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3.  SISTEMAS E PROCESSOS COSTEIROS

3.2.  Processos costeiros

3.2.3.  Outros processos

Este tipo de transporte demonstra comportamentos‐tipo, isto é, ocorre no sentido de barlamar,  durante a ocorrência de tempestades, e no sentido sotamar, em condições normais, pelo que o  transporte nestas duas direções ocorre de forma desigual e em escalas de tempo diferentes. Posto  isto, verifica‐se que a capacidade de previsão destes dois tipos de transporte é substancialmente  variável. O transporte sedimentar para barlamar, ocorre a grande velocidade, uma vez que a altura  de onda e a sua capacidade energética é grande. O transporte no sentido de sotamar tem,  normalmente, lugar no Verão quando é menor a altura da onda, movendo os sedimentos ao longo  da praia para sotamar, juntando‐se, e aumentando a praia (Dean et al., 2002). O estudo de perfis  transversais realizado para um período de tempo extenso, pode revelar importantes contributos  no  processo de  erosão/acreção, assim  como  no conhecimento evolutivo da  morfologia  e  morfodinâmica da praia submersa.  

  Figura 3.9 – Processos de transporte longitudinal a – Transporte por arrastamento junto à praia e na zona 

de rebentação; b1 ‐ Perfil de resposta a uma tempestade; b2 ‐ Mudança de perfil sazonal (adaptado de  Coelho, 2005; Pais‐Barbosa, 2007). 

 

3.2.3. Outros processos 

Em termos de geomorfologia  costeira existe uma variedade  significativa de ocorrência  de  processos, nomeadamente os relacionados com as condições físicas e hidráulicas. Além dos  processos anteriormente descritos, outros poderão ser considerados, cuja importância não deve  ser menosprezada (figura 3.10). As correntes oceânicas exercem influência não só nos regimes de 

ondulação, mas também no que diz respeito à distribuição global de organismos. A ação do gelo é  um fator importante em costas de alta latitude. Os padrões gerais da circulação global como é o  caso da circulação de águas profundas, ou os fenómenos de El Niño e La Niña no Oceano Pacífico,  resultam em variações a longo prazo nos processos geomorfológicos nas costas que são afetadas  por essas mesmas variações (Woodroffe, 2002). Este autor também afirma que o papel de eventos  extremos como tempestades ou tsunamis poderão também ser expressos em termos de morfologia  costeira. Alguns destes processos são sumariamente descritos nesta secção. 

É possível determinar, em termos probabilísticos, os intervalos de ocorrência de determinado  evento. Esta determinação indica, assim, a probabilidade associada a um evento de determinada  dimensão, assumindo que o clima é constante. Assim, se ocorrerem mudanças climáticas, também  a frequência expectável destes acontecimentos se modificará (Woodroffe, 2002). 

Relativamente às tempestades, a sua designação associa‐se não só a eventos com elevada  libertação de energia, mas também àqueles onde a velocidade do vento atinge velocidades  elevadas (nomeadamente velocidades acima de 8 na escala de Beaufort [Huler, 2004; Stewart,  2008; Met Office, 2010]). A tempestade ocorre em locais em que a pressão atmosférica é  particularmente baixa e a superfície do mar eleva‐se como resposta a esta baixa pressão (Flather,  2001). Os ciclones, por exemplo, podem exercer influência sob a costa durante vários dias,  aumentando o nível da água. No caso dos tsunamis, as modificações causadas, relativamente à  geomorfologia, são consideráveis. Estes provocam ondas de largo período, nas quais o pico de  velocidade se pode manter durante vários minutos (Bryant, 2001). Associado a este evento pode  estar o transporte de grandes sedimentos para a costa, sendo devastador o efeito das ondas  provocadas.  

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Ação do vento 

O vento representa um outro fator importante na criação de ondas, assim como na origem de  formações tais como as dunas. As características típicas de uma onda, totalmente levantada sob  designadas como “swell”; o swell pode deslocar‐se ao longo de grandes distâncias sem perda  significativa de energia [Araújo, 2004]), que é gerado por ondas associadas a tempestades que  estão para além da influência imediata da costa, também ocorrerem as ondas de vento que são  significativas e geradas localmente e que podem provocar efeitos importantes na costa (Woodroffe,  2002). Existem determinados ventos, particularmente associados a algumas zonas costeiras como  a brisa marinha, que ocorrem devido às diferentes condutividades térmicas da terra e do mar. O  transporte de sedimentos está, também, associado à direção dos ventos. 

 

Ação do gelo 

Em primeiro lugar, a ação do gelo pode ser maioritariamente observada em costas de elevada  latitude como, por exemplo, as áreas adjacentes ao Oceano Ártico. Este fator influente, associado  sedimentos e água fresca para as zonas costeiras (Woodroffe, 2002). No caso dos deltas, os  sedimentos são suscetíveis de se acumularem na foz do rio, a menos que os processos costeiros  sejam suficientes para redistribuí‐los. Os estuários também podem, frequentemente, acumular  sedimentos fluviais e costeiros.  

   

Fatores climáticos 

Os fatores climáticos exercem influência no grau de alteração dos materiais o que, por sua vez,  determina a resistência da rocha ou sedimento (Ollier, 1984). A alteração das rochas pode ocorrer  em costas que estão sob a influência de pulverizações de sal, sendo que o sal influência o colapso  da rocha, corroendo a sua superfície. Existem outros tipos de influência em termos físico‐químicos,  nomeadamente a formação de lagoas de água do mar sob as superfícies rochosas. 

Estas modificações físico‐químicas provocam défices no desempenho da rocha, principalmente a  nível geomecânico. No caso das costas rochosas também são importantes os processos de vertente,  estabilidade da costa, deslizamento, queda de blocos ou de movimento de massa (Woodroffe,  2002; Trenhaile, 2011a, b). 

 

Processos biológicos 

As plantas e animais poderão também exercer influência na geomorfologia costeira. Um dos  exemplos mais significativos são os de recifes de corais, onde a totalidade dos relevos resultam das  atividades  estruturais  dos  organismos.  No  geral,  os  ecossistemas  apresentam  um  papel  biomecânico e bioquímico. Existem diversos organismos que produzem sedimentos calcários, que  poderão, por vezes, funcionar como uma camada protetora. Os processos de bioerosão também  são representativos (Spencer, 1988). No caso das dunas, a vegetação desempenha um papel  importante, funcionando como uma fronteira e como barreira. Mas, segundo Woodroffe (2002),  um  dos  mais  importantes  fatores  é  o  impacto  humano.  A  humanidade  tem  modificado  drasticamente muitas costas e exerce influência, porém subtil, em quase todas as costas.