2 ALGUMAS TERRITORIALIDADES E VISIBILIDADES
2.1 OUTRAS TERRITORIALIDADES E PERSONALIDADES
Algumas nações europeias e os Estados Unidos continuam sendo os polos dinamizadores do sistema da arte internacional –diferentes grupos político-sociais compõem e participam dessa massificação artístico-cultural e econômica. Por onde se passa e se pensa a produção da arte com pretensões de alcance mundiais o caminho por trilhar, muita das vezes segue com direção para essas sociedades, consideradas também como lugar de altos fomentos e mobilização de grandes eventos da arte configurando assim, grandes territorialidades das práticas artísticas.
Na África moderna, alguns grupos e/ou instituições têm se integrado na dinamização do sistema da arte, embora em caráter exordial obviamente a visibilidade não imprime o mesmo semblante ao do sistema ocidente tal como acima relatamos.
Temos dito que a ideia da arte foi dinamizada pelos europeus propriamente gregos, porquanto, << não se sabe quanto de conhecimento, esses absorveram do Khemet (antigo Egito) ver: (Stolen Legacy de George James, 1954) >>. contudo, a cultura da arte em museus e galerias, do crítico e do curador e outros, como se sabe ter seus prelúdios na Europa, sem contar com a aura, o impacto e fomento da arte desde as eras clássicas renascentistas, embora tudo isso acontecendo em períodos diferentes, percebe-se que tudo ou um pouco disso fez ao europeu abraçar tradicionalmente essa ideia da arte envolvida em aspectos culturais, políticos, filosóficos, econômicos, educativos e religiosos e com isso, tendo um retorno salutar.
Na África moderna, essa história não tem se contado da mesma maneira, por múltiplos motivos históricos, políticos e também de um passado colonial opressivamente destruidor. Hoje se vive uma África pós-colonizada, moderna – ainda assim, tem se observado pouco envolvimento de lideranças da parte dos estados ou privados em termos de gozos de seus poderes em acreditar e dispor-se a apoiar para impulsionar as atividades e/ou eventos da arte, o mercado da arte e a própria arte educação tal como os estados europeus e os Estados Unidos e alguns países das américas. Por exemplo o estado americano patrocinava as pesquisas do crítico de arte Clement Greenberg colocando à disposição desse autor um avião militar para eventuais necessidades; como Virginia Dwan agente privada e senhora das artes, chegou a
financiar boa parte do Spiral Jetty, a land art do Robert Smithson no início da década 1970 (DOSS, 2002, p.178); na França o museu do Louvre que é gerido pelo Estado francês através da Réunion des Musées Nationaux entre outros.
Entretanto na África pós-colonizada, pressupõe-seque poucos estados dedicam alguma atenção especial a arte e sua dinamização. Constata-se uma carência de proatividade para assuntos de apoios, fomentos para as atividades artísticas, nos parece não se consolidar o papel da arte educação nas sociedades pós-colonizadas. É uma luta; um problema, talvez se conserte quando o estado, os governantes e outras individualidades forem verdadeiros parceiros da arte – começar a observar a arte a partir da base – educação, formação, promoção e investimentos em nome da cultura.
Todavia, importante lembrar aqui ainda nesse segmento de territorialidades e personagens o consagrado político, poeta e ex presidente da república do Senegal Leopold S. Senghor um dos ícones entre os africanos nas matérias de apoio e dinamização da arte no continente. Senghor na sua nobre carreira e durante as suas constantes atividades culturais, realizou em 1966 o primeiro festival mundial de artes negras em Dakar capital do Senegal, fora outras suas contribuições na literatura e na universalização da arte africana.
À l’invitation du Poète Président, Léopold Sédar SENGHOR, Dakar a abrité du 1er au 24 avril 1966, le 1er Festival Mondial des Arts Nègres. Cette grande manifestation se situe dans le sillage des Congrès des écrivains et artistes noirs de Paris (1956) et de Rome (1959) qui avaient mis en exergue la contribution des écrivains nègres à la littérature mondiale. Elle fut surtout consacrée à la défense et à l’illustration de l’Art nègre. Selon les mots du Président SENGHOR, il s’agissait de « manifester, avec les richesses de l’Art nègre, la participation de la Négritude à la civilisation de l’Universel. (MBAYE, 2015).
