TERRITORIAL E USO DO TERRITÓRIO
4.1 – P RODUÇÃO E CIRCULAÇÃO EM A NÁPOLIS
A configuração atual do território goiano é composta por uma combinação, complementar e contraditória, entre objetos naturais e objetos técnicos das mais variadas idades, animados por propósitos e forças políticas que variaram ao longo de sua formação histórica em resposta a diferentes contextos, sobrepujados, no período atual, pelo imperativo da competitividade.
O estado de Goiás possui uma área de 340 mil km², população de 6 milhões de habitantes (Censo IBGE 2010) distribuídos em 246 municípios99. O PIB estadual em 2010 alcançou R$ 86,4 bilhões, representando 2,5% do PIB brasileiro; produziu 14,8 milhões de toneladas de grãos em 2010, correspondendo a 9% do total nacional100; a indústria farmacêutica produz 3% do total nacional, sendo o quarto maior produtor de produtos farmacêuticos e segundo de medicamentos genéricos no país101. A indústria de calçados e artefatos de couro conta com cerca de 450 fábricas em 62 municípios. É um dos maiores estados produtores de minérios, graças à atuação de grandes corporações como Fosfértil/Ultrafértil, Coperbrás, Votorantim e Codemin, as quais comercializam principalmente amianto, calcário, fosfato, ouro, nióbio e níquel. No setor automotivo e de implementos agrícolas, destaca-se a instalação da Hyundai/Caoa em Anápolis e da Mitsubishi e John Deere no município de Catalão102. A participação da agropecuária na composição do PIB goiano em 2010 era de 14,10%, da indústria 26,59% e de serviços 59,31%103.
Dentre os principais municípios do estado de Goiás, destaca-se Anápolis, considerado o mais dinâmico economicamente do interior do estado, conforme mostra a Tabela 3.
99 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 25/07/2012. 100 Goiás abriga algumas das principais empresas do agronegócio atuantes no Brasil: Perdigão, Caramuru,
Cargill, Coinbra, Granol, Bunge, Unilever, Bestfoods, Cica (Gessy Lever), Braspelco, Frigorífico Bertin, Frigorífico Minerva, entre outras. Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás. Disponível em: <www.seplan.go.gov.br>. Acesso em: 17/09/2010.
101 Governo do Estado de Goiás. Disponível em: <www.goias.gov.br>. Acesso em: 25/07/2012.
102 Plataforma Logística Multimodal de Goiás. Disponível em: <www.plataformalogistica.go.gov.br>. Acesso
em: 02/06/2009.
103 Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás. Disponível em:
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Tabela 3 – Goiás – PIB dos 10 maiores municípios – 2010
Município Valor do PIB (R$ Mil)
Goiânia 24.445.744 Anápolis 10.059.557 Aparecida de Goiânia 5.148.640 Rio Verde 4.160.501 Catalão 3.970.852 Senador Canedo 3.188.615 Itumbiara 2.259.728 Jataí 2.142.103 Luziânia 2.077.842 São Simão 1.382.123 Total 58.835.705 Participação no Estado (%) 60,30 Estado de Goiás 97.575.930
Fonte: Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento do Estado de Goiás. Disponível em: <www.seplan.go.gov.br>. Acesso em: 26/07/2012.
A escolha de Anápolis para a instalação da PLMG, segundo seus idealizadores, se baseia nas seguintes qualidades: 1) o município abriga vários atacadistas e distribuidores; 2) possui o DAIA (Distrito Agroindustrial de Anápolis); 3) está no centro do eixo Goiânia- Anápolis-Brasília (terceiro maior aglomerado urbano do país); 4) polo universitário (Universidade Estadual de Goiás e faculdades particulares); 5) local privilegiado para a sua instalação (entre o DAIA, o Aeroporto Civil de Anápolis, a Ferrovia Centro-Atlântica, Ferrovia Norte-Sul e limítrofe ao porto seco); 6) polo farmacêutico (importante produtor de genéricos); 7) situa-se num importante entroncamento rodo-ferroviário (RODRIGUES, 2004).
