3. METODOLOGIA
3.3. Parâmetros produtivos e econômicos do babaçu
Um dos principais desafios do presente estudo foi reunir informações sólidas sobre os parâmetros produtivos do babaçu que pudessem compor as fichas de cultura (planilha com índices técnicos críticos para análise produtiva) do Babaçu Nativo e do Babaçu Cultivo, a serem carregadas na modelagem utilizada. Ainda que a bibliografia sobre o babaçu seja extensa e conte com mais de um século da dedicação de pesquisadores
de inúmeras instituições, a falta de coordenação entre essas pesquisas deixou os dados dispersos, com lacunas críticas, sem padronização metodológica, em cenários e manejos diversos, sobre diferentes espécies, variedades e derivados de interesse.
A demanda por informações sólidas sobre o babaçu data da década de 1950 (VALVERDE, 1957) e até hoje há lacunas críticas de entendimento. Anthony Anderson empreendeu notável consolidação de dados sobre a espécie, em The Biology of Orbygnia martiana, dissertação apresentada na Florida University (ANDERSON, 1983). O trabalho de Anderson traz impressionante riqueza de detalhes técnicos sobre a biologia do babaçu. Essa fonte lastreia boa parte das informações sobre crescimento e fenologia do babaçu utilizados como parâmetros na Ficha do Babaçu Nativo.
Outras fontes fundamentais para essa compilação de dados foram os trabalhos sobre alometria do babaçu (GEHRING et al., 2011), decomposição de serrapilheira de babaçuais (LUZ et al., 2020), compostagem do miolo do tronco de babaçu caído (DE ANDRADE et al., 2021), e biomassa radicial do babaçu (DE SOUSA; MORAES;
GEHRING, 2016). Foi reconfortante encontrar artigos recentes com abordagens inovadoras sobre detalhes técnicos do babaçu, em temas relevantes para complementar a visão da espécie sob a ótica de sistemas produtivos integrados.
A frente de pesquisa mais avançada no levantamento de informações e modelagem com babaçu se desenvolve na parceria entre Alessio dos Santos, da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia) e Danielle Mitja, que lidera grupo da Universidade de Montpellier, especificamente os núcleos do INRA (Institute Nationale de Recherce Agronomiques), do SupAgro e do IRD (Institut de Recherche pour le Développement). Desde 2001, esse grupo vem desenvolvendo estudos nos babaçuais no Projeto de Assentamento Benfica, em Itupiranga/PA. Recentemente esse grupo combinou sua rica série de dados de campo com análise de imagens de altíssima resolução, aferindo com precisão as densidades de babaçu em floresta primária e secundária, em áreas de pousio e pasto, sob diferentes manejos, ao longo do tempo. Finalmente, 40 anos após dos trabalhos pioneiros do grupo formado por Anderson, May, Balick, Peters e Frazão na década de 1980, de fato estão sendo disponibilizados dados sólidos sobre a dinâmica de uso do solo que cria, favorece ou restringe a densidade dos babaçuais. A complementação entre vários estudos realizados no mesmo local durante duas décadas, com imagens de satélite, validadas por parcelas de campo, trouxe enorme evolução em relação às estimativas que usavam apenas parcelas de campo, criando entendimento novo e sólido sobre a dinâmica de populações de babaçu na escala da paisagem (MITJA et al., 2018,
2019; MITJA; FERRAZ, 2001; RODRIGUES; MITJA, 2012; SANTOS et al., 2017;
SILVA et al., 2012a, 2012b; SIRAKOV et al., 2019).
Um dos achados mais relevantes desse grupo para a presente pesquisa foi a determinação da densidade de palmeiras e a discussão sobre os fatores que podem explicar a amplitude de densidades observadas em áreas antropizadas (MITJA et al., 2018). Nesse estudo, os autores integraram dados de campo de 62 parcelas de pastagens com babaçu (487 hectares) acompanhadas no PA Benfica entre 2001-2008, com 17 quadrantes lançados para aferir riqueza de espécies em florestas primárias, e outros 27 quadrantes usados para medir riqueza de espécies em áreas em pousio. Em seguida, usaram imagens GeoEye de 2009 para estimar ocorrência e abundância de palmeiras, lançando grade de 2.354 quadrículas de 1 hectare sobre a área do PA Benfica (Figura 12) segregadas em 4 tipos de habitat: floresta primária (4% das parcelas), área de pousio (10%), área de pastagem (46%) e áreas de uso misto (40%). As parcelas de uso misto foram desconsideradas e nas demais foi feita contagem dos babaçus, gerando dados de densidade para 1.421 hectares, em 3 tipos de habitat. As áreas de pousio incluem um variado gradiente de paisagens, desde pastagens recém abandonadas até capoeiras com décadas de regeneração natural, submetidas a variado histórico de manejo pós-desmate.
