Guimaraes, D.F.1; Silva, V. M.2; Fernandes P.A.2; Lopes, K.G.S.1.; Gil, L.H.V.G.1, Souza, J. R1,2 1Centro de Pesquisas Aggeu Magalhães – CPqAM/FIOCRUZ. 2Universidade Federal da Paraíba (UFPB), [email protected]
RESUMO
A dengue é uma infecção aguda de etiologia viral transmitida ao homem através da picada dos mosquitos do gênero Aedes. Ela é ocasionada por uma das quatro espécimes: vírus dengue (DENV) 1, 2, 3 e 4, sendo considerada um grave problema de saúde pública. A patogênese das formas graves da doença é multifatorial, podendo ser ocasionada pelos fatores genéticos e imunológicos do hospedeiro. Desta forma, o presente trabalho tem por objetivo descrever o papel da proteína viral NS1 na infecção pelo vírus dengue. Esse estudo trata-se de uma pesquisa descritiva, exploratória, do tipo levantamento bibliográfico, que utilizou as bases de dados Scielo, Bireme e Pubmed. Neste estudo, evidenciou- se que, embora a proteína NS1 não apresente sua função definida, estudos apontam para sua participação na replicação viral e na sua ação imunomoduladora sobre as proteínas plasmáticas do Sistema Complemento. Em acréscimo, esta proteína tem sido detectada precocemente no soro dos indivíduos infectados na fase aguda da dengue, sendo considerada uma valiosa ferramenta diagnóstica.
Palavras chave: Dengue. NS1. Diagnóstico.
Autor principal: (81) 9647-0962 / [email protected]
Categoria: artigo de revisão de literatura. Introdução
A dengue é uma infecção aguda de etiologia viral transmitida ao homem através da picada dos mosquitos do gênero Aedes. Ela é ocasionada por uma das quatro espécimes: vírus dengue (DENV) 1, 2, 3 e 4, sendo considerada um grave problema de saúde pública (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2009). Dentre os vários critérios laboratoriais utilizados para o diagnóstico da doença, encontra-se o antígeno NS1, uma glicoproteína codificada pela RNA viral (CHAMBERS et al., 1990), presente no soro dos pacientes infectados pelo DENV logo no primeiro dia dos sintomas clínicos (XU et al., 2006). Embora, sua função não seja completamente elucidada, alguns estudos apontam para sua participação na replicação viral (LINDENBACH; RICE, 1997), bem como relacionam sua ação imunomoduladora sobre as proteínas plasmáticas do Sistema Complemento (CHUNG et al., 2006; CHUANG et al, 2013). Portanto, a secreção da sNS1 pode estar associada com a evolução clínica dos casos de dengue, sendo um importante parâmetro de prognóstico da doença.
Objetivo Geral
Descrever o papel da proteína NS1 do DENV na vigência da infecção pelo vírus dengue.
142 A presente pesquisa trata-se de um estudo exploratório descritivo, tipo levantamento bibliográfico baseado nas bases de dados Scielo, Bireme e Pubmed. Foram considerados artigos publicados até 2014, utilizando-se como descritores “DENV”, “DENGUE”, “NS1”, “IMUNOPATOGENIA” e seus correlatos em inglês.
Desenvolvimento
A infecção por qualquer um dos quatro sorotipos do dengue pode provocar uma doença aguda febril auto limitada (dengue não grave) ou ainda uma doença grave com aumento de permeabilidade capilar que pode evoluir para o choque. O grupo de dengue não grave pode ser ainda classificado em dengue sem ou com sinais de alerta - dor ou sensibilidade abdominal, vômito persistente, acumulação clínica de líquido, sangramento de mucosa, letargia, agitação, aumento do fígado 2 cm, aumento do hematócrito com simultânea e rápida diminuição de plaqueta (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE, 2009). O DENV apresenta um genoma que consiste de um RNA, fita simples com polaridade positiva, de aproximadamente 11 kb e que carece da cauda poli-A em sua região 3´-terminal. Após tradução, o RNA viral codifica uma poliproteína, que após clivagem origina três proteínas estruturais – capsídeo (C), pré- membrana/membrana (prM/M) e envelope (E), e sete proteínas não estruturais - NS1, NS2A, NS2B, NS3, NS4A, NS4B e NS5. As proteínas estruturais estão envolvidas na formação do capsídeo e montagem das partículas virais. As proteínas não estruturais estão implicadas na replicação eficiente do vírus (CHAMBERS et al., 1990).
