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2. REVISÃO DA LITERATURA

2.3 INDÚSTRIA 4.0

2.4.3 Papel da TI na Indústria 4.0

A TI, com o passar do tempo, deixou de ser um suporte administrativo e passou a ser vista com um papel estratégico dentro das organizações. O alinhamento entre estratégia da TI com a estratégia da organização vai além do aumento da produtividade (BARBIN et al., 2001).

Alguns pesquisadores revelam que muitas tecnologias utilizadas em casa ajudam em tarefas tediosas e geram tempo extra para o lazer. Estudiosos otimistas consideram que as ino- vações ajudam a criar laços sociais, enquanto outros acreditam que o avanço da tecnologia da informação traz consigo maior isolamento dos indivíduos (COSTA, 1995).

Basl (2017) mostra tendências do desenvolvimento global, o papel da tecnologia da informação e comunicação no desempenho da liderança nas tecnologias de inovação e previ- sões a longo prazo, como a importância da Internet das Coisas atualmente e nos próximos

10,15 anos. O trabalho apresenta ainda as quatro principais áreas tecnológicas da TIC: tecno- logia da informação e comunicação, tecnologias relacionadas à segurança de recursos vitais, novas tecnologias de saúde e novas tecnologias de fabricação e automação.

Marques (2002) acredita que a TI reforça a interação com recursos humanos, uma vez que disponibiliza informações e possibilita que a gestão entre os vários setores flua com mais facilidade. Costa (1995) mostra que com o avanço da tecnologia da informação os indi- víduos precisam de mais especialização e capacitação que mudam sua forma de educação e seu ingresso no mercado de trabalho, propiciando maior vantagem competitiva. Em contrapar- tida alguns estudiosos acham que esse avanço pode escravizar o indivíduo e degradar a quali- dade de vida do mesmo. É necessário que a educação acompanhe as inovações tecnológicas para que o indivíduo não se torne obsoleto no mercado de trabalho ao longo das revoluções tecnológicas, ou seja, o aprendizado deve ser contínuo.

O perfil do profissional da informação gera um processo cíclico em que ele deve: sentir a diversidade e mudança, gerir mais informações e usar mais tecnologias e, com isso, volta ao primeiro passo de sentir a diversidade e mudança. Além disso, esse profissional deve identificar as necessidades dos indivíduos a fim de propiciar a disponibilidade e acessibilida- de, e produzir produtos e serviços que permitem a comunicação do conhecimento (COSTA, 1995). Cronin (1983) enfatiza que a inovação da tecnologia da informação não trará desem- prego em longo prazo e sim deslocamento de mão de obra, mantendo ou aumentando a produ- tividade.

Conforme a equipe vai sendo treinada e desenvolvida, as chances de incluí-las nas es- tratégias da empresa aumentam fazendo com que gere vantagem competitiva, além de aumen- tar as possibilidades de aprendizado constante e uniforme para operar sistemas complexos. Sendo assim, equipes treinadas valorizam o investimento em TI. (MARQUES e LAZZARINI NETO, 2002)

Para uma empresa que busca manter vantagem competitiva no mercado ao longo pra- zo é essencial que o investimento em capital humano ande em paralelo com o investimento em TI para que seja possível aumentar a produtividade e competência. Além disso, é necessá- rio identificar ameaças e riscos vinculados aos avanços tecnológicos. (MARQUES e LAZZARINI NETO, 2002)

Mcfarlan (1984) define o modelo “Grid Estratégico” relacionado a como a TI está re- lacionada a estratégia. Nesse modelo ele mostra quatro níveis: suporte, fábrica, transição e es- tratégico. O nível suporte define que a TI não tem destaque na hierarquia da empresa e possui pequena influência nas estratégias atual e futura. Fábrica consiste em aplicações de TI que contribuem para o sucesso da empresa, mas não estão previstas novas aplicações que tenham impacto estratégico e normalmente a TI encontra-se em alto nível hierárquico. O nível de tran- sição é aquele em que a TI passa de suporte para uma área de maior destaque na estratégia da empresa e tende a ter mais importância na hierarquia. Por fim, no nível estratégico a TI tem grande influência na estratégia geral da empresa, tanto atualmente quanto no futuro e possui um alto nível hierárquico.