A densidade média de palmeiras por hectare foi de 22±11 na floresta primária e 33±13 em áreas de pousio (estatisticamente iguais), o que rejeitou a hipótese de que haveria diferença entre esses dois habitats. Nas áreas de floresta foi observada densidade máxima de 120 babaçus/hectare, contra 260 babaçus/hectare em áreas de pousio.
A contagem de campo nas 27 parcelas em área de pousio e 17 parcelas em floresta primária revelou densidades de 97 e 93 palmeiras/hectare, respectivamente, o que reforça a percepção de que não há diferença de densidade entre esses habitats. A robustez dos dados do grupo liderado por Danielle Mitja (MITJA et al., 2018, 2019; SIRAKOV et al., 2019) se contrapõe à difundida tese do grupo de Anderson (ANDERSON; MAY;
BALICK, 1991; ANDERSON, 1983; MAY et al., 1985; MAY, 1987; PETERS et al., 1989), de que haveria menor densidade de babaçu na floresta primária, e que a ação antrópica favoreceria a formação de densos babaçuais em áreas de desmate seletivo seguido do manejo tradicional de queima e pousio.
Em resumo, os dados mais recentes indicam que a biologia do babaçu de fato permite que ele forme aglomerações muito adensadas em áreas desmatadas em que a densidade original já era alta, desde que o manejo do pasto não inclua uso de herbicida e fogo. Essa condição, no entanto, é muito rara no PA Benfica: das 1.421 parcelas de 1
hectare em que foi realizada contagem de indivíduos adultos, apenas 1% tinha densidade muito alta de palmeiras (acima de 40 indivíduos por hectare), com máximo de 260 babaçus adultos por hectare. As práticas usuais de manejo das pastagens locais, que incluem poda sistemática de pindovas, uso de fogo e herbicida, pisoteio excessivo pelo gado e a competição imposta pela braquiária, tendem a minar a resiliência do babaçu, diminuindo muito sua densidade ao longo dos anos (MITJA et al., 2018).
Figura 12. Imagem do PA Benfica, em Itupiranga/PA, mostrando a distribuição dos 2.354 quadrantes amostrais de 1 hectare.
Fonte: MITJA et al. (2018).
O manejo e uso do solo no PA Benfica é similar ao que se observa em boa parte dos espaços rurais do meio-Norte brasileiro, o que torna imperativo revisitar o conceito de que a Mata dos Cocais tenha 15 milhões de hectares de babaçuais adensados.
Ainda que aferir a densidade de babaçuais não seja objetivo específico da presente pesquisa, foi realizado aqui esforço de contagem de palmeiras para caracterizar o potencial de babaçu do PA Mato Grosso. O trabalho teve início com a delimitação das áreas de maior ocorrência de babaçu dali, em pastagens, capoeiras e matas em diferentes níveis de regeneração, que englobou 580 hectares, dos 1.300 ha totais do PA (Figura 13).
Figura 13. Detalhe do PA Mato Grosso mostrando a contagem de palmeiras feita a olho nu e por algoritmo.
Nota: Na leitura a olho nu as palmeiras são marcadas por pontos verdes, dentro de quadrantes azuis de 1 hectare. Os polígonos amarelos delimitam pastagens com maior densidade de babaçu. Os pontos brancos resultam da leitura por algoritmo.
Em seguida, a camada de pastagens do MapBiomas foi sobreposta ao polígono de incidência de babaçu, o que delimitou o tipo de situação de interesse nesse estudo,
pastagens com presença marcante de babaçu, que somam 120 hectares. O passo seguinte foi contar palmeiras, que se deu de duas formas: contagem manual de palmeiras com base na análise visual das imagens do Google Earth, e contagem automatizada por algoritmo treinado para detectar palmeiras isoladas em meio a pastagens, usando imagens Sentinel.
Figura 14. Distribuição das pastagens com maior densidade de babaçu PA Mato Grosso.
