ser transformada em algo
positivo”
Arménio Martins
Sócio-fundador da Sovina
apego excessivo, em que dá-se o mínimo necessário. A expressividade da marca torna-se ainda mais aguçada, devido a presença notável da avareza. Numa identidade com apelo à tradição, o conceito de clássico transforma-se em antigo.
Como disse Arménio a respeito da escolha do nome para a em- presa, podemos transformar o peso e seriedade da palavra Sovina em algo benéfico. Se virmos o nome por uma ótica irônica e audaciosa, con- seguimos exaltar o lado provocador da personalidade sovina. Chegamos a algo que pode considerar-se o espírito ousado da marca, que a dife- rencia e coloca em destaque entre tantas outras.
Artesanal
Na busca por comunicar, de maneira clara e objetiva aos diferen- tes públicos, uma cerveja genuína, de qualidade, que preza pela tradi- ção cervejeira, escolhemos evidenciar e enaltecer o caráter artesanal da cerveja. As características particulares de um produto do artesão, que o diferenciam e tornam único, estende-se aos rótulos. Transmitimos na
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nova imagem as peculiaridades de um rótulo feito por processo caseiro, assumimos as irregularidades, incorreções e limitações passíveis de uma execução manual.
O produto artesanal traz consigo uma ideia de um objeto construído com um tempo que não pode ser digital ou vir- tual. Na sua concepção não existe processos de produção si- multânea. Este produto traz consigo uma referência direta do artesão, que o particulariza e o identifica, que não pode ser substituído pela máquina e é dotado de técnicas e carac- terísticas peculiares do lugar de origem.
De acordo com Heskett (1997: 7), o produto artesanal carrega em si, além de valores culturais, as propriedades únicas da criação do mestre artesão. As peculiaridades de um produto artesanal implica na percepção de ter sido produzido por apenas uma pessoa, em contraponto ao produ- to industrial, que é padronizado. Porém, no meio cervejeiro o âmbito do título de artesanal vai além do conceito de produção manual, é um posi- cionamento avesso ao movimento das grandes cervejarias. É um cuidado na seleção de ingredientes, busca pelo sabor autêntico e cumprimento da tradição cervejeira. As cervejarias que se rotulam de artesanais não tem como fim primeiro o aumento da produção e margem de lucratividade.
Rotular seus produtos de “artesanais” é a forma de produtores amantes da tradição e contrários à ditadura do mercado de- monstrarem seu apreço à tradição e de se dissociarem da ima- gem de produção em massa, padronizada. Do ponto de vista do processo de fabricação, entretanto, utilizam-se de equipamen- tos e utensílios modernos e matéria-prima de alta qualidade.
O desenvolvimento dos materiais da identidade visual é baseado no trabalho de uma pessoa, um mestre cervejeiro que também é mestre
(Morado, 2009: 307) (Freitas, Costa & Menezes, 2008: 4001)
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artesão. Produz sua própria cerveja e desenvolve seus próprios rótulos, tudo de maneira artesanal. A partir de recursos limitados de produção ca- seira o artesão executa os materiais de comunicação de maneira simples, devido à sua natureza sovina, e única, pela natureza de seu trabalho.
Portuguesa
A história da Sovina pertence a história da cerveja portuguesa. Quando percebemos a empresa como a primeira cervejaria, que iniciou um movimento cultural no país, a relação é indissociável. Atualmen- te, há diversas cervejarias artesanais nacionais, mas somente uma foi a primeira, que abriu caminho a tantas outras. Este fator distintivo pode e deve ser trabalhado a fim de elevar a marca no mercado nacional e destacar no mercado internacional.
Distinguir a Sovina como um produto local, no cenário de um país com forte presença do turismo, é definitivo quando viajantes che- gam para conhecer o país motivados por sua cultura, locais e pessoas. Buscam por experiências únicas e sabores próprios dos produtos na- cionais. Num país com tradição na qualidade em bebidas, a cerveja não é exceção. A cerveja Sovina proporciona o gosto da fundação da cultura cervejeira portuguesa.
Engajado na cultura cervejeira portuguesa, o podcast O Estado da Cerveja, produzido pela própria Sovina, tem como objetivo promover o debate aberto e uma cultura da cerveja empenhada, esclarecida e plural no país. Em sua primeira edição, o entrevistado Eduardo Belo, jornalista, fri- sa a importância de associar cerveja à cultura local. Sugere que um cami- nho para o crescimento do mercado, através da comunicação das marcas, é tirar o foco como bebida alcoólica e colocar em cima do que é cultura.
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Tradicional
A origem da palavra latina traditio significa trazer, entregar ou passar adiante. O produto tradicional, elaborado no passado, é ainda válido e atuante no presente. Os costumes e práticas tradicionais são as raízes da sociedade, que com o passar do tempo vão sendo ressignifica- dos. As tradições evoluem, não só para atender às novas necessidades de cada sociedade, mas também para impedir que ela se desfaça. (Nas- cimento, 2015: 50)
Entretanto, no tempo que vivemos, em velocidade cada vez mais acelerada, as noções de tempo e história são fluidas. Referências antigas vão e voltam em ciclos, e os estilos do passado retornam cons- tantemente ao presente, porém providos de técnicas e tecnologias atu- ais que o validam no tempo presente. Como elaborou Denis (2011), nada mais atual do que constituir a própria identidade por meio da combi- nação estratégica de referências diversas ao passado. A escolha de uma estilização passadista para traduzir visualmente conceitos atuais da produção moderna de cerveja no segmento craft é indicativo do grau de complexidade existente hoje na relação entre passado e presente, me- mória e identidade.
O interessante, do ponto de vista comercial, é que a nostal- gia vende produtos. Não somente as antiguidades, que va- lem muito exatamente por conta da história que carregam, mas também produtos novos com uma roupagem passadis- ta – o chamado retrô.
A tradição está no apreço pela fundação da cultura cervejeira, para desenvolvimento das raízes e tradições locais acerca da bebida. Ao escolher a tradição entregamos a memória da identidade da Sovina, uma marca que carrega história cervejeira. A empresa trabalha a tradi-
(Denis, 2011: 42)
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ção de forma plural e dinâmica, por isso combinamos elementos anti- gos em arranjos atuais, que despertam reações emocionais e nostálgi- cas. O artifício de fotografias analógicas em preto e branco é utilizado para preservar e atestar as memórias que fazem parte do universo da marca e aprofundam o senso de antigo e rústico.
A identidade baseia-se na memória: eu sou quem eu sou
porque fui o que fui. (Denis, 2011: 49)
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