6. RESULTADOS
6.1 ATRIBUTOS BIOFÍSICOS E TECNOLÓGICOS
6.1.3 Outros usos do mar
A pesca industrial utiliza o espaço marinho adjacente ao município de Garopaba há bastante tempo, pelo menos desde a década de 1950. De maneira geral, as embarcações possuem mais de 20 t de arqueação bruta, sistemas de conservação (gelo ou congelamento) e alto poder de captura, empregando sondas ou sonares para a detecção dos cardumes (SUNYE, 2006). A frota industrial do estado está concentrada, sobretudo, em municípios do litoral norte, atuando em áreas costeiras e oceânicas ao longo de todo o litoral SE e S do Brasil. Na costa de Garopaba ocorrem também embarcações industriais de outros estados, principalmente de São Paulo e do Rio de Janeiro. A composição da frota industrial em Santa Catarina, que tem como alvo alguns dos recursos pesqueiros também capturados pela pesca artesanal, está sintetizada no Quadro 4. Para uma descrição detalhada das artes de pesca correspondentes às frotas, ver Gamba (1994) e o website do GEP-CTTMAR12. Cabe destacar que a frota de arrasto simples entrou em operação apenas a partir de 2001. Em águas mais profundas, essa arte de pesca tem sido economicamente mais vantajosa do que os demais tipos de arrasto.
12 Grupo de Estudos Pesqueiros (GEP-CTTMAR/UNIVALI), <http://siaiacad04.univali.br/index_esp.
php?id=18.> Acesso em 08/12/2006.
Foto: CEPSUL/IBAMA
FIGURA 27: Embarcação de vara e isca-viva, também chamada localmente de
“atuneiro” (esq.), na enseada da Praia da Garopaba, e de arrasto duplo (dir.).
QUADRO 4: Características da frota industrial catarinense que captura os mesmos recursos que a pesca artesanal de Garopaba.
arrasto
Fontes: CERGOLE et al. (2005), GEP-CTTMAR/UNIVALI.
Excetuando a pesca industrial, os outros usos do mar em Garopaba surgiram após a intensificação da atividade turística e de veraneio, ocorrida a partir da década de 1970. A praia central de Garopaba concentra os praticantes de boa parte dessas atividades, presentes, sobretudo, durante os meses de verão. É o caso do banho de mar, do mergulho contemplativo e das atividades náuticas recreativas, como o caiaque, o “windsurf” e, mais recentemente, o “jetsky” e o “kytesurf”. A maioria dos usos do mar foram espacializados nas Figuras 29 a 33.
Nas outras praias do município, além do banho de mar, a principal atividade é o surfe (Figs. 29 a 33), introduzido a partir de meados da década de 1960, com a chegada dos primeiros visitantes. Porém, foi especialmente a partir da década de 1990 que milhares de pessoas – oriundas, sobretudo, dos estados do S e do SE do Brasil – passaram a visitar Garopaba, ao longo de todo o ano, atraídas pela qualidade de suas ondas. O surfe se tornou um importante vetor de dinamização da economia local, seja indiretamente, fortalecendo a atividade turística em geral, seja diretamente, através do funcionamento de um expressivo comércio especializado e de uma das maiores indústrias brasileiras no setor de confecção e equipamentos para o esporte.
FIGURA 28: Surfe na Praia do Silveira.
Em função dessa importância econômica, em 2002, o município pleiteou e conseguiu na Assembléia Legislativa do Estado o título de Capital Catarinense do Surfe. Muitos profissionais liberais e comerciantes migraram para Garopaba nas últimas 2 décadas,
principalmente do Rio Grande do Sul, a fim de conciliar o trabalho e um cotidiano ligado a esse esporte. Cada vez mais os jovens nativos também se dedicam ao mesmo. Atualmente, existem 2 escolas de surfe no município, ativas ao longo de todo o ano: uma ligada à Associação dos Surfistas de Garopaba, fundada em 1986, e uma outra, fundada em 1995 (HONÓRIO et al., s.d.).
