Capítulo IV Disposições Preliminares
AULA 20 – P rocEsso E LEitorAL dA m EsA (P ArtE ii)
Assim, de acordo com o resultado da eleição em 2º escrutínio, o candidato C é o escolhido para ocupar o cargo de presidente da Câmara dos Deputados, já que obteve a maioria simples em segundo escrutínio.
Para esclarecer quanto ao número de votos necessários para a eleição dos membros da Mesa em primeiro escrutínio, com exclusão apenas dos votos nulos, decidiu o presidente da Câmara dos Deputados, em Questão de Ordem nº 10.266, de 1997, regra esta confir-mada na Questão de Ordem nº 545, de 2006, e atualmente em vigor:
QO nº 10.266, de 1997
“Decide questões de ordem suscitadas pelos deputados Inocêncio Oliveira, na sessão de 3 de fevereiro, e José Genoíno, na presente sessão, acerca da interpre-tação do dispositivo regimental que trata do quórum de eleição dos membros da Mesa Diretora, nos seguintes termos: será eleito, em primeiro escrutínio, o candidato que obtiver a maioria absoluta dos votos computados, somando-se os em branco e excluindo-se os nulos.” (grifo nosso)
QO nº 545, de 2006
“Posto isso, recebo a presente questão de ordem, nos termos do artigo 95 do Regimento Interno, para, no mérito, deferi-la, e firmar o seguinte entendimento:
a) a eleição dos membros da Mesa da Câmara far-se-á nos termos do art. 7º do Estatuto Doméstico, observando-se o escrutínio secreto e a presença da maioria absoluta dos deputados, considerando-se eleito, em primeiro escru-tínio, o deputado que obtiver a maioria absoluta de votos dentre o total de votantes e, em segundo escrutínio, o deputado que obtiver a maioria simples, incluídos os votos em branco e descontando-se os nulos;
b) a eleição nas comissões deverá observar os requisitos previstos no art. 7º, pela aplicação subsidiária do art. 39, § 3º, devendo processar-se igualmente em escrutínio secreto, presente a maioria absoluta dos membros da comissão, considerando-se eleito, em primeiro escrutínio, o candidato que obtiver a maioria absoluta de votos dentre o total de votantes e, em segundo escrutínio, o deputado que obtiver a maioria simples, incluídos os votos em branco e descontando-se os nulos.” (grifo nosso)
...
Parágrafo único. No caso de avaria do sistema eletrônico de votação, far-se-á a eleição por cédulas, observados os incisos II a V do caput deste artigo e as seguintes exigências:
I – cédulas impressas ou datilografadas, contendo cada uma somente o nome do votado e o cargo a que concorre, embora seja um só o ato de votação para todos os cargos, ou chapa completa, desde que decorrente de acordo partidário;
II – colocação, em cabina indevassável, das cédulas em sobrecartas que resguardem o sigilo do voto;
III – colocação das sobrecartas em 4 (quatro) urnas, à vista do Plenário, 2 (duas) destinadas à eleição do presidente e as outras 2 (duas) à eleição dos demais membros da Mesa;
IV – acompanhamento dos trabalhos de apuração, na Mesa, por 2 (dois) ou mais deputados indicados à Presidência por partidos ou blocos parlamentares diferentes e por candidatos avulsos;
V – o secretário designado pelo presidente retirará as sobrecartas das urnas, em pri-meiro lugar as destinadas à eleição do presidente; contá-las-á e, verificada a coin-cidência do seu número com o dos votantes, do que será cientificado o Plenário, abri-las-á e separará as cédulas pelos cargos a preencher;
VI – leitura pelo presidente dos nomes dos votados;
VII – proclamação dos votos, em voz alta, por um secretário e sua anotação por 2 (dois) outros, à medida que apurados;
VIII – invalidação da cédula que não atenda ao disposto no inciso I deste parágrafo;
IX – redação pelo secretário e leitura pelo presidente do resultado de cada eleição, na ordem decrescente dos votados.
