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PARA ALÉM DOS OBJETOS E DOCUMENTAÇÃO: OUTROS

Para além das informações baseadas em bibliografia e cruzamentos de dados retirados de documentação de arquivo (inventário, administrativo, imagem e imagem em movimento) procurei novos elementos e a confirmação dos já reunidos através do contacto direto com o coletor principal da coleção, com o antropólogo Lorenzo Bordonaro, conhecedor do contexto bijagó e da própria coleção ou com outras fontes que surgiram no decorrer da pesquisa, como uma reportagem d’O Século Ilustrado em 1972, que clarifica alguns aspetos da viagem de Victor Bandeira nesse ano ao arquipélago ou filmes produzidos nessa década e anos anteriores a partir do ambiente ideológico que se vivia no período da constituição da coleção e no retrato que neste era feito da diversidade cultural dos países africanos.

Estes exemplos vêm ilustrar o tipo de cruzamento de informação ao qual é importante chegar para uma maior aproximação ao conhecimento do contexto cultural e social dos objetos e da sua aquisição. As pistas de conhecimento que estes elementos trouxeram é algo que se pretende seguir mesmo após a conclusão deste trabalho.

Neste capítulo apresento a análise que fiz de todas estas contribuições, destacando os principais aspetos a reter.

ENCONTRO COM VICTOR BANDEIRA

Resultou do encontro com Victor Bandeira, a 30 de Abril de 2012, a reconstituição de algumas circunstâncias das viagens que este efetuou ao arquipélago e cuja lembrança quis facilitar através do visionamento em simultâneo das suas imagens de terreno existentes no museu. Esta conversa foi gravada em áudio e no anexo 4 transcrevo o sumo dessa conversa, eliminando silêncios, reformulações da minha parte da mesma pergunta e hesitações. Através da apresentação do discurso direto do coletor da quase totalidade da coleção pretendo aqui ilustrar o tipo de informação que foi possível recuperar neste diálogo, algumas vezes associada a uma imagem concreta, assim como mostrar aquela que já foi esquecida durante os últimos 30 anos.

Foi possível identificar o que motivou Victor Bandeira a empreender uma viagem ao Arquipélago dos Bijagós. Uma publicação do explorador austríaco, Adolf Bernatzik, que esteve nas ilhas em finais dos anos 20, revelou a existência de objetos que se distinguiam do

tipo de objetos que até então julgou ser a única produção artística dos Bijagós e dos quais já existiam alguns exemplares no acervo do museu, trazidos por Fernando Rogado Quintino. Ainda que viajando a título pessoal, Victor Bandeira teve a intenção de procurar aquilo que o museu ainda não tinha e que possivelmente viria interessar adquirir.

A sua viagem foi planeada com algumas ideias precisas sobre o que pretendia adquirir, tendo a representatividade de determinado tipo de objetos na coleção decorrido da sua maior ou menor oferta nas ilhas. As máscaras e adornos bastante presentes no acervo era algo de fácil aquisição, assim como, objetos de culto aos antepassados. A máscara do hipopótamo (MNE: AK.849) que adquiriu na ilha de Nago e tida como rara, não foi nos Bijagós que teve conhecimento dela, mas através de uma notícia numa revista antiga de uma visita de Américo Tomás ao arquipélago.

No entanto, houve outros objetos que o museu não possui porque não lhe foi possível obter. Um tipo de boneca em forma de tripé que vira no livro de Bernatzik, levou- o até à ilha de Rubane ainda que sem sucesso, pois não conseguiu encontrar nenhuma. Um tambor comprido tocado pelos jovens ainda não iniciados foi para ele interdito adquirir, pela sacralidade de que se reveste e por ser de propriedade coletiva. As pinturas murais que tanto o fascinaram e que fotografou bastante, não as poderia trazer pelas razões óbvias ainda que tivesse sido esse o seu desejo.

A conversa tida com Victor Bandeira a partir do visionamento das suas imagens não apenas facilitou recordar algumas circunstâncias da aquisição dos objetos, como também permitiu fazer a identificação de algumas delas, ainda que nalguns casos com algumas incertezas.

