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4.5 BIOMASSA MICROBIANA

4.5.1 Parâmetros, controle e sazonalidade

As biomassas microbianas permanentes e seus respectivos parâmetros fisiológicos foram estimados por meio de procedimento de respiração induzida por substrato seguida por modelagem dos parâmetros biocinéticos, tendo por base as curvas respirométricas. Tanto as biomassas microbianas ativas quanto seus parâmetros cinéticos apresentaram variações sazonais marcantes (Tabela 8).

Ao longo da estação chuvosa, jardins de fungo pertencentes às agriculturas basais de M. parallelus e M. goeldii apresentaram 1,8x mais biomassa microbiana ativa que os jardins de fungo de formigas cortadeiras e 1,5x mais biomassa microbiana que os jardins de fungo de Trachymyrmex. Durante a estação seca, as biomassas microbianas permanentes de jardins de fungo de folhas-de-corte caíram para 89,7% dos seus valores registrados ao longo da estação chuvosa, enquanto que as biomassas microbianas dos jardins de fungo das espécies de Trachymyrmex foram reduzidas para 83,6% de seus valores iniciais. Já as biomassas microbianas dos jardins de fungo das agriculturas basais foram reduzidas para 85,7% dos seus valores registrados nos meses chuvosos.

As taxas respiratórias (R), indicativas das taxas metabólicas globais da microbiota, apresentaram sazonalidade mais marcante (Figura 17). Durante a estação chuvosa, as agriculturas de folhas-de-corte e as superiores apresentaram taxas respiratórias médias de 1,27

mg DQO g-1, sem diferenças estatisticamente significantes entre si, enquanto que as

agriculturas basais se posicionaram em outro patamar, inferior, com taxas respiratórias médias iguais a 0,97 mg DQO g-1. As taxas respiratórias, entretanto, tornaram-se idênticas durante a

estação seca, próximas a 0,75 mg DQO g-1.

As taxas respiratórias específicas (r) comportaram-se de maneira diferente (Tabela 8). As agriculturas de folhas-de-corte apresentaram taxas respiratórias específicas superiores, sendo as de A. laevigata estatisticamente mais altas. Por sua vez, as taxas observadas em T. fuscus não apresentaram diferenças significativas das observadas para os demais jardins de fungo de cortadeiras, diferindo da agricultura de T. tucumanus, inferior. As agriculturas basais posicionaram-se, mais uma vez, em outra categoria, apresentando as menores taxas respiratórias específicas. Durante a estação seca, todos os jardins de fungo apresentaram queda substancial em suas taxas respiratórias específicas, estabilizando a menos de dois terços de suas taxas obtidas ao longo da estação chuvosa.

Os parâmetros biocinéticos também apresentaram comportamento sazonal acentuado. As taxas de crescimento foram inversas às massas da existência permanente. Durante a estação chuvosa, as agriculturas de folhas-de-corte apresentaram crescimentos microbianos específicos 2x maiores que os registrados para os jardins de fungo de Trachymyrmex, e 6,3x maiores que os observados nas agriculturas basais. Na estação seca, as taxas de crescimento específicas da microbiota de jardins de fungo de cortadeiras foram reduzidas para 65,8% dos valores observados na estação chuvosa. Por sua vez, as taxas de crescimento específico das microbiotas dos jardins de Trachymyrmex caíram para 52,6% de seus valores originais, enquanto que as observadas para as microbiotas das agriculturas basais caíram para 60% de seus respectivos valores na estação chuvosa (Tabela 8). Situação similar, embora menos acentuada, foi observada para as taxas de crescimento específico máximas.