Comentários
A Resolução nº 45, de 2006, reestruturou o art. 7º do RICD, conforme comentamos na aula 19 deste capítulo. Atente-se que a votação no processo eleitoral da Mesa (no da presidência das comissões e, provavelmente, no do Conselho de Ética) deve ocorrer pelo sistema eletrônico. Porém, em caráter excepcional, no caso de avaria ou quando o siste-ma eletrônico não estiver funcionando, a eleição será procedida secretamente em cabina indevassável e por meio de cédulas impressas ou datilografadas postas em sobrecartas (envelopes) que resguardem o sigilo do voto. As (duas) sobrecartas serão depositadas em quatro urnas à vista do Plenário.
A sobrecarta com a cédula para o cargo de presidente deverá ser depositada em uma das duas urnas destinadas à eleição do presidente. A outra, em cujo interior se encontram
as cédulas para os demais cargos da Mesa e também as cédulas referentes à eleição dos suplentes de secretário, será depositada em uma das outras duas urnas.
Quanto à cabina indevassável, registramos definições dos vocábulos devassar e in-devassável extraídas do Dicionário Michaelis (1998, p. 711 e 1146) para auxiliar a boa compreensão do texto.
“De.vas.sar vtd 1 Invadir ou observar (aquilo que é defeso ou vedado): Devas-sar a casa do vizinho. vtd 2 Ter vista para dentro de: Nossa janela devassa os outros apartamentos. 3 [...]
In.de.vas.sá.vel adj (in + devassar + vel) Que não pode ser devassado.”
A lisura é desejável em qualquer processo eleitoral. Com o objetivo de que as eleições para a Mesa da Câmara sejam pautadas pela transparência, o RICD prevê o direito de que tanto os partidos ou blocos parlamentares como os candidatos avulsos indiquem à Presidência deputados para acompanharem os trabalhos de apuração junto à Mesa. Assim, haverá dois ou mais deputados indicados à Presidência para garantir a lisura do processo.
A despeito de o inciso I do parágrafo único do art. 7º afirmar que “seja um só o ato de votação para todos os cargos”, ressalte-se que o secretário designado pelo presidente reti-rará, em primeiro lugar, as sobrecartas destinadas à eleição do presidente, as quais foram depositadas em duas urnas exclusivas para esse cargo. Depois, são retiradas as sobrecartas que contenham as cédulas referentes aos demais cargos da Mesa e aos suplentes de secre-tário (uma única sobrecarta contém as cédulas dos dez cargos).
A seguir, são contadas as sobrecartas a fim de se verificar se o número de envelopes coincide com o dos votantes (deputados que assinaram a lista de votação). Havendo coin-cidência, o Plenário será cientificado.
Logo após, as sobrecartas são abertas e efetua-se a separação das cédulas pelos cargos a preencher (as cédulas dos dez cargos encontravam-se em uma única sobrecarta).
No que se refere à apuração e à proclamação do resultado, confira a aula 19 deste capítulo.
AULA 21 – dA LidErAnçA
Art. 9º Os deputados são agrupados por representações partidárias ou de blocos parlamentares, cabendo-lhes escolher o líder quando a representação for igual ou superior a um centésimo da composição da Câmara.
§ 1º Cada líder poderá indicar vice-líderes, na proporção de um por quatro deputados, ou fração, que constituam sua representação, facultada a designação de um como primeiro-vice-líder. (Parágrafo com redação dada pela Resolução nº 78, de 1995.) ...
§ 6º O quantitativo mínimo de vice-líderes previsto no § 1º será calculado com base no resultado final das eleições para a Câmara dos Deputados proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral. (Parágrafo acrescido pela Resolução nº 1, de 2011.) ...
Art. 11. O presidente da República poderá indicar deputados para exercerem a lide-rança do governo, composta de líder e de 10 (dez) vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10. (Artigo com redação dada pela Resolução nº 1, de 2011.)
Art. 11-A. A liderança da Minoria será composta de líder e de 6 (seis) vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10.
§ 1º O líder de que trata este artigo será indicado pela representação considerada Minoria, nos termos do art. 13.
