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Origens, Principais Características e Destinação

DISSOLVIDOS DO MAR

6.2.5. Outras particularidades

A água de formação pode mudar suas características físicas ao chegar à superfície (água produzida), onde encontra pressão e temperatura diferentes do reservatório. Na água produzida, ainda podem ser encontradas determinadas substâncias que tenham sido adicionadas para o gerenciamento do reservatório ou para técnica de recuperação praticada, como polímeros ou anti-incrustantes. Depois de produzida, ainda são adicionadas novas substâncias para promover a separação das fases do fluido produzido (processamento primário), conforme demonstrado na figura 14 a seguir.

Figura 14 – Adição de substâncias para o processamento primário do petróleo bruto Fonte: Elaboração do autor.

Isso significa que, para qualquer destino escolhido para a água produzida, a caracterização e o tratamento adequado sempre serão pré-requisitos, pois, de acordo com sua composição, os impactos que podem ser provocados no destino escolhido podem ser evitados através de uma determinada técnica e/ou tecnologia de tratamento empregada.

Por conta disto, as análises na água produzida são feitas no intuito de identificar a sua composição, mais especificamente a presença e a concentração de parâmetros pré-determinados, bem como para o atendimento de requisitos regulatórios. A tabela 5 a seguir, descreve os parâmetros considerados como sendo de controle dos operadores.

Tabela 5 - Parâmetros de análise na Água Produzida

Hidrocarbonetos Totais (THP) Dureza Total (Ca e Mg) Cátions inorgânicos: As, Cd, Ba, Cr, Cu, Fe,

Hg, Mn, Ni, Pb, V e Zn Ferro Total, dissolvido e em suspensão Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos

(HPA) Alcalinidade

Benzeno, Tolueno, Etilbenzeno e Xilenos

(BTEX) Salinidade

Fenóis Sílica Carbono Orgânico Total (COT) Óleo e Graxas (TOG)

Nitrogênio amoniacal total Sólidos Totais e Insolúveis (TSS) Sulfetos Oxigênio Dissolvido

Turbidez Sulfito Residual

Condutividade pH

Densidade Rádio-226 e 228

Toxicidade crônica

Fonte: Adaptado de VIEIRA, 2011

A caracterização da água é essencial para a escolha do processo de tratamento e também para a destinação desse resíduo. Mesmo quando o destino escolhido é a reinjeção (retornar a água produzida ao reservatório de origem através de poços injetores) é necessário conhecer seus principais componentes e concentrações, para direcionar o tratamento adequado à água, visando não comprometer os

aspectos operacionais, por conta do potencial de danos ao reservatório e aos equipamentos.

6.3. DESTINAÇÃO

Neste tópico, foi proposta a aplicação da metodologia usada para o Índice de Competitividade Global do Fórum Econômico Mundial (World Economic Forum), para a priorização das tecnologias de tratamento da água produzida, fundamentados nos parâmetros críticos, de acordo com o local de descarte.

As opções de destino da água produzida são restritas por conta das características acima expostas, que lhe conferem um potencial significativo de geração de impactos adversos ao meio. Entretanto, devido ao elevado volume produzido, a indústria tem sido obrigada a encontrar e diversificar as opções de destinação. Os principais destinos encontrados durante a pesquisa (literatura e visitas técnicas) são elencados na figura abaixo, também utilizando como base os destinos considerados na Portaria ANP nº 100/2000:

Figura 15 – Opções de destino da água produzida em campos de petróleo e gás natural Fonte: Elaboração do autor.

A água produzida pode ser destinada no próprio campo, sendo reinjetada no mesmo reservatório de origem, ou injetada em outro reservatório deste mesmo campo. Geralmente a indústria tenta adotar essa prática, por conta da oportunidade de

recuperação secundária de petróleo. Entretanto, quando não é possível, a água pode ser transferida para outro campo, para outras atividades como a irrigação ou em processos industriais. Quando não é possível fazer nenhum tipo de reaproveitamento com essa água, ela é descartada em aquíferos de água salgada ou doce (subsuperfície), ou em corpos d’água superficiais como rios, lagos ou no mar.

Para cada um destes destinos o tratamento prévio deve ser realizado visando o atendimento dos parâmetros pré-determinados em regulações específicas, como já citado. Geralmente a água produzida é reinjetada ou injetada no próprio campo, ou em outro campo. No entanto, mesmo diante das características dessa água, ainda existem casos de injeção de água para descarte em aquíferos e em corpos d’água superficiais.

Alguns campos situados na Bacia Potiguar, no estado do Rio Grande do Norte, reaproveitam a água produzida para a irrigação, após tratamento que visa a adequação das concentrações de óleos e graxas, de metais pesados e da salinidade. Vale ressaltar que essas águas detêm concentrações de sais significativamente menores que as geralmente encontradas na maioria dos campos de petróleo e gás. Esse tipo de reaproveitamento também é verificado em alguns campos nos EUA, como na Califórnia, conforme ALL (2003).

Apesar da possibilidade de reaproveitamento da água produzida para a irrigação em alguns campos, essa não é uma prática considerada convencional, por conta de características que inviabilizam esse tipo de reaproveitamento, além dos custos associados. São casos pontuais. Assim como o reaproveitamento da água para irrigação, existem outros casos pontuais de reaproveitamento para fins industriais, ou outras atividades, que também são considerados não convencionais devido aos custos associados para a realização de tal prática.

Segundo Veil (2004), nos EUA existem registros de utilização da água produzida para: controle de poeira nas estradas de acesso aos campos de petróleo; lavagem de veículos e equipamentos; operações de perfuração de poços; geração de vapor

e; controle de incêndios. Independente destas opções de destino, o autor relata as seguintes práticas:

A maioria dos operadores onshore de petróleo e gás natural dos EUA injetam sua água produzida, tanto para recuperação secundária quanto para eliminação.

 Muitos operadores de CBM2 (Coal Bed Methane) conseguem permissão para descarregar a água produzida em corpos d’águas superficiais. Isto diz respeito à produção de não-convencionais.

A maioria dos operadores offshore tem permissão para despejar a água produzida no oceano, técnica comumente adotada em outros países do mundo, tendo regulamentados os seus padrões de descarga pré-definidos. Uma pequena porcentagem de água produzida offshore é usada para operações de recuperação secundária.

No Brasil, além do reaproveitamento não convencional para irrigação, também existem casos de reaproveitamento em atividade industrial, como parte da água produzida pela PETROBRAS na Unidade Operacional Sergipe-Alagoas (UO-SEAL), que é encaminhada para uma mineração da empresa VALE S.A.

Os destinos comumente adotados pela Indústria brasileira para a água produzida em campos onshore são a reinjeção ou injeção em reservatórios de hidrocarbonetos como forma de recuperação secundária; o descarte no mar ou; o reaproveitamento não convencional. Os dois primeiros destinos destacados são comuns na Indústria brasileira e também mundial e até mesmo para as operações offshore.

6.3.1. Relevância da característica da água produzida de acordo com o local de