Marcada pela euforia e o idealismo da época esse festival fez o Dakar tornar durante 20 dias a capital africana da cultura, o lugar privilegiado para defesa e ilustração dos valores do povo africano. Reuniu mais de 2,500 artistas vindo de 37 países, músicos, performers, e escritores incluindo Senghor e Aimé Césaire (dois dos três principais fundadores da corrente Negritude) contou com a participação Europeia dentre eles Andre Malraux o então ministro da cultura da França que na ocasião exaltou o
protagonista e anfitrião Leopold Senghor declarando: Nous voici donc dans l'histoire.
Pour la première fois, un chef d'État prend en ses mains périssables le destin spirituel d'un continent. [então, aqui estamos na história. Pela primeira vez um chefe de estado
leva em suas mãos perecíveis o destino espiritual de um continente].
[...] jamais il n'était arrivé, ni en Europe, ni en Asie, ni en Amérique, qu'un chef d'État dise de l'avenir de l’esprit: nous allons, ensemble, tenter de le fixer. Ce que nous tentons aujourd'hui ressemble aux premiers conciles. En face de cette défense et illustration de la création africaine, il convient pourtant, Mesdames et Messieurs, que nous précisions quelques questions un peu trop confondues depuis une dizaine d'années. Une culture, c'est d'abord l'attitude fondamentale d'un peuple en face de l'univers. Mais ici, aujourd'hui, ce mot a deux significations différentes, et d'ailleurs complémentaires. D'une part, nous parlons du patrimoine artistique de l’Afrique: d'autre part, nous parlons de sa création vivante. Donc, d'une part, nous parlons d'un passé; d'autre part, d'un avenir (MALRAUX, 1966).
O festival ficou conhecido também como FESMAN, depois do primeiro em 1966 foi seguido por outros em Lagos (1977), Kinshasa (1974) Dakar, (FESMAN, 2010) e até mesmo em outro estilo, Argel (Festival Pan-Africano, 1969). No ano retrasado comemorou-se em Dakar os 50 anos (1966-2016) em conferencia com tema memória e atualidade. Em suma, esse magnifico evento configura uma territorialidade que perdura até aos dias atuais, e marcada desde décadas de 1960 período histórico universalmente e também considerado ano da África, do grito da liberdade por ter prenunciado a independência de mais de 15 países no continente.
Outras territorialidades são por exemplo as Bienais africanas, a de Cairo no Egito criado em 1984; Bienal de arte contemporânea Dakar em Senegal que teve o seu início nas décadas de 1990 (literatura) e 1992 (artes visuais); de Johanesburgo na África do Sul criada em 1995 com curadoria do crítico angolano de arte Adriano Mixinge; Bienal de Lubumbashi no Congo iniciada em 2008, nessa sua 5ª edição (2016) sob direção artística de Toma Muteba Luntumbue; Trienal de Luana em Angola criada em 2006 com Fernando Alvim como comissário, embora criticado por Adriano Mixinge, até aqui o evento parece ser uma das principais plataformas para a arte contemporânea angolana. Na sua mais recente edição a terceira de 2015-2016 trouxe
como tema “Da utopia à realidade”; Ravy Bienal de Yaoundé em Camarões – encontro de artes visuais desde 2008;a Bienal de Kinshasa conhecida como “yango Bienal”; e amais recentemente bienal de Lagos na Nigéria instaurada em 2017, sua primeira edição em outubro do corrente ano em seis locais da cidade de Lagos sob curadoria do Folakunle Oshun e Amira Paree, a exposição conta mais de 40 artistas internacionais totalizando 20 países.
Com aprovação do Ministério do Turismo, Artes e Cultura do Estado de Lagos, a Bienal é organizada pela Akete Art Foundation, uma organização cultural sem fins lucrativos fundada em 2016 com o objetivo principal de promover a arte contemporânea na Nigéria. De acordo com Folakunle Oshun diretor artístico, uma conferência acadêmica coordenada por Erin Rice (Freie Universität Berlin) e Akor Opaluwah (Nottingham Trent University) na Universidade de Lagos realizou a exposição, juntamente com um programa de cinema.
