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sua estrutura molecular”

1.8 Parâmetros para tratamento de efluentes industriais:

Um importante parâmetro caracterizador dos despejos industriais é o equivalente populacional. Quando se fala que uma indústria tem um equivalente populacional de 10 habitantes, equivale a dizer que a carga de DBO do efluente industrial corresponde à uma carga gerada por uma população com 10 habitantes.

E.P.(equivalente populacional) = ___Carga de DBO da indústria ( kg/dia) . Contribuição per capita de DBO x produção

O valor usualmente utilizado é o de 54g DBO/hab.dia aconselhado pela NB-570 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas.

Tabela 13: Equivalente populacional:

Indústria Unidade de produção Equivalente populacional

Conservas(frutas e legumes) 1 tonelada 500 Açúcar de cana 1 tonelada de açúcar 50 Laticínio sem queijaria 1000 l de leite 20 – 70 Laticínio com queijaria 1000 l de leite 90 – 700

Margarina 1 tonelada 500

Matadouros 1 boi / 2,5 porcos 70 – 200

Destilação de álcool 1 tonelada 4000

Cervejaria 1 m3 150 – 350

Refrigerantes 1 m3 50 – 100

Vinho 1 m3 5

Algodão 1 tonelada 2800

Tinturaria 1 tonelada 2000 – 3500

Curtume 1 tonelada de pele 1000 – 3500

Sapatos 1000 pares 300

Fabricação de papel 1 tonelada 100 – 300

Tinta 1 empregado 20

Sabão 1 tonelada 1000

Refinaria de petróleo 1 barril (1171) 1

PVC 1 tonelada 200

Fundição 1 tonelada 100 – 300

Laminação 1 tonelada 30 – 200

Tabela 14: Equivalentes populacionais

Indústria Unidade Equivalente Populacional

Lacticínio sem queijaria 1000 litros de leite 25 – 70 Lacticínio com queijaria 1000 litros de leite 45 – 230

Matadouro 2,5 porcos 20 – 200

1 tonelada 130 – 400

Curral 1 vaca 5 – 10

Chiqueiro 1 porco 3

Granja avícola 1 galinha 0,12 – 0,25

Silo de ração 1 tonelada de ração 4 – 11 / dia

Ou total 200 – 650

Autoclave de Batatas 1 tonelada de batatas 25 – 50

Piscicultura 100 kg de trutas 80

Usina de Açúcar 1 tonelada de beterraba 45 –70

Mautaria 1 tonelada de cereais 10 –100

Cervejaria 1000 l de cerveja 150 – 350

Destilaria 1000 l cereais 2000 – 3500

Amidonaria 1 tonelada de milho ou trigo 500 – 900 Indústria vinícola 1000 l de vinho 100 – 140

1 há de vinhedo 35 – 60

Curtume 1 tonelada de pele 1000 – 3500

Lanifício 1 tonelada de lã 2000 – 4500

Alvejamento de Tecidos 1 tonelada do produto 1000 – 3500 Tint.c/ corantes Sulfurados 1 tonelada do produto 2000 – 3000 Indústria de Linho 1 tonelada de linho bruto 700 – 1000 Celulose ao sulfito 1 tonelada de celulose 3500 – 5500 Pasta mecânica ao Papel 1 tonelada de madeira 45 – 70

Fábrica de papel 1 tonelada de papel 200 – 900 Lã sintética 1 tonelada de lã sintética 300 – 450

Lavanderia 1 tonelada de roupa 350 – 900

Vazamento de óleo mineral 1 tonelada de óleo 11000

Aterro sanitário de lixo 1 há de área 45

Fonte: Karl e Klaus R. Imhoff (1986)

Como pode-se perceber os valores das tabelas tabelas 13 e 14 são bem diferentes, isto deve-se principalmente as mudanças na forma de produção que tem a tendência de

chamado de emissão zero, onde através de um banco de resíduos todo o material inaproveitado passe a ser matéria prima para outras indústrias.

1.9 Detalhes importantes da NB-570 / ABNT: Projeto de estações de tratamento de esgoto sanitário:

Requisitos para o projeto:

- Relatório do estudo do sistema de esgotamento sanitário; - População atendida nas diversas etapas do plano;

- Características requeridas para o efluente tratado nas diversas etapas do plano; - Definição do ponto onde será lançado o esgoto;

- Seleção de área para construção da ETE com levantamento Planialtimétrico (1:1000); - Sondagens preliminares de reconhecimento do subsolo;

- Cota máxima de enchente na área selecionada;

- Padrões de lançamento das industrias nas redes coletora (ver NB – 1032).