À PLMG foi atribuída a função de integrar os seguintes modais e nós logísticos (Figura 44): Porto Seco Centro Oeste S.A. (conta com ramal da FCA); aeroporto civil de Anápolis (que se transformará em aeroporto internacional de cargas); Ferrovia Centro- Atlântica (possui 685 km de malha ferroviária em Goiás e terminais em Goiânia, Anápolis e Brasília); Ferrovia Norte-Sul (ligando Anápolis ao Porto de Itaqui e outras conexões com o Norte e Nordeste); rodovias (BR-153, ligando Belém/PA a Passo Fundo/RS e BR-060,
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ligando Bela Vista/MS a Brasília); Terminal de São Simão da Hidrovia Tietê-Paraná (a pouco mais de 300 km da PLMG, na rota de transporte de grãos para o Porto de Santos).
Figura 44 – Anápolis e entorno – principais modais de transporte
Fonte: Plataforma Logística Multimodal de Goiás. Disponível em: <www.plataformalogistica.go.gov.br>. Acesso em: 18/04/2009.
A Figura 45 mostra alguns dos principais centros de atividade econômica, os quais podem gerar fluxos para a PLMG a partir de algumas áreas do estado de Goiás, além do leste do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e noroeste de Minas Gerais, no caso da agropecuária e agroindústria, dependentes da logística para conformar e realizar seus respectivos circuitos espaciais produtivos.
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Figura 45 – Goiás – Anápolis, modais de transporte e principais centros de atividade econômica
Fonte: Plataforma Logística Multimodal de Goiás. Disponível em: <www.plataformalogistica.go.gov.br>. Acesso em: 18/04/2009.
Para vários agentes, Anápolis possui uma localização estratégica, pois em um raio de 1.000 km pode-se atingir 70% da população brasileira. O município, segundo Rober Bortolotto104, possui um perfil importador de diversos insumos, principalmente de matéria- prima para a fabricação de medicamentos para o polo fármaco-químico (sobretudo da Índia e da China) e, com a instalação de uma fábrica da Hyundai105 em 2007 no DAIA, de peças automotivas e veículos já montados, vindos do porto de Vitória/ES. Esta mesma fonte informa que a PLMG é um projeto que possui mais de dez anos e toda a sua estrutura básica (saneamento, energia etc.) já foi instalada, mas até o momento não foi definido o seu
104 Gerente de Indústria da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do município de Anápolis. Entrevista
concedida a Vanderlei Braga e a Vitor P. Vencovsky em 07/06/2010.
105 Segundo Rober Bortolotto, o governo estadual definiu que a Hyundai deveria contratar funcionários de
“chão de fábrica” do município de Anápolis. Entrevista concedida a Vanderlei Braga e a Vitor P. Vencovsky em 07/06/2010.
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modelo de gestão. Para Osmar Albertini106, a PLMG pode ser, inclusive, um entrave aos negócios de sua empresa que atua no circuito espacial produtivo da soja e seus subprodutos, já que haverá mais concorrência para utilizar vagões pelo aumento da quantidade de empresas de logística, embora entenda que a instalação da Ferrovia Norte-Sul trará benefícios.
Diante disso, a análise da produção (sobretudo do DAIA) e circulação (sobretudo do porto seco e da PLMG) em Anápolis pode contribuir para identificarmos alguns fatores que aumentam a competitividade territorial de Goiás perante outros estados e de Anápolis perante outros municípios e que influenciam diretamente na disputa entre subespaços para atrair fluxos materiais.
4.1.1 – Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA)
Alguns dos principais demandadores e emissores de fluxos materiais do estado de Goiás estão instalados no Distrito Agroindustrial de Anápolis (DAIA) (Figura 46; Foto 5). Inaugurado em novembro de 1976 em uma área de 950 ha, a criação de um distrito industrial foi resultado das pressões de empresários ligados ao agronegócio e à Associação Comercial e Industrial de Anápolis (ACIA).
106 Diretor da empresa Granol, localizada no DAIA, que atua no circuito espacial produtivo da soja,
principalmente no seu processamento industrial (produção de farelo, óleo e outros derivados) e, desde 2007, biodiesel. Entrevista concedida a Vanderlei Braga e a Vitor P. Vencovsky em 08/06/2010.
Figura 46 – Anápolis
Imagem: Google Earth. Elaboração: Vanderlei Braga.