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Outros direitos dos apenados que devem ser observados

3.2 LEI DE EXECUÇÃO PENAL

3.2.2 Direitos e deveres dos presos elencados da Lei de Execução Penal

3.2.2.2 Direitos

3.2.2.2.5 Outros direitos dos apenados que devem ser observados

A pena, segundo prevê a Lei de Execução Penal em seu artigo 3º, caput, deve limitar-se à sentença, sendo assegurados aos condenados e aos internados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei (BRASIL, 1984).

Nesse sentido, Mirabete comenta que:

Tem o Estado o direito de executar a pena, e os limites desse direito são traçados pelos termos da sentença condenatória, devendo o sentenciado submeter-se a ela. A esse dever corresponde o direito do condenado de não sofrer, ou seja, de não ter de cumprir outra pena, qualitativa ou quantitativamente diversa da aplicada na sentença. Eliminados alguns direitos e deveres do preso nos limites exatos dos termos da condenação, deve executar-se a pena privativa de liberdade de locomoção, atingidos tão-somente [sic] aqueles aspectos inerentes a essa liberdade, permanecendo intactos outros tantos direitos. A inobservância desses direitos significaria a imposição de uma pena suplementar não prevista em lei. [...] o sistema penitenciário não deve acentuar os sofrimentos já inerentes à pena privativa de liberdade. (2006, p. 41, grifo do autor).

Em que pese haver a máxima de que a pena não deve ultrapassar os limites fixados em sentença ou lei, os sofrimentos e a situação desumana reinante nas prisões acabam por agravar a pena a que foi condenado o agente delituoso. A LEP, então, visando impedir o excesso ou o desvio da execução penal, que compromete a dignidade e a humanidade na execução, reconhece e assegura os seguintes direitos de ordem constitucional: o direito à vida, à integridade física e moral, à instrução e o acesso à cultura, às assistências estatais, judiciárias, médicas, ao chamamento nominal, à alimentação, vestuário, alojamento, ao trabalho remunerado e aos estudos, à visita da família, entre outros elencados no artigo 41 da LEP (BRASIL, 1984, 1988; MIRABETE, 2006).

Segundo Dotti, a educação, a saúde, o trabalho, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, as assistências, como direitos individuais e sociais declarados pela Constituição Federal, “integram o repertório dos direitos e das garantias do preso e do interno, máxime porque em seu favor milita o princípio da legalidade estabelecido pelo artigo 38 do Código Penal e artigo 3º da LEP.”. (2002, p. 577).

Todos os direitos acima elencados, bem como os demais elencados no dispositivo legal em destaque, são de extrema importância, e mais, necessários para que o apenado possa cumprir a sua pena com dignidade, a fim de, futuramente, ser reinserido no convívio social (GRECO, 2007).

Outrossim, à luz do que dispõe o artigo 10 da Lei de Execução Penal, a assistência que deve ser proporcionada aos encarcerados tem como objetivos essenciais a prevenção do crime e a orientação para o retorno ao convívio social (BRASIL, 1984).

Nesse sentido, Mirabete, ao lecionar a respeito das assistências garantidas pela LEP, traz que o legislador preocupou-se em humanizar a pena, assentando-se em uma garantia formal que ilumina todo o procedimento de execução:

Prevê-se na Lei de Execução Penal o direito à assistência material (fornecimento de alimentação, vestuário, instalações higiênicas e serviços que atendam suas necessidades pessoais); de saúde (de caráter preventivo e curativo, incluindo atendimento médico, farmacêutico e odontológico); jurídica (assistência jurídica nos estabelecimentos penais); educacional (instrução escolar e formação profissional do preso e do internado); social (amparo do preso para prepará-lo ao retorno à liberdade); religiosa (liberdade de culto e participação dos serviços organizados no estabelecimento penal, além da posse de livros de instrução religiosa etc.), não se descuidando da assistência ao egresso (orientação e apoio para a reintegração à vida em liberdade, concessão de alojamento e alimentação pelo prazo de dois meses etc.). (MIRABETE, 2009, p. 248, grifo do autor).

No que tange à garantia de assistência aos presos, constata-se o seu evidente descumprimento pelo Estado, tendo em vista que os estabelecimentos prisionais não contam com infraestrutura, tampouco com profissionais que atendam satisfatoriamente a demanda do sistema. Portanto, em que pese haver a previsão legal e constitucional dos direitos dos presos, tais direitos são outorgados, porém não são cumpridos, prejudicando a ressocialização dos presos, vez que submetidos à custódia estatal sem qualquer amparo.

Nesse sentido, Greco (2007) afirma que em um regime cruel e desumano como é o cumprimento da pena privativa de liberdade em nossos sistemas prisionais, a ressocialização não acontecerá. Assim, enquanto o Estado finge cumprir a lei, os presos sofrem as consequências pela má administração, pela corrupção dos poderes e pela ignorância da sociedade.

Não é possível falar em Política Penitenciária se não houver, por parte do Estado, uma relação de prioridades claramente estabelecidas. Para que tais prioridades possam ser atendidas, deve o Poder Público recorrer à cooperação e à solidariedade comunitária, consoante o preceituado pelo artigo 4º da LEP, pois nenhum programa destinado a enfrentar os problemas atinentes ao crime e seus agentes, se completaria sem o indispensável e contínuo apoio comunitário, sob pena de não ser alcançado o objetivo da futura reinserção do condenado à vida social (BRASIL, 1984; DOTTI, 2002; MIRABETE 2006).

Por fim, Greco (2007, p. 517) acrescenta que a Lei de Execução Penal é vista por alguns como uma legislação criada para o Primeiro Mundo, razão pela qual não teria condições de ser aplicada em nosso país. Greco ainda aduz que a inaplicabilidade da lei se dá em razão da administração corrupta e a falta de interesse político em cumpri-la, pois há exemplos de que é possível a aplicação da LEP no país, como o “excepcional trabalho

realizado pela – Associação de Proteção e Assistência dos Condenados APAC, em Itaúna, Minas Gerais”, exemplo citado pelo autor, o qual será abordado a seguir.

4 MÉTODO APAC: A HUMANIZAÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE

No capítulo que encerra o presente trabalho de conclusão de curso, será abordada a crise do sistema prisional brasileiro, retratando a justiça restaurativa como uma forma de aplicação diferenciada da pena e como alternativa ao Direito Penal punitivista, na qual se insere a Associação de Proteção e Assistência aos Condenados (APAC). Será abordado, dentro desse contexto, os aspectos fundamentais do modelo Apaqueano, e apontada suas características.