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Foram incluídos 412 pacientes pacientes com idade superior a 1 ano com malária não complicada por P. falciparum, 306 dos quais do Centro de Saúde de Boane e 106 do Centro de Saúde 1º de Maio. O diagnóstico foi efectuado por Microscopia Ótica (Anexo 3) e posteriormente confirmado pela técnica de PCR (Anexo 4). Os critérios de exclusão foram: crianças com peso inferior a 10 Kg, mulheres grávidas, história de tratamento com algum antimalárico para a doença atual, identificação de algum sinal ou sintoma de malária grave ou doença concomitante requerendo internamento hospitalar.

3.1.3 - História e exame clínico

Os dados clínicos e laboratoriais dos pacientes com MnC foram avaliados à admissão (D0), e controlados ao 7º dia (D7) e 14º dia (D14).

Aquando da admissão (D0), os pacientes com critérios definidos para inclusão no estudo foram submetidos a uma história clínica na qual foram colhidas informações acerca do início da doença e principais sintomas clínicos. Foram pesquisados dados relacionados com a existência de episódios anteriores de malária e tratamentos anteriores com antimaláricos. A história foi fornecida pelo próprio paciente no caso dos adultos, ou por um acompanhante no caso das crianças. A todos os pacientes foi efetuado um exame físico completo para determinação do estado clínico e exclusão de potenciais sinais de gravidade. O registo das principais queixas (febre, cefaleia, mioartralgia, diarreia, vómitos, dor abdominal e anorexia) assim como dos principais sinais clínicos (febre, anemia, icterícia, hepatomegália, esplenomegália e desidratação) foi efetuado numa ficha de recolha de dados (Anexo 5), utilizada para a elaboração da base de dados para posterior análise.

3.1.4 - Recolha e processamento das amostras de sangue

As amostras de sangue foram colhidas pelo pessoal do laboratório das referidas unidades sanitárias no âmbito da sua atividade diária e segundo os protocolos instituídos. As técnicas de pesquisa do P. falciparum por microscopia ótica assim como o hemograma foram realizadas no primeiro dia (D0), nos laboratórios dos respetivos centros de saúde onde os

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pacientes foram seguidos. Adicionalmente, parte da amostra de sangue destinada aos exames laboratoriais protocolados (cerca de 50-100μl) foi colocada em papel de filtro Whatman nº 3. Depois de secas, estas amostras foram acondicionadas e conservadas à temperatura ambiente até à data do seu processamento no laboratório do Instituto de Higiene e Medicina Tropical em Lisboa (IHMT). As amostras correspondentes ao controlo no 7º dia (D7) e 14º dia (D14) após o tratamento foram colhidas e processadas de forma idêntica.

3.1.5 - Parâmetros hematológicos

Para o estudo das alterações hematológicas, as amostras de sangue foram colhidas em tubos com anticoagulante Etileno Diamina Tetra Acético (EDTA) e analisadas num aparelho automático de hematologia (Sysmex KX-21 N). A presença de anemia foi determinada pelos resultados da hemoglobina em função da idade e do sexo dos pacientes e classificada com base nos critérios definidos pela OMS(286), de acordo com a Tabela 6.

Tabela 6 - Classificação da anemia de acordo com o nível plasmático de hemoglobina, tendo em conta a idade e o sexo (WHO, 2011). ♂ - sexo masculino; ♀- sexo feminino; *♀- mulher não grávida

Idade (anos) Sexo Hgb normal (g/dl) Anemia (Hgb g/dl)

Ligeira Moderada Grave Muito grave <5 ♀/♂ ≥11.0 10.0-10.9 7.0-9.9 <7.0 <5.0 5-11 ♀/♂ ≥11.5 11.0-11.4 8.0-10.9 <8.0 <5.0 12-14 ♀/♂ ≥12.0 11.0-11.9 8.0-10.9 <8.0 <5.0 ≥15 ♀* ≥12.0 11.0-11.9 8.0-10.9 <8.0 n.a. ≥15 ♂ ≥13.0 11.0-12.9 8.0-10.9 <8.0 n.a.

A trombocitopénia foi definida como a presença de um nível de plaquetas inferior a 150.000 por microlitro de sangue (Plaquetas < 150x 109/l), independentemente da idade e sexo e classificada em diferentes graus de acordo com a Tabela 7(287).

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Tabela 7 - Classificação da trombocitopénia de acordo com a contagem de plaquetas Plaquetas (x 109/l) Classificação

75-149 Trombocitopénia ligeira 50-74 Trombocitopénia moderada

25-49 Trombocitopénia grave

≤≤≤≤25 Trombocitopénia muito grave

3.1.6 - Tratamento efetuado

Os pacientes com malária não complicada foram tratados com comprimidos de AL(doses fixas combinadas de arteméter-lumefantrina), ou ASAQ (doses fixas combinadas de artesunato-amodiaquina) de acordo com os esquemas terapêuticos apresentados respetivamente na Tabela 8 e Tabela 9.

Em ambos os grupos de tratamento a medicação foi efetuada durante 3 dias, de acordo com o peso do paciente e com as instruções dadas pelo pessoal de saúde envolvido no estudo. Em cada caso, o esquema terapêutico (AL ou ASAQ) foi escolhido tendo em conta a disponibilidade dos fármacos nos centros de saúde, visto que estes são fornecidos pelo Ministério de Saúde, o que obriga à adequação dos regimes terapêuticos em função dos medicamentos existentes.

Tabela 8 - Esquema para tratamento da malária não complicada com AL. 1Número de comprimidos contendo 20 mg de arteméther e 120 mg de lumefantrina; 2Número total de comprimidos administrados durante os 3 dias de tratamento.

Peso (Kg) No de comprimidos/dose1 administrados de 12/12 horas No total de comprimidos2 10-14 1 6 ≥15-24 2 12 ≥25-34 3 18 ≥35 4 24

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Tabela 9 - Esquema para tratamento da malária não complicada com ASAQ Peso (Kg) Formulação de

ASAQ (mg)

No de comprimidos

Dia 1 Dia 2 Dia 3 Total

10 - 17 50/175 mg 1 1 1 3

≥18 - 35 100/270 mg 1 1 1 3

≥36 100/270 mg 2 2 2 6

3.1.7 - Acompanhamento dos pacientes

No primeiro dia (D0), os pacientes receberam a primeira dose da medicação sob observação do técnico de saúde da respetiva unidade sanitária (técnico de medicina ou enfermeiro) envolvido no estudo. A restante medicação foi disponibilizada em pequenas embalagens contendo as doses necessárias a efetuar no domicílio de acordo com as instruções por este fornecidas. Foram também disponibilizados comprimidos de paracetamol para o tratamento da febre e pacotes com sais de hidratação oral para reposição hídrica. Os pacientes foram instruídos a não efetuar nenhum tratamento adicional e a retornar ao Centro de Saúde nos dias de controlo (D7 e D14) ou a qualquer altura antes desse período, em caso de agravamento do quadro clínico ou surgimento de alguma situação que impossibilitasse o cumprimento do tratamento.

3.2 - Estudo da malária grave