O QUE FAZER QUANDO FOI OFENDIDO?
P ASSOS PARA A TRANSFERÊNCIA DE RESPONSABILIDADE
Estamos falando aqui de um processo longo, que cobre os primeiros vinte anos da vida dos filhos. A maioria dos pais não enxerga um quadro maior visando a formação do caráter deles, nem pensa em termos de um caminho a ser percorrido. Pelo contrário, eles tratam as situações difíceis como incidentes isolados e não como parte de um plano geral de ensino, formação e crescimento.
Na verdade, a ordem de Jesus para fazer discípulos deveria encontrar a sua máxima expressão com os nossos filhos. Para eles, antes de qualquer outra pessoa, deveríamos ensinar “todo o conselho de Deus” (At 20.27).
Para ajudar a formular um plano abrangente que promova essa formação, e a conseqüente transferência de responsabilidade para nossos filhos, vamos examinar três passos necessários:
1º Passo: Ensino
A) Dt 6:7 afirma que os pais devem ensinar diligentemente aos filhos os mandamentos de Deus. A idéia no original é de afiar repetidamente um objeto. B) Se nossos filhos devem fazer escolhas sábias na vida, devemos começar a incutir
princípios de sabedoria e tomada de decisões em seus primeiros anos e continuar o processo ao longo das suas vidas – afiando, afiando, afiando.
C) Para isso, é importante determinar o que você quer que seu filho saiba. Que informação seu filho precisa acumular mentalmente bem cedo na vida como fundamento para o autocontrole e a tomada de decisões?
D) Uma verdade que nossos filhos precisam aprender é que as nossas vidas estão sob o controle de apenas uma, entre duas forças. Jesus disse: “ninguém pode
servir a dois senhores” (Mt 6.24; Rm 8.7);
E) Temos de compreender que o verdadeiro autocontrole bíblico está ligado à direção de Deus em nossa vida, por meio da capacitação do Espírito Santo. Gl 5.22-23 cita o autocontrole como um ‘fruto do Espírito’. Portanto, o ponto de partida não-opcional para cada pai é verificar se seu relacionamento com Deus é sólido, mediante a compreensão do que significa ser cristão e do que significa ser dirigido e capacitado pelo Espírito Santo de Deus.
F) Podemos achar que se lermos a Bíblia e orarmos com a família, nossos filhos irão tornar-se cristãos por si próprios. Todavia, se deixarmos de mostrar a eles como convidar Jesus Cristo a entrar em sua vida, estaremos negligenciando o ponto de treinamento mais importante de todos, aquele de significado eterno.
G) Devemos observar atentamente nossos filhos. Enquanto fazemos isso começaremos a perceber a “inclinação” especial de sua vida e poderemos então a cultivá-la de acordo com a sua personalidade. Um filho é mais aberto e flexível, outro tem vontade forte, é decidido e resistente. Você deve trabalhar com a personalidade básica de cada filho e não contra ela;
H) Não devemos perder nenhuma oportunidade para ensinar. Conversas dirigidas nas refeições podem estimular os pensamentos e plantar sementes de verdade. Conversas significativas enquanto fazemos uma compra ou trabalhamos juntos em um projeto permitem uma troca natural de idéias. Ler juntos pode iniciar conversas sobre questões importantes e permitir explorar princípios de vida; I) O ambiente do lar é um laboratório da vida diária que permite observar os filhos,
para depois apresentar os fatos e as idéias que eles necessitam aprender.
J) Porém, o mais importante é que eles observem como os pais exercem autocontrole em todo tipo de situação.
2º Passo: Treinamento
A) Os pais não devem fazer para seus filhos o que eles podem fazer mais proveito- samente por si mesmos. Algumas vezes é mais fácil para nós fazermos tudo, e com isso, encorajarmos a dependência e mutilar a iniciativa de nossos filhos para sempre;
B) O pai inteligente sabe quando seu filho está pronto para assumir novos níveis de responsabilidade em sua vida e tem prazer em dar-lhe a oportunidade de experimentar voar com suas próprias asas;
C) Muitos pais são excessivamente impacientes ou perfeccionistas para permitir que seus filhos tenham a oportunidade de terminar uma tarefa; então interferem, abortando o crescimento proveniente da ação;
D) Deve-se pensar na casa como um local de treinamento dos filhos. Os pais são os guias que estão ao lado deles para encorajar, apoiar, corrigir e interagir;
E) O pai deve evitar uma abordagem que provoque culpa, ansiedade ou vergonha. Quando os filhos têm dificuldades para estabelecer autocontrole, os pais precisam ser modelos positivos, oferecendo sugestões realistas sobre o que pode ser feito. João não teve muita ajuda dos pais no desenvolvimento do autocontrole. Disse que os pais nunca exigiram nada dele. Sempre tomavam decisões por ele, sempre o acordavam de manhã e nunca lhe deram tarefas domésticas. Facilitar tanto a vida do filho foi, na verdade, uma tremenda falta de ajuda para ele;
F) Precisamos saber que no treinamento de nossos filhos, não devemos esperar que eles funcionem no mesmo nível de desempenho que nós. Eles precisam de tempo para ganhar competência. Podemos ajudá-los a estabelecer alvos tangíveis, orientá-los amorosamente como os atingirem, e afirmá-los quando atingirem as suas metas.
G) Como pais, ser modelo de prestação de contas um ao outro e aos nossos filhos indica a importância de uma vida de autocontrole. Por exemplo, se você tiver uma briga com a mãe de seus filhos na frente deles, não peça perdão apenas a ela, mas, por seus filhos terem presenciado o incidente, é necessário que peça perdão também a eles. Isso demonstrará quanto valor você dá a fazer a coisa certa. H) Prestar contas aos nossos filhos é um terreno fértil de treinamento para que
eles se tornem muito mais dispostos a dar conta dos seus atos a nós, a outros e especialmente ao Seu Pai Celestial.
3º Passo: Conduzir o processo até a maturidade
A) Uma das melhores maneiras de motivar os filhos a exercer autocontrole é lhes conceder novos privilégios adequados ao seu crescimento. Nosso Pai Celestial faz exatamente isso. Lemos em Hb 12.10 que Deus “nos disciplina para nosso
proveito, a fim de sermos participantes da sua santidade”. Participar da sua
santidade é a maneira de nosso Pai nos dizer: - ”Você está crescendo, está amadurecendo. Quero enriquecer ainda mais a sua vida”;
B) Alguns pais tratam o filho de 16 anos da mesma forma que o tratavam aos 6. A abordagem deles é controlar o filho até que ele saia de casa. Essa criança não aprenderá o que é uma vida de autocontrole;
C) Em contraste, o pai sábio adapta o processo de treinamento do filho e paulatinamente abre novas portas de oportunidade quando observa crescimento. Ele discerne quando o filho está pronto para um novo desafio, responsabilidade ou privilégio e oferece oportunidades, de forma a tornar-se tanto um incentivo como uma afirmação positiva de confiança.