ENCONTRO COM LORENZO BORDONARO

Num relatório produzido no MNE (BORDONARO e PUSSETTI, 2000) Lorenzo Bordonaro e Chiara Pussetti dão conta de forma clara do seu processo de pesquisa decorrida no museu, enquadrada sob a forma de estágio, entre Junho e Setembro de 2000. Foram traçados como objetivos principais o estudo e informatização de uma parte da coleção de objetos bijagós; a sistematização e digitalização da documentação fotográfica existente no arquivo de imagem do museu; e a constituição de um dossier de imagens de objetos e imagens de terreno para levarem consigo na viagem que planeavam fazer ao arquipélago, na esperança de que um diálogo estabelecido localmente a partir daquelas pudesse revelar novos aspetos e conhecimentos acerca de algumas práticas bijagó.

O encontro com Lorenzo Bordonaro realizou-se no museu a 11 de Dezembro de 2012 e teve por intenção apurar o retorno daquela metodologia para a sua investigação no terreno, assim como para um melhor conhecimento dos próprios objetos da coleção. Decorreu sem o recurso a gravação áudio e mediante um guião muito pouco rígido e com questões abertas.

Ficou claro logo no início do encontro que existe já um grande distanciamento deste antropólogo face aos contextos bijagó em que intervêm as atuações masculinas com máscaras e que haviam sido a moldura do que foi o seu objeto de estudo privilegiado até 2000. Quando nesse ano voltou ao arquipélago, mais concretamente ao centro mais urbano da ilha de Bubaque (a Praça), fez uma inflexão na direção que pensou dar à sua investigação ao constatar que os seus interlocutores não queriam falar de processos que na opinião deles estavam na origem do seu atraso cultural e económico. Esta é uma questão que já se encontrava explicada na sua tese de doutoramento:

“Against my expectations, the people I met totally upset my plans, bringing the complexities and predicaments of life in Guinea-Bissau to my attention, and taking me far from romantic and idealised visions of the African village. The young people I talked to rejected my motivations and the prefabricated anthropological concepts I carried with me, openly contesting my approach. They showed me the ravages of the civil war of 1998, told me about their painful and tragic personal experiences, about their frustration and about their dreams, and showed my theoretical stance to be frankly inappropriate to the complexities, contradictions and difficulties they were living in.” (BORDONARO, 2006: 14)

E agora era eu que questionava o antropólogo sobre aspetos que já estavam há muito fora das suas preocupações. Atendendo ao rumo que tomou a sua investigação no arquipélago, o recurso a um dossier de imagens constituído no museu e com imagens da própria coleção perdera a sua utilidade.

Ainda que não tenha havido um regresso ao museu para uma atualização de informações pertinentes para um conhecimento da coleção, a não aplicabilidade desta ferramenta de trabalho no terreno é por si só reveladora das mudanças operadas nos mecanismos culturais subjacentes aos contextos destes objetos e uma dimensão a ter em conta no seu inventário.

Um segundo aspeto que este encontro com Lorenzo Bordonaro veio colocar em evidência, ainda que este já se encontrasse referido na bibliografia consultada, é o facto de não estarem presentes em todas as ilhas do arquipélago todas as tipologias de máscaras, principalmente as que parecem ser as mais difundidas fora da Guiné-Bissau, as máscaras

vaca-bruto. Lorenzo referiu ter conhecido pela primeira vez esse tipo de máscaras e outros objetos apenas no museu. A sua estadia no arquipélago foi sempre circunscrita à ilha de Bubaque, mais concretamente à aldeia de Bijante, onde o tipo de máscara utilizada pela classe de idade dos rapazes anterior ao fanado, é aquele mostrado nas filmagens de Chiara Pussetti, um arco de madeira sobre uma calote esférica e do qual pendem longos tufos de fibras vegetais. Lorenzo confirmou a facilidade na obtenção deste tipo de máscaras, uma vez que o seu valor ritual é obtido apenas após a sua sacralização em secretismo e sem a qual têm um valor relativo para a aldeia.

