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2. Panorama dos instrumentos disponíveis para a contratação dos serviços relacionados aos

2.4. Outros arranjos: prestação direta e consórcios públicos

No que se refere à prestação direta, temos que os entes federativos poderão prestar o

serviço diretamente, uma vez que possuem titularidade para tal. Acerca da execução indireta

e descentralizada dos serviços – porém ainda considerada como estatizada – temos a

delegação da execução dos serviços a pessoas jurídicas de direito privado compreendidas no

corpo da Administração Indireta, nomeadamente as Autarquias, Empresas Públicas,

Sociedades de Economia Mista e Fundações Públicas. Acerca disso, elucida a profª. Maria

Sylvia Di Pietro:

“Quando a Constituição fala em execução direta, tem-se que entender que abrange

a execução pela Administração Pública direta (constituída por órgãos sem

personalidade jurídica) e pela Administração Pública indireta referida em vários

87

RIBEIRO Maurício Portugal; PRADO, Lucas Navarro. Comentários à Lei de PPP –

Parceria Público-Privada: fundamentos econômico-jurídicos. São Paulo: Malheiros, 2007. p. 201.

38

dispositivos da Constituição, em especial no artigo 37, caput, e que abrange

entidades com personalidade jurídica própria, como as autarquias, fundações

públicas, sociedades de economia mista e empresas públicas.”

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Assim, não há muitas dúvidas acerca da possibilidade da prestação estatizada dos

serviços de resíduos sólidos. Nesse contexto, merece destaque a possibilidade de gestão

associada dos serviços públicos, que foi instituída pela Lei nº 11.107/05 ao criar a figura dos

consórcios públicos.

Tratando agora rapidamente dos consórcios públicos, tem-se que se trata de instituto

jurídico que visa à cooperação entre entes federativos e que tem por objeto a realização de

atividades e metas de interesse comum das pessoas federativas consorciadas. O consórcio

público, diferentemente do convênio, possui personalidade jurídica própria, podendo esta ser

de direito público ou privado

90

. Os consórcios visam promover a chamada gestão associada

dos entes federativos para a comutação de esforços em prol da prestação de serviços

públicos

91

.

No caso do manejo de resíduos sólidos, por se tratar de atividade complexa e que

exige a implementação de vultosas instalações de infraestrutura, o consórcio se mostra uma

opção viável para auxiliar a sua execução, conforme o próprio legislador não se furtou a

observar, chegando ao ponto de incentiva-los

92

. Tendo isso dito, passaremos a explorar as

formas pelas quais a prestação do serviço público estudado poderia tomar forma no escopo

dos consórcios.

No caso de constituição do consórcio sob personalidade jurídica de direito público,

hipótese na qual configurará espécie do gênero autarquia

93

, os entes federativos

consorciados teriam a faculdade de transferir uma gama maior de atividades ao consórcio

que não poderiam ser transferidas a entes privados como a regulação, fiscalização,

89

DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: Atlas, 2014 Pp 118 e 119.

90

CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de Direito Administrativo. 27. ed. rev., ampl. e atual. Rio de

Janeiro: Editora Atlas, 2014. p. 230.

91

Ibidem, p. 360.

92

Lei 12.305/10: Art. 8o São instrumentos da Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outros: XIX - o

incentivo à adoção de consórcios ou de outras formas de cooperação entre os entes federados, com vistas à

elevação das escalas de aproveitamento e à redução dos custos envolvidos. Art. 45. Os consórcios públicos

constituídos, nos termos da Lei no 11.107, de 2005, com o objetivo de viabilizar a descentralização e a

prestação de serviços públicos que envolvam resíduos sólidos, têm prioridade na obtenção dos incentivos

instituídos pelo Governo Federal.

93

SCHNEIDER, Dan Moche;, RIBEIRO, Wladimir Antonio; e SALOMONI, Daniel (autores). / PEREIRA DE

OLIVEIRA, Nelcilândia; GARCIA, Luciana de Oliveira e ANTERO, Samuel A. (orgs.). Orientações Básicas

para a Gestão Consorciada de Resíduos Sólidos. Fundação Instituto para o Fortalecimento das Capacidades

Institucionais – IFCI / Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento – AECID /

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG / Editora IABS, Brasília-DF, Brasil - 2013. p. 62.

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planejamento e prestação direta ou delegada dos serviços públicos a terceiros. Isto se torna

possível visto que a autarquia possui a atribuição de executar atividades tipicamente

públicas

94

.

Dessa forma, o consórcio, assim como os seus entes membros, terá a prerrogativa de

delegar a prestação dos serviços públicos de coleta e transbordo, transporte e triagem, para

fins de reutilização ou reciclagem, tratamento, inclusive por compostagem, e disposição

final dos resíduos sólidos urbanos pelos mecanismos das leis 8.666/93, 11.079/04 e

8.987/95, caso se considere possível a sua remuneração mediante taxa ou tarifa.

Há também a possibilidade de prestação estatizada do serviço, situação nas quais o

consórcio celebrará contrato de programa com a companhia de saneamento do Estado, por

exemplo, para que esta execute o serviço, bem como a prestação estritamente direta do

serviço pelo próprio consórcio, caso em que serão celebrados contratos de programa entre a

pessoa do consórcio e os próprios entes consorciados.

95

No capítulo seguinte, será feito um olhar empírico sobre os casos levantados.

Reiterando o que já foi dito, os consórcios públicos podem atuar como concedentes de

serviços públicos, podendo, inclusive, utilizar dos três moldes de contratação já tratados

acima.

Por esse motivo, por se considerar que, aos casos em que foram constituídos

consórcios públicos com o fim de delegar a prestação regionalizada dos serviços públicos

em estudo, poderiam ser aplicadas as mesmas críticas feitas aos três moldes de contratações

antes explorados, não se focou em buscar por casos específicos em que se constituíram

consórcios.

94

Decreto-Lei nº 200/67: Art. 5º Para os fins desta lei, considera-se: I - Autarquia - o serviço autônomo,

criado por lei, com personalidade jurídica, patrimônio e receita próprios, para executar atividades típicas da

Administração Pública, que requeiram, para seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira

descentralizada.

95

SCHNEIDER, Dan Moche;, RIBEIRO, Wladimir Antonio; e SALOMONI, Daniel (autores). / PEREIRA DE

OLIVEIRA, Nelcilândia; GARCIA, Luciana de Oliveira e ANTERO, Samuel A. (orgs.). Orientações Básicas

para a Gestão Consorciada de Resíduos Sólidos. Fundação Instituto para o Fortalecimento das Capacidades

Institucionais – IFCI / Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento – AECID /

Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão – MPOG / Editora IABS, Brasília-DF, Brasil - 2013. p. 72 a

74.

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3. Um olhar empírico sobre a contratação do manejo de

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