• Nenhum resultado encontrado

2 VOZES QUE ECOAM DAS RUAS: A CIDADE E O DIREITO FORJADOS NAS

2.2 PARADOXOS DA CIDADE NA MODERNIDADE “ACOLHEDORA”

Se por um lado a cidade tem se mostrado um espaço de segurança e usufruto de oportunidades econômicas, culturais, de lazer e trabalho, por outro ela tem se revestido de tensões e riscos para quem decide habitá-la, principalmente para aqueles segmentos sociais de menor poder aquisitivo, que não podem comprar no mercado os bens e serviços não disponibilizados através das políticas públicas de caráter social (saúde, educação, moradia e transporte, entre outros).

Por isso, vou abordar, neste item, algumas contradições presentes no espaço urbano, com foco para a interseção das questões de segurança, da moradia e do transporte, que estiveram tão presentes no Movimento Pau de Arara. O objetivo dessa abordagem é demonstrar o fato de que a cidade possui desafios a serem superados através da reação dos afetados, em face da histórica omissão do poder público.

A proposta é discorrer sobre as questões da cidade segundo a linha tradicional e confrontá-las a partir da visão crítica. Desse confronto, espero destacar as carências e os desafios postos no modelo de sociedade atual, com ênfase nos elementos da chamada crise urbana. Em certa medida, ao analisar as contradições e as externalidades do modelo urbanizado de sociedade, tenho a pretensão de encetar um conteúdo para o direito à cidade, o que farei mais à frente.

Busco em Ermínia Maricato uma primeira grande contradição: a oposição entre os benefícios do processo de urbanização e os indicadores sociais negativos. Ela aponta que a rede pública de água, as campanhas de vacinação, o apoio às restantes, acesso aos antibióticos, entre outros fatores, “[...] são mais acessíveis em meio urbano”, reduzindo as taxas de mortalidade infantil e aumentando a esperança de vida ao nascer. Em contrapartida, fatores como desemprego, trabalho informal e pobreza nas áreas urbanas levam às externalidades negativas: concentração de renda, desigualdade social, violência, predação urbana e ambiental, poluição do ar e da água, aumento de epidemia, entre outros214.

Mas, há mais paradoxos. Um deles aqui diz respeito à segurança pessoal e patrimonial, uma das necessidades humanas mais demandadas à cidade e, de modo curioso, hoje tem se transformado num importante fator de segregação social. Se na Europa medieval as cidades eram cercadas por muros, torres, fossos e pontes

214 MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013, p. 29-30.

levadiças215, como forma de proteção contra as ameaças externas, na cultura urbana contemporânea aparecem os enclaves fortificados216, ilustrados pelos condomínios residenciais fechados, protegidos por muros, cercas elétricas e segurança eletrônica e/ou humana, além de senhas individualizadas de acesso, que representam verdadeiras cidades privadas.

São, portanto, estruturas projetadas com o objetivo de poupar os proprietários/condôminos das agruras decorrentes da criminalidade quotidiana, que campeia do lado de fora. Num cenário desses, para aquelas pessoas que não podem usufruir dos espaços protegidos não resta muita escolha senão acostumar-se com a violência, conformando-se com o destino traçado, ou então se indignar e entrar na luta política com vistas a superá-los.

Mas, se há toda uma preocupação com a segurança no âmbito domiciliar, o fenômeno se repete no espaço aberto. Em geral, a violência urbana corresponde às ações do narcotráfico, homicídios, agressões físicas e morais, acidentes de trânsito, furtos, roubos, entre outros. Cito, por exemplo, a constatação de Raquel Rolnik sobre a penetração do narcotráfico, que inclusive potencializa o estigma das favelas como lugares de crime e de criminosos217.

Na sociedade “moderna” esse debate pode assumir outro contorno, não menos dramático. A cidade em si não seria violenta. Em verdade, o processo de urbanização formatado pelo paradigma capitalista, especulativo e segregacionista, é que se mostra agressivo ao bem-estar das pessoas.

A propósito, essa é a ótica de Renata Alves Sampaio, para quem esse processo é capitalista porque se realiza na história para servir à reprodução do capital e para fins de acumulação deste. E mais, a cisão entre proprietário e não proprietário, intrínseca ao capitalismo, leva ao domínio de alguns sobre a posse da terra urbana, que passa a integrar o circuito da troca, fragmentando-se e se precificando como mercadoria desigualmente acessível. Esse fenômeno acarreta a expropriação de parcela significativa da população e gera danos sociais, econômicos e políticos, como a segregação socioespacial, bem representada pela favelização218.

