O município de Campinas está localizado no interior do estado de São Paulo e a 99 km da capital do estado (Figura 10). Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística17 (IBGE), a população estimada do município em 2015 é de quase 1.200.000 habitantes, já a densidade demográfica é de 1.359,60 habitantes por km², pois a área da unidade territorial é de 794,551 Km².
Em termos econômicos e financeiros, Campinas é um município com dinâmica econômica própria, cujo Produto Interno Bruto (PIB) historicamente cresce cerca de 5% ao ano. A renda da cidade é fundamentalmente advinda da prestação de serviços, caracterizando o território como uma típica economia de serviços (CAMPINAS, 2015). É destaque ainda a presença de:
5 parques tecnológicos e 15 centros de pesquisa tecnológica, o que faz de Campinas a capital brasileira do conhecimento e da inovação. As atividades de P&D geraram um mercado de R$ 733,6 milhões em 2013 e R$ 797,6 milhões em 2014. Em paralelo, a economia criativa, ligada à utilização de tecnologias da informação para o lazer e às atividades culturais, também é um importante pilar de crescimento e desenvolvimento da cidade, tendo engendrado receitas de R$ 4,39 bilhões em 2013 e R$ 4,45 bilhões em 2014 (CAMPINAS, 2015, p. 17).
Campinas também é "casa" de 18 instituições de ensino superior, dentre elas duas de visibilidade nacional: a Universidade de Campinas (Unicamp) e a Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). A Unicamp responde por 15% da pesquisa acadêmica no Brasil e mantém a liderança entre as universidades brasileiras no que diz respeito a patentes e ao número de artigos per capita publicados anualmente em revistas indexadas na base de dados Web of Science18. A instituição compreende, atualmente, 23 unidades de pesquisa e ensino e um amplo complexo médico-hospitalar. Seu orçamento anual de R$ 2 bilhões é comparável ao de muitas metrópoles brasileiras19.
17
Ver: <http://www.cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?lang=&codmun=350950&search=sao- paulo|campinas|infograficos:-informacoes-completas >. Acesso em 23 de fevereiro de 2016.
18 Disponível em: <http://www.unicamp.br/unicamp/a-unicamp>. Acesso em 23 de fevereiro de 2016. 19
Para mais detalhes, ver:
<http://www.comvest.unicamp.br/sobre_unicamp/cid_universitaria/cidade_universitaria.html>. Acesso em 23 de fevereiro de 2016.
Figura 10 - Mapa de localização de Campinas em relação ao Estado de São Paulo e o Brasil.
A próspera cidade campineira ainda conta com grandes suportes infraestruturais em seu território, como por exemplo, o já citado entroncamento rodoviário de grande circulação. Outro exemplo é o Aeroporto Internacional de Viracopos, que é o segundo principal terminal de cargas do Brasil e cujo transporte de passageiros vem aumentando de maneira significativa nos últimos anos20. Estes elementos contribuem para o fortalecimento do comércio regional, haja vista a presença de diversos Shoppings Centers em Campinas.
Em termos de empregos, em 2013, foram criados 20 mil novos postos de trabalho no município, mesmo que em 2014 se tenham perdido cerca de 3 mil postos. Entre 2010 e 2014, houve um crescimento no número de postos de trabalho nos serviços e comércio. "Com base nesse cenário, estima-se que o PIB de 2014 tenha-se encerrado em cerca de R$ 50 bilhões e a renda per capita, em R$ 44 mil" (CAMPINAS, 2015, p. 18).
Em relação à demografia de Campinas, com base no censo de 2010, havia: 1.061.540 habitantes na área urbana e 18.573 habitantes na área rural; 520.865 residentes do sexo masculino e 559.248 do sexo feminino; a taxa de crescimento anual médio entre 1991 a 2000 foi de 1,54% e entre 2000 a 2010 reduziu para 1,09%; uma composição étnica composta por 716.386 brancos (66,33%), 74.656 pretos (6,91%), 274.588 pardos (25,42%), 13.275 amarelos (1,23%), 1.043 indígenas (0,10%), além dos 165 sem declaração (0,02%) (IBGE, 2011).
Como dito anteriormente, Campinas faz parte da região metropolitana que leva o seu nome (Figura 11). Com uma população estimada de mais de 3 milhões de habitantes e uma taxa de urbanização de 97,4%, esta região, institucionalizada em 2000, é constituída por Campinas e outros dezenove municípios. É a décima maior região metropolitana do país e a segunda maior região metropolitana do estado de São Paulo, além de fazer parte do Complexo Metropolitano Expandido, juntamente com a Região Metropolitana de São Paulo e a Região Metropolitana da Baixada Santista, "uma megalópole que, já em 2008, compreendia 12% da população brasileira, ou cerca de 30 milhões de habitantes" (ZANCHETTA, 2008).
Ultimamente, o processo de conurbação se amplia seguindo três eixos rodoviários preferenciais, resultando em uma mancha urbana que se estende por dez municípios: no sentido sudeste/noroeste, ao longo das rodovias Bandeirantes e Anhanguera, de Vinhedo até Americana e Santa Bárbara d’Oeste e, secundariamente, no sentido norte-sul, de Paulínia a Indaiatuba (NASCIMENTO, 2013).
Figura 11 - Mapa dos municípios que constituem a Região Metropolitana de Campinas -
RMC.
Fonte: IGC (2015). Organização: O autor.
A Figura 12 mostra a evolução das áreas urbanizadas nos principais municípios conurbados com Campinas.
Nos referidos municípios, conforma-se um espaço urbano disperso constituído por núcleos urbanos mais antigos e densamente ocupados, ligados entre si por um amplo e moderno sistema de rodovias e avenidas, e, em parte, conurbados em padrões de usos urbanos da terra com baixas densidades – loteamentos abertos, áreas empresariais e institucionais e áreas residenciais fechadas, entremeados por vazios urbanos –, alocados nas proximidades das referidas vias de tráfego (NASCIMENTO, 2013, p. 3).
Figura 12 - Evolução das áreas urbanizadas no município de Campinas e nos municípios ao
entorno (1965-2010).
Organização: O autor.
Em um estudo dos fatores associados às dinâmicas migratórias da RMC, Dota (2016) aponta que a migração recente da região continua a receber um considerável volume de migrantes. As características do migrante são cada vez mais específicas como um resultado de seletividade migratória, onde apresentam condições de vida menos favorecidas em relação ao restante da população já estabelecida na RMC. Nesse sentido, parte destes migrantes vem reforçar um quadro de exclusão social já reconhecido na região.
Na pesquisa já citada de Nascimento (2013), o autor elabora - com base em variáveis censitárias priorizando autonomia de renda, desenvolvimento humano, equidade e qualidade domiciliar - indicadores sociais para mensuração da exclusão/inclusão social na RMC entre 1991 e 2010. Através dos índices calculados, o trabalho conclui que o município de Campinas:
concentra a maioria das localidades em situações de elevada inclusão social, bem como os maiores percentuais de população de alta renda no contexto da RMC. Em contrapartida, a mesma cidade abriga em seu território espacialidades profundamente excludentes, com segmentos populacionais em condições de vida inaceitáveis, sobretudo em se tratando de uma região economicamente tão avançada (NASCIMENTO, 2013, p. 231).