A parceria entre o setor público e o setor privado pode acelerar o
desenvolvimento tecnológico
Há importantes iniciativas de pesquisas brasileiras dentro das universidades, principalmente USP, UNICAMP, Universidade de São Carlos, e UFMG em segmentos estratégicos como setor elétrico, petroquímico, siderúrgico, tecnologia da informação seja em sensores, catalisadores, ou novos materiais.
• A Eletrocell, empresa que faz parte do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas – CIETEC (USP) em parceria com o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares - IPEN desenvolveu uma Célula a Combustível, com tecnologia brasileira. A célula a combustível transforma energia química em elétrica, usa hidrogênio e pode funcionar com álcool combustível, biodiesel, gás natural e outros combustíveis. O projeto foi custeado pelo governo federal e por verba da iniciativa privada. A AES Eletropaulo investiu R$ 1,75 milhão no desenvolvimento da célula e espera que a tecnologia do hidrogênio na geração de energia possa ser viável comercialmente em cinco anos no País, primeiramente em uso estacionário, que funciona como um gerador. O equipamento pode ser um possível substituto para os combustíveis fósseis como o petróleo.s
• A Universidade de Pernambuco, por exemplo, criou a primeira start-up latino- americana, a Ponto Quântico, que tem aplicações com base em nanosensores de luz, como um protetor solar cujas moléculas reagem de acordo com a intensidade da radiação ultravioleta. Esta produz o nanodosímetro molecular de uso pessoal, que mede a radiação UV a que são submetidos trabalhadores com alta exposição ao sol, como guardas de trânsito. A empresa trabalha em diversos tipos de nanosensores.
• No segmento de siderurgia, a CSN e a RCNI já utilizam catalisadores mais eficientes, que usam nanopartículas de níquel para transformar metano e gás
r Valor Econômico - Área farmacêutica tem grande potencial de desenvolvimento - 24 de Março de 2004 s DCI - Comércio Indústria e Serviços - 1 de Julho de 2005
Instituto Inovação Pág. 39 carbônico em monóxido de carbono e hidrogênio, que são então usados para reduzir o óxido de ferro. A pesquisa brasileira em Nanotecnologia pode contribuir ainda mais na melhoria de materiais usados em metalurgia, eletrônica e indústria do petróleo. t
São ainda relativamente poucas as iniciativas de pesquisa em parceria com empresas no País, porém como pôde ser observado, já se tem atingido excelentes resultados.
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CONCLUSÕES
O elevado grau de inovação conferido pelas mudanças em produtos e processos industriais gerados pelo avanço da Nanotecnologia deverá causar a obsolescência de diversos produtos e processos atualmente em uso. Para evitar que esse processo comprometa a competitividade da indústria brasileira, é necessário investir nas ações que contribuam para a convergência da Nanotecnologia na geração de produtos, processos, serviços e patentes.
Em campos de pesquisa emergentes é de fundamental importância que sejam traçadas estratégias flexíveis de investimento que envolva governos, empresas e instituições de pesquisa. Os pesquisadores precisam de apoio e orientação desde a pesquisa básica até a identificação de uma idéia passível de ser comercializada e que gerem impactos sejam eles sociais, ambientais ou econômicos. As empresas precisam, por sua vez, se aproximar dos centros acadêmicos para obter boas oportunidades e rapidez na transferência dos resultados do laboratório na indústria.
No que tange ao papel do governo, devem-se apoiar as atividades nas quais o país tem ou pode vir a ter excelência a nível internacional. Um exemplo: o Brasil é hoje o único país no mundo que produz combustível de fontes renováveis, a preço vantajoso em relação ao do petróleo e sem subsídios, resultado de muitos anos de trabalho, investimentos e pesquisas.
Outro ponto que tem sido alvo freqüente de discussões em congressos, feiras e palestras é a necessidade de investir em necessidades regionais que não são supridas por fornecedores internacionais de tecnologia, como doenças locais, habitação, transporte, suprimento de água, tratamento de efluentes e de resíduos adequados ao ambiente tropical; e ainda em atividades que torne o país competitivo em áreas na qual hoje somos dependentes (fármacos, eletrônica…). Uma barreira identificada ao desenvolvimento da Nanotecnologia, é o fato de que muitos países ainda hoje definem uma empresa de modo muito restrito, de forma que o negócio está limitado a uma única atividade, principalmente em relação às micro e pequenas empresas. A Nanociência, por si só é uma ciência interdisciplinar e que depende de ações que envolvam vários profissionais de áreas diferentes e que estejam aptos a trabalhar em conjunto. Essa característica peculiar da Nanotecnologia dificulta o seu processo de desenvolvimento, uma vez que exige uma mudança cultural tanto em nível organizacional, quanto em nível nacional para a reversão do processo. A conseqüência é a ausência de planejamentos estratégicos de longo prazo, o que é ainda mais grave em economias menores e menos desenvolvidas.
Vale destacar a questão da propriedade intelectual no momento da comercialização de um produto. As entrevistas conduzidas para realização do estudo possibilitaram identificar que são muitos os conflitos de interesse e conflitos políticos entre pesquisadores, universidades e empresas, o que acaba por muitas vezes impedir que oportunidades tecnológicas sejam devidamente exploradas. Estes empecilhos quando não impedem, atrasam o envio de verbas para pesquisa, tornando o processo de inovação lento e conflituoso, além de que muitas oportunidades acabam sendo aproveitadas por empresas de outros países mais desenvolvidos.
É importante citar também a questão técnica. Há urgência de criação de padrões e de sistemas de nano metrologia, elementos essenciais para o funcionamento eficaz na cadeia de integração vertical.
Nos próximos anos, o desenvolvimento da Nanociência irá superar em termos de amplitude a Revolução Industrial do século passado. No primeiro movimento, houve uma passagem do processo artesanal, da manufatura para a produção em série. As empresas, os países se especializaram em determinadas atividades econômicas. Entretanto, o movimento tecnológico que se observa hoje, exige especialistas com habilidades interdisciplinares. Os desenvolvimentos nanotecnológicos estão revolucionando os processos de criação de produtos e serviços. E para acompanhar
Instituto Inovação Pág. 41 ou melhor, estar a frente, é necessária uma ação conjunta e pró-ativa do trinômio: Instituições Acadêmicas, Governo, Empresas.
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