Nota: Os aglomerados de pontos brancos mostram os babaçuais locais, em sua densidade típica, da ordem de 60 palmeiras por hectare.
A contagem visual em quadrantes amostrais de 1 hectare é lenta e trabalhosa, mas permite ótimo nível de acurácia: visto de cima, o babaçu parece uma roda com raios regulares brotando de um ponto central, ladeada pela sombra da copa no chão do pasto (MITJA et al., 2018). A contagem manual serviu para verificar que a contagem pelo algoritmo estava bem calibrada. Nos 120 hectares de pasto com presença expressiva de babaçu do PA Mato Grosso, foram identificados 7.093 babaçus adultos, o que indica densidade média de 60 palmeiras/hectare. Essa densidade coincide com a contagem realizada pelo grupo de Mitja em pastagens (55 ind/ha) e áreas de pousio (67 ind/ha) no PA Benfica. Não obstante, em talhões restritos de alta densidade no PA Mato Grosso o número de palmeiras supera 150 babaçus por hectare (Figura 14). Em contexto produtivo, os 7.093 babaçus adultos contados ali geram algo como 800 toneladas de coco por ano, suficientes para obter 200 toneladas de mesocarpo.
Essa revisão bibliográfica não encontrou estudos sobre cultivo de babaçu, o que dá dimensão da ausência de informações para que essa espécie seja de fato considerada uma cultura florestal no Brasil. Outras palmeiras nativas de ampla ocorrência receberam alguma atenção de pesquisadores, como macaúba, juçara e açaí. O babaçu, como a carnaúba e o buriti, fica na categoria das palmeiras em que a oferta nativa é tão massiva que inibe estudos sobre plantio e iniciativas de cultivo.
Em comunicação pessoal, o pesquisador Edmond Baruque Filho relatou aquele que parece ter sido o único caso de plantio experimental de babaçu: numa parceria entre Tobasa e IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) foi levado a viveiro germoplasma selecionado de populações com maior proporção de amêndoas no coco. O plantio foi realizado em 1976 em área experimental de 1.000 hectares de propriedade particular da Tobasa, situada em Luzinópolis/TO.
O convênio com o IBDF foi firmado em 1970, com previsão de duração de 10 anos, prazo usual para pesquisas de melhoramento genético com árvores. A empresa arcou com o investimento em preparo da terra, destoca e adubação, deixando a área em ponto ótimo de cultivo e com 10.000 mudas plantadas e adubadas. Poucos anos depois, em 1983, a propriedade foi invadida por grileiro, que derrubou o plantio de babaçu, gradeou a área para formar pasto e pôs fim a desenvolvimento científico de longo prazo que teria levado a produção de óleo de amêndoa a patamar mais competitivo. Depois de 15 anos de disputa judicial, os Baruque retomaram a terra, mas o episódio causou marca profunda no ânimo dos empreendedores e a fazenda acabou sendo vendida a pecuaristas.
Nesse contexto de falta de informações produtivas sobre o babaçu, o maior esforço aqui foi criar duas fichas de cultura para a espécie, em condição de estande espontâneo (Babaçu Nativo, apresentado nas Figuras 15 e 16) e em condição de plantio de mudas (Babaçu Cultivo, nas Figuras 16 e 17). A apuração dos índices técnicos e informações produtivas sobre o babaçu exigiu comparar números e estimativas realizadas em diferentes épocas, por diferentes autores, em cenários diversos, com diferentes abordagens e métodos, e selecionar os parâmetros mais consistentes. A montagem dessas fichas de cultura é uma das principais contribuições do presente estudo.
A densidade da ficha de cultura do Babaçu Nativo parte da lógica de um monocultivo de babaçu com espaçamento de 8 x 4 m (313 plantas por hectare), similar ao sistema com macaúba implantado pela parceria entre Belterra, Inocas e Fundo Vale em Patos de Minas/MG. Todos os parâmetros da ficha são calculados de acordo com esse monocultivo. Em seguida, na composição do consórcio do SAF, a densidade real do babaçual existente é inserida na modelagem, e todos os custos e receitas são apropriados proporcionalmente.
Por exemplo: ao avaliar a implantação de um SAF num babaçual nativo que parta de 150 palmeiras/hectare, a ficha considera que 30% das palmeiras (não produtivas) serão desbastadas, calcula quanto isso gera de biomassa incorporada ao sistema e ajusta as projeções de custo e receita aos 105 babaçus produtivos remanescentes, tendo como referência o monocultivo teórico da ficha.