§ 2º Os 6 (seis) vice-líderes serão indicados pelo líder da Minoria a que se re-fere o § 1º, dentre os partidos que, em relação ao governo, expressem posição contrária à da Maioria.
§ 3º Aplica-se o disposto neste artigo sem prejuízo das prerrogativas do líder e vice-líderes do partido ou do bloco parlamentar considerado Minoria conforme o art. 13. (Artigo acrescido pela Resolução nº 1, de 2011.)
...
Comentários
A liderança de representação partidária na Câmara (de partido ou bloco parlamentar) é constituída de líder e vice-líderes. Só fará jus a constituir liderança a representação que for igual ou superior a um centésimo dos membros da Câmara (1/100 da CD). Neste caso, o regimento não autoriza desprezar a fração do resultado obtido. Em regra, apenas repre-sentações com seis ou mais deputados teriam direito à liderança. Há registros na Câmara de lideranças constituídas em representações com cinco deputados, situação que deve ser considerada excepcionalidade.
O líder é escolhido pela bancada respectiva e possui a prerrogativa de indicar um vice-líder para cada quatro deputados ou fração de sua representação. Assim, se o partido possuir 13 deputados, incluindo o líder, este poderá indicar quatro vice-líderes (13:4 = 3,25. Ou seja, 4+4+4+1). Indicados os vice-líderes, o líder poderá ou não designar um deles como primeiro-vice-líder (é uma faculdade do líder, e não um dever).
A Resolução nº 1, de 2011, incluiu a restrição de que o quantitativo de vice-líderes previsto no § 1º será determinado com fundamento no resultado final das eleições para a Câmara dos Deputados proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral.
O Regimento Interno da Câmara dos Deputados conferiu ao presidente da República a prerrogativa de indicar deputados para exercerem a liderança do governo. Nesse caso, o chefe do Poder Executivo indicará onze deputados para comporem sua liderança na Câmara: um líder e dez vice-líderes.
De acordo com o art. 11-A, incluído pela Resolução nº 1, de 2011, a liderança da Mi-noria é formada por líder e seis vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10.
O líder é indicado pela representação considerada Minoria, nos termos do art. 13, e os seis vice-líderes são indicados, por sua vez, pelo líder da Minoria, dentre os parlamentares in-tegrantes de partidos que, em relação ao Governo, expressem posição contrária à da Maioria.
A existência da liderança da Minoria se dá sem prejuízo das prerrogativas do líder e vice-líderes do partido ou do bloco parlamentar considerado Minoria em conformidade com o art. 13.
A tabela a seguir evidencia as diferenças entre liderança de representações partidárias ou de blocos parlamentares e a liderança do governo.
Liderança de Partido ou
Bloco Parlamentar Liderança do Governo Liderança da Minoria O líder é escolhido pela
representação composta por, no mínimo, 1/100 da CD
O líder é indicado pelo
presidente da República O líder é indicado pela Minoria
O líder escolhe os vice-lí-deres na proporção de um para cada quatro deputados ou fração, com base no resultado final das eleições para a CD proclamado pelo TSE
O presidente da República indica dez vice-líderes
O líder escolhe os seis vice-líderes, dentre os partidos que, em relação ao governo, expressem posição contrária à da Maioria O número de deputados que
integram a liderança depen-de do tamanho da bancada
Apenas onze deputados integram a liderança do governo
Apenas sete deputados integram a liderança da Minoria
AULA 22 – mAndAtodos LídErEs
Art. 9º ...
...
§ 2º A escolha do líder será comunicada à Mesa, no início de cada legislatura, ou após a criação de bloco parlamentar, em documento subscrito pela maioria absoluta dos integrantes da representação.
§ 3º Os líderes permanecerão no exercício de suas funções até que nova indicação venha a ser feita pela respectiva representação.
...
...
Art. 11. O presidente da República poderá indicar deputados para exercerem a liderança do governo, composta de líder e de 10 (dez) vice-líderes, com as prerro-gativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10. (Artigo com redação dada pela Resolução nº 1, de 2011.)