Os ganhos máximos apresentaram dinâmica proporcional às taxas de crescimento, sendo superiores para as microbiotas de jardins de fungo de cortadeiras, reduzindo em direção às agriculturas basais. Por sua vez, os coeficientes de manutenção celulares foram inversamente proporcionais aos ganhos máximos, da mesma forma que as constantes de afinidade a substrato. Estas foram maiores para as agriculturas basais, reduzindo em direção às cortadeiras. Essas características apresentaram modulação sazonal, com coeficientes de manutenção celulares e constantes de afinidade a substrato aumentando na estação seca e ganhos sendo reduzidos, indicativos de priorização da manutenção da biomassa. Os

acréscimos nas constantes de afinidade a substrato, somados à manutenção das mesmas concentrações de DQO no espaço extracelular, explicam a redução das taxas de crescimento específico. Por sua vez, esta redução, somada ao decréscimo das quantidades de biomassas microbianas ativas, levou a uma menor taxa de assimilação durante a estação seca (Tabela 8).

As taxas de assimilação específicas (q), de forma geral, foram maiores em microbiotas de agriculturas de folhas-de-corte, intermediárias em agriculturas derivadas e menores em basais, tanto na estação seca quanto na chuvosa. Entretanto, a redução da quantidade de biomassa ativa levou à observação de taxas de assimilação bruta (Q) muito similares, embora as microbiotas de agriculturas basais tenham mantido taxas de assimilação estatisticamente menores. Ambas as taxas apresentaram ritmo sazonal, reduzindo seus valores durante a estação seca. (Tabela 8).

Figura 17 - Sazonalidade das taxas respiratórias de jardins de fungo de formigas Attini. Valores mensurados entre Fevereiro de 2010 e Novembro de 2011. Quantidades de materiais de jardins de fungos utilizadas A. balzani (N = 51); A. coronatus (N = 5); A. bisphaerica (N = 30); A. laevigata (N = 9); T. fuscus (N = 48); T. tucumanus (N = 27); M. parallelus (N = 40); M. goeldii (N = 4). Curvas representam médias de 3 replicatas para cada material.

M M J S N J M M J S N 0,00 0,25 0,50 0,75 1,00 1,25 1,50 1,75 R (mg D Q O g -1 ma ssa seca ja rd im d e f u n g o ) Meses (2010 - 2011) M. parallelus A. balzani M. goeldii A. coronatus T. fuscus A. bisphaerica T. tucumanus A. laevigata

Tabela 8 - Parâmetros biocinéticos de jardins de fungo de formigas Attini

A. Parâmetros biocinéticos durante a estação chuvosa

Materiais de X µ µ max Ymax KS m q Q r

jardins de fungo mg g-1 h-1 h-1 mg mg-1 DQO mg DQO g-1 mg DQO mg-1h-1 mg DQO mg-1h-1 mg DQO g-1h-1 mg DQO mg-1h-1

A. balzani 38,99 ± 1,95 0,38 ± 0,02 0,63 ± 0,01 0,739 ± 0,037 612,50 ± 3,68 0,075 ± 0,009 0,59 ± 0,13 22,97 ± 0,13 0,036 ± 0,009 A. coronatus 35,89 ± 4,56 0,35 ± 0,04 0,63 ± 0,09 0,745 ± 0,080 623,12 ± 6,71 0,075 ± 0,002 0,54 ± 0,13 19,55 ± 0,14 0,039 ± 0,007 A. bispherica 39,63 ± 1,98 0,39 ± 0,02 0,64 ± 0,01 0,738 ± 0,037 611,98 ± 3,67 0,074 ± 0,001 0,60 ± 0,13 23,88 ± 0,14 0,039 ± 0,010 A. laevigata 39,09 ± 1,95 0,39 ± 0,02 0,61 ± 0,03 0,756 ± 0,038 643,17 ± 3,86 0,076 ± 0,001 0,59 ± 0,13 23,14 ± 0,14 0,042 ± 0,011 T. fuscus 46,49 ± 2,32 0,20 ± 0,01 0,48 ± 0,01 0,509 ± 0,025 1004,00 ± 6,02 0,084 ± 0,001 0,48 ± 0,10 22,17 ± 0,10 0,036 ± 0,009 T. tucumanus 51,38 ± 6,78 0,18 ± 0,06 0,49 ± 0,08 0,512 ± 0,090 1012,35 ± 10,23 0,081 ± 0,002 0,43 ± 0,17 22,23 ± 0,17 0,030 ± 0,008 M. parallelus 70,08 ± 3,50 0,05 ± 0,01 0,42 ± 0,03 0,409 ± 0,020 1446,50 ± 8,68 0,105 ± 0,002 0,23 ± 0,16 15,93 ± 0,17 0,015 ± 0,001 M. goeldii 71,03 ± 9,44 0,06 ± 0,01 0,38 ± 0,05 0,445 ± 0,090 1379,03 ± 21,80 0,107 ± 0,005 0,24 ± 0,04 17,18 ± 0,04 0,018 ± 0,001

