• Nenhum resultado encontrado

Capítulo 2 A humanidade e a humilhação de C risto

2. Para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos

No “concilio da graça divina” sobre a redençáo do homem, o principal desígnio da encarnação foi proporcionar Cristo como uma oferta propiciatória pela redençáo da humanidade [E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo (1 Jo 2.2)]. Assim, tanto o nascimento quanto a morte de Jesus foram miraculosos, tendo sido o nascimento de Jesus algo inusitado (nasceu de uma virgem; foi gerado pelo Espírito Santo) por causa do Ofertante vicário e de Sua oferta.

Voltando à questão da morte, provar a morte, como já vimos, é uma declaração mais forte do que simplesmente morrer, pois contém a ideia de submeter-se conscientemente a toda a terrível dor da morte e, no caso de nosso Senhor, à humilhação e ao opróbrio da morte na cruz.

Como a expressão analisada anteriormente, sofrimento da morte diz-nos o que foi feito por nós para remover o obstáculo que impedia o homem de alcançar a glória prometida a ele por Deus (Hb 2.7). Aqui, o escritor da Epístola nos diz como isto se realizou: Jesus experimentou a morte por todos. Provou a morte não apenas sorvendo um pouco o conteúdo do cálice, mas bebendo-o até a última gota.

As palavras hyperpantos (Úticq navxóç), por todos, tornam claro que esta morte vicária de Jesus foi em benefício de todos os membros da decaída raça de Adão.

Ebrard observou que a palavra hyper, conforme é usada em Hebreus 2.9, não deve ser traduzida como em lugar de ou em vez de, mas como em favor de. Esta universalidade está expressa no indefinido singular por todo

homem (ara), e a tradução Almeida Revista e Corrigida omite a palavra homem {provasse a morte por todos), como no texto grego.

Uma vez que, em Hebreus 2.8, o autor deu ênfase a ta panta (xa 7távxa), todas as coisas, no versícuo 9 encontramos todas as coisas reconciliadas, isto é, Jesus provou a morte por todos e por todas as coisas, incluindo os anjos. Embora eles não necessitassem.

de expiaçáo, desfrutam, em contemplação reverente, os resultados da morte de Jesus e regozijam-se por todo pecador que se arrepende.

O Ca p i t ã o d a n o s s a s a l v a ç ã o

[Na versão inglesa da Bíblia, a KingJames (KJ)] Jesus é chamado de o Capitão da nossa salvação, porque Ele marcha à nossa frente não somente como Líder5, mas também como Conquistador. Segundo Hebreus 2.10, porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse, pelas aflições, o Príncipe da salvação deles. [Na versão bíblica em língua portuguesa, a a r c, a palavra

Capitão foi substituída por Príncipe, e, na a r a, por Autor da Salvação O vocábulo porque liga este versículo à ideia expressa no versículo anterior, a morte de Cristo, que nos deu livre acesso ao Pai e tornou Jesus o nosso Capitão e Líder.

A palavra eprepen (in Q tn ev), convinha, era conveniente, ex­ pressa o que Deus faz como algo que lhe convém, que lhe é próprio. Neste caso, o autor da Epístola apresenta o sofrimento e a morte de Jesus como algo necessário para salvar os homens, realizando-se mediante a graça de Deus, e não pela Sua ira.

Embora Deus seja soberano, afirma-se, neste ponto, que o único caminho para assegurar a glória do homem era o sofrimento e a morte de Cristo. Uma explicação adicional do que convinha a Deus [fazer por intermédio de Cristo] reside nisto: (1) o que foi operado pela morte de Jesus: trazendo muitos filhos à glória-, e (2) a maneira como se fez, ou seja, por meio dos sofrimentos e da morte de Cristo. Em vez, porém, de dizer que Jesus foi coroado de glória, diz-se que Ele conduz muitos filhos à glória; e, em lugar de falar da morte de Cristo, fala-se dele como sendo aperfeiçoado por meio de sofrimentos.

Cristo é, ao mesmo tempo, o Fim ou Propósito de nossa vida e a Causa eficiente pela qual todas as coisas se realizam. Andrew Murray diz que isto se resume a um princípio de viver santo de amplo alcance, embora simples: “Tudo para Deus” e “tudo mediante Deus”.

Porque, assim o que santifica como os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos, dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação. E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim e aos filhos que Deus me deu.

* Hebreus 2.11-13 Quanto aos versículos acima, o autor continua a sua análise sob uma terminologia diferente. O Capitáo da nossa salvação se torna Aquele que santifica, e os muitos filhos conduzidos à glória são os santificados.

Os particípios presentes hagiazon (óyiáÇaw) e hagiazomenos (áYiaCó^evoç), usados com os artigos, tomam-se substantivos, daí o que santifica (Santificante) e os que são santificados, sendo designadas estas par­ tes pelas suas posições relativas. E muito evidente, portanto, que Aquele que conduz muitos filhos à glória o faça santificando-os, e que o único caminho, para os filhos de Deus, até a glória é mediante a santificação.

John Owen, um antigo escritor, diz:

j ---

Que ninguém se engane, a santificação é requisito indispensável àqueles que se colocarem sob a direçáo do Senhor Jesus Cristo para a salvação. Ele não conduzirá ao céu senão aqueles que santificar na terra. O Deus santo não receberá pessoas ímpias; esta Cabeça viva não admitirá membros mortos, nem os levará à posse de uma glória que não amam e da qual não gostam. (Ow e n, An exposition ofthe Epistle to the Hebrews, p. 28)

--- r

Devemos compreender o termo santificação, conforme é usado aqui, no seu sentido fundamental, como a separação de uma coisa ou pessoa do uso comum, para consagrá-la ao santo, tal como convém à natureza de Deus e do Seu serviço.

A palavra koinon (kolvóv), comum, significa o que pertence a qualquer um; hagios (áyioç), santo, significa o que pertence somente a Deus. A pessoa santa é aquela que épossuída por Deus e, depois de ter sido purificada de todo o pecado e de toda a injustiça, torna-se intei­ ramente devotada a Ele.