C IÊNCIAS F ÍSICO Q UÍMICA NO E NSINO S ECUNDÁRIO
5.2. P ROGRAMAS DO C URSO C OMPLEMENTAR /S ECUNDÁRIO E SUA E XECUÇÃO
5.2.1.P
ERÍODO1936–1974
Entre 1936 e 1954 os conteúdos programáticos da disciplina de CFQ, no curso complementar/secundário, mantiveram-se praticamente inalteráveis. No entanto em 1954 os programas de CFQ do 7º ano sofrem alterações. Houve uma redução de conteúdos, a nível dos trabalhos práticos/atividades laboratoriais foram retirados dois, e alguns conceitos teóricos. Com esta medida os professores ficaram com mais algum tempo, para rever as matérias em que os alunos tinham mais dificuldades. Apesar destas alterações parecerem importantes a maioria dos professores considerou que não eram suficientes. (Relatórios dos professores).
Ao longo dos tempos os programas têm sido alvo de críticas e apontados como uma das causas do insucesso dos alunos, relacionando-os com os maus resultados. No entanto os professores são da opinião que não são os conteúdos dos programas, a causa do insucesso mas sim, a sua extensão. (Relatórios dos professores)
A extensão dos programas e a sua sequência e organização dos mesmos é uma das causas apontadas para o impedimento dos bons resultados, tanto a nível da avaliação externa (exame nacional) como da avaliação interna.
75 Antes de saírem novos programas são feitos estudos prévios, simpósios, estatísticas, etc. No entanto parece que tudo isso não é suficiente, visto que a polémica tem continuando chegando mesmo aos nossos dias 78 anos depois.
Recuando um pouco no tempo até 1929 é publicado no Diário do Governo de 14 de janeiro o Decreto 16:362 do mesmo ano o seguinte texto quanto aos programas e o ensino das ciências:
“Impõe-se, e com urgência, uma revisão geral dos programas de todo o curso dos liceus, em que haja unidade de vistas e se evitem incongruências.” (pg. 91)
Mais á frente
“[…] Todos reconhecem o alto valor das sciências experimentais sob o ponto de vista da cultura do espirito.
Mas para que o seu ensino produza efeitos convenientes torna-se indispensável vencer muitas dificuldades. O cuidado que é preciso ter e o tempo que é indispensável consumir para fazer estudo verdadeiro das sciênciase não uma simples mnemorização de resultados, quási tornam incompatível esse trabalho com certas exigências dos programas.
Por outro lado sem ver as cousas ninguém é capaz de apreender as sciências, fica evidentemente demonstrado que o professor, para economizar tempo e empregar o seu esforço com resultados proveitosos, tem necessidade de selecionar com cuidadosa atenção as experiencias e os problemas a apresentar aos alunos, tanto na aula como no laboratório.
A preocupação de executar integralmente um determinado programa não o deve dominar a ponto de sacrificar a qualidade do ensino à quantidade.”
(Decreto nº 16:362, 1929, pg.93-94)
Como se pode constatar o legislador referia que apesar dos programas serem importantes, o essencial é a qualidade do ensino, pelo que o professor devia gerir o programa com o objetivo focado na compreensão e não na memorização.
Daí que quando novas reformas são decretadas, nasce a esperança da melhoria ao nível da carga horária atribuída á disciplina, que iria proporcionar a execução do programa sem pressas. Não são só os professores que estão preocupados com a questão da extensão dos programas, outros agentes do ensino também se preocupavam e como prova disso eram escritos artigos sobre o assunto, tal como seguinte:
76
“[…] Pela simples vista que demos a esses programas, logo manifestamos o nosso franco desagrado. Quando eles foram publicados, confirmamos esse desagrado e fomos vendo que dele compartilhavam colegas do grupo liceal e do ensino superior que têm que receber os alunos segundo eles preparados.”
(Machado, 1941).
Ao analisar os relatórios dos professores entre 1936 e 1964, verifica-se que a maioria refere que o tempo atribuído por semana à lecionação da disciplina é reduzido. Sendo necessário que os alunos consolidem os conhecimentos adquiridos, o professor tem que poder diminuir o ritmo que impõe nas aulas para poder realizar mais exercícios com os alunos, mas isso leva a que o programa não seja cumprido. Para que o docente consiga resolver mais exercícios com os alunos e cumprir o programa então os conteúdos programáticos têm que diminuir ou o tempo semanal atribuído à lecionação da disciplina aumentar.
