São várias as instituições que trabalham com a comunidade cabo-verdiana em Portugal. Contudo, localizá-las num curto espaço de tempo não é tarefa fácil, porque cada dia se descobre mais uma.
Tal como referimos anteriormente, para melhor localizar as associações recorremos a uma lista facultada pela Embaixada de Cabo Verde em Portugal, por considerarmos ser o local onde a informação, a priori, se encontra mais ou menos centralizada. No entanto, temos a noção de que esta lista poderá não estar actualizada, porque as associações nascem e morrem com alguma facilidade.
Actualmente, existem por todo o Portugal associações cabo-verdianas que foram criadas de acordo com as necessidades sentidas pelos imigrantes. A maioria dessas associações, como já foi referido, surge a partir da década de 80 do século passado. Neste momento, é difícil estabelecer com rigor o número total de associações cabo- verdianas a operar em território português porque, para além de nem todas serem reconhecidas pelo Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural, (devido a razões de vária ordem, como não estarem legalizadas ou não concordarem com o que está proposto na Lei), tal como foi dito anteriormente, todos os dias nascem e morrem organizações. Delas, apenas vinte e três são reconhecidas pelo ACIDI37. Para serem reconhecidas por parte da Alta Comissária as associações têm que obedecer ao artigo 5º
a adopção de medidas contra o insucesso escolar em membros da comunidade cabo-verdiana, o reconhecimento do direito à habitação sem discriminação, a igualdade de oportunidades no trabalho e o acesso à segurança social” (Carita, Rosendo, 1993:146-147).
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Cf.http://www.acidi.gov.pt/es-imigrante/informacao/associacoes-de-imigrantes-em-portugal (acesso a 03/06/2013)
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da Lei nº 115/99, de 3 de Agosto38 e ter pelo menos dois anos de existência formal. Há que ter em atenção que o reconhecimento não tem implícito qualquer forma de financiamento. Este é um processo a posteriori, devendo as associações interessadas candidatar-se a projectos financiados por esta instituição. Observa-se ainda que outros grupos organizados optam por estabelecer parceiras com as autarquias, que são de igual modo uma fonte de financiamento.
Mesmo assim, conseguimos localizar trinta e quatro associações, das cinquenta e oito existentes na AML. Das cinquenta e oito, quatro estão, neste momento, inactivas e vinte tivemos dificuldades em contactá-las.
Em termos gerais, estas associações/organizações foram fundadas entre 1980 e 2012, tendo na sua origem diferentes objectivos, desde o apoio à legalização, passando por actividades desportivas, culturais, sociais, políticas e à inserção plena do imigrante. Torna-se importante mencionar que quatro são de cariz partidárias (Coordenação do Movimento para a Democracia, Juventude para a Democracia Cabo-Verdiana, Coordenação do Partido Africano para a Independência de Cabo Verde e Juventude do Partido Africano para a Independência).
Estas associações/organizações situam-se em onze municípios da AML, destacando-se os concelhos de Lisboa, Amadora e Sintra com maior número de associações estudadas39, sendo também estes municípios os que têm mais associações e maior concentração de população cabo-verdiana40. Catorze dessas associações localizam-se em bairros sociais e clandestinos41 e vinte arrendaram um espaço no
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Este artigo considera que as associações para serem reconhecidas devem: alínea a) ter os estatutos publicados; b) eleger os corpos sociais com regularidade; c) estar inscrito no Registo Nacional de Pessoas Colectivas; d) estar patente a denominação social e a promoção dos direitos e interesses específicos dos imigrantes; e) realizar actividades que promovam os direitos e interesses dos imigrantes. In .http://acidi.gov.pt.s3.amazonaws.com/docs/2010/faqs/associativismo/Lei%201151999%20Associativis mo%20Imigrante.pdf (acesso 12/07/2013).
39 Número de associações estudadas por concelho: Lisboa (12); Amadora (6); Sintra (4); Vila Franca de
Xira (3); Oeiras (2); Seixal (2); Sesimbra (1); Loures (1); Moita (1); Cascais (1), Setúbal (1).
40 De acordo com o Relatório de Imigração, Fronteiras e Asilo (2011) os três municípios com maior
concentração de imigrantes são: Lisboa (34 992); Sintra (34 493) e Amadora (18 883).
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Teresa Barata Salgueiro explica o termo bairros clandestinos dizendo que “deve entender-se por construção clandestina toda a construção edificada sem licença camarária exigida pelo R.G.E.U. (Regulamento Geral das Edificações Urbanas). As construções podem ser de alvenaria ou de materiais precários (barracas)…” (in Finisterra nº23:pp.28).
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respectivo concelho. De referir que algumas das associações, quer dentro ou fora dos bairros, têm apoio da Câmara Municipal na cedência de espaço.
No que se refere ao número de sócios, estes são muito díspares. A maior associação tem dois mil e trezentos sócios e a menor tem trinta e cinco. Deve-se salientar que as Fundações e Centros Sociais, que também fazem parte deste estudo, não têm sócios, visto que esta categoria não faz parte dos seus estatutos.
Para divulgar e informar a comunidade em geral e a cabo-verdiana em particular, sobre as suas actividades e os seus serviços, as associações recorrem aos meios de comunicação, tendo cada meio um público-alvo. De acordo com Isabela Salim, o objectivo desses meios de comunicação é quase sempre o mesmo, isto é, o de “criar espaços onde os imigrantes possam sentir-se representados, através de iniciativas que lhe dizem directamente respeito” (2008:31).
O Manifesto Europeu é bem explícito relativamente à importância dos Media das Comunidades Minoritárias, neste espaço e às suas iniciativas. Estes meios consistem em revistas, jornais, meios web, estações de rádio e de televisão, bem como programas produzidos por, para e sobre imigrantes, com iniciativa local, regional e nacional. A língua que normalmente é utilizada nestes meios é a língua materna dos imigrantes, facilitando neste idioma informações sobre a importância da participação e da formação na sociedade de acolhimento, bem como permite a continuidade cultural entre gerações (Portes,2006:124). De facto, apesar de ainda estarem praticamente num estado embrionário, devido, entre outros factores, à falta de financiamento, os meios de comunicação utilizados pelas associações cabo-verdianas da AML são da mesma natureza dos referidos no Manifesto, como teremos oportunidade de observar no capítulo IV.
Os meios de comunicação utilizados pela e para a comunidade migrante, para além de poderem proporcionar a inserção e a preservação da identidade deste grupo, desempenham um papel preponderante no acesso à informação. Devido ao grau de proximidade existente entre as associações e os associados, a informação por elas divulgada chega mais rapidamente aos imigrantes, o que facilita a sua acessibilidade. Esta parceria entre as associações e os meios de comunicação torna-se fundamental para as comunidades, uma vez que quem promove a divulgação da informação é conhecedor das suas realidades e sabe que tipo de informação mais as interessa, traduzindo-a na língua materna. Como observa Roberto Carneiro, esta colaboração entre o
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associativismo e os instrumentos de comunicação permite “reduzir custos de informação e desperdícios de comunicação” (cf. Salim,2008:10). A informação divulgada pelas associações tem na sua base a realização de um jornalismo de proximidade, como podemos observar no capítulo anterior.
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3.Órgãos de comunicação de, para e sobre a comunidade migrante