215 VICENTINO, Cláudio. História geral. São Paulo: Scipione, 1997.

216 ROLNIK, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.

217 ROLNIK, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.

218 SAMPAIO, Renata Alves. A violência do processo de urbanização. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. Crise urbana. São Paulo: Contexto, 2015.

Eis o drama da crise urbana. Na expressão de Ermínia Maricato, o modelo de urbanização no Brasil potencializou algumas catástrofes. Uma representação delas está na criação dos assentamentos precários e, sobremaneira, na construção ilegal, sem regulação estatal e despida dos recursos técnicos e financeiros, com uso de técnicas arcaicas e fora do mercado formal. O processo de urbanização representa uma verdadeira máquina de produzir favelas e agredir o meio ambiente, sentencia Maricato219.

Ainda sobre essa contradição, preciso falar da assimetria entre as estruturais urbanas das cidades modernas, afetando a qualidade da moradia. Nelas, existem os espaços estruturados que convivem com as zonas “selvagens”. Pesquisa da ONU alerta que, caso não haja ideias para enfrentar a rápida urbanização, em 2050 o mundo terá 3 bilhões de pessoas vivendo em favelas220. E essas ideias passam pelo desenvolvimento sustentável das zonas urbanas, o que exige a integração, coordenação e investimentos para resolver as questões de uso da terra, combate à fome e desnutrição, criação de emprego, infraestrutura de transporte e conservação da biodiversidade221.

Esses preocupantes cenários sinalizam bem a irônica “modernidade acolhedora” da sociedade mundial contemporânea. Para Zygmunt Bauman duas características demarcam essa modernidade atual: a) o colapso da ilusão moderna de que a sociedade caminha para o estado de perfeição, com predomínio da bondade, da justiça, da ausência de conflitos, do firme equilíbrio entre oferta e procura; b) a autoafirmação do indivíduo, com foco na busca pela própria felicidade e o modo de vida adequado222.

Antes, porém, de abordar esses elementos apontados por Bauman, é oportuno contextualizar a própria “modernidade”, na perspectiva de superação à “pré-

219 MARICATO, Ermínia. Brasil, cidades: alternativas para a crise urbana. 7 ed. Petrópolis: Vozes, 2013. 220 Conforme se afirmará adiante, favelas são áreas caracterizadas pelo excesso populacional, habitações pobres ou informais, acesso inadequado a água potável e a condições sanitárias, além de insegurança da posse em relação à moradia.

221 ONU-BRASIL. ONU: 3 bilhões de pessoas viverão em favelas em 2050 se mundo não enfrentar rápida urbanização. 2013. Disponível em: <https://nacoesunidas.org/onu-3-bilhoes-de-pessoas- viverao-em-favelas-em-2050-se-mundo-nao-enfrentar-rapida-urbanizacao/> Acesso: 31 ago. 2017. No estudo da ONU, a cidade de Curitiba é apontada como referência para o desenvolvimento sustentável. Um dos fatores é o serviço de transporte urbano de alta qualidade na superfície, considerado mais barato, mais rápido, reduzindo engarrafamentos, o uso do combustível e as emissões de carbono. 222 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.

modernidade”, na linha teórica proposta por Menelick de Carvalho Neto. Ele faz uma categorização dessas fases ou momentos históricos da seguinte forma.

Na pré-modernidade (Antiguidade e Idade Média), o Direito era um conteúdo vindo de alguém superior, que emanava de legislações, costumes, tradições e usos locais, marcado pelo casuístico e pela individualidade, sem viés de abstração e generalidade. Servia para consagrar os privilégios de casta. Notabiliza-se o Direito, de tal modo, numa indissociabilidade entre religião, direito, moral, tradição e costumes. Somente com a modernidade surge a percepção de sistema normativo de regras gerais e abstratas, válidas universalmente para todos os membros da sociedade determinada (Estado Nacional) e vinculante inclusive em relação ao Estado223.

