Capítulo V Participação na escola
2. PAA do AERM: contributos e atividades dinamizadas
Foi em função destes documentos orientadores do AERM, PE e PAA, que definimos, em conjunto com a nossa colega de estágio e de acordo com as orientadoras cooperantes de cada uma das disciplinas, algumas atividades a dinamizar, bem como outras, já definidas pelos diferentes grupos disciplinares, em que poderíamos participar de uma forma mais ou menos ativa, consoante as características das atividades.
Descreveremos, de seguida, as atividades que dinamizámos ou em que participámos, fazendo-o por ordem cronológica. Nesse sentido, há a referir a primeira atividade que dinamizámos e que designámos “Siente la magia de Navidad” (Apêndice 53). No fundo, a proposta que apresentámos era constituída por várias atividades, que preparámos e desenvolvemos, nomeadamente a decoração do polivalente e da biblioteca da ESCM com mensagens e postais de Natal, criados por nós e colocados sobre as várias mesas ou afixados nas paredes e janelas dos espaços. Elaborámos também sinos em cartolinas amarelas e vermelhas e escrevemos mensagens de Natal. Criámos também postais, que colocámos na entrada da biblioteca da ESCM, com imagens alusivas ao Natal e a indicação de que os alunos poderiam recolher e escrever eles próprios a sua mensagem para entregarem a alguém especial e a quem quisessem desejar as Boas Festas. A par destas atividades recorremos à ajuda da Associação de Estudantes, responsável pela Rádio da Escola, para passar algumas músicas de Natal, os Villancicos, selecionadas por nós. Decorámos ainda a EB 1 com balões vermelhos e amarelos e mensagens de Boas Festas. Acreditamos que o balanço foi positivo, pela recetividade dos alunos a todas as decorações e a adesão que demonstraram à criação dos seus próprios postais de Natal. A nível de decoração e embelezamento do espaço parece-nos que
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133 cumprimos igualmente os nossos objetivos, já que era notória a “marca” do Espanhol. A presença da língua e da cultura foram evidentes durante a última semana do primeiro período, de treze a dezasseis de dezembro. Acreditamos que para além de alargar o âmbito cultural dos alunos e dar- lhes a conhecer músicas de Natal espanholas conseguimos fomentar neles um gosto ainda maior pela língua e cultura espanholas, desenvolvendo as suas competências de compreensão oral e escrita e cultural e civilizacional.
Para além desta atividade, participámos, no início do mês de março (entre os dias três e cinco), numa visita de estudo. Quando iniciámos a nossa PES e tivemos conhecimento das atividades do PAA, considerámos que poderia ser uma mais-valia para a nossa integração na escola participar numa das visitas de estudo a decorrer no âmbito da disciplina de Espanhol. Das três visitas de estudo previstas, a Ronda, a Madrid e a Sevilha, decidimos que a que mais se adequava aos nossos objetivos era a visita de estudo à capital espanhola, por um motivo essencial que se prendia com o facto de se destinar às turmas do Ensino Secundário (10.º e 11.º anos). Uma vez que sabíamos que iríamos trabalhar com uma turma de 11.º ano, a visita de estudo permitir-nos-ia conhecer os alunos fora do contexto de sala de aula e, ao mesmo tempo, aprofundar as relações humanas, estabelecendo com eles uma relação de respeito e de confiança. Sabíamos que antes dessa visita de estudo estaríamos apenas duas vezes com os alunos em aula, a lecionar, por isso, seria realmente muito positivo podermos participar na visita. Permitir-nos-ia, também, fortalecer laços com os nossos pares, outros professores do grupo de Espanhol que connosco iriam.
As visitas de estudo constituem, indubitavelmente, uma estratégia de aprendizagem. Colocar os alunos num contexto linguístico e cultural diferente do seu propicia a aquisição de inúmeras aprendizagens e é fundamental que, enquanto professores, compreendamos isso e promovamos essas aquisições. Pretendia-se, portanto, com esta visita em particular levar os alunos a conhecer a cultura espanhola, fomentando, numa primeira fase, o trabalho de pesquisa sobre a cidade, monumentos, usos e costumes e, numa fase posterior, a consolidação desses conhecimentos em contexto. Pretendia-se, também, sensibilizá-los para as diferenças culturais, levando-os a desenvolver uma competência cultural e civilizacional, praticando a língua espanhola sem os constrangimentos que o contexto de aula provoca muitas vezes e desenvolvendo nos alunos as suas competências de compreensão e de interação oral e escrita (Anexo 10).
A visita de estudo teve a duração de três dias, sendo que estivemos, nos dois dias iniciais, em Madrid, tendo visitado o Estádio Santiago Bernabéu, estádio do Real Madrid, e o Palácio Real. Para além destas visitas previamente marcadas, pudemos passear pela cidade, conhecer os seus cantos e recantos e, mais importante, sentir o seu pulsar. No dia do regresso, deslocámo-nos a Toledo
134 onde fizemos uma visita guiada pela cidade. O balanço dos alunos, no final da visita quando questionados por nós, foi muito interessante, pois o que mais gostaram foi de visitar o estádio do Real Madrid, tirar fotografias no seu interior e pisar o relvado onde os seus ídolos brilham todas as semanas. A par disso, gostaram bastante também de passear pelo centro de Madrid e falar com as pessoas dos cafés e das lojas onde entravam. Enquanto núcleo de estágio não organizámos nenhuma atividade em concreto para desenvolver com os alunos nesta visita, pois considerámos que tendo eles já o tempo tão ocupado com visitas guiadas e passeios, os momentos de pausa deveriam ser, também, para descansarem e, essencialmente, para conviverem, entre eles e connosco.
