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Vem, para exame e parecer desta Comissão de Constituição e Justiça, o Projeto de Lei nº 155/2013, de autoria dos Excelentíssimos Deputados Adão Villaverde, Jurandir Maciel, Valdeci Oliveira, Paulo Odone, Lucas Redecker, Gerson Burmann, Vinícius Ribeiro, Frederico Antunes, Raul Carrion e Paulo Borges, que “Estabelece normas sobre Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndios nas edificações e áreas de risco de incêndio no Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências.”.

A presente proposição é fruto do trabalho da Comissão Especial de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndio no Rio Grande do Sul, presidida pelo Deputado Adão Villaverde, relatada pelo Deputado Jurandir Maciel e constituída pelos Deputados signatários e outros Parlamentares, instituída a partir do trágico acontecimento do dia 17 de janeiro de 2013, quando mais de 240 pessoas faleceram no incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria.

A partir desse fato ficou claro que a legislação atualmente em voga, com relação a prevenção e proteção a incêndios no Estado, encontra-se defasada, não somente com relação aos seus termos técnicos, mas especialmente quanto a funções, responsabilidades e competências, tanto no segmento de construção quanto da fiscalização.

Assim, foi criada a Comissão Especial no Parlamento Gaúcho, com o enfoque claro de elaborar

uma legislação atualizada para o Estado do Rio Grande do Sul, produzida de forma absolutamente técnica, clara, rigorosa e justa considerando todas as suas dimensões, conforme bem lançado na

justificativa ao Projeto.

O resultado desses 120 dias de trabalho consubstancia-se na presente proposta de legislação, sobre a qual faremos a análise de constitucionalidade, que nos cabe como membro dessa Colenda Comissão.

A princípio, cabe ressaltar que a competência relativa à matéria está atendida. Pode o Estado legislar sobre proteção à vida e o patrimônio seus e de seus cidadãos (art. 24, incisos, I, VI, VII, VIII, XII e XVI da Constituição Federal). Dessa forma, a proposta atende as competências legislativas definidas na Constituição Federal, superando qualquer obstáculo dessa ordem.

Não há o que se falar em invasão de competências municipais pela legislação estadual porque, legislando na forma do art. 24 da Constituição Federal, se estabelece hierarquia vertical das leis (Art. 24:

Compete à União, aos Estados e ao Distrito Federal legislar concorrentemente sobre: […]). Assim, há

hierarquia entre as legislações Estadual e as municipais, acarretando a irregularidade material das leis municipais que eventualmente contrariem os termos da proposta, caso aprovada. O art. 54 da proposta expressa esse entendimento.

Ressalta-se a adoção, pelos proponentes, de proposta de Lei Complementar, a qual visa, conforme parágrafo único do art. 1.º, complementar disposições constitucionais, em especial o disposto nos arts. 24 e 30 da Constituição Federal, e 130 da Constituição Estadual, devendo ser observado o quórum definido no art. 59, parágrafo único.

Quanto à competência relativa à iniciativa da produção de lei, entendo igualmente superado esse óbice. Ao Deputado é permitido legislar sobre a matéria prevista no art. 24 da Constituição Federal, por expressa permissão do art. 52, XIV, e do art. 59 da Constituição Estadual.

Em uma análise superficial, poder-se-ia apontar na proposta determinações de atribuições ao Corpo de Bombeiros da Brigada Militar, o que, em tese, poderia contrariar disposições do art. 60 da Constituição Estadual, causando o chamado “vício de origem”.

No entanto, a produção legislativa não é estanque, nem se amarra a conceituações hermenêuticas limitadoras. No caso específico da presente proposta, foram 120 dias de reuniões, estudos técnicos e sugestões de vários órgãos e entidades representativas de profissionais (CREA/RS, CAU/RS, IAB/RS, SENGE/RS, SERGS, CONFEA, OAB/RS, etc.), de setores da sociedade (Representantes da Federação Gaúcha dos Ministros Evangélicos - FEGAME; Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul - SINDUSCON/RS; Associação Cidade Baixa em Alta; Sindicato dos Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões no Estado do Rio Grande do Sul e Movimento Tradicionalista Gaúcho - MTG/RS), de Universidades (UFRGS, UFSM, UNISINOS, PUC/RS), de profissionais renomados (Engenheiro José Carlos Tomina do Comitê Brasileiro de Segurança contra Incêndios), de órgãos públicos de controle (Ministérios Públicos Federal e Estadual e Defensoria Pública), de entidades representativas dos municípios (FAMURS, SMOV/POA, AGM), do Tribunal de Justiça do Estado, e, especialmente, dos órgãos de Segurança do Estado, a Brigada Militar e o seu Corpo de Bombeiros.