Mas, o próprio termo “modernidade” é polissêmico, assumindo significação diferente a depender da epistemologia adotada. Na visão do Norte (de domínio europeu-estadunidense) o termo denota a superação do atraso nos campos filosófico, ontológico, histórico, social, político, econômico e cultural, como ilustra o seguinte quadro, elaborado a partir dos apontamentos de Enzo Bello224:

MODERNO ATRASADO

razão/racionalidade Misticismos

antropocentrismo Teocentrismo

Iluminismo Medievo

Individualismo Coletivismo

Estado-Nação Estado Absolutista

Capitalismo Feudalismo

223 CARVALHO NETO, Menelick de. A hermenêutica constitucional sob o paradigma do Estado Democrático de Direito. In: Notícias do direito brasileiro. Nº 06. Brasília: UnB, 1998. No texto, Menelick aponta ainda os outros dois paradigmas hermenêuticos da modernidade. O paradigma do Estado Social, com ênfase nos direitos coletivos e sociais, numa sociedade carente de acesso à educação, à saúde e à previdência. É o momento das análises teleológicas, sistêmicas e históricas, capazes de emancipar o sentido da norma, a vontade objetiva da lei. Isso tudo em contraposição à atividade mecânica do juiz e à vontade subjetiva do legislador, típicas do estágio anterior. E o paradigma do Estado Democrático de Direito, quando o Direito passa a ser participativo, pluralista e aberto. Aqui, o padrão hermenêutico avoca o Poder Judiciário para a centralidade da interpretação e aplicação (concretização) do Direito. Assim, o juiz precisa de sensibilidade para interpretar os fatos, aplicando o Direito diante do caso a ser julgado, satisfazendo tanto à legalidade (segurança jurídica) e quanto ao sentimento de justiça, que deflui da adequabilidade do julgado às particularidades do caso concreto. 224 Cf. BELLO, Enzo. O pensamento descolonial e o modelo de cidadania do novo constitucionalismo latino-americano. 2015. Revista de Estudos Constitucionais, Hermenêutica e Teoria do Direito. São Leopoldo, nº 7, v. 1, janeiro-abril 2015, p. 49-61.

Já na perspectiva do Sul, essa modernidade pode ser vista como instrumento de um discurso justificador da superioridade da Europa colonizadora sobre as populações colonizadas, culminando na quase extinção cultural dos povos latino- americanos, tanto pela dizimação direta quanto pelo encobrimento (ocultação)225.

Com o ingresso da sociedade mundial na modernidade, ainda que nessa visão europeia, era esperada a universalização de direitos e a supressão dos privilégios de casta. Todavia, marcantes contradições sociais e desafios políticos importantes se impuseram, a demandarem da civilização atual pelo menos duas coisas: refletir profundamente sobre o próprio estilo de vida e tomar consciência de que a superação das dificuldades diárias é também da sua responsabilidade.

Esse é o contexto da modernidade líquida. Para ilustrá-la, Bauman trabalha com algumas situações do cotidiano, inclusive de notável relação com a cidade, como os riscos e temores da vida urbana, a angústia dos consumidores diante da excessiva oferta e a contínua preocupação com a saúde humana. No que se refere aos riscos e medos vivenciados no ambiente urbano, Bauman assevera que se vive “[...] um tempo de cadeados, cercas de arame farpado, ronda dos bairros e vigilantes”226.

Outro aspecto que marca a modernidade atual – fluida ou líquida, na linguagem de Bauman – é a sociedade de consumo. Nela, os consumidores se afligem diante do excesso de ofertas e de opções. Esse cenário de oportunidades apetitosas e atraentes, em que poucas coisas são predeterminadas, irrevogáveis e petrificadas, o exagerado volume de produtos e serviços torna os consumidores continuamente ansiosos e deprimidos227.

Por fim, a problemática da saúde humana e o chamado regime saudável de vida também demonstram a fluidez das relações sociais hodiernas. Segundo Bauman, a saúde humana é a condição corporal e psíquica a permitir o exercício dos diversos papeis sociais (trabalho, lazer e família, entre outros) e que se tornou fluida na sociedade de infinitas e indefinidas possibilidades. O que antes era considerado normal passa a ser preocupante e às vezes patológico, a demandar um remédio. A busca pela saúde clama por vigilância incessante. Ademais, altera-se o conceito de

225 DUSSEL, Enrique. 1492: o encobrimento do outro: a origem do mito da modernidade: conferência de Frankfurt. Tradução: Jaime A. Clasen. Petrópolis-RJ: Vozes, 1993.

226 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeior: Jorge Zahar, 2001, p. 48.

227 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeior: Jorge Zahar, 2001.

regime saudável de vida, mudam as concepções sobre os benefícios e malefícios dos alimentos, das terapias e das intervenções médicas. Noutras palavras, “[...] o cuidado com a saúde [...] torna-se [...] contínuo, fadado à insatisfação permanente, incerto quanto à adequação [...] e gerando muita ansiedade”, conclui Bauman228.

É nessa modernidade “acolhedora” que se instala a crise urbana no Brasil. Raquel Rolnik enfatiza, por exemplo, a questão habitacional e o surgimento das favelas, fruto do modelo de autoconstrução em loteamentos precários nas periferias e a ocupação de terrenos vazios (públicos e privados)229. Aliás, as favelas constituem o cenário que melhor representa o teatro dos paradoxos urbanos.

