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4.2 Padrões de inovação: uma taxonomia de PMEs inovadoras

4.2.2 Padrão 2: “MPEs de baixo EIs e contrastante DI”

Este é o segundo agrupamento mais numeroso, composto por 15% do total de empresas e 10% do total de pessoal ocupado (cf. Tabela 4.7 e Gráfico 4.5). Seus dispêndios em atividade inovativas (aprox. 1%) são, de longe, os menores de todos. Porém, dois deles podem ser contabilizados e correspondem à totalidade dos gastos. O primeiro refere-se aos dispêndios em aquisição de máquinas e equipamentos e o segundo em projeto industrial (Tabela 4.8). Esses dois tipos de gastos são normalmente condizentes com as fases iniciais de operação de uma empresa. Esse é, particularmente, um das características marcantes do agrupamento, em que 97% das empresas situam-se na faixa de empresas nascentes, de 0 a menos de 5 anos de operação (Tabela 4.16).

Com relação aos dois principais esforços endógenos de geração e criação de inovações, essas empresas também apresentam números extremamente baixos relativamente à média nacional. Somente 1% delas está engajada em atividades internas de P&D, sendo, na totalidade, atividades realizadas ocasionalmente (cf. Tabela 4.8). De aproximadamente 1,067 bilhão gastos pelo total das MPEs industriais inovadoras em atividades internas de P&D, somente 0,3% são devidos a esse grupo (cf. Tabela 4.7), sendo que esse valor representa uma média de gasto por empresa de, aproximadamente, 0,04% sobre a RLV (cf. Tabela 4.8). Infelizmente, essas informações revelam que um número significativo de PMEs está surgindo, porém, com características na contramão do que muitos estudiosos e governos gostariam, ou seja, com muito poucos esforços voltados às atividades inovativas.

Também é praticamente nula a porcentagem de pessoas alocadas nessa atividade. Em valores agregados, essas empresas têm somente 135 do total de 16.638 pessoas alocadas para essa atividade, embora, elas respondam por aproximadamente 10% do total de 1,2 milhões de

pessoas ocupadas (cf. Tabela 4.7). Em nenhuma categoria de qualificação, é possível encontrar uma intensidade que ultrapasse a casa dos centésimos (cf. Tabela 4.8). Além disso, essas empresas não utilizam financiamento público para suas atividades inovativas, até porque, como seus dispêndios são extremamente baixos, não faria muito sentido.

A rede de informação utilizada por essas empresas também é restrita, basicamente, a dois atores: seus fornecedores de máquinas e equipamentos e clientes/consumidores. Mesmo assim, eles são muito pouco utilizados, uma vez que só 30% das empresas assinalaram alta importância a eles. Na grande maioria delas, o principal parceiro está localizado no Brasil (cf. Tabela 4.9). Esse agrupamento tem apenas 15 empresas (0,4%) que assinalaram ter relações de cooperação (cf. Tabela 4.10). A principal parceria assinalada por 9 dessas 15 empresas é com os centros de capacitação profissional e assistência técnica localizados no Brasil com o objetivo de ensaios para teste de produtos. Um terço delas também mantém relações com clientes/consumidores que procuram por assistência técnica e suporte ao desenho industrial (cf. Tabela 4.11). Somente 3% delas assinalaram utilizar, pelo menos, um dos programas de apoio do governo para inovação. (cf. Tabela 4.12).

Pelo lado da dimensão do desempenho inovativo, 98% das ITPP implementadas por essas empresas, em termos mercadológicos, são de produtos e/ou processos novos para a empresa, ou seja, essas empresas representam um forte mecanismo de difusão de inovações realizadas por outras empresas. Uma característica peculiar, exclusiva desse agrupamento é que a maioria esmagadora delas (97%), ao inovarem, fazem-no simultaneamente em produto e processo. Os resultados da pesquisa também indicam que essas empresas têm situações bem diferentes com relação ao grau de novidade técnica e o responsável pelo desenvolvimento das ITPP (cf. Tabela 4.14 e Gráfico 4.6).

Para as inovações de produto não há nenhuma tendência e quase metade das empresas assinalou tratar-se de inovações de produto baseadas no aprimoramento de um já existente, sendo quase inteiramente desenvolvidos pela própria empresa. Já para as inovações de processo, 97% das empresas indicaram tratar-se da incorporação de processo completamente novo, sendo que a mesma porcentagem de empresas indicou que o principal responsável pelo desenvolvimento dessa inovação de processo são as outras organizações (cf. Tabela 4.14).