Esse fato demonstra a pluralidade dos setores envolvidos na construção do projeto, que é justamente o resultado de todas essas interações. Portanto, não é o legislador que está criando, aleatoriamente, atribuições ao Poder Executivo e/ou aos seus órgãos: é a construção da própria sociedade, da qual são partes indissociáveis o Poder Executivo, o Legislativo, a Brigada Militar e o seu Corpo de Bombeiros. Sendo assim, eventual criação de atribuição é realizada pelo processo legislativo à sugestão e participação do próprio Poder Executivo, o que afasta de forma peremptória alegação de incosntitucionalidade por vício de origem.

Quanto a proposta em si, não cabe melhores considerações, pois é fruto de uma Comissão Parlamentar e às Comissões Parlamentares – e ao Plenário – cabem debates sobre seu mérito. Aqui neste Foro, cabe a mim, Relator, consertar a redação da proposta para que atenda a melhor técnica legislativa, o que é realizado com a inestimável contribuição dos demais colegas Parlamentares e ao Corpo de Bombeiros da Brigada Militar.

O projeto é sistematizado em capítulos, na seguinte ordem:

a) Capitulo I – Dos Objetivos e das Disposições Preliminares (art. 1.º a 5.º), onde constam os objetivos do projeto, seus princípios, exclusões e proibições gerais;

b) Capítulo II – Dos Conceitos e das Definições (art. 6.º), item indispensável ao intérprete da Lei, pois se trata de proposta de legislação eminentemente técnica da área de engenharia;

c) Capítulo III – Da Abrangência e da Aplicação (art. 7.º), que delimita a abrangência da legislação e sua aplicação, fazendo interface com anexos;

d) Capítulo IV – Serviço de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndio (art. 8.º). Este artigo sistematiza o Serviço de Segurança mencionado, considerando as forças atuantes na prevenção e proteção aos incêndios no Rio Grande do Sul;

e) Capítulo V – Conselho Estadual de Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndio – COESPPCI (art. 9.º), criando esse órgão deliberativo para defesa e atualização da legislação pertinente ao assunto;

f) Capítulo VI – Das Competências, Atribuições e Responsabilidades (art. 10 a 18), trazendo as disposições da Lei para os municípios e para os agentes sujeitos a sua aplicação;

g) Capítulo VII – Dos Procedimentos Administrativos (art. 19 a 27);

h) Capítulo VIII – Dos Critérios de Classificações das Edificações (art. 28 a 36), que sistematiza critérios gerais para aplicação com base nos anexos da proposta;

i) Capítulo IX – Das Medidas de Segurança contra Incêndio (art. 37), cujo elenco – não taxativo – considera as ações que devem ser tomadas para prevenção de incêndios;

j) Capítulo X – Das Exigências e da Fiscalização (art. 38 e 39); k) Capítulo XI – Das Penalidades e sua Aplicação (art. 40 a 47);

l) Capítulo XII – Do tratamento às Microempresas, às Empresas de Pequeno Porte e aos Microempreendedores Individuais (art. 48 a 50), que dão tratamento diferenciado às empresas hipossuficientes economicamente para cumprirem indistintamente as exigências da Lei; e

m) Capítulo XIII – Das Disposições Finais e Transitórias (art. 51 a 57), que estabelecem as exigências de cumprimento material e temporal da proposta.

