Título da Pesquisa:Aspectos linguísticos do delírio psicótico Pesquisador: João Pedro de Souza Gati
Área Temática: Versão: 1
CAAE: 55959916.8.0000.5404
Instituição Proponente: Instituto de Estudos da Linguagem Patrocinador Principal: Financiamento Próprio
DADOS DO PARECER
Número do Parecer: 1.573.262
Apresentação do Projeto:
Síntese:este trabalho trata-se de um estudo qualitativo, descritivo e de análise linguística que não envolve intervenção clínica. A pesquisa, de natureza qualitativa, orientada pelo paradigma microgenético de análise, caracteriza-se pela busca de indícios que possam revelar o funcionamento linguístico-discursivo nos quadros de delírio. Nossas reflexões iniciais apontam que no discurso delirante parece não haver desorganização nos níveis fonético-fonológico e sintático da língua, mas uma maior recorrência de fenômenos de natureza semântico-lexical e/ou pragmático-discursiva. A pesquisa será realizada por meio de entrevistas abertas com cinco sujeitos diagnosticados com esquizofrenia. As entrevistas serão feitas na enfermaria e ambulatório de psiquiatria do Hospital de Clínicas da UNICAMP. Os convidados a participar do estudo deverão assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), que explicita os objetivos, a metodologia e as condições da pesquisa. As entrevistas com os sujeitos serão realizadas respeitando a rotina dos pacientes internados e após o retorno médico no caso das entrevistas realizadas no ambulatório. As entrevistas serão áudio-gravadas, mediante autorização expressa no TCLE, posteriormente transcritas discursivamente, adaptadas a partir das orientações do Projeto NURC (ver CASTILHO 2006, 2011) e analisadas
qualitativamente. A pesquisa qualitativa é, segundo Novaes-Pinto (2012: 59, ancorada nos trabalhos de DAMICO ET AL, 1990, dentre outros autores), "um feixe de práticas sistemáticas e interpretativas planejadas para responder a
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perguntas que se interessam por processos: como as ações e as experiências sociais são criadas e mantidas". As abordagens qualitativas são, segundo Freitas (2010), coerentes com as abordagens histórico- culturais (cf. VYGOSTKY, 1986). Para o pesquisador que adota a perspectiva sugerida por Vygotsky, os indícios são fundamentais para a avaliação da linguagem, uma vez que possibilitam uma análise de categorias formais da língua
(fonético/fonológicos, grafêmicos, lexicais, semântico-gramaticais), bem como sobre os contextos pragmático-discursivos de sua produção. A entrevista aberta consiste num instrumento que consideramos adequado para alcançar os objetivos desta pesquisa. Por ser elaborada com perguntas abertas, permite que o entrevistado responda livremente, emitindo sua própria opinião (Lakatos e Marconi, 2001). Estima-se que o tempo
da entrevista seja entre 30 e 60 minutos. Embora tenhamos tido o cuidado para formular as perguntas, de modo a evitar qualquer tipo de constrangimento ou desconforto ao participante, se isso ocorrer os sujeitos poderão se sentir à vontade para não responder ou interromper a qualquer momento sua participação no estudo. As entrevistas serão registradas em áudio com o cencentimento formal do paciente e os dados serão selecionados e transcritos para serem utilizados nesta pesquisa. Os dados relevantes para compor o banco de dados do GELEP (Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias Plataforma LATTES- CNPq) serão armazenados por tempo indeterminado e referidos apenas por siglas de forma a garantir o sigilo de identidade dos sujeitos. Frisamos, ainda, que toda nova pesquisa que for se utilizar do Banco de Dados do GELEP será submetida ao Comitê de Ética em Pesquisa.
Criterios de inclusão: Tratando-se de um estudo qualitativo, a seleção de pacientes para constituição da amostra é intencional. Dentre os critérios de inclusão estabelecidos estão: (I) Diagnóstico de esquizofrenia validado pela equipe responsável pelo paciente (ii) presença de delírio como um dos sintomas
observados (iii) ser maior de 18 anos. Critério de Exclusão:
(i) presença de outras doenças de origem neurológica que possam afetar a capacidade cognitiva do indivíduo ou de impedimentos para a entrevista
devido ao estado clínico geral (ii) discordar dos termos explícitos do TCLE e não assiná-lo.
Objetivo da Pesquisa:
Este trabalho tem como principal objetivo descrever e analisar o discurso delirante na psicose, mais especificamente em quadros de esquizofrenia. O delírio consiste num dos sintomas mais
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característicos da doença e, ao longo dos anos, já foi alvo de inúmeros estudos feitos por diversas áreas do conhecimento. Consideramos que a manifestação do delírio se dá por uma via discursiva, materializada na forma de enunciados ou narrativas (orais ou escritas), o que abre espaço para uma investigação de cunho linguístico, algo ainda pouco explorado nas pesquisas sobre esse sintoma. De
modo geral, esta pesquisa tem como foco a análise linguística do chamado “discurso delirante” na esquizofrenia, com relação tanto aos aspectos formais (fonético-fonológico, sintático, semântico-lexical), quanto aos pragmáticos e discursivos presentes nas narrativas dos sujeitos diagnosticados com a doença, de modo a compreender o que o caracteriza como inverossímil e singular.
