
Encargos setoriais
Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis – CCC
A CCC, criada pelo Decreto nº 73.102, de 7 de novembro de 1973, tem como finalidade o rateio dos custos relacionados ao consumo de combustíveis (óleo combustível, óleo diesel e carvão) para geração de energia termoelétrica.
Os recursos da CCC são administrados pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS. O papel da ANEEL é o de fixar os valores das cotas anuais da CCC que são recolhidos nas contas de luz pelas distribuidoras. As contribuições anuais são calculadas, para cada distribuidora, proporcionalmente ao seu mercado, com base em estimativas do custo de combustível necessário às usinas térmicas para o ano subseqüente.
Os subsídios da CCC do SIN foram progressivamente eliminados no prazo de 3 anos com início em 2003 para usinas termelétricas construídas antes de fevereiro de 1998 e, atualmente, pertencentes ao SIN. As usinas termelétricas construídas após essa data não terão direito a subsídios da CCC. Em abril de 2002, o Governo Federal estabeleceu que os subsídios da CCC continuassem a ser pagos às usinas térmicas localizadas em sistemas isolados durante um período de 20 anos com o fim de promover a geração de energia elétrica nessas regiões. Até 2005, as cotas de CCC eram estabelecidas para os seguintes sistemas elétricos: (i) SIN Sul/Sudeste/Centro-Oeste; (ii) SIN Norte/Nordeste; e (iii) Sistemas Isolados. De acordo com a Lei n.º 9.648/98 e a Resolução ANEEL n.º 261, de 13 de agosto de 1998, a partir de 1º de janeiro de 2006,ficou extinto o benefício da CCC para geração de energia elétrica nos Sistemas Interligados.
7.9 - Outras informações relevantes
A Lei 12.111 de 09 dezembro de 2009, criou o adicional da CCC Sistemas Isolados equivalente a 0,30%, até 31 de dezembro de 2012, para compensar os Estados pela perda de arrecadação de ICMS em razão da redução do consumo de combustíveis em seus territórios ocasionada pela desnecessidade de despachos de geração termoelétricos em função da integração de regiões antes isoladas ao Sistema Interligado Nacional.
Conta de Desenvolvimento Energético – CDE
Em abril de 2002, o Governo Federal criou a CDE, por meio da Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, objetivando promover: (i) o desenvolvimento energético dos Estados; (ii) a competitividade da energia produzida a partir de fontes eólicas, PCHs, Biomassa, gás natural e carvão mineral nacional, nas áreas atendidas pelo SIN; e (iii) a universalização do serviço de energia elétrica em todo o território nacional. A CDE terá a duração de 25 anos e seus recursos serão movimentados pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS.
Os recursos da CDE são provenientes dos (i) pagamentos anuais realizados a título de uso de bens públicos, (ii) das multas aplicadas pela ANEEL aos concessionários, permissionários e autorizados; e (iii) dos pagamentos das cotas anuais por todos os agentes que comercializem energia com consumidores finais.
Os recursos da CDE poderão ser utilizados, ainda, para subvenção econômica, com a finalidade de contribuir para a modicidade tarifária de fornecimento de energia aos consumidores da subclasse residencial de baixa renda, quando os recursos provenientes do adicional de dividendos devidos à União pela Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS, associado às receitas adicionais auferidas pelas geradoras com a comercialização de energia elétrica nos leilões públicos, não forem suficientes. São considerados consumidores de baixa renda aqueles que tenham consumo mensal inferior a 80 kWh, calculado com base na média móvel dos últimos 12 meses, ou que comprovem sua inscrição no cadastro único do Governo Federal ou sua condição de beneficiário do programa Bolsa Família do Governo Federal. Reserva Global de Reversão – RGR
A RGR foi criada pelo Decreto nº 41.019, de 26 de fevereiro de 1957. A RGR refere-se a um valor anual estabelecido pela ANEEL com a finalidade de prover recursos para reversão, encampação, expansão e melhoria do serviço público de energia elétrica, para financiamento de fontes alternativas de energia elétrica, para estudos de inventário e viabilidade de aproveitamentos de potenciais hidráulicos e para desenvolvimento e implantação de programas e projetos destinados ao combate ao desperdício e uso eficiente da energia elétrica. As concessionárias fazem recolhimentos mensais da quota de RGR às Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS, a gestora dos recursos arrecadados, a uma taxa anual equivalente a 2,5% dos investimentos efetuados pela concessionária em ativos vinculados à prestação do serviço, respeitado o limite máximo equivalente a 3% da receita operacional líquida anual. A Lei nº 10.438, de 26 de abril de 2002, previu a expiração da RGR em 2010. A Medida Provisória 517/2010 de 31 de dezembro de 2010, prorrogou a extensão da cobrança até o final do exercício de 2035.
