CAPÍTULO II – ENQUADRAMENTO TEÓRICO
1. Tecnologias informáticas
1.4. Papel dos intervenientes no processo de ensino e de aprendizagem
―Os professores devem ensinar os alunos a avaliar e gerir na prática a informação que lhes chega. Este processo revela-se muito mais próximo da vida real do que os métodos tradicionais de transmissão de saber… O desenvolvimento das novas tecnologias não diminui em nada o papel do professor antes o modifica profundamente, constituindo uma oportunidade que deve ser plenamente aproveitada‖ (Livro Verde Para a Sociedade de Informação, 1997:36).
Pode equivocar-se quem pensa que para modernizar o sistema educativo basta apetrechar as escolas com as tecnologias informáticas. Segundo Lameiras et al. (2002), a actualização passa muito mais por redefinir os objectivos curriculares e todo o processo de ensino e de aprendizagem. As transformações devem ser do foro tecnológico - pois deve começar-se por algum lado - mas principalmente do foro pedagógico. Com a introdução das tecnologias informáticas ampliaram-se as oportunidades de acesso e pesquisa de informação, que devem ser aproveitadas como utensílio de trabalho no espaço da sala de aula, enriquecendo a forma como se ensina e como se aprende (Ponte, 2000; Azul, 2004).
A correcta utilização destes meios impõe, também, uma mudança nos papéis dos intervenientes no mesmo processo. A visão do papel do professor no processo de ensino e de aprendizagem não se altera somente com a introdução das tecnologias nas práticas lectivas.
Novos desafios são impostos quer aos professores quer aos alunos. No entanto, talvez seja aos primeiros que se exige a maior mudança, tanto porque um ambiente no qual os alunos têm mais ―liberdade‖ é mais difícil de gerir como porque normalmente os adultos são mais resistentes à mudança.
O aluno passa de mero receptor para ter uma participação mais activa em todo o processo de ensino e aprendizagem. O aluno passa a ter ―uma atitude permanente de actor, de construtor, de explorador, numa perspectiva em que o mais importante é o que o aluno faz com o computador e não o que o computador faz com o aluno‖ (Moderno, 1996b: 25 cit in. Teodoro,1992: 20).
Agora, mais do que nunca, a sua individualidade, os seus conhecimentos prévios, as suas experiências são valorizadas, pois é o sujeito central e responsável pela construção do
conhecimento. As tecnologias apoiam a autonomia e a auto-aprendizagem, mas o professor explica, apoia, motiva e estimula os alunos.
Ramos (2005) recorda Vecchi & Carmona-Magnaldi (1996) afirmando que o professor tem que deixar de ser o actor principal da aprendizagem, com o intuito de ajudar a construir um saber, tarefa que se apresenta difícil, na medida em que exige um esquecimento de si próprio, e que tome a posição, não à frente dos alunos, não atrás deles, mas com eles, desempenhando o papel de ―chefe da orquestra‖ (236).
A atitude do professor sofre alterações com a integração das tecnologias informáticas pois, tal como referem Magdalena & Costa (2003), deixa de ser ―o centro da atenção, causa e razão das aprendizagens dos alunos, para assumir um novo papel social, enquanto educador‖ (48).
Segundo o modelo de equilíbrio de Feil (Steps, 2010), as tecnologias informáticas devem ser utilizadas para apoiar, com acompanhamento mas promovendo a independência e autonomia dos alunos. Nem o ensino será totalmente controlado pelo professor nem, inversamente, organizado pelos próprios alunos.
Nesta perspectiva, o professor deixa de ser o portador e transmissor dos ―conhecimentos‖ e o aluno um simples receptor e assimilador de informação. O professor passa a ser um gestor e avaliador das aprendizagens, devendo recolher e seleccionar as actividades e os recursos que favorecem a participação activa dos alunos, a descoberta e o espírito crítico. Por seu lado, os alunos devem manter-se activos e procurar explorar todas as possibilidades e desafios que se lhe impõem.
Nas palavras de Ponte (1990), citado em Ramos (2005), ―o computador é, essencialmente, um instrumento que cria novas possibilidades de trabalho e novas responsabilidades ao professor… a necessidade de actualização e formação permanente do professor… que passa a ter de assumir um processo de aprendizagem contínua.‖ (106, 107).
Segundo as autoras Alarcão e Roldão (2008) ―o modelo de professor como transmissor de conhecimentos surge hoje em dia como redutor e desadequado‖ (67). O aluno terá de deixar de ser um mero receptor no acto de aprendizagem, em contrapartida deverá tomar as rédeas da sua aprendizagem. Ao professor caberá o papel de orientador e facilitador nessa busca, ao mesmo tempo que deverá assumir estratégias inovadoras baseadas na criatividade e participação de forma a promover o sucesso dos alunos. A missão do docente será enfatizar o ―aprender‖ em substituição do ―ensinar‖, pois o conhecimento provoca mudanças e transformações. É ao estimular o autoconhecimento e a reflexão sobre as suas práticas que o professor se vai apoderando de conhecimentos úteis para a sua prática pedagógica melhorando a sua qualidade como profissional. (id).
Como refere Ventura (2008), citando Moderno (1992), ―O professor não é o factor principal no processo de aprendizagem, é simples auxiliar, no sentido de que o seu papel consiste em criar uma situação que permita a actividade do aluno‖ (29). O papel do professor não é diminuído, pois a sua presença e intervenção continua a ser indispensável. Ninguém melhor do que ele conhece a
realidade envolvente, a sua turma, os recursos, as dificuldades e os interesses dos seus alunos. Ele também aprende e também tira partido da introdução das tecnologias nas suas práticas dentro e fora da sala de aula. O professor deverá, assim, inteirar-se das transformações que se vão verificando na sociedade, adaptando, consequentemente, os seus métodos de ensino, utilizando novos recursos didácticos e servindo-se das tecnologias, mormente porque os alunos dos nossos dias têm uma enorme facilidade de interacção com diversas fontes de informação. Desta forma, o educador/professor terá de fazer um esforço no sentido de agarrar o potencial destes meios e fazer deles fortes aliados no combate ao insucesso. É possível transformar a escola, e as tecnologias informáticas podem ser um instrumento valioso nessa execução.
A partilha de conteúdos, de actividades e de experiências entre professores está agora mais facilitada, o que torna a actividade docente mais diversificada e enriquecedora.