• Nenhum resultado encontrado

Outros protocolos de rede

No documento Redes Linux (páginas 135-139)

O TCP/IP tornou-se um protocolo onipresente. Ele é usado desde servidores de grande porte até palmtops e celulares, permitindo que dispositivos de plataformas completamente diferentes possam conversar entre si.

Mas, antes do TCP/IP, os protocolos mais usados eram o NetBEUI e o IPX/SPX. Eles ainda são utilizados em algumas redes, por isso é importante saber um pouco sobre eles:

NetBEUI: O NetBEUI é uma espécie de "vovô protocolo", pois foi lançado pela IBM no início da década de 80 para ser usado junto com o IBM PC Network, um micro com configuração semelhante à do PC XT, mas que podia ser ligado em rede. Naquela época, o protocolo possuía bem menos recursos e era chamado de NetBIOS. O nome NetBEUI passou a ser usado quando a IBM estendeu os recursos do NetBIOS, formando a versão final do protocolo.

No jargão técnico atual, usamos o termo "NetBEUI" quando nos referimos ao protocolo de rede em si e o termo "NetBIOS" quando queremos nos referir aos comandos deste mesmo protocolo usado pelos programas para acessar a rede.

Ao contrário do IPX/SPX e do TPC/IP, o NetBEUI foi concebido para ser usado apenas em pequenas redes e por isso sempre foi um protocolo extremamente simples. Por um lado, isto fez que ele se tornasse bastante rápido e fosse considerado o mais rápido protocolo de rede durante muito tempo. Para você ter uma idéia, apenas as versões mais recentes do IPX/SPX e TCP/IP conseguiram superar o NetBEUI em velocidade.

Mas, esta simplicidade toda tem um custo: devido ao método simples de endereçamento usado pelo NetBEUI, podemos usá-lo em redes de no máximo 255 micros. Além disso, o NetBEUI não suporta enumeração de redes (para ele todos os micros estão ligados na mesma rede). Isto significa que, se você tiver uma grande Intranet, composta por várias redes interligadas por roteadores, os micros que usarem o NetBEUI simplesmente não serão capazes de enxergar micros conectados às outras redes, enxergarão apenas os micros a que estiverem conectados diretamente. Devido a esta limitação, dizemos que o NetBEUI é um protocolo "não-roteável".

Apesar de suas limitações, o NetBEUI ainda é usado em algumas redes Windows, por ser rápido, fácil de instalar e usar. Você não pode usá-lo para acessar a internet, acessar outras máquinas da rede via SSH nem nenhum outro dos serviços que vimos até aqui, mas ele permite que as máquinas Windows compartilhem arquivos entre si.

De qualquer forma, para instalá-lo, no Windows XP, acesse o menu de configuração da rede e acesse a opção Adicionar > Protocolo > NWLink/IPX/SPX/NetBIOS Protocolo de transporte compatível.

Embora não seja recomendável utilizá-lo nos dias de hoje, não existe problema em mantê-lo ativo junto com o TCP/IP. No NetBEUI também não existe configuração de endereços, pois os micros conversam diretamente usando os endereços MAC.

Ao instalar uma estação de trabalho com o XP numa rede antiga, baseada em micros com o Windows 95/98, pode ser necessário ativar o NetBEUI para que ele consiga conversar com as outras máquinas, já que antigamente, antes da popularização do acesso à internet, era comum configurar redes locais usando apenas o NetBEUI, sem TCP/IP.

IPX/SPX: Este protocolo foi desenvolvido pela Novell, para ser usado em seu Novell Netware. Como o Netware acabou tornando-se muito popular, outros sistemas operacionais de rede (incluindo o Windows), passaram a suportar este protocolo. O IPX/SPX é tão rápido quanto o TPC/IP (apesar de não ser tão versátil) e suporta roteamento, o que permite seu uso em redes de médio ou grande porte.

As versões recentes do Novell Netware oferecem a opção de usar o IPX/SPX ou o TCP/IP, sendo o uso do TCP/IP mais comum, já que é mais fácil interligar máquinas de várias plataformas à rede.