No que diz respeito à sequência dos conteúdos, é referido que por vezes não é a mais indicada, de forma a seguir uma certa continuidade dos assuntos. O que acontece é que por vezes acaba-se um assunto para começar um novo e mais tarde volta-se ao assunto anterior.
Por vezes os professores alteram a ordem dos assuntos a tratar por lhes parecer que essa é a melhor estratégia para uma melhor aprendizagem por parte dos alunos.
Segundo alguns relatos o importante não é reduzir os conteúdos de forma a torna-los muito simplificados, originando um ensino menos eficiente em termos de formação de alunos com os conhecimentos necessários para o ensino superior. O importante é ter um programa exigente, que forme alunos com capacidade de autonomia, de resolução de situações novas, que aparecem no seu quotidiano e com bases seguras para o prosseguimento de estudos e que esteja de acordo com o tempo atribuído para o objetivo a atingir.
77 O professor Rómulo de Carvalho faz o seguinte comentário:
“[…] Concluímos que, a despeito das boas intenções oficiais, nos encontramos exatamente na mesma situação em que nos encontrávamos em 1948, há vinte e dois anos, como se nada tivesse acontecido. […] O nível de exigência é cada vez mais baixo sem que, por ser intermédio, se tenha conseguido o resultado que porventura, se quereria alcançar, o qual seria um maior número de aprovações.”
(Carvalho, 1970)
Na realidade o facilitismo na abordagem dos conteúdos não ajuda os alunos, pelo contrário, os problemas destes são agravados quando entram na Universidade onde o grau de exigência é elevado.
Em 1948, nas observações referidas no documento onde se descrevem os conteúdos programáticos pode-se ler:
“Aquele porém que ingressar no 3º ciclo dispõe-se implicitamente a traçar um caminho que vai direito às Universidades, onde lhe serão exigidas seguras bases de conhecimentos científicos, sob pena de a escola superior não poder manter-se no nível que lhe compete. Se os conhecimentos adquiridos durante o 3º ciclo não forem verdadeiramente firmes, cai-se num dilema que os últimos anos tem revelado, ou as Universidades baixam o nível do seu ensino para descerem à categoria do aluno, ou o aluno ingressa num meio muito estranho onde houve uma linguagem que não entende e lhe exige o sacrifício de preciosos meses e até anos de adaptação.”
(Decreto nº 37:112, 1948, pg.1161)
Como se depreende da citação anterior o legislador alerta para a importância dos alunos do 3º Ciclo, que corresponde ao curso complementar/secundário, adquirirem boas bases de conhecimentos científicos, e para isso é necessário programas exigentes. No entanto o programa pode ser exigente, mas os resultados não serem os pretendidos, o importante é o tempo e o ritmo de aprendizagem. Como é obrigatório que se cumpra o programa, a matéria acaba por ser lecionada a um ritmo vertiginoso, não permitindo a consolidação dos conhecimentos por parte dos alunos, nem a aprendizagem necessária a bons conhecimentos científicos.
78 A este ritmo os alunos, em vez de compreenderem os conceitos mecanizam-nos, e o professor não tem o tempo necessário para os ajudar a compreender, realizando mais revisões e resolvendo com eles mais exercícios.
Acontece o professor questionar o aluno sobre determinada lei e a resposta é imediata, pois está mecanizada, no entanto quando o professor o questiona para que este explique o seu significado o aluno não responde. Este exemplo é demostrativo da falta de compreensão da grande maioria dos alunos, daí os seus resultados na prova escrita do exame nacional não serem dos melhores.
Os professores demostram a sua preocupação com os resultados finais dos alunos do curso complementar/secundário e relacionam-nos com a sua má preparação do 2º ciclo/Básico. Sendo baixo o grau de exigência dos programas do 2º ciclo, a transição deste ciclo para o seguinte é brusca, pois os alunos não estão preparados para a complexidade dos novos programas do nível seguinte. Há que salientar, que neste período como ainda acontece agora, a grande maioria dos alunos não adquiriram hábitos de trabalho nos anos anteriores, estudando só nas vésperas dos testes. (Relatórios dos professores) Este é um problema sério e sem dúvida um causador de maus resultados na disciplina de CFQ/FQA.