Figura 15. Ficha de cultura do Babaçu Nativo com detalhe das operações necessárias para a implantação e primeiro ano de manejo.
Nota: Essa ficha de cultura reúne custos de insumos e serviços necessários para o desbaste e manejo de um babaçual nativo, em condição teórica de 313 palmeiras/hectare (espaçamento 8 x 4 m). A ficha inclui também a projeção de colheita e receita ao longo de 20 anos. São apresentadas nessa figura as operações previstas para o ano 0 e 1, com detalhe de quantidades e preços de insumos e serviços.
A ponderação entre esses fatores levaria os custos e a produção a patamar diverso.
Ainda que o modelo permita essa variação, o presente estudo não fez análise de sensibilidade do nível de desbaste, tendo variado somente densidade de largada e preço do coco.
Babaçu Nativo Parâmetros Técnicos
Estande Nativo (antes do desbaste seletivo) 446 Unidade 70% Porcentagem de indivíduos produtivos no estande natural (NÃO serão desbastados) Indivíduos remanescentes por hectare 313 Unidade Nº total de plantas produtivas remanescentes, equivalente a 4 x 8m
Ciclo de produção 240 Meses
Produção no ano 0 e 2 (início do manejo) 25.000 kg/ha.ano 2 cachos/ano; 200 frutos/cacho; 200 g/fruto = 80 kg/planta/ano (Sem efeito do manejo) Fonte: Araújo, 2008 Produção a partir do ano 3 37.500 kg/ha.ano 3 cachos/ano; 200 frutos/cacho; 200 g/fruto = 120 kg/planta/ano (Com efeito do manejo) Fonte: Araújo, 2008 Produção a partir do ano 5 50.000 kg/ha.ano 4 cachos/ano; 200 frutos/cacho; 200 g/fruto = 160 kg/planta/ano (Com efeito do manejo) Fonte: Araújo, 2008
Frutificação: junho a dezembro. Período de queda: agosto a dezembro.
Detalhamento dos Custos e Despesas
0 Corretivos Tonelada 2 400 800 2 ton/ha de calcário dolomítico
0 Adubos kg 500 6 3.225 620g/planta = 90g N + 120g P + 260g K + 150g B. Fonte: Pimentel, 2012
0 Semente de leguminosas kg 15 26 390 Crotalaria juncea (cobertura de solo e fixação de N): 15 kg/ha
0 Bioinsumos Litro 2 18 36 Controle de formiga
0 Serviços 6.698
0 Aplicação de corretivos Hora maq./ha 0,50 120 60
0 Desbaste de palmeiras adultas Diária 8,37 80 670 0,5 hh/ind para desbaste de palmeiras improdutivas
0 Limpeza de palmeiras produtivas Diária 9,77 80 781 0,25 hh/planta para remover folha e cacho seco das palmeiras selecionadas
0 Desbaste de pindovas Diária 4,00 80 320 Corte e picagem de pindovas na entrelinha
0 Semeadura a lanço Diária 1,00 80 80 Regular, carregar sementes e semear
0 Adubação Diária 3,00 80 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
0 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120 30
0 Aplicação de bioinsumo Diária 1,00 80 80
0 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais
0 Corte dos cachos e coleta de fruto Diária 51,56 80 4.125 Colheita junho-dezembro; 1 cacho/mês; 0,5 hh/cacho + 0,16 hh coleta no chão 0 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,00 120 120 0,5 hmaq/colheita para carregar os cachos
0 Produção 9.000
0 Fruto inteiro kg 22.500 0,40 9.000 Perda de 10% por qualidade insuficiente para uso do mesocarpo
1 Insumos 3.960
1 Adubos kg 594 6 3.830 100g N + 120g P + 360g K + 150g B). Fonte: Pimentel, 2012
1 Semente de leguminosas kg 5 26 130 Crotalaria juncea (cobertura de solo e fixação de N): 5 kg/ha
1 Bioinsumos Litro 0 18 0
1 Serviços 4.628
1 Limpeza das copas Diária 9,77 80,00 781 0,25 hh/planta para retirar e picar folha seca e cacho improdutivo
1 Semeadura a lanço Diária 1,0 80,00 80 Regular, carregar sementes e semear
1 Adubação Diária 3,00 80,00 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
1 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120,00 30
1 Pulverização Hora maq./ha 0,00 120,00 0
1 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120,00 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais 1 Corte dos cachos Diária 39,06 80,00 3.125 Colheita: junho a dezembro. 1 cacho/mês. 0,5 hh/cacho (2 cachos) 1 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,50 120,00 180 0,5 hmaq/colheita para carregar os cachos
1 Produção 9.800
1 Fruto inteiro kg 24.500 0,40 9.800 2% de perda de frutos por qualidade
Figura 16. Continuação da ficha de cultura do Babaçu Nativo, com operações do segundo ao vigésimo ano.
