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6. RESULTADOS: DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL AO CONFLITO POLÍTICO

6.5. Panorama Geral das Fontes Presentes nos textos

Nesta seção vamos apresentar as frequências das fontes. No gráfico 2 estão dispostos os resultados dos anos de 2008 a 2012.

Gráfico 2 - Resultado das Fontes

Em números, as fontes mais presentes para posicionamentos a respeito da reforma do NCFB foram os Políticos Gerais, com 187 vozes (28,9%); o Governo, com 157 vozes (24,3%); os Políticos Ruralistas, com 146 vozes (22,6%); e os Políticos

Ambientalistas, com 62 vozes (9,5%).

Fora do âmbito político, as vozes que mais apareceram nos jornais foram as de

Representantes de ONGs com 34 vozes (5,2%); Representantes de Órgãos Públicos, com

18 vozes (2,7%); representantes de Associações do Agronegócio, com 14 vozes (2,1%); e as vozes Técnico-Científicas, com 13 vozes (2%). Este resultado pode ser conferido no gráfico 2, no qual é possível perceber de forma mais concisa as diferenças e distâncias numéricas entre os agentes presentes nos jornais, os quais os representantes do grupo político obtiveram maior representatividade nas vozes.

No geral, identificamos que as fontes das notícias dos quatro veículos foram majoritariamente do campo político, sendo as categorias Governo, os Políticos

Ruralistas, Políticos Ambientalistas e Políticos Gerais, ou seja, pessoas que possuem

cargos públicos do poder Executivo e Legislativo são os agentes sociais mais presentes nos jornais. Miguel (2002) afirma que as notícias do mundo político estão fortemente vinculadas às instituições. “Os agentes que detêm maior capital político são capazes de

157 (24,3%) 146 (22,6%) 62 (9,5%) 187 (28,9%) 18 (2,7%) 14 (2,1%) 1 (0,1%) 34 (5,2%) 3 (0,4%) 1 (0,1%) 3 (0,4%) 13 (2%) 7 (1%) 0 50 100 150 200 Governo Políticos Ruralistas Políticos Ambientalistas Políticos Gerais Representantes de Órgãos do…

Associações do Agronegócio Associações da Agricultural Familiar ONGs Grande Produtor Rural Pequeno Produtor Rural Artista Técnico-Científica Outros

Fontes nos Jornais

orientar o noticiário (e, por consequência, a agenda pública) através de entrevistas e declarações” (MIGUEL, 2002, p. 173). Deste modo, o campo político exerceu orientação

nas matérias jornalísticas analisadas, uma vez que os agentes entrevistados foram, em sua maioria, políticos investidos em cargos públicos.

Sobre o Setor Produtivo, é notável que este grupo teve pouca representatividade em detrimento do Político. No que se refere à categoria Associações de Produtores do

Agronegócio, como por exemplo, a Abag e a CNA, foram identificadas 14 vozes (2,1%)

do corpus total da pesquisa. Na categoria Associação de Produtores da Agricultura

Familiar, apareceu a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar, a qual

apresentou 1 voz nos jornais (0,1%). É possível notar que estes dois grupos foram pouco representados nos jornais. Contudo, os representantes das associações ligadas ao agronegócio obtiveram mais “falas” em relação às associações ligadas ao pequeno produtor rural.

Ainda sobre o Setor Produtivo, no que tange às entrevistas a produtores rurais, na categoria Pequeno Produtor só apareceu uma vez (0,1%) e o Grande Produtor, 3 vezes (0,4%). Entendemos que, apesar de serem grupos menos acessados pelo campo do jornalismo nas notícias, em se tratando de fontes, os grupos citados acima são os mais interessados no debate sobre o Código Florestal do ponto de vista econômico e social, pois a mudança na legislação ambiental poderia significar uma reconfiguração na forma de manutenção da vegetação nativa e no modo produção agrícola dentro das propriedades rurais.

Ainda, no que diz respeito aos produtores rurais, o resultado obtido poderia significar falta de participação destas associações ou produtores no debate, entretanto, as matérias demonstram em descrições que, de tais grupos, apareceram em reuniões, manifestações ou assembleias no Congresso Nacional. Não foi o intuito desta pesquisa contabilizar todas as vezes que apareceram descrições das presenças de agentes sociais que não foram utilizadas como fontes, ou seja, que não possuem “falas” nas notícias. Porém, entendemos que vale a observação acerca deste fato, pois, houveram descrições das presenças de movimentos sociais nos debates do Congresso, entretanto, estes não possuem voz, não foram utilizados como fonte.