Por último, este encontro foi também uma oportunidade de visionarmos os dois filmes que realizou com Chiara Pussetti no arquipélago e de fazer a sua identificação já referida no capítulo IV, no ponto relacionado com o Arquivo de Imagem em Movimento.

OSÉCULO ILUSTRADO NAS ILHAS BIJAGÓ

Um artigo de Maria Antónia Palla e Eduardo Gageiro publicado n’O Século Ilustrado em 197270 conta a história da viagem que fizeram em Março desse ano até ao Arquipélago

dos Bijagós, acompanhados por Victor Bandeira, a sua filha e a mulher. Ao longo de 3 números uma extensa reportagem revela aspetos da sua passagem de um mês pelas ilhas de Bubaque, Uno, Orango e Formosa e de como se fizeram acompanhar pelo “etnólogo” pelo conhecimento que este já tinha destas e de como se movimentarem por lá (n.º 1790: 36). Num artigo posterior e mais reduzido a jornalista acrescenta como em Bubaque se juntaram à comitiva dois franceses, Bruce e Danielle Duquete “ele arquitecto, ela a preparar uma tese sobre a arte bijagó” (PALLA, 1985: 52).

Partiram juntos de Lisboa num avião da Força Aérea no encalce do paraíso que se vive longe da civilização moderna e à procura de uma reflexão em torno do questionamento dos valores ocidentais.

70 PALLA, Maria Antónia – “Bijagós, um mundo em extinção?”. O Século Ilustrado, nºs 1790-1792, Lisboa,

Figura 58: Da esquerda para a direita: Victor Bandeira, Clara, Françoise, Maria Antónia Palla (PALLA, Imagem de Eduardo Gageiro, 1972).

A cobertura fotográfica de Eduardo Gageiro enche o texto de imagens que captam muitos momentos da vida diária nas aldeias e os rostos dos seus habitantes. Victor Bandeira encetava o diálogo com os chefes locais que já o conheciam das suas idas anteriores e que lhes davam a autorização necessária para visitarem as aldeias e santuários. Os seus ajudantes habituais tratavam do transporte da bagagem, da alimentação e da comunicação com os locais que aqui é descrita como sendo muito dificultada pelo facto de ninguém falar português e muito pouco o crioulo. São aqueles que colocam o grupo a par dos acontecimentos que ocorrem.

Ficou expresso nestes artigos como a cooperação das Forças Armadas portuguesas foi determinante no transporte e acesso às ilhas “Em Bissau, fomos acolhidos por um simpático capitão, destacado pelo general Spínola para os contactos com a imprensa, que nos deu o melhor apoio. Chamava-se Otelo Saraiva de Carvalho” (PALLA, 1985: 54). Este proporcionou-lhes transporte entre as ilhas de acordo com as suas necessidades.

Em Bubaque tomaram conhecimento de ser época do fanado em todas as ilhas, o que revela não ter sido intencional a sua viagem nessa altura. Em Nago, Eduardo Gageiro captou inesperadamente um dos momentos secretos da iniciação masculina (n.º1791: 38), assim como danças dos rapazes com máscaras vaca bruto e peixe-martelo (idem: 39). Tanto em Uno como em Bubaque assistiram às danças das defunto. Segundo uma mulher com quem a jornalista dialogou, a vara que as mulheres trazem na mão significa panela, que representa a ligação da mulher à função doméstica, e o galho que têm na outra mão, a árvore, elo de ligação entre o céu e a terra (idem: 44). Esta seria uma informação que interessaria confirmar numa interrogação no terreno sobre este tipo de objeto. Também constataram a presença das danças fora de contextos rituais de iniciação, no entanto, sempre ligadas a momentos marcados pelo domínio do religioso “dança-se sempre em intenção de qualquer coisa” (idem, ibidem).