A ficha de cultura prevê todos os custos com insumos e serviços necessários à implantação e manutenção do sistema. Do ano 0 ao 4, as quantidades de insumos e tipos de serviços variam de acordo com a lógica agrícola de preparo do terreno, desbaste de palmeiras e implantação do sistema.
2 Semente de leguminosas kg 5 26 130 Crotalaria juncea semeada em faixa paralela às palmeiras: 5kg/ha
2 Bioinsumos Litro 0 18 0
2 Serviços 6.191
2 Limpeza das copas Diária 9,77 80,00 781 0,25 hh/planta para retirar e picar folha seca e cacho improdutivo
2 Semeadura a lanço Diária 1,00 80,00 80 Regular, carregar sementes e semear
2 Adubação Diária 3,00 80,00 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
2 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120,00 30
2 Pulverização Hora maq./ha 0,00 120,00 0
2 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120,00 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais 2 Corte dos cachos Diária 58,59 80,00 4.688 Colheita: junho a dezembro. 1 cacho/mês. 0,5 hh/cacho (3 cachos) 2 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,50 120,00 180 0,5 hmaq/colheita para carregamento dos cachos
2 Produção 9.800
2 Fruto inteiro kg 24.500 0,40 9.800 2% de perda de frutos por qualidade
3 Insumos 6.177
3 Adubos kg 938 6 6.047 125g N + 240g P + 600g K + 150g B. Fonte: Pimentel, 2012
3 Semente de leguminosas kg 5 26 130 Crotalaria juncea semeada em faixa paralela às palmeiras: 5kg/ha
3 Bioinsumos Litro 0 18 0
3 Serviços 6.191
3 Limpeza das copas Diária 9,77 80 781 0,25 HH/planta para retirar e picar folha seca e cacho improdutivo
3 Semeadura a lanço Diária 1,00 80 80 Regular, carregar sementes e semear
3 Adubação Diária 3,00 80 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
3 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120 30
3 Pulverização Hora maq./ha 0,00 120 0
3 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais
3 Corte dos cachos Diária 58,59 80 4.688 Colheita: junho a dezembro. 1 cacho/mês. 0,5 hh/cacho (3 cachos) 3 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,50 120 180 0,5 hmaq/colheita para carregamento dos cachos
3 Produção 14.700
3 Fruto inteiro kg 36.750 0,40 14.700 2% de perda de frutos por qualidade
4 Insumos 7.386
4 Adubos kg 1.125 6 7.256 140g N + 300g P + 720g K + 150g B. Fonte: Pimentel, 2012
4 Semente de leguminosas kg 5 26 130 Crotalaria juncea semeada em faixa paralela às palmeiras: 5kg/ha
4 Bioinsumos Litro 0 18 0
4 Serviços 6.191
4 Limpeza das copas Diária 9,77 80 781 0,25 hh/planta para retirar e picar folha seca e cacho improdutivo
4 Semeadura a lanço Diária 1,00 80 80 Regular, carregar sementes e semear
4 Adubação Diária 3,00 80 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
4 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120 30
4 Pulverização Hora maq./ha 0,00 120 0
4 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais
4 Corte dos cachos Diária 58,59 80 4.688 Colheita: junho a dezembro. 1 cacho/mês. 0,5 hh/cacho (3 cachos) 4 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,50 120 180 0,5 hmaq/colheita para carregamento dos cachos
4 Produção 14.700
4 Fruto inteiro kg 36.750 0,40 14.700 2% de perda de frutos por qualidade
5 - 20 Insumos 7.789
5 - 20 Adubos kg 1.188 6 7.659 150g N + 300g P + 840g K + 150g B. Fonte: Pimentel, 2012
5 - 20 Semente de leguminosas kg 5 26 130 Crotalaria juncea semeada em faixa paralela às palmeiras: 5kg/ha
5 - 20 Bioinsumos Litro 0 18 0
5 - 20 Serviços 6.191
5 - 20 Limpeza das copas Diária 9,77 80 781 0,25 hh/planta para retirar e picar folha seca e cacho improdutivo