No Netware, além do módulo principal (instalado no servidor), é fornecido um módulo cliente, que deve ser instalado em todas as estações de trabalho. Além da versão principal do Netware, existe a versão Personal, um sistema de rede ponto a ponto, que novamente roda sobre o sistema operacional. Esta versão do Netware é bem fácil de usar, porém nunca foi muito popular, pois o Windows sozinho já permite a criação de redes ponto a ponto muito facilmente, desde o 3.11.

Atualmente é muito comum utilizar servidores Linux, rodando o Samba, substituindo servidores Windows NT, 2000 ou 2003 Server. No início de 2003, a Novell comprou a SuSE, uma das maiores distribuições Linux na Europa e, em seguida, a Ximian, que entre outras coisas desenvolve soluções de interoperabilidade entre servidores Linux e Windows. Isso mostra que as futuras soluções da Novell devem ser baseadas em Linux.

Mas, voltando ao assunto principal, é possível usar estações Windows e Linux como clientes de um servidor Novell. No caso do Windows, é necessário ter instalado o protocolo IPX/SPX e também um cliente para redes Netware. No Windows XP, a compatibilidade com o IPX é fornecida pelo protocolo " NWLink/IPX/SPX/NetBIOS", o mesmo que instalamos para ativar o suporte ao NetBEUI.

Para instalar o protocolo IPX/SPX no Windows 95/98, abra o ícone de configuração da rede e use a opção "Adicionar > Protocolo > Microsoft > Protocolo compatível com IPX/SPX". Para instalar o cliente para redes Novell no Windows 98, clique em "Adicionar > Cliente > Microsoft > Cliente para redes NetWare".

Apesar do cliente fornecido com o Windows 98 não ficar devendo muito em termos de recursos, é preferível usar o cliente da própria Novell, que traz alguns recursos únicos, além de ser mais rápido. O programa cliente da Novell acompanha o módulo servidor, mas você também pode baixá-lo gratuitamente (12 MB) do site da Novell:http://www.novell.com.br. Após baixar o arquivo, execute-o para que ele se descompacte automaticamente e, em seguida, execute o arquivo "setup.exe" para instalar o cliente. O programa de instalação adicionará o "Cliente NetWare da Novell" e o "Protocolo IPX de 32 Bits para o NetWare Client da Novell", que aparecerão na janela de configuração da rede.

O cliente ficará residente na forma de um ícone ao lado do relógio, já que você depende do programa para ter acesso ao servidor. Como no caso dos servidores NT, você deverá criar uma conta de usuário no servidor Novell e logar-se na rede informando o nome de usuário e senha estabelecidos.

Ao usar clientes Linux, você pode utilizar o NovelClient (com um L só), que pode ser baixado no:

Capítulo 4: Segurança

A questão da segurança tem se tornado cada vez mais importante à medida que a internet torna-se um ambiente cada vez mais hostil e as ferramentas para capturar tráfego, quebrar sistemas de encriptação, capturar senhas e explorar vulnerabilidades diversas tornam-se cada vez mais sofisticadas.

Outra questão importante é que usamos cada vez mais tecnologias diferentes de acesso e transmissão de dados, o que torna manter sua rede segura uma tarefa mais complicada. Por exemplo, sua rede pode ser bastante segura contra invasões "diretas", via internet, graças ao firewall ativado no gateway da rede, mas, ao mesmo tempo, ser muito fácil de invadir através da rede wireless sem encriptação que você utiliza.

Ao usar clientes Windows, existe ainda o problema dos vírus, trojans e worms. Os vírus se espalham através de arquivos infectados, páginas que exploram vulnerabilidades no navegador, e-mails e assim por diante, geralmente utilizando alguma técnica de engenharia social que leve o usuário a clicar em um link ou executar um arquivo.

Assim como na vida real, os vírus variam muito em termos de potencial nocivo. Existem desde vírus extremamente perigosos, que destroem os dados do HD, subscrevendo os arquivos com dados aleatórios (de forma que seja impossível recuperá-los) e, algumas vezes até mesmo danificando o BIOS da placa mãe; até vírus relativamente inofensivos, que não fazem muita coisa além de se replicarem por diversos meios, tentando infectar o maior número de PCs possíveis.