Comentários
Momentos em que se deve comunicar à Mesa a escolha do líder:
1) no início de cada legislatura;
2) após a criação de bloco parlamentar;
3) sempre que houver mudança de líder (esse caso não está expresso no RICD, porém tal comunicação é necessária para que o novo líder possa exercer suas atri-buições e prerrogativas).
Mandato do líder (art. 9º, §§ 2º e 3º):
a) no mínimo, o tempo necessário para que a bancada (ou o presidente da Repúbli-ca) indique outro líder (pode ser apenas algumas horas até a formalização da nova indicação, como ocorreu, por exemplo, na mudança de líder do PMDB em 2005, por conta de acirrada disputa interna no partido);
b) no máximo, uma legislatura.
Entretanto, o RICD não impede que o líder cujo mandato se encerrou ao término da legislatura seja outra vez indicado pela representação de seu partido ou bloco parlamentar para exercer novamente essa função de liderança na legislatura que se inicia.
AULA 23 – imPEdimEntosdA LidErAnçA
Art. 9º ...
...
§ 5º Os líderes e vice-líderes não poderão integrar a Mesa.
...
Art. 14 ...
...
§ 5º Os membros efetivos da Mesa não poderão fazer parte de liderança nem de comissão permanente, especial ou de inquérito.
...
Comentários
Os líderes e vice-líderes não poderão integrar a Mesa. Esse impedimento alcança a li-derança de partidos e blocos parlamentares e, também, a lili-derança do governo na Câmara.
Essa restrição é ratificada ao tratar-se dos impedimentos dos membros da Mesa no art. 14, § 5º, que determina: “Os membros da Mesa não poderão fazer parte de liderança nem de comissão permanente, especial ou de inquérito”. (grifo nosso)
Nesse sentido, cabe indagar se líderes e vice-líderes podem integrar as comissões. A resposta é simples: diferentemente do que ocorre com os membros da Mesa, o RICD não contém nenhuma vedação nesse sentido. Logo, tanto líder como vice-líder podem integrar comissões permanentes ou temporárias e, inclusive, presidi-las. Por exemplo, um líder presidiu a comissão especial destinada a apreciar a PEC da reeleição e vários líderes integraram essa comissão.
AULA 24 – dAs PrErrogAtivAsdos LídErEs (PArtE i)
Art. 10. O líder, além de outras atribuições regimentais, tem as seguintes prerrogativas:
I – fazer uso da palavra, nos termos do art. 66, §§ 1º e 3º, combinado com o art. 89;
(Inciso adaptado aos termos da Resolução nº 3, de 1991.)
II – inscrever membros da bancada para o horário destinado às comunicações parlamentares;
III – participar, pessoalmente ou por intermédio dos seus vice-líderes, dos traba-lhos de qualquer comissão de que não seja membro, sem direito a voto, mas poden-do encaminhar a votação ou requerer verificação desta;
IV – encaminhar a votação de qualquer proposição sujeita à deliberação do Plená-rio, para orientar sua bancada, por tempo não superior a um minuto;
V – registrar os candidatos do partido ou bloco parlamentar para concorrer aos cargos da Mesa, e atender ao que dispõe o inciso III do art. 8º;
VI – indicar à Mesa os membros da bancada para compor as comissões, e, a qual-quer tempo, substituí-los.
Art. 11. O presidente da República poderá indicar deputados para exercerem a lide-rança do governo, composta de líder e de 10 (dez) vice-líderes, com as prerrogativas constantes dos incisos I, III e IV do art. 10. (Artigo com redação dada pela Resolução nº 1, de 2011.)
Comentários
O art. 10 do RICD lista seis prerrogativas de líderes, sem prejuízo de outras atribui-ções regimentais que lhes couber.
Vejamos uma a uma as prerrogativas de líder constantes do art. 10.
1) Fazer uso da palavra, nos termos do art. 66, §§ 1º e 3º, combinado com o art. 89.