5 - 20 Semeadura a lanço Diária 1,00 80 80 Regular, carregar sementes e semear
5 - 20 Adubação Diária 3,00 80 240 Adubação na coroa das plantas produtivas
5 - 20 Transporte dos adubos Hora maq./ha 0,25 120 30
5 - 20 Pulverização Hora maq./ha 0,00 120 0
5 - 20 Roçagem Hora maq./ha 1,60 120 192 2 roçadas/ano: capim, adubação verde e pindobas residuais 5 - 20 Corte dos cachos Diária 58,59 80 4.688 Colheita: junho a dezembro. 1 cacho/mês. 0,5 hh/cacho (4 cachos) 5 - 20 Carregamento com caçamba Hora maq./ha 1,50 120 180 0,5 hmaq/colheita para carregamento dos cachos
5 - 20 Produção 19.600
5 - 20 Fruto inteiro kg 49.000 0,40 19.600 2% de perda de frutos por qualidade
Os insumos previstos foram calcário, adubo, sementes de crotalária e bioinsumos (defensivos e controle biológico). Não há necessidade de composto orgânico, dada a grande carga de biomassa disponibilizada pelo desbaste. Entre os serviços, estão:
transporte e aplicação de calcário, adubo e bioinsumos, desbaste das palmeiras improdutivas e limpeza das restantes, colheita e carregamento dos cachos, semeadura, pulverização e roçagem. Do ano 5 ao 20, os custos entram em patamar de manutenção.
A adubação começa com 1,6kg por planta de formulação de ureia, superfosfato simples e potássio, em evolução que se estabiliza em 3,8kg/palmeira a partir do ano 5. A adubação se baseou na recomendação para plantio de macaúba de alta produtividade (PIMENTEL, 2012). Foi considerado custo de R$6,50/kg para a formulação de adubo.
A produção de coco foi calculada por cachos, considerando 2 cachos por planta/ano no início (anos 0 e 1), evolução de 3 cachos nos anos 3-4 e estabilização a 4 cachos/planta.ano a partir do ano 5. Foi definido que um cacho tem 200 frutos de 200g cada (ANDERSON, 1983), ou seja, 40kg de coco. Nessa lógica, a produção de coco por cacho não muda ao longo dos anos, para evitar a ausência de dados sobre resposta do babaçu a adubação e manejo. Portanto, o modelo opera com a restrição de que somente a produção de cachos por palmeira se altera ao longo do tempo. Assim, cada babaçu produz inicialmente 80kg de coco/ano, evolui a 120kg e chega no ano 5 ao patamar de 160kg/ano.
O preço de venda do coco inteiro, limpo, selecionado, ensacado, carregado no caminhão na porteira da propriedade rural, foi arbitrado em R$350/tonelada. Em pesquisa realizada em janeiro/2022 junto à rede de fornecedores de mesocarpo da Atina em Codó, Cantanhede, Pirapemas, Itapecuru Mirim, Açailândia, Cidelândia e Lago do Junco, o preço do coco inteiro variou de R$140/ton (valor cobrado pelas quebradeiras da Estrada do Arroz pelo coco ensacado, no pé da palmeira, com sacaria e logística por conta do intermediário, que revende para a indústria) até R$500/ton (valor cobrado por produtor rural de Cantanhede, que inclui sacaria, logística e entrega no galpão da indústria).
Uma abordagem teórica para avaliar se o preço do coco arbitrado está aderente à realidade industrial é buscar equivalência de custo em amido entregue à indústria. A raiz de mandioca tem 30% de amido e é comprada do produtor, na porteira, a R$550/ton (CEPEA, 2021). Isto é, o custo do amido-equivalente de raiz de mandioca é de
Uma abordagem teórica para avaliar se o preço do coco arbitrado está aderente à realidade industrial é buscar equivalência de custo em amido entregue à indústria. A raiz de mandioca tem 30% de amido e é comprada do produtor, na porteira, a R$550/ton (CEPEA, 2021). Isto é, o custo do amido-equivalente de raiz de mandioca é de