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Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos – 1966

4.2 A Carta Internacional dos Direitos do Homem

4.2.2 Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos – 1966

O Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Politicos somado ao Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, são conhecidos como Pactos Internacionais de Direitos Humanos, e foram elaborados, em 1966, pela Assembléia Geral da ONU, entrando em vigência apenas em 1976, ao atingir a adesão de 35 Estados, quorum mínimo.

No Brasil, a aprovação parlamentar ocorreu em 1991 através do Decreto-Legislativo n° 226, aderindo aos Pactos e colocando-os em vigor em 1992, portanto, ambos os Pactos passaram a fazer parte do ordenamento brasileiro quando a Constituição de 1988, que já assegurava todos os direitos contemplados nos Pactos, já estava vigente.

O Pacto sobre Direitos Civis e Políticos reafirma alguns dos ideais trazidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, introduzindo tais direitos entre os tratados de cumprimento obrigatório, e, principalmente, trazendo medidas contra a violação destes.

Os direitos consagrados no Pacto dos Direitos Civis e Políticos são:

direito à autodeterminação (art. 1°); à garantia judicial (art. 2°); igualdade de direitos

entre homens e mulheres (art. 3°); à vida (art. 6°); vedação da tortura, tratamentos cruéis, desumanos e degradantes (art. 7°); proibição da escravidão, tráfico de escravos, servidão e trabalho forçado (art. 8°); liberdade, segurança pessoal, vedação à prisão arbitrária e direito ao julgamento justo (art. 9°); direito à dignidade e tratamento humano da pessoa privada de liberdade (art. 10), proibição de prisão por não-cumprimento de obrigação contratual (art. 11); liberdade de circulação, saída, entrada e de residência (art. 12); direito à justiça (art. 14); direito à não ser condenado por atos e omissões que não constituam crime (art. 15).

Consagra, também, o direito à personalidade jurídica (art. 16); proteção contra interferências arbitrárias ou ilegais na vida privada (art. 17); liberdade de pensamento, de consciência e de religião (art. 18); liberdade de opinião, de expressão e informação (art. 19); proibição à propaganda de guerra e incitamento a intolerância étnica ou racial (art. 20); direito de reunião (art. 21); liberdade de associação (art. 22); direito de casar e formar família (art. 23); direito da criança de registro, nacionalidade e proteção (art. 24); direito de votar, de ser eleito e ter acesso às funções públicas (art. 25); igualdade de direito perante à lei e direito à proteção da lei sem discriminação (art. 26); direitos das minorias étnicas, religiosas e lingüísticas (art. 27).

E ainda autoriza a derrogação temporária, em situações excepcionais, dos direitos previstos no Pacto, exceto, o direito à vida, a proibição à tortura, à tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, à escravidão, tráfico de escravos, servidão e trabalho forçado, à prisão por não-cumprimento de obrigação contratual, direito à personalidade jurídica, e à liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

Dentre os direitos contemplados pelo Pacto, estão direitos já consagrados pela Declaração Universal, que ganham com o Pacto obrigatoriedade, bem como outros direitos não previstos anteriormente, como o direito a autodeterminação, a proteção as minorias, direitos da criança, proibição a propaganda de guerra e ao incitamento a intolerância étnica ou racial e a prisão por não cumprimento de obrigação contratual.

Entretanto, há algumas lacunas no Pacto, que é omisso em relação ao direito de asilo, ao direito de qualquer ser humano ter uma nacionalidade e ao direito de propriedade, todos previstos na Declaração dos Direitos Humanos.

Apesar das omissões, o Pacto dos Direitos Civis e Politicos traz os direitos de primeira geração, os chamados direitos de liberdade, sendo que sua proteção depende da abstenção em violá-los, assim como, na adoção dos meios necessários para assegurar a resposta adequada a sua violação, sendo considerados auto-aplicáveis.

