3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
3.2 PLANEJAMENTO EXPERIMENTAL PARA GERAÇÃO DE MAPAS
3.2.2 Parâmetros de tráfego e acústico
A coleta dos parâmetros de tráfego ocorreu simultaneamente à coleta dos parâmetros acústicos. Os parâmetros de tráfego correspondem aos dados da composição do tráfego por meio das medições de campo, através do fluxo viário, tipo de veículos e velocidade veicular. Os parâmetros acústicos referem-se às coletas dos dados sonoros. Os critérios adotados para a escolha dos dias, horários e duração das medições se relacionaram ao fluxo veicular, visto que o ruído de tráfego é a fonte objeto de estudo.
Quanto ao fluxo viário: Define-se fluxo veicular (ou Volume de Tráfego)
o número de veículos que passam por uma seção de uma via, ou de uma
Parâmetros fisico ambientais
Dados coletados Método Categorias
Gabarito das edificações
Altura das edificações pertencentes ao universo de estudo Pesquisa de campo, por meio de observações e anotações Separado por cada número de pavimentos Topografia Mapa georeferenciado
das curvas de nível do município de Natal
Pesquisa documental
Alta, média e baixa
Áreas verdes Localização das áreas verdes pertencentes à área objeto de estudo
Pesquisa bibliográfica e de campo, por meio de observações Densa e não densa Hierarquia viária Espacialização das tipologias viárias Código de obras (NATAL, 2004) vias arteriais, coletoras e locais Pavimentação Características da via
quanto ao recobrimento do solo, categorizando em asfalto, paralelepípedo e solo natural Pesquisa de campo, por meio de observações Asfáltico, paralelepípedo solo natural outros Semáforos, viadutos e túneis Espacialização da localização dos semáforos, viadutos e túneis Google® Semáforos, viadutos e túneis
81 determinada faixa, durante uma unidade de tempo. Para a simulação computacional foi utilizado o dado de contagem de veiculo por hora. Vale ressaltar que o DNIT (2006) revela que:
As Contagens Volumétricas visam determinar a quantidade, o sentido e a composição do fluxo de veículos que passam por um ou vários pontos selecionados do sistema viário, numa determinada unidade de tempo. Essas informações são usadas na análise de capacidade, na avaliação das causas de congestionamento e de elevados índices de acidentes, no dimensionamento do pavimento, nos projetos de canalização do tráfego e outras melhorias (DNIT, 2006, p.101).
Quanto aos dias de medição: O Plano Diretor de Transporte
Metropolitano da Região Metropolitana do Natal/ RN ─ PDTM (SANTANA; FERNANDES; SAKAMOTO, 2008) mostra que existe variação do fluxo viário diário: os sábados e domingos têm menor fluxo veicular; as segundas e sextas- feiras não seguem padrão definido; e as terças, quartas e quintas-feiras são os dias típicos. Optando-se pelos períodos típicos, excluindo-se épocas de férias (dezembro, janeiro e julho) e feriados, sem interferências de chuvas e padrão normal de trânsito (Figura 15).
Figura 15 ─ Gráfico do fluxo de veículos nos dias de semana com
variação Semanal por tipo de rodovia.
Fonte: DNIT, 2006.
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Quanto aos horários e duração das medições: A norma para
avaliação do nível do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade – NBR 10151 (ABNT, 2000), determina horários com características distintas para o período diurno e noturno, e estabelece níveis de pressão sonora para cada um desses horários: diurno compreende das 7h às 22h; noturno das 22h às 7h.
Sobre o tempo de duração de medição, em geral, as medições são realizadas em intervalos de 57, 10 ou 15 minutos. O menor tempo de medição tem a vantagem de agilizar a coleta dos dados e de ser menos desgastante – porém corre-se o risco de não gerar informações suficientes. Em contrapartida, uma medição longa, apesar de exaustiva, pode não ser necessária, além da possibilidade de gerar resultados iguais aos obtidos, em intervalos de tempo menores (NARDI, 2008).
O medidor de nível de pressão sonora, segundo a NBR 10151 (ABNT, 2000) deve ser posicionado, quando possível, em direção aos ventos dominantes, para não criar barreira. Foi colocado a 1,2m do chão e a 2m das edificações ou muros. Nos canteiros, o aparelho foi posicionado no seu alinhamento para captar o nível de pressão sonora nos dois sentidos da via.
Para a pesquisa definiu-se a coleta de dados nos períodos de pico (7-8h e 17-18h). Para o mapa acústico o fluxo veicular utilizado no mapa sonoro determinou-se a partir do fluxo médio matutino e vespertino no horário das 7- 22h, no qual para a NBR 10.151 (ABNT, 2000) e a Diretiva Europeia (UNIÃO EUROPÉIA, 2002), estes horários se enquadram no período diurno.
Com base nos dados horários dos 17 radares eletrônicos pela SERTTEL em parceria com a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB), levantou-se os dados percentuais horário do fluxo veicular em cada ponto e da média percentual geral (Figura 16), no qual a maior ocorrência de horários de picos na cidade ocorre às 7-8h e as 17-18h, definindo-se tais horários de pico para a coleta de dados. Além do mais, a partir de análise estatística, verificou- se que a média possui 17.6% a menos do fluxo veicular nos horários de pico.
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Figura 16 ─ Gráfico do fluxo de veículos horário
Fonte: SERTTEL, 2016, elaborado pela autora, 2017.
Quanto ao tipo de veículo: Na coleta de dados de tráfego, foram feitas
as contagens de veículos leves e pesados. A Norma Alemã RLS-90 (DER..., 1990) considera veículos pesados aqueles com peso acima de 2,80 toneladas, quer sejam micro-ônibus, ônibus e caminhão. Já as motocicletas, por mais que possuam peso leve, produzem ruído superior a automóveis e, por isso, na calibragem, podem ser consideradas como veículos pesados. Os veículos leves, por sua vez, são os automóveis e as caminhonetas (PINTO, 2013).
Quanto à velocidade veicular: Com relação à velocidade média, de
acordo com o Código Brasileiro de Trânsito (BRASIL, 1997), as vias urbanas abertas à circulação podem ser classificadas de acordo com sua utilização, em vias de trânsito rápido, arteriais, coletoras e locais.
Conforme o artigo 61 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), Capítulo III – das normas gerais de circulação e conduta, a velocidade máxima permitida para a via será indicada por meio de sinalização, obedecidas as suas características técnicas e as condições de trânsito. Além disso, nas vias urbanas no parágrafo § 1º onde não existir sinalização regulamentadora, a velocidade máxima será de: I - nas vias urbanas: 80 quilômetros por hora, nas vias de trânsito rápido; 60 quilômetros por hora, nas vias arteriais; 40 quilômetros por hora, nas vias coletoras; e 30 quilômetros por hora, nas vias
84 locais. Sendo os veículos pesado por volta de 20km/h a menos que os veículos leves (BRASIL, 1997).