Sobre as instituições que aparecem nas notícias mas não possuem representantes com voz dentro das matérias, fizemos uma relação daqueles agentes que, de alguma forma, aparecem nos textos, seja devido a manifestações presenciais ou por meio de nota e cartas que constaram nos jornais. Este dado pode ser conferido no Quadro 8:

Quadro 8 - Relação de Agentes que aparecem nos Textos

Lista de organizações que se manifestaram em relação ao Código Florestal que são citadas nas matérias, mas não houve citação direta ou indireta de vozes de

representantes:

Conselho Nacional de Segurança Alimentar Associação dos Magistrados do Brasil Associação dos Juízes Federais Ministério Público Federal Central Única dos Trabalhadores

Federação dos Trabalhadores pela Agricultura Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

No que se refere aos Artistas, os quais apareceram 3 vezes (0,4%), é importante ressaltar que estes só apareceram em matérias cujo o tema principal eram as manifestações em protesto às mudanças no Código Florestal na campanha intitulada Veta

Dilma!. Um aspecto sobre essa campanha é que as matérias sobre protestos ambientais

citavam presenças de manifestantes, mas estes populares não aparecem como fontes nestas matérias.

Na categoria Outros foram identificadas 7 vozes (1%) que são os agentes que aparecem em entrevistas apenas uma vez, como por exemplo, o funcionário de banco, o advogado de um produtor, dentre outros.

Como podem haver questionamentos sobre o fato da categoria Associações de

Produtores da Agricultura Familiar e o Pequeno Produtores terem aparecido apenas uma

vez e, mesmo assim, termos criado uma categoria de fontes para estes agentes, precisamos esclarecer que a literatura nos deu base para que a categoria existisse fundamentada no fato de estes serem agentes sociais que possuem relação direta com o assunto abordado. Outro fator a ser levado em consideração é que a Federação dos Trabalhadores pela Agricultura Familiar aparece em diversos momentos nos textos jornalísticos, mas como fonte nas matérias jornalísticas, só aparece 1 vez, o que indica que pequenos produtores e associações ligadas a estes pequenos produtores estavam na esfera do debate da comunicação, entretanto, sem prestígio, poder econômico ou cultural.

Os agentes políticos encontrados na análise desta pesquisa não são apenas políticos, mas agentes políticos que falam como porta-vozes de uma instituição. O que queremos dizer é que o fato de estarem investidos em cargos públicos, possuem poder simbólico que a posição do cargo credita a quem está em posse do mesmo. Miguel (2002) assinala que os atores sociais que estão à frente de instituições possuem um canal de acesso facilitado aos meios de comunicação, assim, podendo influenciar e esquematizar

enquadramentos para os assuntos da cobertura política. Estes podem ser canais de informação pela facilidade de serem usados como fontes frequentes. Hall et al. (1999) considera que, devido as rotinas dos jornais determinar um ritmo de tempo de finalização do conteúdo, isto impõe uma outra forma de escolha e até uma dependência da opinião de fontes institucionais.

O maior número de fontes no campo político demonstra que estes agentes possuem credibilidade, prestígio e poder para terem reconhecimento do campo jornalístico e serem as fontes mais presentes. Isto é o que Bourdieu (1989) definiu como poder simbólico, que só existe de forma relacional entre os agentes ou campos sociais diferentes, é um poder que um indivíduo ou instituição deposita em um outro. “O poder simbólico é um poder que aquele que lhe está sujeito dá àquele que o exerce, um crédito com que ele o credita, um fides, uma auctoritas, que ele lhe confia pondo nele a sua confiança” (BOURDIEU, 1989, p. 188).

Deste modo, o campo político obteve força para estruturar enquadramentos, uma vez que os agentes da política apareceram de forma majoritária nas matérias analisadas sobre a reforma do NCFB, o que nos leva a inferir que as estruturas de representações sociais e produção de sentido do campo político exerceram força na produção cultural da mídia impressa. Tanto a literatura científica quanto os jornais pesquisados demonstram a presença, na esfera da discussão da legislação ambiental, dos agentes que estão dispostos no gráfico 2. Porém, apesar da diversidade de agentes encontrados nas matérias, os jornais apresentam uma representatividade acentuada do campo político em detrimento das categorias presentes nos textos que estão no Setor Produtivo, Terceiro Setor, Estado e

Técnica Científica.