No final do segundo período, no dia três de abril, celebrou-se o “Dia do Agrupamento”, atividade que consta no plano plurianual de atividades (PPA) do AERM. Neste documento refere-se que o mesmo deve ser entendido como “um dos suportes operacionalizadores dos princípios constantes no Projeto Educativo e como trave mestra do Plano Anual de Atividades” (p. 1)112. O “Dia do Agrupamento” realizou-se pelo terceiro ano consecutivo e, com ele, pretendia-se a adesão de toda a comunidade educativa e sua consequente participação na escola. O “Dia do Agrupamento” tem como objetivos prevenir na área da saúde e na área da segurança, promover a articulação vertical entre ciclos e entre escolas e promover competências nos jovens a nível da planificação, organização e consecução de eventos. Foi organizado pela associação de estudantes e pelos diferentes grupos curriculares a quem competiu definir as atividades a desenvolver nas salas de aula.
A nível do grupo de Espanhol as atividades já estavam definidas e envolveriam todos os seus membros na dramatização de uma peça de teatro por alunos do 7.º ano – “La Caperucita Roja”. Nesse sentido, considerámos que deveríamos participar na dinamização das atividades do grupo de Português. Como sabíamos que ao longo do dia diferentes turmas de diferentes níveis de ensino se deslocariam à nossa sala, à “sala de Português”, definimos atividades distintas, possíveis de realizar em dez ou quinze minutos, tempo máximo de que dispúnhamos, atrativas e dinâmicas destinadas ao público-alvo que tivéssemos diante de nós (Apêndice 54). Assim, preparámos para os alunos do pré-escolar e do 1.º ciclo atividades como a audição de canções (“Boas maneiras – Não custa nada!” e “Os ditongos a cantar”, de Maria Vasconcelos), um jogo para identificação e criação de palavras com ditongos e “A hora do conto”, momento destinado à leitura expressiva de um conto aos alunos; para os alunos do 2.º e 3.º ciclos tínhamos atividades, como a audição da música “O português anda a ser maltratado”, dos D.A.M.A., a partir da qual seguiríamos para diferentes jogos
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135 que criámos e que pretendiam promover a correção linguística dos alunos: o jogo do “Bom Português, que visava a identificação da forma correta das palavras apresentadas, e o jogo do “Acordo Ortográfico”, em que os alunos deveriam identificar as transformações provocadas pelo referido Acordo. Criámos também o jogo do “Quem é quem?”, apenas com escritores portugueses e cujo objetivo era levar os alunos a identificar cada um dos autores e, na sequência disso, apresentarem-no, em traços gerais, bem como à sua obra. Para este público criámos, igualmente, exercícios de escrita criativa, para promover a competência de escrita, de imaginação e de criatividade. Decorámos também a sala com livros, cartazes, poemas e citações de escritores portugueses que registámos em papel de cenário e afixamos numa das paredes da sala. A decoração permitiu-nos criar diferentes espaços para cada uma das atividades a desenvolver: um espaço para a audição, projeção da música e jogos, outro espaço para a “hora do conto”, outro para a escrita criativa e outro para que os alunos pudessem fazer o registo escrito do seu testemunho sobre as atividades aí desenvolvidas.
Na sequência do “Dia do Agrupamento”, escrevemos uma notícia para o Jornal Escolar onde dávamos conhecimento das atividades promovidas pelo grupo de Português (Apêndice 55). A divulgação neste meio das atividades pareceu-nos importante para fomentar uma maior articulação entre a comunidade escolar e o meio envolvente, reforçando, assim, a identidade e a cultura de escola.
A última atividade que dinamizámos foi uma oficina de escrita (Apêndice 56). No ano letivo anterior, as colegas do núcleo de estágio que aí desenvolveram a sua PES, tinham coligido materiais para elaborar um dossiê para promover a escrita criativa. Este ano, coube-nos criar e coligir mais materiais, aplicando alguns exercícios aos alunos. Fizemo-lo no dia três de maio com a turma do Ensino Vocacional com quem trabalhámos durante a PES. Acreditamos que, com estas atividades promovemos não só o alargamento do âmbito cultural dos alunos, mas, sobretudo, incentivámo-los a escrever, recorrendo à sua criatividade e imaginação e melhorando, assim, as suas competências de escrita em língua materna.
Por último, participámos numa atividade promovida pela orientadora cooperante de Português e inserida no PAA do AERM, também em maio, destinada à apresentação do Projeto Individual de Leitura (PIL), dos alunos do 11.º ano, de Literatura Portuguesa (Anexo 11). No dia estipulado para o efeito, os alunos foram à escola para apresentar o livro que tinham lido e criado um portefólio com informações sobre o autor, a obra e estabelecendo relações de intertextualidade com outras obras de outros autores. A orientadora cooperante tinha informado os Encarregados de Educação que os seus educandos iriam proceder à apresentação do seu PIL, daí que alguns tenham estado
136 presentes. Pretendia-se com essa apresentação reconhecer a importância da leitura na aquisição de conhecimentos, no alargamento de experiências pessoais e na construção de mundos possíveis.