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De acordo com o “Panorama de Resíduos Sólidos no Brasil 2014”, relativo aos resultados da pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (ABRELPE, 2014), dos 5.570 municípios brasileiros que coletaram e deram destinação final aos resíduos de saúde gerados em estabelecimentos públicos de saúde, 4.526 municípios prestaram total ou parcialmente, os serviços atinentes ao manejo de resíduos de serviços de saúde, levando a um índice médio de 1,3 kg por habitante por ano (kg/hab/ano).

Figura 23, representa o mapa do Brasil com as suas regiões:

Figura 23 - Mapa do Brasil. Fonte: Brasil Escola.

A pesquisa revelou um crescimento de 5% de resíduos de saúde coletados em relação a 2013, enquanto que o índice médio por habitante revelou um crescimento de 4,1% no mesmo período. Na totalidade, foram coletados no Brasil 264.800 toneladas de resíduos hopsitalares representando 12.600 toneladas a mais dos resíduos coletados em 2013.

A Figura 24 revela que a coleta de resíduos hospitalares no Brasil, executada pela maioria dos municípios,é parcial, o que contribui significativamente para o desconhecimento sobre a quantidade total gerada e o destino real destes resíduos no país. A região sudeste, onde se concentram os grandes centros urbanos, como o Rio de Janeiro e São Paulo, foi a responsável por 69% de todo o volume de tais resíduos coletados (ABRELPE, 2014).

Figura 24 - Resíduos de serviços de saúde coletados pelos municípios e regiões do Brasil. Fonte: Abrelpe (2014).

A Figura 25 representa um gráfico sobre como os municípios brasileiros destinaram os resíduos de serviços de saúde, ou resíduos hospitalares, coletados em 2014.

Figura 25 - Destino final dos resíduos de serviços de saúde coletados pelos municípios do Brasil em 2014. Fonte: ABRELPE (2014).

Segundo a pesquisa da ABRELPE (2014), 44,5% dos municípios brasileiros que prestam, parcialmente ou totalmente, serviços de coleta de resíduos de saúde, incineraram os resíduos; 21,9% utilizaram autoclaves; 2,5% trataram com micro-ondas; e outros 31,1% correspondem à disposição em aterros, valas sépticas e lixões. Ainda de acordo com esta pesquisa, as normas federais aplicáveis aos RSSS estabelecem que determinadas classes de resíduos necessitam de tratamento antes da sua destinação final. Entretanto, alguns municípios encaminham seus resíduos para os locais de destinação sem mencionar a existência de tratamento prévio dado aos mesmos.

A pesquisa aponta ainda que de 2010 a 2014 a produção de resíduos cresceu 29%, a cobertura dos serviços de coleta passou de 88,98% para 90,68% e a quantidade de postos de trabalho diretos subiu mais de 18%. Significa que a geração de resíduos vem crescendo a cada ano, aumentando a demanda por serviços de logística, infraestrutura e, principalmente, recursos humanos e financeiros.

Segundo dados do IBGE (2010), o tratamento dado aos resíduos de serviços de saúde (RSS), ou hospitalares, deve ser o mais próximo possível da unidade geradora, de acordo com a adesão do Brasil à Convenção da Basiléia (1993)20, devido a possíveis perdas ao longo do trajeto, sendo fundamental a capacitação e adaptação de procedimentos dos funcionários. A maioria (61%) dos municípios brasileiros encaminha os RSS para o lixão. A implantação da destinação final adequada dos resíduos sólidos urbanos e rejeitos no Brasil, estabelecida para ocorrer até agosto de 2014 pela Lei 12.305/2010, que previa a extinção dos lixões até 2014, não aconteceu.

Os índices registrados apontam que a gestão de resíduos sólidos e rejeitos, incluindo os resíduos hospitalares, ou resíduos de saúde, evoluiu muito lentamente e apresenta estagnação em vários pontos, que impede a plena aplicação da Lei n° 12 305/2010, da Política Nacional de resíduos Sólidos (PNRS). Os recursos aplicados pelos municípios para custear os serviços de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos pouco aumentaram ao longo dos anos. A variação foi de apenas 0,3%entre 2010 e 2014, quando o total aplicado foi de R$ 9,98 (nove reais e noventa e oito centavos) por habitante por mês para fazer frente a todos os serviços executados para limpeza das cidades.

O percentual de resíduos encaminhados para aterros sanitários permaneceu praticamente inalterado nos últimos anos: 57,6%, em 2010, e 58,4%, em 2014. Porém as quantidades de resíduos dispostos inadequadamente aumentaram e chegaram a cerca de 30 milhões de toneladas por ano, em 2014. As razões econômicas surgem como forte justificativa para o atraso registrado, tendo em vista que atualmente a gestão de resíduos é totalmente dependente da situação financeira dos municípios, cujos recursos estão legalmente comprometidos com outras fontes orçamentárias. (ABRELPE, 2014).