Falando em cinema, tal como Dakar se fez capital das artes, Burkina Fasso é capital do cinema africano. Que já propõe realizar em 2019 o quinquagésimo aniversário, no entanto, desde 1969 que boa parte das produções de filmes de cineastas africanos em longa e curta metragem participam em competição no maior festival de cinema da África, conhecida continentalmente como FESPACO - Festival Panafricain de Cinéma et de Télévision de Ouagadougou em português [Festival Pan-africano de Cinema e Televisão de Ouagadougou]. Com objetivo de contribuir para a expansão e desenvolvimento do cinema africano como meio de expressão, educação e sensibilização e promover um mercado para filmes africanos e profissionais da indústria, esse evento é realizado bienalmente no mês de março em Ouagadougou. Nollywood, o cinema da Nigéria que criou a sua própria identidade e criou um novo formato que serve de exemplo para o mundo.
O festival (FESPACO)é exclusivo a cineastas africanos e da diáspora, dando abertura para a seção de não competição que é reservada para filmes de cineastas internacionais que têm uma perspectiva de África. Na sua primeira edição de 1969 reuniu apenas 23 filmes e 5 países, esse ano da sua 23ª edição o festival conta com mais de 100 filmes que competem para os prêmios em categorias que vão do melhor filme Curta ao melhor Longa da Diáspora e, igualmenteo L'Étalon de Yennega o lendário (garanhão de ouro) é o mais alto prêmio concedido a um filme no FESPACO
nesse caso o Oscar de Hollywood. O diretor senegalês Alain Gomis foi o último vencedor do prestigiado L'Étalon de Yenenga pelo seu filme "Tey" (que significa "Hoje no Wolof", lançado em França sob o título Aujourd'hui), que segue as últimas 24 horas da vida de um homem. Fespaco é um festival que cresceu exponencialmente promovendo o cinema e a cultura africanos. Outros elementos que prezam importância nessa breve relação é o Centro Internacional de Culturas Bantu (CICIBA) criado em 1983 por uma iniciativa de ex presidente do Congo Omar Bongo.Com foco na identidade, cultura e ancestralidade a instituição realiza normalmente Bienais, conhecida Bienal de CICIBA desde 1985 em diferentes países da África. As exposições têm contado comparticipação de vários artistas por dentro da África dentre eles angolanos Jorge Gumbe, Francisco Van, António Ole Marcela Costa, Marcos Tango e Tomas Dombele (ANGOP, 2002).
Com sede em Librevile-Gabão, CICIBA trabalha com três principais planos de ação: banco de dados, pesquisa científica, produção cultural em áreas como arqueologia, linguística e tradições orais, etc, vela pela busca da identidade cultural dos povos bantu, o conhecimento profundo da herança ancestral e a preservação e promoção dos valores autênticos da África Bantu nesse mundo contemporâneo.
CICIBA, reúne nações membros como Angola, Camarões, República Centro-Africana, Comores, República do Congo, República Democrática do Congo, Guiné Equatorial, Gabão, Ruanda, São Tomé e Príncipe e Zâmbia. Recentemente o diretor geral dessa instituição Antoine Manda Tchebwa participou de um evento o qual foi condecorado em São Paulo a convite do ILABANTU (Instituto Latino Americano de Tradições Afro Bantu) que reuniu entidades, diplomatas, professores, pesquisadores, jornalistas da África, Brasil e américas; com representantes inclusive de Cariacica – Espírito Santo.
Apesar de nível ou conjuntura diferente nos seus contextos sociais a Bienais na África funcionam tal como acontece no Ocidente por exemplo a veterana Bienal de Veneza; de Paris, de Berlin, de Nova York que pouco estendem seus destaques a obras ou artistas africanos, exceto ade Veneza que em maio de 2015 anunciou o prêmio leão de ouro para o artista ganense El Anatsui pelo conjunto de obra, e por recomendação do curador africano Okwui Enwezor; aliás, em 120 anos de Bienal Enwezor é o primeiro curador africano em 120 anos de Bienal (TOLEDO, 2015).
Ainda nessa Bienal na sua 55ª edição de 2013 o pavilhão de Angola foi contemplado com o leão de ouro – o prêmio de melhor participação nacional, com a mostra “Luanda, cidade enciclopédica” de Edson Chagas fotografo angolano composta de fotos de objetos quotidianos de sua capital. A curadoria foi feita pelo grupo Beyond Entropy. Na mostra, público pode levar cópias das fotografias consigo (o globo, 2013).
