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ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

4.3 TERCEIRO EIXO – PERSPECTIVAS E HORIZONTES

4.3.1 Papel da equipe interdisciplinar no processo

Diante de todas as especificidades apresentadas pela paralisia cerebral, nesta pesquisa as colaborações dos profissionais das áreas de reabilitação e educação foram fundamentais para as tomadas de decisão a respeito da escolha dos recursos da TA voltada ao uso do computador.

A equipe interdisciplinar, nesse processo, trabalhou com o olhar direcionado às potencialidades dos sujeitos, respeitando suas necessidades e desejos. Nessa perspectiva, contribuiu não somente na seleção, mas também na criação de recursos e nas intervenções necessárias à valorização das potencialidades. Os profissionais da equipe não estiveram juntos no mesmo espaço no momento do trabalho no computador. Todavia, através das suas orientações e comentários, pudemos pensar juntos sobre recursos que levaram os sujeitos ao alcance de objetivos.

Conforme estudado no capítulo 2, Bersch (2008) aborda que o papel da equipe interdisciplinar é o de fazer avaliação e prescrição, e treinar para os recursos apropriados a cada caso, sempre com o envolvimento do usuário, contextualizando de acordo com as suas intenções, necessidades e habilidades.

Durante a pesquisa, observou-se que, para obter a contribuição de uma equipe interdisciplinar no trabalho com a TA no uso do computador, nem sempre é possível contar com uma equipe completa no mesmo espaço atendendo o sujeito. No entanto, articulações podem ser feitas com os integrantes da equipe, por meio de relatório e contato pessoal com os profissionais que atendem o sujeito, seja para troca de informações, seja para orientações. E, quando possível, conjuntamente pensar encaminhamentos e avaliação. Ressalta-se que, como abordado anteriormente, a função motora apresenta respostas diferentes que vão depender do tipo de paralisia cerebral; da ação realizada e dos recursos usados; da resposta

motora apresentada no momento da atividade no computador, para o uso do mouse,

do teclado ou dos acionadores. Pode ser diferente da resposta motora obtida em uma ação realizada nos atendimentos com a fisioterapeuta ou terapeuta ocupacional, através de outras atividades. Pode necessitar de ajuste nos recursos,

novas intervenções ou a realização de um trabalho motor mais específico voltado a uma dada ação. O depoimento de uma terapeuta ocupacional, durante a observação de um dos sujeitos da pesquisa, em atendimento no computador, pode ajudar a compreender o processo:

Falta uma equipe para poder trabalhar outras questões, poder fazer o trabalho com a ponteira, não só com o computador, mas com outras atividades. Trabalhar os membros superiores realizando outras tarefas mais finas e amplas. (Carla – terapeuta ocupacional).

Durante a pesquisa, todos os profissionais foram unânimes a respeito da importância do trabalho da equipe interdisciplinar com as pessoas com paralisia cerebral para usar o computador. Seguem alguns depoimentos:

A equipe interdisciplinar ajuda o paciente a fazer uma função melhor dos movimentos para atividades do dia a dia; a TO, a fono e outros contribuem trabalhando nas suas especificidades. É necessário que a equipe se afine trabalhando junto, com objetivos comuns. (Telma – fisioterapeuta de Carlos).

Sim é importante, porque quando você utilizar este tipo de tecnologia não é só colocar a criança na frente do computador, no caso de Mariana e crianças que necessitam de várias adaptações para poder dar a resposta, sem esses recursos ela não irá conseguir usar o computador, a equipe poderá oferecer este suporte necessário com orientações e ações importantes e pertinentes. (Lúcia – terapeuta ocupacional de Mariana).

Acho muito importante, fiz um curso sobre TA e tive contato com uma equipe. Me ajudou bastante, recebi orientações e ideias, tirando dúvidas; a partir do curso, fiz um apoio de pé com caixa cheia de peso, um plano inclinado imantado. Sei que falta muito, pois são muitas questões específicas do aluno e conhecimentos que não tenho. (Joana – professora de Mariana).

Acho que sim, fisioterapeuta, psicólogo, é importante para o desenvolvimento dele e para nos orientar. Eu gostaria de conhecer mais para poder trazer algo de novo para ele e criar novas atividades. O conhecimento da equipe iria ajudar no meu trabalho. (Amélia – professora de Carlos).

Fundamental, a ação de um profissional complementa a ação do outro profissional. Há conhecimento que só aquele profissional domina mais especificamente, mas junto com os outros ajudará no desempenho daquele aluno. A equipe interdisciplinar vai depender da necessidade de cada pessoa, se ela vai precisar de fonoaudiologia, fisioterapia, terapia ocupacional, engenheiro técnico, pedagogo. Junto com a equipe, ter sempre a ajuda do aluno, paciente, porque ele é quem vai utilizar o recurso, se estiver bom, ele vai querer usar. (Carolina – terapeuta ocupacional).

Acho que a equipe ajudará a pensar os recursos e posturas que favorecerão o alinhamento postural durante as atividades, com os recursos de tecnologia Assistiva prevenindo possíveis deformidades e contraturas. A postura também é importante para manter a atenção e concentração nas atividades oferecidas à criança, favorecendo um aprendizado pleno. (Marlene – fonoaudióloga de Mariana).

Toda a equipe tem importância nesse processo, inclusive os pais, até mesmo porque vão querer usar em casa e os pais devem saber como usar para ajudá-lo no que ele precisa para funcionar bem e aproveitar o computador. (Telma – fisioterapeuta de Carlos).

O objetivo do trabalho interdisciplinar não é dividir o sujeito em partes, trabalhando questões do conhecimento de cada área de conhecimento, mas trabalhar um todo, pensando na funcionalidade da ação do sujeito para realizar certa tarefa, cada qual dentro da sua área, porém com objetivo comum, ganhos que o sujeito adicionará, não somente no momento do uso do computador, mas inclusive na vida prática. É importante lembrar que, a depender da demanda, a equipe pode ser formada por: profissionais na área de saúde (médicos), reabilitação (fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, psicólogos, etc.), educação (professores), assistentes sociais, engenheiros, arquitetos, designer etc.