Capítulo II – Políticas de Imigração
2.4 Exemplos gerais
2.4.3 Países de imigração recente
Estes países não tiveram fluxos de entrada de imigrantes no pós-segunda grande guerra. O seu desenvolvimento produziu-se com mão-de-obra interna de regiões mais atrasadas, tendo sido na sua maioria exportadores de mão-de-obra para países mais industrializa- dos. A partir dos anos 70/80 as tendências demográficas negativas a par com o nível de
importadores de mão-de-obra, surgindo neste contexto, com algum significado, o fenómeno da imigração.
A Europa do Sul
Até aos anos 80, como já foi dito, estes países exportaram mão-de-obra pouco qualificada para a Europa central, ou seja, para países como a Alemanha, a França e a Suiça. A partir dos anos 80, através do processo de convergência europeia (sobretudo nos casos de Portugal e Espanha, visto que a presença da Itália na UE se dá desde a sua fundação), o nível de desenvolvimento alcançado transforma estes países em recebedores de imigrantes. No caso Português, como veremos adiante, este mantém algum perfil de país de emigração, a par com a imigração verificada. Note-se que, no caso Italiano, as autoridades estabeleceram um acordo com o governo Suíço para o estabelecimento de imigrantes Italianos neste país, durante os anos sessenta. Entretanto, a viragem no fluxo migratório em Itália deu-se a partir do início dos anos 80. A partir daqui as autoridades têm encontrado as mesmas dificuldades dos restantes países de imigração, ou seja, corresponder à forte necessidade de mão-de-obra estrangeira e, pelo menos, aparentar exercer controlo sobre a entrada de imigrantes.
A Itália apresenta a taxa de crescimento da população mais baixa do mundo e o ritmo mais rápido de envelhecimento da população. A par disso o Estado-providência continua a incentivar a reforma antecipada enquanto os sindicatos (fortes) acabam por conduzir as entidades patronais à procura de mão-de-obra barata e eventual (estrangei- ra).
As políticas de imigração dirigidas ao controlo de entradas não têm funcionado. As quotas estabelecidas são baixas e não têm em conta os imigrantes que já se encontram no país. As multas por utilização de mão-de-obra ilegal não são aplicadas por ineficiência do sistema judicial.
Não existe uma política multicultural destinada à integração. Existe a percepção pela sociedade de que as comunidades de imigrantes constituem uma ameaça à coesão social do país e à identidade nacional. Existem forças antagónicas na sociedade italiana, no que diz respeito à imigração. Enquanto os partidos de direita conquistam algum terreno
eleitoral utilizando argumentação anti-imigração, outras forças sociais como ONG‟s, instituições religiosas, sindicais e outras, pressionam o governo no sentido de reduzir a ilegalidade e a marginalidade dos trabalhadores estrangeiros.
A mudança de perfil migratório no caso da Espanha deu-se, como já foi referido, após a entrada para a União Europeia (na altura CEE), em 1986, tal como Portugal. Esta economia utiliza mão-de-obra estrangeira em sectores como os serviços, a agricultura e a construção civil. São estabelecidas quotas para atribuição de vistos de trabalho com prazo curto e dirigidos a imigrantes de cinco países com os quais as autoridades estabeleceram protocolos de cooperação. Espanha enfrenta o problema acrescido da entrada de imigrantes em trânsito para o norte da Europa. Não existia até 2004 uma política definida dirigida à integração da população imigrante. As revisões de legislação têm aumentado as restrições à entrada, correspondendo a um sentimento anti-imigração criado na população a partir do final dos anos 90.
Os exemplos asiáticos
Mesmo nos países asiáticos com poder político democrático existe uma preocupação do Estado relativamente à homogeneidade étnica da população, o que representa uma forte condicionante à entrada e permanência de imigrantes. O Japão tem negado a entrada a imigrantes profissionalmente pouco qualificados, desejando manter a homogeneidade étnica, evitando potenciais conflitos sociais e receando os custos associados ao Estado social. Apesar disso, o facto de a população estar a envelhecer e a economia precisar de mão-de-obra não qualificada conduziu à entrada de imigrantes ilegais, sobretudo por permanência em prazo superior ao autorizado. As autoridades têm reconhecido esta situação e criaram planos para entrada temporária de trabalhadores e estudantes, a par com planos especialmente dirigidos ao regresso de cidadãos de origem étnica japonesa. No entanto não existe um plano de integração, e o estatuto ambíguo destes trabalhadores tem gerado situações de exploração de mão-de-obra.
A Coreia do Sul apenas começou a receber imigrantes a partir do final dos anos 80 e em pouca quantidade. Em 2004 a percentagem de residentes (trabalhadores) estrangeiros era inferior a um por cento da população. Tendo a Coreia sido uma colónia japonesa, a
na Coreia o poder político tem estado mais cativo dos interesses dos empresários empregadores. Na Coreia existe ainda um menor movimento da sociedade civil no sentido de garantir direitos humanos, pelo que as situações de exploração se agravaram mais neste país. Recentemente alguns movimentos de reivindicação de direitos originados pelos próprios imigrantes resultaram na adopção de legislação mais favorável a estes.
Em países asiáticos onde o poder não é democrático, a situação relativa à imigração é um pouco diferente. São criados programas de estabelecimento temporário e não é admitida a permanência para além do prazo estabelecido. Nos casos em que a permanência de estrangeiros é permitida, estes dispõem de escassos apoios por parte da administração central, dependendo a sua integração em exclusivo da sua capacidade individual. As comunidades de estrangeiros não são aceites e não dispõem de qualquer poder representativo em termos políticos.