É certo que o insucesso dos alunos em CFQ não tem uma só causa, são várias, mas do estudo feito pode-se dizer que a maior preocupação dos professores é o tempo reduzido atribuído semanalmente para a lecionação dos programas impostos pelo Ministério da Educação.
Os relatos dos professores nos seus relatórios demonstram a sua preocupação relativamente a este problema não deixando neste período de alertar as entidades competentes.
Alguns destes comentários são transcritos abaixo.
“Na disciplina de Ciências Físico – Química do 6º ano deparou-se-me um programa novo e o respetivo ensino foi uma experiência, e uma árdua experiência (…) O programa não era só grande…não era só vasto…era mais do que isso, era “enorme”. Parecia elaborado de tal maneira que se deveria contar com as 4 horas semanais para a disciplina “Fisica” e outras 4 horas para a “Química”, constituindo portanto estas duas partes duma só disciplina em duas disciplinas diferentes, independentes e ambas anuais.”
79 Um outro professor escrevia dois anos mais tarde:
“Se confrontarmos o antigo programa do 7º ano, ao qual foram distribuídas quatro tempos semanais, com o actual cuja distribuição é a mesma, não necessitamos de mais considerações para justificar ou o excesso do programa ou a insuficiência de tempo. Creio que a impossibilidade de se cumprir satisfatoriamente o programa é reconhecido pela grande maioria dos professores do grupo que já tem experimentado, ainda mesmo que se exclua uma boa parte do ensino experimental e se esqueça que o aluno «aprende melhor o que vê do que aquilo que ouve» ou melhor « o que faz do que aquilo do que aquilo que vê fazer.“
(Madeira, 1951)
Passados três anos pode ler-se num outro relatório:
“Repito o que disse por duas vezes: - como é possível conciliar em quatro tempos letivos semanais, a matéria do programa, a prática de problemas, as chamadas orais e repetir assuntos já estudados de maneira a manter o aluno sempre presente ás exigências do professor.”
(Barroso,1954)
Uma outra professora dez anos mais tarde comentava:
“Quanto ao assunto da extensão exagerada do programa de Físico-Química repito o que disse em relatórios anteriores: não há tempo para repetições não há tempo para as habituar a provas orais por meio de variados e frequentes interrogatórios orais isto sobretudo no 3º ciclo.”
(Lencastre, 1964).
Alguns professores sugerem a alteração aos programas do 6º e 7ºanos do curso complementar/secundário, referindo ainda o que podia ser alterado relativamente ao 2º ciclo/Básico para melhorar a aprendizagem dos alunos.
80 Por exemplo num relatório são propostas as seguintes alterações:
“[…] a seguinte solução intermédia:
1º Suprimir, no programa de Física do 6º ano dois capítulos: o das deformações dos sólidos e dos tubos sonoros e cordas vibrantes;
2º Alivia-lo um pouco mais ainda, transferindo para o 5º ano noções mais completas de unidades e sistemas.
3º Introduzir no 5º ano, noção de valência e ministrar bases mais completas, embora elementares, de nomenclatura e escrita de fórmulas simples e de compostos conhecidos;
4º Acrescentar um tempo semanal, ficando, assim 4 horas para as aulas de exposição e chamadas e 1 hora exclusivamente destinada á resolução de problemas;
5º ser de hora e meia o tempo de realização do trabalho prático, o que permitiria não só a execução este sem pressas, mas também dar na maioria dos casos, a sua explicação teórica o que iria aliviar ainda mais as aulas de exposição de matéria. São estas sugestões que, no nosso modo de ver, eliminariam apuros de tempo, permitindo manter o programa do 7º ano como nível necessário de especialização e lograriam aliviar o do 6º ano tornando este menos árido e menos abrupta a transição de ciclo”
(Silva, 1953)
Os professores entre 1936 e 1964 referiam a necessidade em praticarem chamadas orais nas aulas como preparação para o exame oral, e lamentavam o facto de não terem tempo para realizar mais ao longo do ano letivo. Segundo a sua opinião as orais eram benéficas porque forçavam os alunos a manterem a matéria em dia.