Conforme se verifica, trata-se de um trabalho de fôlego, altamente técnico, que, se aprovado, pode significar uma nova época na história do Rio Grande do Sul, com o fim de tragédias sucessivas que martirizam nossa sociedade (como foram os fatos acontecidos, não somente na Boate Kiss, mas desde o tenebroso incêndio às Lojas Renner, passando pela tragédia da creche de Uruguaiana).

Conforme já mencionado, para atender a melhor técnica legislativa e depurar exigências dispensáveis, é necessário a aprovação de algumas emendas à proposta, o que não altera seu elevado mérito.

Ab initio, acolhemos as quatro emendas realizadas no período de pauta pelo Excelentíssimo

Deputado Jorge Pozzobom, eis que corrigem deficiências redacionais que poderiam levar até mesmo a inconstitucionalidade da proposta.

Sugerimos, também, a exclusão do parágrafo terceiro ao artigo 7.º, pois trata de matéria estranha ao projeto: ao exigir seguro de responsabilidade civil, a proposta foge da especificidade de seu tema – segurança, prevenção e proteção contra incêndios – para adentrar no tema da responsabilização por sinistro. As responsabilidades estão definidas nos art. 10 a 18 da proposta (Emenda n. 5, em anexo);

Por fim, duas sugestões chegadas a este Relator pelo Corpo de Bombeiros merecem ser recepcionadas na proposta: alterar o parágrafo primeiro do art. 38, para dar flexibilidade a atividade de fiscalização do Corpo de Bombeiros, abrindo a possibilidade de sugerir novas medidas, visando atender a novas tecnologias e casos omissos (Emenda n. 6); e a alteração do art. 56, para dar o prazo de até cinco anos para as edificações existentes adequarem-se às exigências da Lei (Emenda n. 7).

Quanto aos anexos, são tabelas de uniformidade com a Legislação Federal, atualizadas até o momento e que poderão ser objeto de modificação para sua atualização, através do trabalho do COESPPCI (art. 9.º, § 2.º).

Assim sendo, com as emendas propostas, o Projeto não encontra inconstitucionalidades ou ilegalidades, merecendo tramitação normal nesta Casa Legislativa.

Sala das Sessões, em 24 de setembro de 2013.

Deputado(a) Raul Pont,

Vice-Presidente, no exercício da Presidência. Deputado(a) Marlon Santos,

Relator(a).

Deputado(a) Frederico Antunes

Deputado(a) Giovani Feltes Deputado(a) Edson Brum Deputado(a) Raul Carrion Deputado(a) Jorge Pozzobom Deputado(a) Dr Basegio Deputado(a) Edegar Pretto Deputado(a) Ronaldo Santini

______________________________________________ COMISSÃO DE SEGURANÇA E SERVIÇOS PÚBLICOS

PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 155/2013 Processo nº 20649.01.00/13-0

Proponente: Deputado(a) Adão Villaverde + 9 Deputado(s)

Ementa: Estabelece normas sobre Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndios nas edificações e áreas de risco de incêndio no Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências.

Relator(a): Deputado(a) Gilmar Sossella Parecer: Favorável, c/Emenda(s).

PARECER 24 / 2013

Vem, para exame e parecer desta Comissão de Segurança e Serviços Públicos o Projeto de Lei nº 155/2013, de autoria dos Excelentíssimos Deputados Adão Villaverde, Jurandir Maciel, Valdeci Oliveira, Paulo Odone, Lucas Redecker, Gerson Burmann, Vinícius Ribeiro, Frederico Antunes, Raul Carrion e Paulo Borges, que “Estabelece normas sobre Segurança, Prevenção e Proteção contra Incêndios nas edificações e áreas de risco de incêndio no Estado do Rio Grande do Sul e dá outras providências”.

A proposição, em análise pela sua constitucionalidade, recebeu parecer favorável na colenda Comissão de Constituição e Justiça, relatório do Excelentíssimo Colega Deputado Marlon Santos. Agora, o PLC vem a Comissão de Segurança e Serviços Públicos para parecer sobre o mérito.

No período decorrido entre o recebimento do Projeto até hoje, tivemos a oportunidade de tomar conhecimento mais profundo sobre o tema, especialmente ao familiarizarmo-nos com os conceitos técnicos, através das inestimáveis contribuições do Corpo de Bombeiros Militares do Rio Grande do Sul – CBMRS, e dos Coordenadores Técnicos da Famurs.