A proteína NS1 é uma glicoproteína de 46-50 kDa, encontrada na forma expressa na membrana celular (mNS1) das células infectadas ou secretada no meio extracelular (sNS1), apresentando determinantes tipo-específico (FALCONAR; YOUNG, 1990; HENCHAL; HENCHAL; THAISOMBOONSUK, 1997). Inicialmente, a NS1 é translocada para o lúmen do RE, onde rapidamente forma dímeros, via sequência sinalizadora hidrofóbica codificada pela região C- terminal da proteína E. Embora sua função não esteja completamente elucidada, Lindenbach e Rice (1997) mostraram que a proteína NS1 interage com a NS4A e parece estar implicada na síntese precoce do RNA de dupla fita (dsRNA), uma forma intermediária do genoma viral, durante a replicação. Além disso, recentes estudos têm demonstrado um papel imunomodulador da NS1 ao se ligar ao fator H da via alternativa do sistema complemento, impossibilitando sua atuação no impedimento da formação da C3 convertase nas células hospedeiras (CHUNG et al., 2006b).
Primariamente, a sNS1 foi caracterizada como um antígeno de fixação do complemento presente no soro e tecidos de animais infectados (BRANDT et al., 1970) e induzindo uma forte resposta imune humoral (FALGOUT et al., 1990). A presença de anticorpos no soro anti-NS1 também tem sido associada com a gravidade da doença dengue (SHU et al., 2000). Nesse sentido, estudos relacionados com uma autoimunidade transitória durante a evolução da dengue, têm demonstrado que anticorpos anti-NS1 podem reagir cruzadamente contra células hepáticas, plaquetas e células endoteliais. (CHANG et al., 2002). Recentemente, a sNS1 tem se apresentado como uma valiosa ferramenta diagnóstica, sendo considerado um antígeno de detecção precoce, presente no soro dos pacientes infectados pelo DENV logo no primeiro dia dos sintomas
143 clínicos (XU et al., 2006). Recentes estudos correlacionando os níveis da NS1 com a gravidade da doença revelam que durante as formas graves da dengue há uma elevação desse antígeno nas infecções secundárias e causadas pelos sorotipos DENV-1 em relação ao DENV2 (DUYEN et al., 2011; TRICOU et al., 2011). Elevados níveis deste antígeno têm sido encontrado durante a fase aguda da dengue, antes da detecção de seus respectivos anticorpos, e têm sido propostos como um marcador de prognóstico das formas clínicas grave (CHUANG et al., 2013).
Conclusão
Apesar da elucidação de alguns mecanismos imunológicos durante a infecção pelo DENV, o exato papel do antígeno NS1 ainda permanece obscuro. Esta proteína vem se destacando nos últimos anos como um marcador diagnóstico precoce no soro de indivíduos na fase aguda. Sua função imunomodulatora sobre o sistema complemento e sobre as citocinas inflamatórias têm sido evidenciada. No entanto, o exato papel deste antígeno sobre a patogênese das formas graves ainda precisa ser evidenciado. Assim, pesquisas que favoreçam o entendimento detalhado da resposta imune do hospedeiro e o exato mecanismo de fatores virais podem favorecer o desenvolvimento de uma vacina e/ou um antirretroviral específico contra o vírus.