As inquietações demostradas pelos professores ao longo dos anos, relativamente ao aproveitamento dos seus alunos, têm sido idênticas.
O docente é um profissional do ensino e, como tal tem orgulho em que os seus alunos tenham um bom desempenho escolar. Uma das razões pela qual os professores demonstravam as suas preocupações nos relatórios era a de alertarem as entidades responsáveis para as falhas encontradas, nas orientações do ensino. No entanto apesar dos alertas pouco ou nada foi feito para melhorar as orientações do ensino com o objetivo de melhorar os resultados, pois as preocupações dos docentes de ontem são as dos docentes atuais.
81
5.2.2.P
ERÍODO DE1975
A2013
Em 1973 dá-se a chamada Reforma de “Veiga Simão” na qual a escolaridade obrigatória foi alargada. No entanto esta reforma, na sequência da Revolução de 25 de abril de 1974, acaba por não ser implementada na totalidade.
Após 1974 entra-se num período conturbado no País e como consequência o ensino sofreu constantes alterações.
A partir de 1975 sucedem-se as alterações no sistema de educativo, os exames práticos deixam de existir, passa a existir um ano com a designação de Propedêutico, os alunos para ingressarem no ensino superior deviam possuir o Curso Complementar e ter aprovação num exame nacionalno final do Ano Propedêutico.
Nos anos 80 os cursos complementares passam a designar-se por 10º e 11º anos, correspondentes respetivamente aos 6º e 7º anos anteriores. Ainda nesta época inicia-se o 12º ano passando o ensino secundário a ser constituído por três anos. Em 1986 é publicada a Lei de Bases, onde é legislada a reforma curricular para o ensino Básico e Secundário. No ano letivo 1991/1992 começam a ser implementados os novos programas no ensino Secundário. Em 1992 o relatório do “Conselho Nacional da Educação” referia o seguinte:
“A extensão do programa exige um sistema de aprendizagem impossível e embora o programa seja cientificamente coerente não se adequa à maturidade dos alunos e à sua capacidade de assimilação.”
(CNE,1992). Este comentário mostra o desacordo com os programas implementados, não o pelo seu conteúdo, mas porque o consideram inadequado para os alunos em questão.
Em 2001 os programas sofrem nova alteração, sendo estes que ainda vigoram.
Com todas as mudanças nos programas da disciplina de CFQ/FQA do ensino secundário, os temas principais não sofreram como era de esperar alterações, significativas sendo estes os seguintes: Física - Cinemática; - Mecânica; - Dinâmica; - Termodinâmica; - Acústica/ Som; - Ótica.
82 Química: - Elemento, moléculas; - Símbolos e Formulas; - Reações químicas; - Ligações Químicas; - Equilíbrios químicos - Reações ácido – base; - Reações oxidação – redução;
- Hidrocarbonetos, compostos aromáticos.
Não se pode deixar de referir que o programa atual tem os conceitos bem contextualizados mas os conteúdos não são aprofundados, como seria suposto serem. E o que se tem verificado ao longo destes 13 anos da sua implementação é a falta de conhecimentos científicos, constatados nos exames nacionais e os quais são mencionados nos relatórios do IAVE.
Deve existir da parte das entidades competentes a preocupação da verificação das condições necessárias para a implementação de um novo programa, com o objetivo deste ter sucesso. Essas condições passam por laboratórios devidamente equipados, formação de professores na lecionação do novo programa, e a avaliação ao antigo programa com o objetivo de detetar falhas, se as houver, para que não se repitam quando o novo programa for implementado.
Ao fazer uma análise macro dos programas ao longo destes 77 anos constata-se que praticamente não sofreram alteração, como já referido anteriormente, o que foi acontecendo foi uma atualização de certos conteúdos. Há medida que a ciência e a tecnologia evoluem, é necessário que outros temas mais atuais, ou abordados de uma outra forma, sejam introduzidos nos programas e outros retirados por não serem tão importantes.
Com a finalidade de caracterizar o ensino da disciplina de CFQ foi implementado um inquérito de opinião, a professores da disciplina de várias escolas do País, em 1999,com o resultado da análise desse inquérito foi, elaborado um livro, com o título “ Livro Branco da Física e da Química”.