Elaboração de projeto hidráulico-sanitário compreende, no mínimo, as seguintes atividades:

- Seleção e interpretação das informações disponíveis para o projeto; - Definição das opções de processo para a fase líquida e para a fase sólida; - Seleção dos parâmetros de dimensionamento e fixação de seus valores; - Dimensionamento das unidades de tratamento;

- Elaboração dos arranjos em planta das diversas opções; - Avaliação de custo das diversas opções;

- Comparação técnico-econômica e escolha da solução;

- Dimensionamento de órgãos auxiliares e sistemas de utilidades; - Seleção dos equipamentos e acessórios;

- Locação definitiva das unidades, considerando a circulação de pessoas e veículos e o tratamento arquitetônico-paisagístico;

- Elaboração de relatório do projeto hidráulico-sanitário, justificando as eventuais divergências em relação ao estudo de concepção.

Parâmetros básicos para projeto:

- Na falta de dados de campo utilizar os valores de 54 g de DBO5 / hab.dia; - Na falta de dados de campo utilizar os valores de 60 g de SS/hab.dia;

- Usar vazão máxima para estações elevatórias, canalizações, medidores e dispositivos de entrada e saída;

- Usar vazão média em todas as unidades e canalizações precedidas de tanques de acumulação com descarga em regime de vazão constante;

- Deve-se prever canalização de desvio (by-pass) para isolar a ETE; - Deve ser previsto medidor de vazão afluente a ETE;

- A canalização de transporte de lodo deve ter velocidade entre 0,5 m/s e 1,8 m/s; O relatório do projeto hidráulico-sanitário da ETE deve incluir:

- Memorial descritivo e justificativo, contendo informações a respeito do destino a ser dado aos materiais residuais retirados da ETE, explicitando os meios que devem ser adotados para o seu transporte e disposição, projetando-os quando for o caso:

- Memória de cálculo hidráulico;

- Planta de situação da ETE em relação à área de projeto e ao corpo receptor; - Planta de locação das unidades;

- Fluxograma do processo e arranjo em planta (lay-out) com identificação das unidades de tratamento e órgãos auxiliares;

- Perfis hidráulicos das fases líquida e sólida nas diversas etapas; - Plantas, cortes e detalhes;

- Planta de escavações e aterros;

- Especificações de materiais e serviços;

- Especificações de equipamentos e acessórios, indicando os modelos selecionados para elaboração do projeto;

- Fluxograma e arranjo em planta da ETE e modelo da ficha de operação; - Procedimentos de operação com descrição de cada rotina e sua freqüência; - Identificação dos problemas operacionais e procedimentos a adotar em cada caso;

1.10) Projeto de uma estação elevatória de esgotos:

Na grande maioria das estações de tratamento de esgoto o interceptor chega na área da ETE numa cota inferior a dos reatores, portanto é necessário o bombeamento dos esgotos para cotas mais altas. Verifica-se na figura abaixo o projeto de uma EEE e reator UASB em fibra de vidro:

Autor: Eng º Emerson Marçal Júnior (1998)

Percebe-se no esquema acima que a tubulação de esgoto chega numa cota abaixo do fundo do reator UASB, necessitando de um bombeamento até a parte superior do reator.

a) Classificação das estações elevatórias de esgoto:

- Quanto ao tamanho:

- Pequenas (< 50 l/s), médias (50 a 500 l/s) e grandes (superior a 500l/s); - Quanto ao método construtivo:

- Ejetor pneumático (< 0,02 m3/s), Pré-moldada de poço úmido (0,006 à 0,03 m3/s), Pré-moldada de poço seco ( 0,006 à 0,1 m3/s) e convencional (>0,06 m3/s).

b) Estações elevatórias convencionais:

Para elaboração de estudo de concepção de estações elevatórias de esgoto, os principais requisitos da NB-566 são:

- Estudo de concepção; - Localização da estação; - Níveis de enchente;

- Diretriz do conduto, quando houver;

- Localização do ponto de descarga do recalque. - Levantamento topográfico, cadastramento da área;

- Sondagens para reconhecimento do solo e do nível do lençol freático; - Vazões afluente e efluente para inicio e final de plano;

- Características do conduto afluente; - Características do esgoto afluente.