Taxa de Fiscalização de Serviços de Energia Elétrica – TFSEE
A ANEEL também cobra uma taxa de fiscalização dos agentes e concessionárias que prestam serviços de energia elétrica. Essa taxa é denominada TFSEE. A TFSEE foi criada de acordo com a Lei nº 9.427, de 26 de dezembro de 1996, e regulamentada pelo Decreto n° 2.410, de 28 de novembro de 1997, e é equivalente a 0,5% do benefício econômico anual realizado pela concessionária. A determinação do “benefício econômico” tem como base a capacidade instalada de geradoras e concessionárias de transmissão autorizadas ou os faturamentos anuais das distribuidoras.
Programa de Incentivo a Fontes Alternativas de Energia Elétrica (PROINFA)
7.9 - Outras informações relevantes
Biomassa. Nos termos do PROINFA, a Centrais Elétricas Brasileiras S.A. – ELETROBRÁS compra a energia gerada por estas fontes alternativas por um período de 20 anos e a repassa para os consumidores livres e distribuidoras, as quais se incumbem de incluir os custos do programa em suas tarifas para todos os consumidores finais da área de concessão, à exceção dos consumidores de baixa renda. Projetos que buscam qualificar-se para os benefícios oferecidos pelo PROINFA devem estar totalmente operacionais até 31 de dezembro de 2010. O BNDES aprovou a abertura de uma linha de crédito específica para projetos incluídos no PROINFA, podendo financiar até 80% dos custos de construção das usinas inseridas no programa.
Este programa visa a inclusão de energia renovável no parque energético nacional em dois momentos:
• em 3 anos, a partir de 2004, o total de 3.300 MW de energia renovável (1.100MW através da energia eólica, 1.100 MW através da Biomassa, e 1.100 MW, através de PCHs) deverá fazer parte do parque energético nacional; e
• em 20 anos, a energia renovável deverá representar ao menos 10% de toda a energia produzida no Brasil.
A Resolução Normativa ANEEL n° 127 de 6 de dezembro de 2004 estabeleceu os procedimentos para o rateio do custo PROINFA, bem como para definição das respectivas cotas de energia elétrica a serem adquiridas pelos Consumidores Livres e distribuidoras, nos termos do Decreto n° 5.025, de 30 de março de 2004.
Encargos de Serviços do Sistema – ESS
Representa o custo incorrido para manter a confiabilidade e a estabilidade do Sistema Interligado Nacional para o atendimento do consumo de energia elétrica no Brasil. Esse custo é apurado mensalmente pela CCEE e é pago pelas distribuidoras aos agentes de geração. A maior parte desse encargo diz respeito ao pagamento para geradores que receberam ordem de despacho do ONS, para atendimento a restrições de transmissão.
Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS
As distribuidoras pagam mensalmente valores relativos ao custeio das atividades do ONS. Anualmente, o ONS submete à aprovação da ANEEL seu orçamento e os valores das contribuições mensais de seus associados.
Pesquisa e Desenvolvimento – P&D
De acordo com a Lei nº 9.991, de 24 de julho de 2000, as concessionárias de serviço público de geração e transmissão de energia são obrigadas a investir, anualmente, ao menos 1% de sua receita operacional líquida em P&D, com exceção das companhias que geram energia por meio de fontes eólica, solar, Biomassa e PCH.
Até 31 de dezembro de 2010, as concessionárias e permissionárias do serviço público de distribuição devem aplicar 0,50% de sua receita operacional líquida para P&D e 0,50% para programas de eficiência energética. A partir de 1° de janeiro de 2011, as porcentagens passam a ser 0,75% e 0,25%, respectivamente.
Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos – CFURH
A CFURH foi criada pela Lei nº 7.990, de 28 de dezembro de 1989. De acordo com a Lei nº 9.648, de 27 de maio de 1998, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como os órgãos da administração direta da União, recebem uma compensação financeira das geradoras pelo aproveitamento de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica. A origem dessa arrecadação tem como base de cálculo a energia elétrica produzida, em que se aplica um percentual de 6,75%, sendo que 6% são pagos para os Estados e os Municípios nos quais a planta ou o reservatório se localizam, ao Ministério de Meio Ambiente, ao MME e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – FNDCT (criado pelo Decreto-Lei n° 716
7.9 - Outras informações relevantes
de 31 de julho de 1969, e restabelecido pela Lei n° 8.172 de 18 de janeiro de 1991) e 0,75% são destinados à Agência Nacional de Águas. Ressalte-se que esse encargo não é aplicável às PCHs, em virtude da isenção estabelecida na Lei do Setor Elétrico.
Uso de Bem Público
O Governo Federal também impôs um encargo aos Produtores Independentes que se utilizam de recursos hídricos (com exceção das PCHs), o chamado Fundo de Uso de Bem Público, muito similar à RGR, calculado anualmente pela ANEEL com base no uso do bem público por cada Produtor Independente e pago mensalmente. Os Produtores Independentes estão obrigados a fazer contribuição ao Fundo de Uso de Bem Público, a partir de uma data estipulada até o final