Outra atividade presente desde o início do turismo e do veraneio é a caça subaquática marinha, com ou sem aparelhos de respiração (no primeiro caso, ilegalmente). Essa atividade também se intensificou muito a partir da década de 1990, ocorrendo principalmente durante os meses de verão. Geralmente os praticantes são veranistas ou pessoas que vêm de outras cidades, principalmente Florianópolis, embarcadas em lanchas ou botes infláveis e voadeiras, com motores de popa. Mas há também nativos, entre os praticantes, embora sejam minoria. Na maioria dos casos, a caça subaquática cumpre a dupla função de lazer e fonte de renda. Muitas vezes os peixes capturados, especialmente a garoupa, são comercializados para hotéis e restaurantes. Contudo, a maioria dos mergulhadores possui outras profissões urbanas e, em muitos casos, um poder aquisitivo relativamente elevado. As áreas mais procuradas pelos praticantes da caça subaquática podem ser vistas nas Figuras de 29 a 33.
Em meados da década de 1980 alguns pescadores passaram a utilizar suas embarcações para fazer passeios turísticos. O número de embarcações nessa atividade nunca foi muito elevado (girando em torno de 5), utilizadas para tal fim quase exclusivamente nos meses de verão. Há cerca de 5 anos, um dos pescadores pioneiros nessa atividade adquiriu uma escuna, com a capacidade de transportar 60 pessoas, tornando-se o principal operador de passeios turísticos embarcados. No verão, são realizados até 2 passeios por dia nessa embarcação.
Os principais locais de passeio são: a enseada de Garopaba, a Ilha do Coral e as praias do Rosa e da Guarda do Embaú. Cabe destacar que os turistas não chegam a desembarcar nesses locais, apenas contemplam as belezas naturais, inclusive através do mergulho, e tomam banho de mar.
FIGURA 34: Operadoras de turismo náutico (passeios, mergulho autônomo, pesca esportiva, observação de baleias) em Garopaba.
FIGURA 35: Pesca esportiva
Essa escuna também é utilizada para a prática da pesca esportiva. Os locais mais freqüentados nessa embarcação são as ilhas da
região, como: Coral, Tacami, Araras, Moleques, Irmã e Campeche (para visualizar algumas dessas ilhas ver Fig. 23). A atividade, provavelmente presente em maior grau desde a década de 1980, acontece ainda em alguns costões, nos ilhotes, parcéis e praias (Fig. 29 a 33). A maioria dos praticantes são veranistas ou turistas. Eles utilizam molinete e, em alguns casos, embarcações motorizadas como lanchas, botes infláveis e voadeiras. Entre as espécies mais procuradas estão o robalo e a garoupa.
FIGURA 36: Turismo embarcado de observação de baleias (TOB).
De acordo com informações disponibilizadas pela equipe da APA da Baleia Franca, em 1999 surgiu a primeira operadora especializada em turismo embarcado em Garopaba, voltada principalmente para a observação de baleias.
Essa atividade tem se fortalecido progressivamente desde então. Foram identificadas três operadoras de turismo embarcado com sede no município, mas o número de operadoras cadastradas na APA para realizar a observação de baleias varia de ano para ano. Em 2007 foram 3 operadoras, que atenderam um total de 625 turistas em 61 avistagens (incluindo áreas do município de Imbituba;
foram 17 avistagens nas praias de Garopaba). Em 2006 foram 4 operadoras cadastradas, mas aparentemente apenas a maior operadora realizou a atividade, atendendo 564 passageiros em um total de 94
avistagens (65 avistagens nas praias de Garopaba).
E em 2005 foram 2 empresas cadastradas, que realizaram 68 avistagens nas praias de Garopaba. As principais áreas de observação de baleia do município podem ser vistas nas Figuras 29 a 33.
Além da observação de baleias, que acontece nos meses de julho a novembro, essas operadoras realizam no verão passeios turísticos para as ilhas e praias da região, onde ocorrem mergulhos contemplativos. Pelo menos uma delas também realiza embarques para a realização da pesca esportiva. As embarcações utilizadas são botes infláveis movidos a motores de popa, com capacidade para transportar em torno de 20 pessoas.
FIGURA 37: Cultivo de mexilhão (Garopaba).
Por fim, também aproximadamente em meados da década de 1990, foi implantado na praia de Garopaba um cultivo de mexilhão Perna perna com fim comercial (Fig.
30). O cultivo inicialmente era de propriedade de um antigo pescador local, que atua também como empresário (dono de um restaurante e de uma embarcação de passeio). A estrutura ocupa uma área um pouco maior que 20 m². Esse cultivo nunca foi submetido aos procedimentos legais para a obtenção da licença de funcionamento.