Na ilha Formosa assistiram a alguns momentos de uma cerimónia fúnebre (choro e interrogação do morto) e assistiram à participação dos camabi71 com uma postura trapalhona e divertida, simulando um combate empunhando espadas (n.º 1792: 35).

Em nenhum momento é referida a recolha de objetos feita por Victor Bandeira e o único momento em que estes são mencionados é a propósito de uma história ligada à produção de uma esteira que se encontra no Museu de Etnologia do Ultramar. A mulher que a elaborou reproduziu nela uma imagem estilizada de uma lança72 em homenagem ao marido que em virtude da sua iniciação e da consequente aquisição de um novo estatuto teve de abandonar a relação que mantinham (idem, ibidem)73.

Este artigo apresenta-se não apenas como uma janela sobre o modo de vida nas ilhas em 1972, e de muitos aspetos ligados aos contextos que se relacionam com os objetos que se encontram no museu, mas também como uma revelação de algumas circunstâncias que rodearam uma das viagens de Victor Bandeira ao arquipélago.

OUTRAS REPRESENTAÇÕES DOS BIJAGÓS

A partir de uma consulta no Arquivo Nacional de Imagem em Movimento (ANIM), com vista ao visionamento de filmes relacionados com o Arquipélago dos Bijagós, tomei contacto com um conjunto de seis filmes produzidos entre as décadas de 1930 e 197074. Cinco destes filmes são de produção nacional, entre os quais quatro foram realizados e produzidos pela Agência Geral do Ultramar75 e um foi produzido pela Telecine Moro; e um é de realização e produção francesa.

71 Homens que já passaram pelo fanado, são considerados adultos, mas mantêm-se ainda sujeitos a algumas

interdições dentro da aldeia. Caracterizam-se pelo despojamento no traje e a máscara que os caracteriza é a de um rosto humano.

72 Uma das insígnias utilizadas pelos n’amabi (plural de kamabi) à saída da reclusão do fanado e pelas mulheres defunto.

73 Referência ao casamento que é quebrado com a iniciação do homem. Neste caso foi vivido como um

verdadeiro luto.

74 Imagens de Portugal. Portugal: Agência Geral das Colónias, 1965, 10’ [VHS]; FRAGA, Augusto – Terra Ardente. Portugal: Agência Geral do Ultramar, 20’ [VHS]; LEDUC, Jean – Le Portugal d’Outre Mer dans le Monde d’Aujourd Hui. França: Les Films de l’Oliver, 1971, 52’ [VHS]; MARQUES, Carlos - Guiné 1974. Portugal:

Telecine Moro, 15’ [película]; RIBEIRO, António Lopes Ribeiro – Guiné. Berço do Império 1446-1946. Portugal: Agência Geral do Ultramar, 1946, 18’ [VHS]; SAN PAYO - I Cruzeiro de férias às colónias do Ocidente. Portugal: Agência Geral das Colónias,1946, 71’ [VHS].

Não é minha intenção caracterizar aqui os contextos políticos e ideológicos subjacentes a esta produção cinematográfica76, apesar de esta não lhes ser alheia, antes pelo contrário. Os filmes portugueses que pude ver foram claramente produzidos enquanto instrumento de propaganda política, à semelhança do que era feito noutros regimes totalitários da altura (TONDELA, 2010).

A minha intenção aqui é a de destacar a forma estereotipada como os Bijagós se encontram representados neste filmes77 e sugerir uma possível influência da imagem que na época se criou deles, na determinação da recolha de alguns elementos materiais no arquipélago por alguns adquirentes do MNE.

Num registo de documentário, estes filmes pretendiam ser um retrato fiel da realidade que se vivia nas colónias portuguesas, contribuindo para a efabulação de um território pacífico, no qual coexistiam grupos culturais muito distintos, com práticas muito diversas entre si e das existentes em Portugal continental, e cujo exotismo o governo português respeitava (VIEIRA, 2010).