A proposta é meritória, havendo significativas razões para a continuidade de seu trâmite. Primeiramente, é a resposta certa e necessária que o Parlamento deve aos cidadãos gaúchos após a tragédia do dia 27 de janeiro de 2013 em Santa Maria. Não há um setor qualquer no Estado que possa opor- se a uma legislação que previna e proteja incêndios, e a que está sendo proposta possui a envergadura necessária para alcançar essa meta. Ademais, como foi construída em conjunto com o CBMRS, possui autoaplicabilidade, deixando prazos de adaptação apenas aos demais atores envolvidos – proprietários dos imóveis e/ou promotores de eventos, e os municípios.

Quanto a estes entes federados, dedicamos uma atenção especial quanto as suas atribuições previstas na proposta. A histórica frase de Franco Montoro - “Ninguém vive na União ou no

Estado. As pessoas vivem no Município" – resume a importância de ouvir a principal entidade municipalista

neste Estado, e atender as suas demandas. Tivemos o prazer e a responsabilidade de presidir a Famurs, e hoje coordenamos a Frente Parlamentar Municipalista nesta Casa, portanto, conhecemos bem as dificuldades que os municípios gaúchos enfrentam, especialmente as de caráter econômico, pois a injusta repartição do bolo tributário acarreta a paradoxalidade do município ter mais atribuições com menos dinheiro.

Portanto, somos receptivos as sugestões apresentadas nas reuniões no dia 23 de outubro de 2013, com uma comissão de Prefeitos, o CREA e os Deputados Adão Villaverde, Jurandir Maciel e este signatário, na qual foram esclarecidos os pontos nevrálgicos que inquietavam os mandatários municipais, preocupado com as novas responsabilidades municipais e seu custeio, e do dia 31 de outubro de 2013, com o Presidente Valdir Andres e os Prefeitos de Tio Hugo, Tapejara, Jaguari e Giruá.

Também tivemos reuniões altamente produtivas com o Deputado e Engenheiro Adão Villaverde, primeiro signatário da proposição e com o Deputado Jurandir Maciel, Relator da Comissão Especial, sendo o seu relatório um instrumento indispensável para o entendimento do tema segurança, prevenção e proteção contra incêndio.

Dessas oportunidades, aproveitamos sugestões advindas de todos os interessados – Bombeiros, Engenheiros, Prefeitos – que, apresentadas neste Relatório, contribuirão significativamente para

a sua melhor aplicabilidade, em consonância com as Emendas já propostas no relatório da CCJ.

Era mais do que necessária uma revisão geral na legislação de prevenção e proteção a incêndios no Rio Grande do Sul, Infelizmente, temos uma cultura que nos impede de ver as necessidades antecipadamente. No entanto, a presente proposta é inovadora, avançada e bem distribuída sistematicamente, tanto relativo à técnica legislativa quanto às especificidades da engenharia aplicável.

Sendo assim, considerando seu alto mérito e respondidas as ressalvas que este Relator tinha quanto ao teor da proposta, é favorável nosso parecer, com a adoção das emendas aprovadas na colenda CCJ e as anexadas ao presente relatório.

Pelo exposto, o parecer é favorável, com emendas.

Palácio Farroupilha, em 14 de novembro de 2013.

Deputado(a) Nelsinho Metalúrgico, Presidente.

Deputado(a) João Fischer (Suplente) Deputado(a) Dr Basegio (Suplente) Deputado(a) Marcos Daneluz (Suplente) Deputado(a) Nelson Harter

Deputado(a) Frederico Antunes Deputado(a) Miriam Marroni

Deputado(a) Daniel Bordignon Deputado(a) Jorge Pozzobom (Favorável com Restrições)

Deputado(a) Ronaldo Santini

______________________________________________ PROJETO DE LEI COMPLEMENTAR Nº 155/2013

DECLARAÇÃO DE VOTO FAVORÁVEL COM RESTRIÇÕES(OU CONTRÁRIO) AO

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