Das mais antigas a Bienal de Dakar é a que mais lidera em termos de visibilidade ou a mais destacada no continente iniciado nas décadas 1990, com foco na la criation
contemporaine, Dakar’art tem focado na liberdade de criação, destacando ao mesmo
tempo a relevância da crítica africana e sua capacidade de contribuir de forma significativa para a reflexão sobre a criação contemporânea. O crítico de arte Simon Njami foi o comissário da última bienal de Dakar em 2016. Njami é igualmente co- fundador da revista francesa Revue Noire, criada em 1991 em Paris com o objetivo de demonstrar que "há arte em África". A revista é criticada em parte no livro de Adriano Mixinge Made in Angola, entre as páginas 135-136 (MIXINGE, 2009).
Fig.87 Cartaz do primeiro festival de artes negra em Dakar. (africainwords.com) Fig.88 Cartaz da primeira Bienal de Dakar (biennaledakar.org)
Fig.89Logotipo do CICIBA em Libreville. (cicibabantu.org)
Fig.91Ministra angolana da Cultura Rosa Cruz e Silva recebendo do presidente da Bienal de Veneza o prêmio Leão de Ouro conquistado pelo Pavilhão de Angola (jornaldeangola.sapo.ao).
As grandes e médias eventos de Bienais da arte contemporânea na África são outros elementos sociais e artísticos que na sua forma congênita constituem territorialidades das práticas artísticas que muitas das vezes passa despercebido sem destaque ou visibilidade. As Bienais têm desempenhado um papel importante no continente proporcionando espaços, ao mesmo tempo dando visibilidades para a produção artística africana, revelando novos talentos da contemporaneidade africana.
Jan Vansina, história da arte historiador, relata nas suas pesquisas em África sobre história da arte, percebe algo que aqui chamaríamos de territorialidades, portanto, nessa reflexão o autor belga estabelece:
O fenômeno da moda intensificou-se sob o impulso de centros, numericamente restritos e geralmente instalados em grandes cidades, tais como Cairo, Túnis, Argel, Fez, Nairóbi, Lagos, Dakar, Kinshasa, Luanda ou Soweto. Esta evolução corresponde a modalidades características, relativas ao aumento do consumo visível2 e ao poder de atração das elites, na qualidade de grupos de referência para milhões de indivíduos. A simples enumeração destes fatores demonstra o quão está o desenvolvimento das artes intimamente ligado à história geral, intelectual e material do período, bem como, oferece a evidência das marcantes influências, regularmente exercidas por estes aspectos, sobre todas as manifestações artísticas. Estas inter-relações não surpreenderiam, de imediato, àquele dedicado ao aprofundamento do seu estudo (MAZRUI, 2010, p.698).
Em Angola, a partir desse segmento artístico podemos citar eventos como prêmio nacional de cultura e artes a nível estatal; e Premio Ensa-arte a nível privada, iniciada em 1991com uma periodicidade bienal, considerado uma referência no panorama das artes plásticas em Angola, contempla jovens conceituados criadores nacionais com obras de pintura e escultura, cujo o acervo contribuiu na composição do pavilhão de Angola na Bienal de Veneza de 2013 (Angop, 2016).
O Prémio Nacional de Cultura e Artes é a mais importante distinção do Estado Angolano neste sector, tendo como principal objetivo incentivar a criação artística e cultural, bem como a investigação cientifica no domínio das ciências humanas e sociais. Essas atividades artístico-cultural configuram territorialidades entre os principais eventos da arte nacional em Angola. Inclui-se nessa curta relação o Festival
Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) que em 2015 realizou a sua 7ª edição.
Nas pesquisas sobre personagens africanas que representariam uma territorialidade e visibilidade em suas produções artísticas ou marchands – dentre essas destacamos: o artista beninense Meschac Gaba (1961) que possui um museu de arte africana contemporâneana Europa; o empresário e colecionador de arte contemporânea Sindika Dokolo (1972) do Congo (RDC) e Solomon Ogbonna colecionador nigeriano que reúne em seu acervo um pouco mais de 6000 peças de arte tradicional africana.
Meschac Gaba por si só, representa uma territorialidade portando uma mensagem de desconstrução e inovação promovendo a arte africana contemporânea fora da África através do seu museu itinerante denominada Museum of Contemporary African
Art instalada na Europa atualmente na Inglaterra.
O museu tem circulado em alguns países, atualmente encontra-se no museu de Tate Museum, um museu nacional de arte moderna do Reino Unido sediado em Londres. Compreende quatro galerias: “Tate Britain (aberta em 1897), Tate Liverpool (1988), Tate St Ives (1993) e Tate Modern (2000), com a ainda a galeria online, Tate Online (1998). Foi fundada originalmente com o nome de National Gallery of British Art e renomeada após Henry Tate fundar um edifício especialmente para ela em Millbank, Londres” lê-se em (www.tate.org.uk/).