Ganzarain e Errasti (2016) propõem um modelo de processo de estágio para orientar as empresas em sua visão individual e visão estratégica colaborativa relacionadas a Indústria 4.0. Esse modelo é composto por três estágios: Envision 4.0, Enable 4.0 e Enact 4.0. No pri- meiro estágio do modelo, Envision 4.0, uma visão sob medida é desenvolvida para a empresa utilizando ideias gerais da Indústria 4.0 e recursos da empresa. Nesse estágio, especialistas e parceiros tecnológicos ajudam a mostrar resultados relevantes e melhores práticas, a fim de obter uma visão adaptada da empresa para o futuro. Após análise substancial da Indústria 4.0 na fase anterior, o estágio Enable 4.0 tenta definir o portfólio de tecnologia e os recursos ne- cessários para dar suporte a novas soluções de produtos e serviços. Nessa fase é possível ma- pear os processos de planejamento estratégico e desenhar em uma linha do tempo comum se baseando nas perspectivas estratégicas produto, mercado, processo e rede de valor. A fase an- terior gera para a fase Enact 4.0 um mapa pontual ordenado e com perspectivas da estratégia global para a visão da Indústria 4.0. para serem definidas ações concretas a serem tomadas.

O modelo 5MM proposto por Ganzarain e Errasti (2016) possui cinco níveis de ma- turidade: Inicial, Gerenciado, Definido, Transformado e Detalhado. O nível Inicial é aquele em que não existe visão da Indústria 4.0 na empresa. Uma organização no nível Gerenciado quer dizer que a mesma possui um roteiro de estratégia para implantação da Indústria 4.0. Ní- vel Definido indica que a organização possui definição de segmentos de clientes, proposta de valor e recursos chaves. A organização que está enquadrada no nível Transformado possui a estratégia definida em um projeto concreto. E, por fim, o nível detalhado indica que a organi- zação transformará ou está transformando seu modelo de negócio.

Para que decisões estratégicas gerem valor e garantam lucro para a empresa é neces- sário que o investimento em capital humano e TI sejam aprofundados. Para solucionar esse problema é necessário que a Alta Gestão alinhe esses objetivos com as competências e estra- tégias da empresa (MARQUES, 2002).

Medir a eficiência e eficácia torna a mensuração da importância da TI mais palpável. De acordo com Barbin et al. (2001), eficiência significa fazer bem as coisas, ou seja, no âmbi- to da TI essa definição está relacionada com aspectos internos e adequação de utilização de recursos e eficácia diz respeito a satisfação de metas, objetivos e requisitos, ou seja, utilizar a TI para alancar o negócio da empresa, fazendo-a mais competitiva. Marques (2002) acredita que o foco em eficiência operacional com a finalidade de ganhar mercados resulta em um ci- clo nocivo, em que há redução de preços repassados para os clientes, copiado por concorrentes e obrigando a empresa a reagir, iniciando um ciclo de maior nível de eficiência.

Segundo Kagermann, Wahlster e Helbig (2013), as PMEs podem assumir dois pa- péis: usuário e fornecedor da Indústria 4.0. Uma empresa é usuária quando implementa solu- ções baseadas em sistemas ciber-físicos, serviços e trocas de dados. Empresas que atuam co- mo fornecedores são aquelas que fabricam soluções baseadas em sistemas ciber-físicos, que é um dos serviços mais implementados da Indústria 4.0, juntamente com serviços e troca de da- dos relacionados. A pesquisa aplicada pelo autor identificou que as PMEs têm dois tipos de motivos para implementar a Indústria 4.0: interna (por demandas de oportunidades de merca- do) e externa (por demanda de algum cliente grande).

Müller, Buliga e Voigt (2018) analisam, através de uma pesquisa qualitativa, as mu- danças no modelo de negócio de PMEs de manufatura. Os autores analisam como é a criação, captura e oferta de valor dessas empresas, além de identificar se a mesma atua como usuário ou provedor da Indústria 4.0, se está interna ou externamente motivada e em qual categoria a PME se encontra.

3 METODOLOGIA

Nesse capítulo a metodologia é explicitada e foram apresentados a classificação, eta- pas, universo e amostra, instrumentos de coleta de dados e análise dos dados utilizados nessa pesquisa.