Referências
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-CHAMBERS, T. J. et al. Flavivirus genome organization, expression, and replication. Annual Review of Microbiology, Palo Alto, v. 44, p. 649-688, 1990. -CHUANG, Y.C. et al. Re-evaluation of the pathogenic roles of nonstructural protein 1 and its antibodies during dengue virus infection. Journal of Biomedical Science, 20:42, 2013.
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-DUEYEN, H.T. et al. Kinetics of plasma viremia and soluble nonstructural protein 1 Concentrations in dengue: differential effects according to serotype and immune status. J. Infect. Dis. 203:1292–1300, 2011.
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-LINDENBACH, B.D.; RICE, C.M. trnas-complementation of yellow fever virus NS1 reveals a role in early RNA replication. Journal of Virology, Washington, V.71, p.9608-9617, 1997.
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-SHU, P. Y. et al. Dengue NS1-specific antibody responses: isotype distribution and serotyping in patiens with dengue fever and dengue hemorrhagic fever. Journal of Medical Virology,New York, v. 62, n. 2, p. 224-32, 2000.
-TRICOU et al. Comparison of two dengue NS1 rapid tests for sensitivity, specificity and relationship to viraemia and antibody responses. BMC Infect Dis, 10:142, 2010.
-XU, H. et al. Serotype 1 – specific monoclonal antibody – based antigen capture immunoassay for detection of circulating nonstructural protein NS1: implications for early diagnosis and serotyping of dengue virus infections. Journal of Clinical Microbiology, Washington, v. 44, n. 8, p. 2872- 2878, 2006.
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PASSIFLORA EDULLIS E PASSIFLORA INCARNATA – FITOTERAPIA X
TOXICIDADE
Oliveira, M.L.S.1; Santos, J.I.2; Santos,L.K.L.3; Silva,R.K.G.4; Silva.E.F.5 Professor Orientador: Melo, A.F.M.6 ([email protected])
Associação Caruaruense de Ensino Superior- ASCES1,2,3,4,5,6
Introdução: A Passiflora é um gênero botânico que inclui várias espécies,
pertence á família Passifloraceae e é originária da América do sul em áreas tropicais e subtropicais. No Brasil, entre as espécies comercializadas estão a Passiflora edulis e Passiflora incarnata, conhecidas popularmente por maracujá. Na medicina popular suas folhas são utilizadas como calmante, diurética, anti- hipertensiva e contra a insônia. Objetivo Geral: Analisar os efeitos benéficos da P.edulis e P.incarnata na fitoterapia correlacionando a toxicidade destas duas espécies. Materiais e Métodos: Foi feita uma busca de trabalhos científicos nas seguintes bases de dados: MEDLINE/PubMed,Scielo,BioMed Central Journals, LILACS. Nesta revisão de literatura foram selecionados apenas os artigos publicados entre 2005 e 2013. Desenvolvimento: Os seus principais constituintes químicos são os flavonóides e alcaloides. A P.edullis apresenta diversas atividades terapêuticas como sedativa, ansiolítica, diurética, anti- inflamatória e estimulante. A ação anti-inflamatória acontece devido á inibição dos leucócitos, neutrófilos e proteína C reativa em ratos com pleurisia. A P. incarnata, apresenta efeitos sedativos, antiespasmódicos e ansiolítico. Quanto aos possíveis efeitos tóxicos, os frutos verdes da Passiflora podem causar intoxicação devido a presença de cianeto de hidrogênio (HCN), outro problema também é a ingestão da P.incarnata juntamente com outros depressores do SNC ou estimulantes, devido a suas ações fisiológicas não terem sido bem documentadas. Conclusão: Constatou-se que as espécies P.edullis e P.incarnata possuem atividades significantes. Tornando- se seguros e capazes de controlar diversas patologias. Entretanto, aconselha-se maior atenção na administração dos frutos verdes da planta e na ingestão da P.incarnata concomitantemente á depressores do SNC.
Palavras-chave: Passiflora edullis, Passiflora incarnata, toxicidade.
Contato: [email protected] (081)96682970
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PERFIL DE RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA DE BACTÉRIAS GRAM