Os trojans são muito similares aos vírus, mas o objetivo principal é abrir portas e oferecer alguma forma de acesso remoto à máquina infectada. Ao invés de deletar arquivos ou mostrar pop-ups (como os vírus), os trojans são quase sempre muito discretos, de forma que o usuário não perceba que sua máquina está infectada. Isso permite que o invasor roube senhas, use a conexão para enviar spam, procure por informações valiosas nos arquivos do HD, ou mesmo use as máquinas sob seu controle para lançar ataques diversos contra outras máquinas.

Os worms se diferenciam dos vírus e trojans pela forma como infectam as máquinas. Ao invés de depender do usuário para executar o arquivo infectado, os worms se replicam diretamente, explorando vulnerabilidades de segurança nas máquinas da rede. Os mais complexos são capazes de explorar diversas brechas diferentes, de acordo com a situação. Um worm poderia começar invadindo um servidor web com uma versão vulnerável do IIS, infectar outras máquinas da rede local a partir dele, acessando compartilhamentos de rede com permissão de escrita e, a partir delas, se replicar via e-mail, enviando mensagens infectadas para e-mails encontrados no catálogo de endereços; tudo isso sem intervenção humana.

Os worms podem ser bloqueados por um firewall bem configurado, que bloqueie as portas de entrada (e, se possível, também portas de saída) usadas por ele. É possível também bloquear parte dos vírus e trojans adicionando restrições com base em extensão de arquivos no Squid, ou adicionando o Clamav no servidor de e-mails (como veremos ao longo do livro), mas, a principal linha de defesa acaba sempre sendo o antivírus ativo em cada máquina Windows.

No Linux, as coisas são um pouco mais tranqüilas neste ponto. Os vírus são quase que inexistentes e as vulnerabilidades em servidores muito utilizados, como o Apache, SSH, etc. são muito menos comuns. O problema é que todos estes prognósticos favoráveis dão uma

falsa sensação de segurança, que acabam levando muitos usuários a assumirem um comportamento de risco, deixando vários serviços ativados, usando senhas fracas ou usando a conta de root no dia-a-dia.

Também é muito comum que os novos usuários fiquem impressionados com os recursos de conectividade disponíveis no Linux e acabem abrindo brechas de segurança ao deixar servidores XDMCP, NFS, Squid, etc. abertos para a internet. Muitos usuários do Windows sequer sabem que é possível manter um servidor FTP aberto no micro de casa, enquanto muitas distribuições Linux instalam servidores Apache ou SSH por default. Muitos usuários Linux mantém servidores diversos habilitados em suas máquinas, algo muito menos comum no mundo Windows.

No final das contas, a segurança do sistema depende muito mais do comportamento do usuário do que do sistema operacional em si. Um usuário iniciante que use o Windows XP, sem nenhum firewall ou qualquer cuidado especial, mas que tenha o cuidado de manter o sistema atualizado e não executar qualquer porcaria que chegue por mail provavelmente estará mais seguro do que um usuário Linux sem noções de segurança que use o sistema como root e mantém um batalhão de servidores desatualizados ativos na máquina.

Você poderia perguntar porque alguém teria interesse em invadir máquinas de usuários domésticos, que não possuem arquivos valiosos, ou mesmo estações de trabalho que são usadas apenas para editar textos e enviar e-mails.

A questão principal não é o que está armazenado do HD, mas sim a banda. Ter vários PCs sob seu controle, principalmente se eles possuírem conexões de alta velocidade, significa poder. É possível usá-los para alimentar redes P2P como o Kazaa e outros, fundar uma rede de distribuição de warez ou moviez, usá-los como servidores complementares para um site pornô qualquer, enviar spam, usá-los para rodar portscans e lançar ataques contra outras máquinas ou até mesmo usá-los em um ataque coordenado para tirar um grande portal do ar.

No documento Redes Linux (páginas 135-139)