A I. Introdução, expõe, num primeiro momento, a motivação pessoal bem como a problemática que estiveram na génese
II. Para um conhecimento sobre cinema e cartazes constitui o
estado da arte relativamente à temática abordada. Entendeu-se que seria lógica a sua divisão em duas componentes, introduzidas por uma contextualização inicial. A Parte I debruça-se sobre a realidade portuguesa, procurando perceber que contributos existem, do campo do cinema e do design, relativamente ao cartaz de cinema português. Já a Parte II constitui quase um prelúdio do capítulo seguinte, ao apresentar a realidade internacional relativamente a publicações que exploram este tema e, posteriormente, cinco exemplos de visualidade no design editorial, que representam um quadro de inspirações e, até certo ponto, intenções, sobre como seria possível dinamizar, ao nível gráfico e editorial, a história que se pretende contar.
O capítulo III. 100 anos de design no cartaz de cinema
português: 1912 - 2012 desdobra-se em três momentos: o
primeiro é fruto das entrevistas realizadas aos designers Henrique Cayatte, Judite Cília, Luís Alegre e Joana Linda, que permitiram uma compreensão acerca da evolução do cartaz de cinema português, e da própria experiância de ir ao cinema, bem como um insight relativamente ao panorama actual do mesmo. O o segundo sub-capítulo decorre, precisamente, da entrevista realizada a Henrique Cayatte e de uma conversa informal, off the record, com o professor e designer João Nunes, sendo que ambos trouxeram a esta investigação uma perspetiva mais abrangente, manifestada nas declinações do próprio cartaz de cinema e na forma como estas, até certo ponto, o complementavam ou dele derivavam, há algumas décadas atrás. Consequentemente, para além de um olhar sobre o passado, também o presente e o futuro dessas declinações são objeto de reflexão. Por último é apresentado o projecto editorial 100 anos de design no cartaz de cinema português: 1912 - 2012 e explicada a sua construção em termos de conteúdos e ao nível do design editorial.
100 anos de design no cartaz de cinema português: 1912 - 2012
O quarto e último capítulo, IV. Conclusão, divide-se entre um balanço global acerca das elações que podem ser retiradas do projecto de investigação e das respostas encontradas para as questões levantadas na Introdução, e ainda o apontar de possíveis novas rotas de investigação que visem aprofundar e complementar o estudo aqui iniciado, antevendo sucintamente quais poderiam ser as próximas etapas relativamente a esta investigação, no próximo ciclo de estudos.
Contextualização
Para uma análise do estado da arte dedicado ao cartaz de cinema português entendeu-se que seria lógico a divisão dos documentos consultados em duas partes.
A Parte I oferece uma panorâmica relativamente à realidade nacional ao abordar documentos sobre cinema português e
documentos sobre o cartaz de cinema português, enumerando
algumas das investigações realizadas ao nível do design gráfico e do cartaz, mas focando-se nas que abordam diretamente o cartaz de cinema, as únicas alvo de uma análise mais profunda, visto estarem intrinsecamente ligadas ao tema que a presente investigação aborda.
Já a Parte II procura olhar para além da realidade portuguesa, procurando em documentos internacionais sobre cartaz de
cinema abordagens relativas à apresentação de cartazes da
sétima arte, em termos de narrativa visual e histórica. Finalmente são apresentados exemplos de visualidade no design editorial, que funcionaram como referências/guias de como se poderia dinamizar o projeto editorial da presente investigação. As publicações apresentadas nesta reta-final do estado da arte servem como “ponte de contacto” entre o que existe (fora da área do cinema e do cartaz de cinema) e a componente prática do presente projeto, que a elas foi beber inspiração. Os recursos
2.1.
empregues ao nível do design editorial fazem destes exemplos “bons exemplos” no que toca a uma mediação entre o conteúdo e a forma/suporte em que ele é comunicado.
A dimensão editorial das publicações (capa, layout, acabamentos de impressão) foi também levada em atenção e analisada, de maneira a aferir quais as características recorrentes nas obras onde os cartazes de cinema aparecem reproduzidos. Esta análise dos suportes físicos foi pertinente uma vez que se declina na componente prática do projeto, concretizada num suporte editorial que comunica a informação recolhida acerca da evolução do cartaz de cinema em Portugal, ao longo do último século. A abordagem e análise dessas publicações consistiu na apresentação da imagem de capa e de páginas do miolo, de maneira a exemplificar visualmente como são as mesmas e a diversidade, ou falta dela, encontrada. O critério para a seleção das obras e a sua análise
prendeu-se com a importância que representaram
no contexto do atual projeto, de acordo com a experiência e perceção adquiridas durante o processo de investigação. Neste sentido, as publicações mais recentes, por abarcarem um período temporal mais lato e apresentarem uma abordagem mais global da história do cinema português e do cartaz de cinema (nacional e internacional), foram, regra geral, alvo de um estudo mais aprofundado. Sendo as publicações mais recentes, são também as que se encontram mais acessíveis ao grande público, sendo ainda relativamente fácil a sua aquisição em livrarias físicas ou on-line.
A experiência e perceção próprias ditaram, também, a maior ou menor minúcia na análise das publicações. Isto fez com que uma obra mais extensa possa ter sido resumida de forma mais sucinta, e outra, mais curta, mas com uma abordagem ou conteúdos que ao autor pareceram mais pertinentes, tenha sido alvo de uma análise mais demorada e detalhada. Não sendo possível analisar todas as obras encontradas procurou-se, pelo menos, referenciá-las aquando da conclusão de cada sub-capítulo, de forma a complementar a informação apresentada, bem como as respectivas referências bibliográficas.
Ao nível do cartaz de cinema poder-se-ia redigir um estado da arte vastíssimo. O critério para uma mostra de cartazes ou uma investigação na área do cartaz de cinema, onde o projeto de design poderá ser abordado de uma forma mais aprofundada 100 anos de design no cartaz de cinema português: 1912 - 2012
ou superficial, assenta, geralmente, num determinado período cronológico, num género de filmes, num país, num realizador, num movimento cinematográfico, num designer particularmente prolífico. No que diz respeito à realidade portuguesa, procurou perceber-se se as publicações existentes na área do cinema e na área do design conseguem documentar a história deste artefacto e a sua evolução ao longo das décadas.