Elas materializam a falta de planejamento da cidade, principalmente diante do rápido crescimento urbano e do insuficiente estoque de residências, levando as pessoas a construírem as próprias moradias, ao seu tempo, modo e condições (tijolo aparente, palha, plástico, restos de madeiras).

Hoje elas são concebidas como áreas caracterizadas pelo excesso populacional, habitações pobres ou informais, acesso inadequado a água potável e a condições sanitárias, além de insegurança da posse em relação à moradia, embora já tenham sido pejorativamente associadas a lugares de habitações dilapidadas, excesso de população, doença, pobreza e vício, consoante lembra Davis230. Indo além dessa dimensão físico-estrutural, elas podem ser explicadas também como lugares de expurgo econômico e social, destinados àquelas pessoas que não dispõem de renda para terem acesso à terra urbana e à moradia digna. Mesmo assim, na era da mercantilização da cidade, as favelas têm servido ao capitalismo, por manterem uma reserva de terra para extração de renda pelo capital financeiro231.

A chamada nova periferia urbana, expressão usada por Danilo Volochko, matiza várias outras contradições da sociedade atual. De fato, nela convivem, lado a lado, os loteamentos (regulares ou não), a autoconstrução, os tradicionais conjuntos habitacionais originários da década de 1960, as favelas e os recentes condomínios fechados, tanto aqueles que são de luxo quanto as habitações populares. Nessa nova produção da periferia, o autor dá uma atenção especial à significação desses

228 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Tradução: Plínio Dentzien. Rio de Janeior: Jorge Zahar, 2001, p. 94.

229 Rolnik, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.

230 DAVIS, Mike. Planeta favela. Tradução de Beatriz Medina. São Paulo: Boitempo, 2006.

231 Rolnik, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. São Paulo: Boitempo, 2015.

condomínios residenciais fechados de caráter popular, conceituados como conjuntos massificados (horizontais ou verticalizados) de moradias com pouca metragem, construídas em terrenos distantes dos centros urbanos, com escassa infraestrutura e reduzidos equipamentos públicos no entorno. Além disso, são habitações que logo apresentam problemas estruturais, devido à rapidez na construção e à baixa qualidade dos materiais utilizados232.

Em linhas gerais, o que Danilo Volochko apresenta, como importante reflexão para a sociedade moderna, é a significação dos condomínios fechados da nova periferia, no sentido de que eles têm alterado a reprodução do cotidiano das pessoas. No caso das famílias de menor capacidade econômica, há os riscos inerentes aos financiamentos imobiliários e aos endividamentos junto ao sistema bancário, além da precarização da vida urbana, sobretudo no que se refere ao distanciamento e à necessidade de extensos e caros deslocamentos diários casa-trabalho. Os novos condomínios fechados mudam até o sentido de “rua”, que “[...] deixa ser espaço plenamente público, aberto às outras ruas do bairro e da cidade, e se transforma em um simulacro de rua, mera circulação, um espaço comum no interior de um espaço fechado”233.

Além do mais, a violência urbana, tanto no sentido exposto pela mídia (homicídios, furtos, roubos, estupros, lesões corporais) quanto no inerente ao sistema capitalista (precificação, especulação, segregação), e a precarização da moradia repercutem nos sistemas de transporte, aumento distâncias e custos, ampliando os conflitos e as angústias pela falta de solução em curso prazo.

Em vista desses fatores, a mobilidade urbana tem passado a compor as pautas reivindicatórias dos movimentos contemporâneos. Diante de tantos e tão impactantes problemas e dos grandes desafios que se apresentam à sociedade, ela própria, através dos movimentos sociais e outros coletivos, bem assim a ordem jurídica, são convocados a buscarem alternativas. É a janela de oportunidades que se abre à formação do (novo e verdadeiro) direito à cidade, objeto de análise no item seguinte, e da reinvenção da democracia, que será analisada no terceiro capítulo.

232 VOLOCHKO, Danilo. Nova produção das periferias urbanas e reprodução do cotidiano. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. Crise urbana. São Paulo: Contexto, 2015.

233 VOLOCHKO, Danilo. Nova produção das periferias urbanas e reprodução do cotidiano. In: CARLOS, Ana Fani Alessandri. Crise urbana. São Paulo: Contexto, 2015, p. 122.

2.3 DIREITO À CIDADE: ORIGEM E ATUALIDADE DO DEBATE – SERVIR AO