Essa prerrogativa diz respeito às chamadas “Comunicações de Liderança”. As Comu-nicações de Liderança são as comuComu-nicações destinadas ao debate em torno de assuntos de relevância nacional feitas pessoalmente pelos líderes nas sessões deliberativas ou por meio de delegação nas sessões de debates. Sessões de debates são aquelas realizadas de forma idêntica às ordinárias, porém sem Ordem do Dia, apenas uma vez às segundas e sextas-feiras, iniciando-se às quatorze horas nas segundas e às nove horas nas sextas-feiras.
Além disso, as sessões ordinárias para as quais o presidente não designa Ordem do Dia, que é a parte da sessão destinada à apreciação de matérias (proposições), se convertem em sessões de debates (arts. 65, III, a; e 66, § 3º).
2) Inscrever membros da bancada para o horário destinado às Comunicações Parlamentares.
“Comunicações Parlamentares” é a quarta e última parte constitutiva da sessão ordi-nária da Câmara. Ainda que devam ser previstas na organização das sessões ordiordi-nárias, as Comunicações Parlamentares só ocorrerão se houver tempo, ou seja, se a Ordem do Dia encerrar-se antes do tempo previsto para o término da sessão. Assim, os líderes inscrevem deputados da respectiva bancada para atuarem como oradores nessa parte da sessão por até dez minutos (arts. 66, IV, e 90).
3) Participar, pessoalmente ou por intermédio dos seus vice-líderes, dos trabalhos de qual-quer comissão de que não seja membro, sem direito a voto, mas podendo encaminhar a votação ou requerer verificação desta.
A qualquer deputado é garantido o direito de participar dos trabalhos de todas as comissões, ainda que não as integre. Assim, o cerne dessa prerrogativa do líder de participar dos trabalhos de qualquer comissão de que não seja membro reside no fato de poder encaminhar a votação ou requerer verificação desta, seja pessoalmente ou mediante os vice-líderes da bancada.
4) Encaminhar a votação de qualquer proposição sujeita à deliberação do Plenário, para orientar sua bancada, por tempo não superior a um minuto.
Essa prerrogativa, na verdade, refere-se à orientação de bancada, e não ao encaminha-mento de votação propriamente dito. Observa-se que o art. 192 dispõe que “anunciada uma votação, é lícito o uso da palavra para encaminhá-la, salvo disposição regimental em contrário, pelo prazo de cinco minutos, ainda que se trate de matéria não sujeita a discus-são, ou que esteja em regime de urgência [em urgência, metade do prazo – art. 157, § 3º]”.
E segue em seu § 1º informando que “só poderão usar da palavra quatro oradores, dois a favor e dois contrários, assegurada a preferência, em cada grupo, a autor de proposição principal ou acessória e de requerimento a ela pertinente, e a relator”. A prerrogativa de líder contida no inciso IV do art. 10 está relacionada com o § 2º do art. 192, que infor-ma: “Ressalvado o disposto no parágrafo anterior (§ 1º do art. 192), cada líder poderá manifestar-se para orientar sua bancada, ou indicar deputado para fazê-lo em nome da liderança, pelo tempo não excedente a um minuto”. (grifo nosso)
5) Registrar os candidatos do partido ou bloco parlamentar para concorrer aos cargos da Mesa, e atender ao que dispõe o inciso III do art. 8º.
Conforme comentado no estudo sobre eleição da Mesa, cada partido ou bloco parla-mentar elege ou escolhe o candidato da bancada que irá concorrer ao cargo da Mesa que couber à respectiva representação. O líder tem a responsabilidade de fazer com que o nome do candidato oficial da bancada seja comunicado ao presidente da Câmara, bem como deve-rá oficializar a candidatura registrando junto à Mesa tal candidato (arts. 7º, I; 8º, III; e 10, V).
6) Indicar à Mesa os membros da bancada para compor as comissões, e, a qualquer tempo, substituí-los.