O Pacto dos Direitos Civis e Políticos proclama, em seus primeiros artigos, o dever dos Estados-partes de assegurar os direitos nele elencados a todos os individuos que estejam sob sua jurisdição, adotando medidas necessárias para esse fim. A obrigação do Estado inclui também o dever de proteger os indivíduos contra a violação de seus direitos perpetrada por entes privados. Isto é, cabe ao Estado-parte estabelecer um sistema legal capaz de responder com eficácia às violações de direitos civis e políticos.

As obrigações dos Estados-partes são tanto de natureza negativa (ex.: não torturar) como positiva (ex.: prover um sistema legal capaz de responder às violações de direitos). Ao impor aos Estados-partes a obrigação imediata de respeitar e asseguraros direitos nele previstos – diversamente do Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, que, como se verá, requer a “progressiva” implementação dos direitos nele reconhecidos -, o Pacto dos Direitos Civis e Políticos apresenta auto-aplicabilidade.

(PIOVESAN, 2008, p.161)

As novidades trazidas pelo Pacto Internacional dos Direitos Civis e Políticos foram os meios de fiscalização e supervisão de seu implemento e respeito, através da emissão de relatórios para informarem as medidas adotadas e o progresso alcançado, da vigilância recíproca entre os Estados-partes, bem como por meio da criação do Comitê de Direitos Humanos, cujo reconhecimento de sua competência dependia da adesão ao Protocolo Facultativo anexado ao Pacto, que causou desentendimento na adoção dos Pactos.

O grande objeto de discórdia na adoção dos Pactos de 1966 pelas Nações Unidas, foi o Protocolo Facultativo, anexo ao Pacto sobre Direitos Civis e Políticos. Enquanto ambos os documentos foram aprovados unanimamente pela Assembléia Geral, a aprovação do Protocolo teve dois votos contrários e 38 abstenções, provenientes não só de países comunistas e da maioria dos países asiáticos, africanos e árabes, como também do conjunto dos países da Europa Ocidental. Os primeiros viam com suspeição a possibilidade de o Comitê de Direitos Humanos interferir em assuntos considerados da competência interna de cada Estado. Os segundos entenderam que já se achavem vinculados à ação fiscalizadora e julgadora mais forte dos òrgãos criados pela Convenção Européia de Direitos Humanos. (COMPARATO, 2008, p.282)

O Protocolo Facultativo estabaleceu que o Comitê deve procurar soluções amistosas aos conflitos, sempre protegendo os direitos humanos e a liberdade individual, e apresentou “pela primeira vez no direito internacional, um

sistema de petições individuais, permitindo ao Comitê conhecer denúncias formuladas pelas próprias pessoas vítimas de violações de direitos garantidos pelo Pacto” (LEITE e MAXIMIANO).

Entretanto, as petições individuais, de organizações ou de terceiros, são admitidas, apenas, se o Estado acusado da violação aos direitos fizer parte do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, bem como, tiver ratificado o Protocolo Facultativo, reconhecendo a competência do Comitê de Direitos humanos.

Apesar da relutância em aceitar o Protocolo que alguns países apresentaram, os Pactos em si já trouxeram medidas eficazes de implementação e monitoramento dos ideais comtemplados, como o compromisso presente no artigo 2° do Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos em que os Estados-partes dispõe-se a criar medidas legislativas de forma a tornar efetivos os direitos reconhecidos no Pacto, bem como o direito a um recurso efetivo a toda pessoa que tenha seu direito violado.

Há, ainda, no Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos em seu artigo 40, a previsão da emissão de relatórios sobre as medidas “adotadas para tornar efetivos os direitos reconhecidos no presente Pacto, e sobre o progresso alcançado no gozo desses direitos” (Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, 1966, artigo 40).

O referido relatório deve ser encaminhado ao Secretário Geral da ONU, que o encaminha ao Comitê de Direitos Humanos e às agências especializadas.

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