Com esse museu, o artista tenta desmistificar a imagem das artes plásticas africanas, desconstruindo estereótipos que perduram estigmatizado quando o assunto é arte africana principalmente na Europa onde muitas impressões parecem permanecer arquetípicas em máscaras e esculturas.
Para Gaba, esse Museu de Arte africana Contemporânea não é um modelo – é apenas uma questão, questionamento. É temporário e mutável, trata-se de um espaço mais conceitual que físico, uma provocação para o estabelecimento de arte Ocidental não só para atender ao contemporâneo da arte africana, mas também questionar por que os limites existiam em primeiro lugar.
Gaba conquistou seu reconhecimento mundial em fruto dos seus trabalhos em especial exposições individuais, coletivas e Bienais. Entre os seus mais conhecidos trabalhos estão as excepcionais sweetnwess, sweet city o qual o artista representa
diferentes cidades feita com açúcar uma delas apresentada na 27ª Bienal de São Paulo em 2014. O trabalho foi realizado durante uma residência em Recife, constatou a arquitetura dessa cidade era holandesa e não só, a participação dos descendentes africanos na construção da cidade. Associou tudo isso com os seus antepassados no cultivo da Cana-de-açúcar.
Fig.92 Trienal de Luanda na sua segunda edição de 2010.(fondation-sindikadokolo.com) Fig.93 Meschac Gaba Sweet City, 2008. (buildingcollector.com)
O seu museu itinerante compõe-se de múltiplas peças e salas entre elas bibliotecas, restaurante, espaço humanista, sala de arte e religião, sala matrimonial onde artista expõe indumentárias de noivo e noiva do seu próprio casamento, sala de jogos, sala de música, salão, uma tenda de museu entre outras. Para ele são elementos familiares da maioria dos museus de arte ocidentais contemporâneos. No entanto, colocando essas atividades tradicionalmente subsidiárias no centro de seu projeto, Gaba questiona a natureza e função do museu e nossa relação com ela.
Segundo as informações do Museu Tate, Gaba apresentou a primeira parte de seu projeto, o Draft Room prefigurando muitas das preocupações conceituais e a abordagem estética que Gaba desenvolveria em salas posteriores, o Draft Room continha uma variedade incomum de objetos feitos à mão, encontrados e alterados.
De acordo com Kerryn Greenberg, havia vários trabalhos feitos a partir de notas de desconto, bem como montes de alimentos cerâmicos que refletiam seu espanto com a superprodução excessiva na Europa. Em suma, o museu de Gaba é um espaço não
só para a contemplação de objetos, mas para a sociabilidade, estudo e jogo em que os limites entre a vida cotidiana e arte, observação e participação são desfocadas. O trabalho desse artista constitui uma territorialidade e de alguma forma a visibilidade para a produção artística africana contemporânea.
O empresário congolês democrata Sindika Dokolo com residência em Angola, um dos mais notáveis colecionadores de arte contemporânea e antiga do mundo (FORTUNATO, 2015) até o momento faz um dos maior a referência nesse aspecto. Embora o crítico A. Mixinge questione com relação a certas veracidades em discursos, Dokolo acumula em sua posse uma larga coleção com mais de 5.000 peças (nytimes, 2015). Mil a menos do o nigeriano Solomon Ogbonna colecionador de arte africana conta com um acervo de 6.000 peças de arte clássica africana (africantime, 2013).
A coleção de Dokolo visa equilibrar a visibilidade da arte africana contemporânea no continente. O marchand congolês herdoudo pai o interesse pelas artes, Augustin Dokolo, ex banqueiro e milionário e amante das artes africanas. Em uma entrevista à Agencia Lusa (2013)Sindika Dokolo assegura não ter pretensões de ser reconhecido como um grande colecionador, mas antes de qualquer coisa dar a reconhecer ao
mundo os artistas africanos.
Assim sendo, tal como Dokolo, o colecionador S. Ogbonna afirma ter sido influenciado pelo pai que julga ter envolvimento espiritual com artefatos da arte tradicional africana. Todavia, Ogbonna acredita ser ignorância atribuir poderes a obras de arte. Para ele as obras da sua coleção são nada além de uma forma de preservação de memórias