Todo deputado, exceto se membro da Mesa ou presidente do Centro de Estudos e Debates Estratégicos da Câmara dos Deputados, tem o direito de integrar como membro titular uma comissão permanente (RICD, art. 26, § 3º, c/c Resolução nº 26, de 2013, art. 4º). Contudo, para o exercício desse direito, dependerá de indicação do líder (salvo quando se tratar de deputado sem partido). Em regra, os líderes dispõem do prazo de cin-co sessões para indicar os membros das bancadas respectivas que irão cin-compor as cin-comissões permanentes e, quando se tratar de comissão temporária, esse prazo será de até 48 horas após a sua constituição. Importante salientar que – a qualquer tempo – o líder poderá substituir membro da bancada que integra comissão por outro deputado da representação, não podendo, é claro, ferir o direito individual do deputado de integrar como titular uma comissão permanente e, tampouco, frustrar o direito do membro da bancada de continuar no exercício de mandato de presidente ou vice-presidente de comissão. Ao apreciar o re-curso nº 216/2005, em 23/8/2005, entendeu a CCJC que o deputado que exercer mandato na Mesa, em comissão (presidência ou vice-presidência) ou no Conselho de Ética (todos os membros) não pode ser substituído pelo líder. O entendimento da CCJC quanto ao fato de deputado não perder o cargo em virtude de seu desligamento do partido ficou su-perado depois da Resolução nº 34, de 2005, segundo a qual o deputado que se desvincular da bancada perderá o cargo que ocupar em razão dela (regra aplicada desde 1º/2/2007).
Todas essas prerrogativas podem ser exercidas por líderes de partido ou bloco par-lamentar. Ao Líder do Governo e da Minoria, no entanto, só lhe foram reservadas três dessas seis prerrogativas, conforme demonstra a tabela a seguir.
Prerrogativas de Líder
Líder de Partido ou Bloco Parlamentar Líder do Governo ou da Minoria Fazer uso da palavra, nos termos do art. 66,
§§ 1º e 3º, combinado com o art. 89; (Comu-nicação de Liderança)
Fazer uso da palavra, nos termos do art. 66, §§ 1º e 3º, combinado com o art. 89; (Comunicação de Liderança) Inscrever membros da bancada para o horário
destinado às Comunicações Parlamentares –
Participar, pessoalmente ou por intermédio dos seus vice-líderes, dos trabalhos de qual-quer comissão de que não seja membro, sem direito a voto, mas podendo encaminhar a votação ou requerer verificação desta
Participar, pessoalmente ou por inter-médio dos seus vice-líderes, dos traba-lhos de qualquer comissão de que não seja membro, sem direito a voto, mas podendo encaminhar a votação ou requerer verificação desta
Encaminhar a votação de qualquer propo-sição sujeita à deliberação do Plenário, para orientar sua bancada, por tempo não superior a um minuto
Encaminhar a votação de qualquer proposição sujeita à deliberação do Plenário, para orientar sua bancada, por tempo não superior a um minuto Registrar os candidatos do partido ou bloco
parlamentar para concorrer aos cargos da Mesa,
e atender ao que dispõe o inciso III do art. 8º – Indicar à Mesa os membros da bancada para
compor as comissões, e, a qualquer tempo,
substituí-los –
AULA 25 – dAs PrErrogAtivAsdos LídErEs (PArtE ii)
Além das prerrogativas conferidas ao líder no art. 10 do RICD, há outras atribuições de líder esparsas ao longo do texto regimental. Por exemplo, compete apenas ao líder re-querer a dispensa de discussão de proposição com todos os pareceres favoráveis (art. 167).
Outro caso interessante refere-se ao requerimento para apreciação preliminar em Plenário de proposta de emenda à Constituição (PEC) inadmitida na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC), caso em que o requerimento do autor da PEC deverá ser apoiado por líderes que representem, no mínimo, um terço dos deputados (art. 202, § 2º).
A seguir, especificamos prerrogativas a serem exercidas em comissão exclusivamente pelos membros do colegiado. Observe que o líder só poderá exercer esses direitos nas comissões em que for membro:
1) pedir vista de processo (art. 57, XVI);
2) levantar questão de ordem no âmbito da comissão (art. 57, XXI);
3) fazer reclamação quanto a ação ou omissão da comissão (art. 96, § 2º);
4) votar e ser votado na comissão (art. 226, I). O membro suplente só vota em subs-tituição ao titular ausente ou impedido.