B. Parâmetros biocinéticos durante a estação seca

Materiais de X µ µ max Ymax KS m q Q r

jardins de fungo mg g-1 h-1 h-1 mg mg-1 DQO mg DQO g-1 mg DQO mg-1h-1 mg DQO mg-1h-1 mg DQO g-1h-1 mg DQO mg-1h-1

A. balzani 35,32 ± 1,77 0,25 ± 0,01 0,51 ± 0,01 0,652 ± 0,033 1282,50 ± 17,70 0,100 ± 0,009 0,48 ± 0,08 17,07 ± 0,08 0,018 ± 0,002 A. coronatus 35,97 ± 2,17 0,26 ± 0,02 0,53 ± 0,03 0,621 ± 0,102 1333,29 ± 10,98 0,101 ± 0,015 0,52 ± 0,06 18,64 ± 0,06 0,021 ± 0,002 A. bispherica 34,03 ± 1,70 0,24 ± 0,01 0,50 ± 0,01 0,663 ± 0,033 1280,00 ± 27,68 0,099 ± 0,012 0,46 ± 0,12 15,69 ± 0,13 0,015 ± 0,001 A. laevigata 35,60 ± 1,85 0,24 ± 0,02 0,55 ± 0,05 0,634 ± 0,059 1213,65 ± 15,54 0,106 ± 0,020 0,49 ± 0,10 17,40 ± 0,10 0,024 ± 0,002 T. fuscus 40,38 ± 2,02 0,11 ± 0,01 0,35 ± 0,01 0,389 ± 0,019 1564,00 ± 29,38 0,104 ± 0,008 0,39 ± 0,10 15,62 ± 0,10 0,015 ± 0,001 T. tucumanus 42,96 ± 2,05 0,10 ± 0,01 0,36 ± 0,05 0,407 ± 0,071 1624,24 ± 19,74 0,112 ± 0,018 0,36 ± 0,04 15,38 ± 0,04 0,018 ± 0,002 M. parallelus 60,28 ± 3,01 0,03 ± 0,01 0,25 ± 0,03 0,217 ± 0,011 2346,50 ± 14,08 0,118 ± 0,014 0,26 ± 0,19 15,45 ± 0,19 0,009 ± 0,001 M. goeldii 61,27 ± 3,31 0,04 ± 0,01 0,28 ± 0,04 0,3076 ± 0,083 2216,88 ± 14,41 0,121 ± 0,016 0,25 ± 0,14 15,41 ± 0,15 0,009 ± 0,001 Valores mensurados entre Fevereiro de 2010 e Novembro de 2011. Quantidades de materiais de jardins de fungos utilizadas: A. balzani (N = 51); A. coronatus (N = 5); A. bisphaerica (N = 30); A. laevigata (N = 9);

T.fuscus (N = 48); T. tucumanus (N = 27); M. parallelus (N = 40); M. goeldii (N = 4). Valores representam a média ± desvio padrão de 3 ensaios diferentes para cada material coletado. Grupos foram comparados

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