Na análise conclusiva do Panorama da ABRELPE (2014), há o relato de que é absolutamente necessário que os municípios das diversas regiões, devidamente divididos por

20 Ao aderir à convenção, o governo brasileiro adotou um instrumento que considerava positivo, uma vez que estabelece

mecanismosinternacionais de controle desses movimentos, baseados no princípio do consentimento prévio e explícito para a importação, exportação e o trânsito de resíduos perigosos. A convenção procura coibir o tráfico ilegal e prevê a intensificação da cooperação internacional para a gestão ambientalmente adequada desses resíduos. A convenção foi internalizada na íntegra por meio do Decreto Nº 875, de 19 de julho de 1993, sendo também regulamentada pela Resolução Conama Nº 452, 02 de julho de 2012. Fonte: MMA (1989).

faixas populacionais, recebam orientação especifica de como proceder na realização da gestão integral dos RSU e dos RSS e, claro, que sejam identificadas fontes perenes e exclusivas de recursos para garantir que avanços sejam conquistados e mantidos.

 Considerações sobre o gerenciamento dos resíduos hospitalares no Brasil e o arcabouço legal:

O Brasil é um país com grande extensão territorial e possui regiões que diferem muito entre si, como costumes, cultura, clima, relevo. As regiões Norte e Centro Oeste do Brasil são permeadas de rios e áreas distantes das grandes capitais, sendo que na Região Norte, no Amazonas, há carência de unidades de saúde para atendimento às populações ribeirinhas. Nas regiões Sul e Sudeste se concentram os grandes centros urbanos. No verão, nos meses de dezembro a março, ocorrem muitos temporais, que causam enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra, principalmente, nas encostas.

A extensa área territorial do Brasil e as diversidades regionais e culturais, associadas às especificidades das missões realizadas pelos hospitais de campanha das Forças Armadas, tais como: acidentes, desastres naturais ou antropogênicos podem contribuir para uma série de fatores e impactos negativos que acarretariam ao não cumprimento das boas práticas sanitárias e ambientais previstas nos regulamentos da ANVISA e do CONAMA para gerir os resíduos produzidos durante as missões dos hospitais de campanha.

Um exemplo disso seria um acidente aéreo em uma mata fechada, numa determinada localidade da Amazônia, onde não houvesse nenhum apoio logístico, nem de saúde e nenhum apoio das concessionárias locais. Não caberia nesta situação nenhuma missão planejada, ou seja, uma missão precursora para estudar o local, providenciar todos os elementos necessários para a gestão de resíduos.

Este é um dos pontos de questionamento no que tange à gestão dos resíduos hospitalares produzidos pelos hospitais de campanha das Forças Armadas (FFAA) brasileiras, pois devido às diversidades regionais do país torna-se mais difícil gerir os geridos hospitalares de forma integrada. E é isto que se busca com este trabalho, ou seja, que tais resíduos sejam geridos de forma integrada entre os três ramos da Forças Armadas (FFAA) brasileiras, com vistas à minimização dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

Embora existam no Brasil legislações e regulamentos que norteiam o gerenciamento dos resíduos hospitalares, entende-se que os hospitais de campanha das Forças Armadas (FFAA), sendo estruturas móveis de atendimento à saúde em campanha, devem atender aos regulamentos e leis pertinentes, como já abordados nos capítulos 2 e 3 deste trabalho.

Neste capítulo, foi abordada uma série de legislações ambientais e sanitárias estabelecidas no país, a partir de dispositivos legais internacionais como forma de apresentar ao leitor o arcabouço jurídico para que, em seguida, ele seja conduzido ao conhecimento das etapas operacionais de gestão, de acordo com as leis cabíveis. Entretanto não há uma legislação elaborada pelo Ministério da Defesa (MD) acerca da gestão dos resíduos hospitalares produzidos nos hospitais de campanha que pudesse ser compartilhada pelos três ramos das Forças Armadas (FFAA) do Brasil.

A proposta de modelo de gestão desses resíduos, integrado, para um procedimento uniforme das etapas operacionais contribui, além de outras vantagens, para um maior controle e fiscalização por parte de todas as pessoas e entidades governamentais envolvidas para padronização dos processos de gestão desses resíduos das três Forças Armadas sob a coordenação do Ministério da Defesa do Brasil, bem como a redução dos riscos à saúde humana e ao meio ambiente.

4 Gestão de Resíduos Hospitalares de Hospitais de Campanha das

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