Nenhuma delas tem alguma ITPP desenvolvida em parceria com outras organizações (cf. Tabela 4.10). Seus resultados inventivos são nulos. Somente 1% das empresas assinalou ter patentes em vigor ou em depósito (cf. Tabela 4.14). Elas também têm fraca cultura de proteção de seus ativos tecnológicos (cf. Tabela 4.13).

Essas empresas compartilham uma situação diametralmente oposta à dimensão dos resultados (particularmente quanto ao grau de novidade de suas inovações) com relação aos impactos de suas inovações. Praticamente toda a RLV dessas empresas advém da venda de produtos novos, ou seja, das inovações de produto. Isso sugere que essas empresas contam, no portfólio, com apenas um produto e que foram criadas para explorá-lo. Nesse espaço de menos de 5 anos, nenhum novo produto surgiu. A situação torna-se ainda mais sui generis se a atenção voltar-se aos impactos organizacionais e mercadológicos das ITPP. Para essas empresas o resultado é totalmente inexpressivo. Somente um pequeno percentual delas (menos de 5%) assinalou como de alta importância algumas das quinze categorias de impactos levantados pela PINTEC. Particularmente, para as categorias de impactos causados no processo produtivo relacionados às reduções de custos operacionais, de matéria-prima, mão-de-obra, energia e água, houve uma total ausência de respostas (cf. Tabela 4.15).

Com relação às mudanças organizacionais, aproximadamente dois terços das empresas desse agrupamento assinalaram ter realizado. Talvez, pelo fato dessas empresas serem, na maioria, nascentes, não tiveram tempo suficiente ou necessidade de adequarem sua estrutura ou estratégia iniciais a novos padrões tecnológicos com o intuito de viabilizarem a implementação de uma segunda fase de inovações. Esse agrupamento se assemelha ao agrupamento 1 em relação à principal mudança realizada, qual seja, a relacionada à estética e desenho dos produtos (cf. Tabela 4.13).

Com relação à distribuição geográfica, comparativamente a média nacional, essas empresas estão subrepresentadas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste (52x48% e 5x3%, respectivamente) e super-representadas nas regiões Sul e Norte (30x34% e 3x6%, respectivamente). Quase a totalidade delas (99%) tem capital controlador nacional, o que, apesar de uma pequena diferença em relação ao agrupamento 1, que tem 3% de suas empresas de capital estrangeiro e/ou misto, vale a pena mencionar. Essa informação pode sugerir que as

MPEs inovadoras nascentes não têm uma estratégia deliberada de parceria ou compartilhamento de capital com vistas a agregar uma possível competência visando seu processo de internacionalização futuro, ou até mesmo como uma possível maneira de ter as atividades tecnológicas dinamizadas. Os aproximadamente 4% de empresas que fazem parte de um grupo são todas de capital nacional, sendo interessante observar que cerca de metade delas participa sob a forma de controladora e/ou coligada (cf. Tabela 4.16).

Como esperado, a distribuição por faixa de pessoal ocupado dessas empresas difere consideravelmente da média nacional, uma vez que 87% delas são pequenas. Como foram construídos quatro faixas de pessoal ocupado, é possível perceber que 74% dessas empresas situam-se na primeira faixa da classe de pequena empresa (de 10 a 29). Essa distribuição é relativamente maior que a média nacional (61%) e, maior ainda, que a apresentada pelo agrupamento 1 (57%), que também é predominantemente formando por pequenas empresas. Em síntese, as empresas nascentes inovadoras brasileiras nascem pequenas (cf. Tabela 4.16).

A distribuição delas pelos complexos industriais também é desuniforme e relativamente diferente da média nacional e de todos os demais agrupamentos. Em um mais minucioso mostra que, os complexos têxteis e de calçados e de madeira e móveis estão super- representados neste agrupamento, enquanto o complexo de materiais elétricos representa menos de 0,5% dessas empresas. Já, um olhar macro sobre os complexos, mostra claramente a predominância dos setores considerados de média-baixa e baixa intensidade tecnológica (81%) sobre os de média-alta e alta (19%) intensidade. Comparativamente à média nacional, que é de 37% e 63%, respectivamente, esse é o agrupamento de menor intensidade tecnológica da taxonomia. Considerando-se a classificação adicional realizada empresa a empresa, tem-se que 99% das empresas desse agrupamento são de baixa intensidade tecnológica (cf. Tabela 4.16).