É de referir que quando este estudo foi realizado o programa atual, ainda não tinha sido implementado mas já era do conhecimento dos professores que ia ser implementado um novo programa para a disciplina de CFQ.
Uma das questões do inquérito pretendia que os professores dessem a sua opinião sobre os programas em vigor (decretado em 1996) da disciplina de CFQ.
83 Na sua grande maioria, os professores responderam que os programas eram extensos e que os objetivos estavam desajustados.
“Ensino secundário – a extensão dos programas e o facto dos objectivos serem, por vezes, pouco específicos necessitando de reformulação, no sentido de enfatizar mais os aspectos ligados ao quotidiano e às actividades experimentais.”
(LBFQ, 2002, pg. 60)
Mais à frente pode ler-se:
“A falta de tempo foi indicada como factor condicionante do não cumprimento dos programas, porque os conteúdos programáticos têm que ser lecionados mais lentamente devido há necessidade de promover actividades para motivar os alunos […]”
(LBFQ, 2002, pg. 67)
Os professores demonstram assim, mais uma vez, a sua preocupação com a extensão dos programas, e a falta de tempo para o cumprir na sua totalidade sem prejuízo das aprendizagens dos alunos.
Em 2013 numa ação de formação para professores de FQA realizada pela Sociedade Portuguesa da Física a autora distribuiu um inquérito a alguns professores que estavam na ação, em que era pedida a opinião sobre o programa da disciplina de FQA (Homologado em 2003) Mais uma vez, a maioria dos professores respondeu que os programas eram extensos, referindo a falta de tempo para a sua lecionação para atingir o principal objetivo que é a dos alunos conseguirem apreenderem a matéria.
A autora pediu ao Dr. Carlos Fiolhais (autor de vários manuais para o ensino e coordenador dos novos programas da disciplina de FQA, que vão entrar em vigor no ano letivo 2015/2016) e à Dra. Anabela Martins coordenadora do livro Branco da Física e da Química para fazerem um comentário ao facto dos programas serem considerados extensos e como consequência, constituírem uma causa do insucesso escolar na disciplina de FQA. Questionou ainda ambos relativamente à sua opinião sobre a eventual influência do número tempos letivos para a lecionação poder ser uma causa desse insucesso.
O Dr. Carlos Fiolhais comentava que o novo programa de Física foi reduzido pelo facto dos professores referirem o excesso de matérias e/ou falta de tempo.
84 Relativamente ao insucesso na disciplina é da opinião que este tem várias causas, entre as quais: alunos mal preparados dos anos anteriores, as dificuldades em matemática também contribuem para a má preparação, turmas com número elevado de alunos, e os conteúdos que vêm nos exames e os critérios de correção que deviam ser melhorados. Quanto aos programas é de opinião que pode haver conteúdos mais difíceis e que os alunos talvez não estejam treinados “de base para raciocinar de uma forma mais desenvolta“
A Dra. Anabela Martins, concorda que não são os programas uma das causas do insucesso “ Os professores entram numa rotina monótona e sensaborona que provoca nos alunos
desinteresse. Qualquer programa serve desde que outras condições existam” . Segundo a Dra.
Anabela são causas de insucesso a falta de trabalho experimental, falta de estudo e de acompanhamento tutorial entre outras.
Estes dois Professores concordam que os programas são um fator de menor importância para o insucesso na disciplina, havendo outros fatores mais importantes e apesar de estarem referenciados, não são objeto de ações de melhoria.
O que se pode concluir deste estudo é que desde 1936 até 2013 os professores da disciplina de Física e Química mostram a sua preocupação em conseguirem, no que entendem ser o reduzido tempo atribuído à disciplina, lecionar os conteúdos programáticos, de forma que os alunos os compreendam os conceitos sem os mecanizar. O facto de durante este período os programas terem sido simplificados, não se tem traduzido em melhores resultados, como se verá adiante. Daí essa preocupação se manter há 77 anos.
Pode-se dizer que para se obter melhores resultados os alunos tem que estar melhor preparados e isso não está ligado apenas com a quantidade dos conteúdos programáticos. Uma proposta dos professores tem sido aumentar o tempo atribuído á lecionação da disciplina de Física e Química, mas já foi aumentando um pouco ao longo dos anos, mas os professores