CAPÍTULO IV: Análise e Interpretação dos Dados
4.1 Análise e Discussão dos Resultados
4.1.8 Outros dados relevantes
Alguns dos entrevistados referiram, ainda, alguns dados complementares. Nomeadamente sobre as visitas da Rosita e as suas atividades preferidas, no âmbito de entretenimento. No que diz respeito as pessoas que costumam visitar a Rosita a técnica de Serviço Social, Elisa refere que as visitas são esporádicas e que de facto não presenciou a vinda do irmão a XPTO.
“Muito esporadicamente (…) não nunca lhe conheci nenhum familiar que seja uma referência.” P2
Uma das ajudantes de lar, Lu que tem uma boa ligação com a Rosita, e que trabalha há já bastante tempo na XPTO, refere que conhece relativamente bem o irmão da Rosita e que ele se preocupa com ela, pois ele telefona muitas vezes. Começa por referir que o irmão da Rosita vem visitá-la muitas vezes, acabando depois por dizer que a família vive em Lisboa e como tal não vem cá muitas vezes, e que na opinião da Lu, a família da Rosita confia plenamente na XPTO.
“(…) eles estão descansados sabem que ela esta bem entregue(…) ele(irmão) pergunta e telefona muita vez e tal, mas é para saber se está tudo bem , se ela se tem portado bem e claro(…)eu conheço o irmão vem ai muita vez e alguma família, mas como eles não são bem daqui, “(…) não vem cá muito eles estão em lisboa.”P6
Segundo a Carol é só o irmão que vem visitar a Rosita, depois de questionada sobre um tio, então a Carol diz que conhece, e que este vem de vez em quando, o que se entende que é muito esporadicamente apenas foi referido por esta ajudante de lar.
(…) é só o irmão é que ca vem(…)
(…) um tio, eu soube que havia um tio aqui de perto ? é das aldeias… costuma ca vir de vez em quando, e ela reconhece-o, conhece e fica toda feliz sim, sim, exactamente(...)P7
A animadora quando questionada sobre as pessoas que visitavam a Rosita ela referiu que a Rosita (…) tem visitas do irmão e de uma cunhada, refere que é com alguma frequência mas acaba por dizer que não vêem muitas vezes. A animadora considera que a Rosita tem uma relação muito especial com a cunhada, e que a Rosita fala muitas vezes da Cunhada e que a trata pelo nome próprio, e que esta tem uma atenção especial com a Rosita.
“Ela tem visitas do irmão e de uma cunhada com alguma frequência, não posso precisar quantas vezes vem por ano mas, sei que não vêem muitas\vezes (…) isso deixa muito eufórica. Ela tem uma relação muito especial com a cunhada, ela fala imensas \vezes da cunhada dela. A cunhada costuma trazer-lhe um miminho que sabe que ela gosta. “P4
A mais antiga das entrevistadas, Cila, é a única que não tenta ser politicamente correta e que diz que o irmão da rosita, vem mais ou menos uma vez por ano no verão, e que de vez em quando também telefona.
“Um irmão, vem mas não é com frequência, vem uma vez, sei lá por ano (…) nas férias do verão é capaz de ca vir, uma vez por outra, liga, mas mais que (…)”P5
A mais recente funcionária da XPTO diz-nos que já conheceu um irmão e que este raramente vem vê-la por estar em Lisboa, mas, que se preocupa com ela. Segundo a técnica de Serviço Social Bela, a Rosita tem outro irmão e que não o conhece, é interessante ninguém mais referiu a existência deste irmão aqui na XPTO, embora se saiba que ele existe e até vive num concelho próximo a XPTO, este nunca a visita ou visitou.
“Só tenho conhecimento de um irmão, sei que tem dois mas so conheci um irmão mas também vem cá raramente porque acho que esta em lisboa e pronto e complicado para ele , mas pareceu me preocupado, sim.” P3
Participação da Rosita nas atividades de animação sociocultural
Relativamente a categoria das atividades de animação, realizadas diariamente com o intuito de podemos concluir que a Rosita só participa se a forem buscar, pois como nos foi possível observar, esta por iniciativa própria não vai. Esta opinião também é partilhada pelas ajudantes de lar, Carol e Lu.
“(…) ela participa, acho que tem que a puxar, por iniciativa própria não vai, mas se a incentivarem , vai eu já a la vi estar .”P6
Tal como refere Fenichel (2006) a placidez é uma característica da microcefalia e como tal tem que haver um maior esforço por parte de quem orienta a actividade para que a Rosita participe.
“(…) participava que as vezes ia lá fazer uns desenhos…sim, sim, mas é preciso virem-na lá buscar? É… porque ela de livre vontade não vai? Não se a deixassem se ninguém se incomodasse ela ficava ali um dia inteiro, um dia inteiro (…)”P7
A animadora sociocultural refere que este tipo de indivíduos com DID, se pode integrar em algumas atividades, embora não estejam adaptadas, as necessidades específicas desses mesmos indivíduos com DID.
“Acho que já se faz algum trabalho no qual estas pessoas podem participar, mas, no entanto não é suficiente e não esta devidamente adaptado para eles (…)”P4
A directora da XPTO também afirma que tem tentado trabalhar com a animadora e coma rosita, para que esta trabalhe com a rosita algumas competências, como a higiene oral entre outras.
“(…) Nos temos tentado trabalhar com a animadora e com a rosita(…) houve algumas preocupações da nossa parte em que a animadora trabalhasse alguns aspetos com a Rosita.”P1
A Bela, técnica de Serviço Social, que no ano anterior pertenceu a equipa de animação afirma que a nossa utente Rosita tem muita dificuldade em concentrar-se, apesar de se tentar integrar nas atividades, esta técnica considera que não é fácil integrá-la, devido essencialmente a sua falta de concentração.