Contudo, os principais textos dos autores já referidos nos quais me baseei para o conhecimento dos contextos culturais do Arquipélago dos Bijagós, apresentam uma perspetiva bem diferente daquela, referindo os efeitos da ação autoritária da administração portuguesa na alteração ou até mesmo anulação de algumas características da cultura bijagó. Por exemplo, Danielle Gallois Duquette enuncia algumas proibições instituídas pelos chefes de posto, como a proibição do uso de alguns trajes tradicionais, da dança nas aldeias e interferência nos períodos iniciáticos de reclusão (DUQUETTE, 1983: 21).

Apesar disso, nestes filmes os diferentes grupos culturais são apresentados nos seus trajes e práticas com os quais os pretendem caracterizar, enfatizando o seu lado primitivo, contribuindo assim para enaltecer a eficácia da ação colonizadora portuguesa sobre eles. Em vários textos os Bijagós têm sido apresentados como um exemplo do último reduto de

76 TONDELA, Nelson – O filme realista na Missão Cinegráfica às colónias de África. [Em linha] FCSH-UNL, 2010.

Dissertação para a obtenção do grau de mestre em Ciências da Comunicação, Cinema e Televisão. [consult. em 27 de Abril de 2013] Disponível em

http://run.unl.pt/bitstream/10362/7303/1/A%20Miss%C3%A3o%20Cinegr%C3%A1fica%20- %20Nelson%20Tondela.pdf; VIEIRA, Patrícia – “O império como fetiche no Estado Novo: Feitiço do Império e o sortilégio colonial”. P: Portuguese Cultural Studies. [Em linha] N.º20, 2010. [consult. em 27 de Abril de 2013]. Disponível em http://www2.let.uu.nl/solis/psc/P/PVOLUMETHREEPAPERS/VIEIRA-P3.pdf.

resistência à dominação portuguesa78, facto este que parece querer-se desmistificar pela presença de Bijagós nestas imagens.

As situações de apresentação dos Bijagós são invariavelmente os momentos de dança dos n’aro e as suas exibições com as máscaras vaca-bruto, tanto no arquipélago, como fora dele, e em circunstâncias exclusivamente preparadas e controladas pelos portugueses. No caso do filme Imagens de Portugal, Bijagós desembarcam juntamente com Fulas no Cais da Rocha e são identificados pela voz off como provenientes de ranchos folclóricos da Guiné, sendo reconhecidos por alguns dos seus adornos de braço. No I Cruzeiro de Férias às Colónias do Ocidente Bijagós dançam em Bolama quando da chegada dos excursionistas que partiram de Lisboa num cruzeiro organizado pelo governo de Portugal, com o intuito de dar a conhecer à juventude portuguesa os vários domínios do território ultramarino português.

Um outro aspeto que é enfatizado no filme Terra Ardente e que com ele se pretende caracterizar os Bijagós é a sua produção de artesanato, com uma sequência de objetos esculpidos em madeira clara tidos como característicos deste grupo, nomeadamente, uma miniatura de canoa com vários remadores, idêntica a uma recolhida por Fernando Rogado Quintino.

A ideia que pretendo aqui sugerir é a da influência deste tipo de representação dos Bijagós, na eleição de certos objetos na recolha que certos coletores do MNE fizeram. Vejam-se os objetos de artesanato adquiridos por Fernando Rogado Quintino, cuja aquisição foi muitas vezes mediada pela administração local. No caso de Victor Bandeira, foi precisamente uma fotografia de uma visita oficial ao arquipélago numa revista, na qual se apresentavam Bijagós a dançar, que chamou a atenção para este da existência das máscaras hipopótamo79, levando-o também à procura delas e adquirindo aquela que existe na coleção do MNE.

Neste capítulo ilustro como outros discursos para além dos objetos e da documentação existente no museu trouxeram contributos relevantes não apenas para compreender melhor as circunstâncias da sua aquisição, como também para caracterizar a proveniência cultural e social desta coleção.

78 “Uma sociedade que, no ciclo evolutivo da civilização, atravessa ainda a fase da incultura, estacionária quanto ao progresso material e espiritual e em que o influxo civilizador encontra fortes barreiras e obstáculos à infiltração” (MOREIRA, 1946:

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