AULA 26 – dos PArtidos sEm LidErAnçA
Art. 9º ...
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§ 4º O partido com bancada inferior a um centésimo dos membros da Casa não terá li-derança, mas poderá indicar um de seus integrantes para expressar a posição do parti-do quanparti-do da votação de proposições, ou para fazer uso da palavra, uma vez por sema-na, por cinco minutos, durante o período destinado às Comunicações de Liderança.
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Comentários
Os partidos com representação inferior a um centésimo da composição da Câmara não terão liderança.
Nesse caso, haverá um representante do partido para:
a) expressar a posição da bancada quando da votação de proposições;
b) fazer uso da palavra durante o período destinado às Comunicações de Lideranças:
i. uma vez por semana;
ii. por cinco minutos.
As Comunicações de Liderança são as comunicações destinadas ao debate em torno de assuntos de relevância nacional feitas pessoalmente pelos líderes nas sessões deliberati-vas ou por meio de delegação nas sessões de debates (arts. 66, § 1º, e 89).
Enquanto os líderes podem utilizar da palavra para Comunicações de Liderança em qualquer sessão e por tempo proporcional ao tamanho da bancada (no mínimo três e no máximo dez minutos), o representante de partido só poderá fazê-lo uma única vez por semana e por cinco minutos apenas.
AULA 27 – dos BLocos PArLAmEntArEs
Art. 12. As representações de dois ou mais partidos, por deliberação das respecti-vas bancadas, poderão constituir bloco parlamentar, sob liderança comum.
§ 1º O bloco parlamentar terá, no que couber, o tratamento dispensado por este Regimento às organizações partidárias com representação na Casa.
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§ 3º Não será admitida a formação de bloco parlamentar composto de menos de três centésimos dos membros da Câmara.
§ 4º Se o desligamento de uma bancada implicar a perda do quórum fixado no parágrafo anterior, extingue-se o bloco parlamentar.
§ 5º O bloco parlamentar tem existência circunscrita à legislatura, devendo o ato de sua criação e as alterações posteriores ser apresentados à Mesa para registro e publicação.
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Comentários
Na Câmara dos Deputados, de acordo com o disposto no art. 12 do RICD, bloco par-lamentar é a união das representações de dois ou mais partidos políticos representados na Casa que, juntos, reúnam, no mínimo, três centésimos dos membros da Câmara.
A decisão de constituir bloco parlamentar é das representações dos partidos, e não de seus líderes. Dessa forma, para que o Partido ABC e o Partido XYZ constituam o bloco parlamentar ABC/XYZ, não basta que os líderes de cada partido assim o desejem; será necessário que, nos termos estatutários de cada partido, haja concordância da representa-ção do Partido ABC, bem como da representarepresenta-ção do Partido XYZ.
O quórum de três centésimos (3/100) é essencial tanto para a criação do bloco parlamentar como para a manutenção de sua existência na Casa. Por exemplo, dois partidos com seis deputados cada um não reúnem deputados suficientes para constituir bloco parlamentar, mas, se um terceiro partido com quatro deputados (partido esse sem liderança, pois sua representação é inferior a 1/100 da CD) se unir aos outros dois partidos, os três juntos alcançarão o quórum mínimo de 3/100 (15,39 16) e poderão constituir bloco parlamentar.
Porém, se ao longo da legislatura a composição de cada partido permanecer inalterada e qualquer desses partidos se desligar do bloco, ocorrerá a perda do quórum mínimo de 3/100 dos membros da Câmara e, por conseguinte, o referido bloco parlamentar será extinto.
Uma vez constituído o bloco parlamentar, sua existência poderá estender-se até o término da legislatura, ou seja, finda a legislatura extingue-se o bloco parlamentar. Na legislatura seguinte, se os partidos que compunham determinado bloco parlamentar na le-gislatura anterior desejarem renovar sua aliança na Câmara, deverão novamente constituir