• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO 2 BASE TEÓRICA

2.2 ABORDAGENS QUE TRABALHAM COM REDUÇÃO DO LEAD TIME: O LEAN MANUFACTURING E

2.2.2 Quick Response Manufacturing

2.2.2.2 Principiais ferramentas

2.2.2.2.3 Paired-cell Overlapping Loops of Cards with Authorization (POLCA)

No que se refere ao Planejamento e Controle da Produção (PCP), o QRM propõe a utilização do Paired-cell Overlapping Loops of Cards with Authorization (POLCA). De acordo com Suri (1998), POLCA é uma estratégia híbrida que puxa e empurra a produção, combinando as melhores características dos sistemas MRP (empurrado) e Kanban (puxado). Para compreender melhor este sistema, será considerado um exemplo de uma empresa chamada CFP Corporation. Para atender seus mercados altamente variados, a empresa criou várias células como mostra a Figura 2.2.

Figura 2.2 Organização das células na CFP Corporation. Fonte: Adaptado de Suri (1998)

Primeiro, há duas células de impressão: P1 concentra-se em serigrafia e P2 em litografia. Em seguida, estão três células de fabricação, F1, F2 e F3, que convertem as folhas impressas em placas individuais com as características desejadas. Após as operações de fabricação, as placas seguem para uma das quatro células de montagem, A1 a A4, nas quais as operações de acabamento como rebarbar, montar os fechos e embalar são realizadas. Finalmente, todas as ordens seguem para a célula de expedição S1, onde as placas embaladas são alocadas em contêineres e depois carregadas nos caminhões.

Os pedidos dos clientes são atendidos utilizando a combinação apropriada das células necessárias para imprimir, fabricar e montar cada ordem de produção. A fim de atender seu nicho de mercado para placas personalizadas, a CFP Corporation tem três principais requisitos para o seu sistema de gestão de materiais: (1) a habilidade de planejar as rotas dos produtos através das diferentes combinações de células, conforme a necessidade de uma dada ordem, (2) dentro de uma célula, a capacidade dos produtos de utilizar as máquinas em diferentes sequências, e (3) flexibilidade em termos da necessidade de capacidade para cada operação em uma célula.

De acordo com as características descritas acima, o POLCA é um sistema de controle de material adequado ao ambiente da CFP Corporation. O funcionamento básico do POLCA é descrito a seguir, conforme Suri e Krishnamurthy (2003). Primeiramente, para cada ordem são geradas autorizações de produção por meio de um sistema denominado HL/MRP (High-Level Material Requirements Planning), que é muito parecido com os tradicionais MRP. O cartão utilizado para o controle da produção, chamado de cartão POLCA representa uma quantidade de capacidade disponível e acompanha o material em todas as etapas do processo, autorizando seu início. Nestes cartões são identificadas as células onde o processo vai ser iniciado, o processo e a próxima célula para onde deve se encaminhar o material relativo à próxima etapa. Para cada duas células são confeccionados cartões POLCA respectivos. O operador de uma máquina só inicia a produção se três condições forem atendidas: a produção foi autorizada pelo HL/MRP, existe matéria prima e existe um cartão POLCA.

Embora este procedimento possa parecer semelhante ao Kanban, existem algumas diferenças entre eles. Primeiro, os cartões são utilizados apenas para controlar o movimento entre as células, e não dentro das células. Segundo, os cartões POLCA, não são específicos de um produto como nos sistemas puxados, mas são atribuídos a pares de células, e se aplicam a todos os produtos que vão desde a primeira até a segunda célula do par.

A Figura 2.3 mostra os fluxos de um cartão POLCA para uma determinada ordem na CFP Corporation. O roteiro desta ordem se inicia de P1 para F2, segue para a montagem A4 e, posteriormente, para S1 para assim ser expedido. Esta ordem, portanto, prossegue através dos loops do cartão POLCA com os pares P1/F2, F2/A4 e A4/S1, como mostrado na Figura 2.3.

Figura 2.3 Fluxo do cartão POLCA para uma determinada ordem de produção na CFP Corporation. Fonte: Adaptado de SURI (1998)

Em terceiro lugar, e esta é uma diferença fundamental, ao passo que um cartão

Kanban é um sinal de reposição de estoques, um cartão POLCA é um sinal de disponibilidade

de capacidade. Especificamente, um cartão POLCA que retorna à primeira célula do par, isto é, célula à montante, assinala disponibilidade de capacidade para processar mais trabalho na segunda célula do par, isto é, na célula à jusante. Assim, quando um centro de trabalho revê sua lista de atividades, cujo início foi autorizado, só pode trabalhar sobre uma atividade se existe um cartão POLCA da célula de destino. Por exemplo, se a célula P1 tem um trabalho já autorizado que irá seguir para F3, então um cartão P1/F3 deve estar disponível em P1, para que possa começar o trabalho. Se um cartão P1/F3 não estiver disponível, significa que há um gargalo na F3 e que o trabalho sobre esta atividade não irá contribuir para o aumento de WIP em F3. Nesta situação, é preferível usar os recursos da célula P1, trabalhando, por exemplo, em ordens de produção que realmente sejam necessárias em outra célula que não está em atraso. Assim, a célula P1 ignora o trabalho P1/F3 neste momento, e olha para o próximo

trabalho autorizado para ver se um cartão está disponível para este trabalho, e assim por diante.

A quarta diferença em relação ao Kanban é que os cartões POLCA, para cada par de células, permanecem com uma atividade da sua jornada através de ambas as células do par antes que o loop retorne para a primeira célula do par. Por exemplo, um cartão P1/F2 deverá ser anexado a uma ordem como o trabalho ingressado na célula P1 e que seguirá para a célula F2. P1 deverá permanecer com este trabalho até que a célula F2 o tenha concluído e, enquanto o trabalho irá se movimentar para a sua próxima célula (A4), o cartão P1/ F2 deverá ser devolvido para a célula P1. Como a maioria das células irá pertencer a mais de um par de células, haverá vários loops de cartões que irão se sobrepor em cada célula, como pode ser visto na Figura 2.2.