Neste curso serão abordadas as estações elevatórias de esgoto convencionais, que são a grande maioria das EEE instaladas no Brasil. As estações elevatórias convencionais podem ser classificadas em:

- Poço seco:

- Conjunto motor-bomba de eixo horizontal;

- Conjunto vertical de eixo prolongado – bomba não submersa; - Conjunto motor-bomba de eixo vertical – bomba não submersa; - Conjunto motor-bomba auto scorvante.

motor

Válvula de gaveta Válvula de retenção Nível máximo

- Poço úmido:

- Conjunto vertical de eixo prolongado – bomba submersa; - Conjunto motor-bomba submerso.

c) Dimensionamento do poço de sucção (bombas de rotação constantes):

O volume útil mínimo do poço de sucção é determinado por:

V = 0,25 . Q . T; onde T = Tempo de ciclo e Q = capacidade máxima da maior bomba. Fórmula indicada pela ABNT – NB569/1989

Tabela 15 – Recomendações para escolha do tempo de ciclo

Autor o entidade Potência do motor Tempo de ciclo

SABESP < 300cv 10 mim

>300 cv Consultar fabricantes

Flomatcher Até 15 HP 10 mim

20 a 50 HP 15 min

60 a 200 HP 30 min

250 a 600 HP 60 min

Metcalf & Eddy Até 20 HP 10 min

20 a 100 HP 15 min 100 a 250 HP 25 min > 250 HP Consultar fabricantes motor Válvula de gaveta Válvula de retenção Bomba Nível máximo Nível Extravasor

Algumas recomendações da NB 569 / ABNT 1989: - Não permitir a formação do vórtice;

- Não permitir descarga livre, nem velocidade > 0,60 m/s; - Não permitir depósitos no fundo ou cantos do poço de sucção;

- Não permitir circulação que favoreça a tomada por uma ou mais bombas.

O volume efetivo do poço de sucção é a relação entre o volume compreendido entre o fundo do poço e o nível médio de operação das bombas:

Ve = Qm x Td; onde Td – Tempo de detenção no poço(min) < 30 min (NB – 569); Qm – Vazão média de projeto afluente à elevatória no início de operação (m3/min) e é desejável Ve < Q

m x 30.

d) Dimensionamento dos condutos:

Recomendações de velocidade da NB-569(1989): - Na sucção: 0,6 < V < 1,5 m/s;

- No recalque: 0,60 < V < 3 m/s;

e) Dimensionamento do conjunto motor-bomba:

H = Hg + Hs ;

- Potência fornecida pela bomba:

H ⇒⇒⇒⇒ Altura manométrica total;

Hg ⇒⇒⇒⇒ Altura geométrica Total;

Hs ⇒⇒⇒ Perda de carga Total;

“ As perdas de cargas podem ser calculadas com um livro de hidráulica, caso seja um pré- dimensionamento considerar H = 1,4 . Hg”

- Rendimento da bomba:

η = Pl / Pb ;

Obs. 1.: Para a escolha do tipo de bomba necessária é ideal consultar os fornecedores de bombas com seus respectivos catálogos e curvas de rendimento;

Obs. 2.: Deve ser considerado a instalação de pelo menos 2 conjuntos motor-bomba;

f) Sistema de controle e operação das Bombas:

- Sensor tipo bóia; - Sensores pneumáticos; - Sensores elétricos;

- Painel de comando elétrico:

- Comando liga-desliga das bombas; - Chave seletora automático-manual; - Chave seletora de bombas;

- Alarme e sinalização de defeitos; - Sinalização de operação;

- Indicador de corrente (amperímetro); - Indicador de tensão (voltímetro); - Controle de rotação do motor; - Supervisão do sistema.

η η η

η = rendimento ou eficiência da bomba;

g) Principais requisitos para o projeto de uma EEE:

- Memorial descritivo da instalação; - Memória de cálculo hidráulico;

- Especificações dos serviços em materiais; - Orçamento;

- Desenhos;

- Arquitetura e urbanização, Fundação e estrutura, instalações prediais, tubulações, eletricidade, perfil hidráulico, esquemas e diagramas complementares;

- Manual de operação.

h) Recomendações de projeto gerais:

- instalações de “by-pass”; - instalação de “Stop-Log”;

- instalação de equipamentos para remoção de sólidos grosseiros; - instalação de dispositivos para medição;

- possibilidade de inspeção e manutenção;

Para conseguir um bom projeto é necessário que o projetista conheça muito bem a operação de uma estação de tratamento de esgoto. Deve-se antes de iniciar um projeto, visitar pelo menos umas 10 estações elevatórias de esgoto. O conhecimento de problemas operacionais que ocorrem com o passar do tempo na operação de uma EEE e sua correção no projeto devem ser parte da rotina de um bom projetista.

É normau a verificação de erros consecutivos de projetistas renomados, devido ao pouco tempo dos mesmos para realizarem visitas às instalações de seu projeto. Um bom projeto é feito 70 % fora do escritório e 30% dentro do escritório. Dentro do escritório somente é elaborado o dimensionamento. Os detalhes devem ser feitos através de visitas a instalações bem sucedidas.