Dentre os objetivos mais específicos, destacamos: (i) caracterizar algumas alterações de linguagem que podem constituir as manifestações delirantes, produzindo um discurso classificado como “desorganizado" e (ii) contribuir, com as reflexões deste trabalho para a compreensão das questões linguístico-cognitivas por aqueles que se interessam pela esquizofrenia e outras psicopatologias (nos âmbitos acadêmicos e clínicos), e de forma especial para as reflexões desenvolvidas no GELEP (Grupo de Estudos da Linguagem no Envelhecimento e nas Patologias), grupo no qual o pesquisador se encontra vinculado.
Avaliação dos Riscos e Benefícios:
Os riscos aos participantes são mínimos, podendo ser caraterizados como desconfortos ou
constrangimentos para responder a alguma(s) das perguntas ou tocar num assunto específico. O tempo da entrevista está previsto para durar entre 30 e 60 minutos. Embora tenhamos tido o cuidado para formular as perguntas, de modo a evitar qualquer tipo de constrangimento ou desconforto ao participante, se isso ocorrer os sujeitos poderão se sentir à vontade para não responder ou interromper sua participação na entrevista a qualquer momento
Benefícios:
O benefício da pesquisa é coletivo, e não direto e individual; ou seja, a análise dos resultados vai contribuir para uma melhor compreensão dos aspectos linguísticos das manifestações delirantes, não havendo impacto imediato sobre o sujeito.
Comentários e Considerações sobre a Pesquisa:
Esse estudo contribui para uma melhor compreensão do discurso delirante, uma vez que se debruça sobre as minúcias indiciais tanto do sistema linguístico quanto das práticas sociais de linguagem que podem, por sua vez, elucidar o seu aspecto inverossímil.
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Considerações sobre os Termos de apresentação obrigatória:
Folha de rosto, projeto detalhado, informações básicas do projeto, TCLE, atestado de matrícula, carta de autorização de dados
Recomendações:
Descrever o gênero dos pacientes na área de material e método.
Conclusões ou Pendências e Lista de Inadequações:
Sem pendências
Considerações Finais a critério do CEP:
- O sujeito de pesquisa deve receber uma via do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, na íntegra, por ele assinado (quando aplicável).
- O sujeito da pesquisa tem a liberdade de recusar-se a participar ou de retirar seu consentimento em qualquer fase da pesquisa, sem penalização alguma e sem prejuízo ao seu cuidado (quando aplicável).
- O pesquisador deve desenvolver a pesquisa conforme delineada no protocolo aprovado. Se o pesquisador considerar a descontinuação do estudo, esta deve ser justificada e somente ser realizada após análise das razões da descontinuidade pelo CEP que o aprovou. O pesquisador deve aguardar o parecer do CEP quanto à descontinuação, exceto quando perceber risco ou dano não previsto ao sujeito participante ou quando constatar a superioridade de uma estratégia diagnóstica ou terapêutica oferecida a um dos grupos da pesquisa, isto é, somente em caso de necessidade de ação imediata com intuito de proteger os participantes.
- O CEP deve ser informado de todos os efeitos adversos ou fatos relevantes que alterem o curso normal do estudo. É papel do pesquisador assegurar medidas imediatas adequadas frente a evento adverso grave ocorrido (mesmo que tenha sido em outro centro) e enviar notificação ao CEP e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA – junto com seu posicionamento.
- Eventuais modificações ou emendas ao protocolo devem ser apresentadas ao CEP de forma clara e sucinta, identificando a parte do protocolo a ser modificada e suas justificativas e aguardando a aprovação do CEP para continuidade da pesquisa. Em caso de projetos do Grupo I ou II apresentados anteriormente à ANVISA, o pesquisador ou patrocinador deve enviá-las também à
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mesma, junto com o parecer aprovatório do CEP, para serem juntadas ao protocolo inicial.
- Relatórios parciais e final devem ser apresentados ao CEP, inicialmente seis meses após a data deste parecer de aprovação e ao término do estudo.
-Lembramos que segundo a Resolução 466/2012 , item XI.2 letra e, “cabe ao pesquisador apresentar dados solicitados pelo CEP ou pela CONEP a qualquer momento”.
Este parecer foi elaborado baseado nos documentos abaixo relacionados:
Tipo Documento Arquivo Postagem Autor Situação
Informações Básicas PB_INFORMAÇÕES_BÁSICAS_DO_P 10/05/2016 Aceito
do Projeto ROJETO_681320.pdf 17:07:30
Outros Autorizacao_de_atividades_de_pesquis 10/05/2016 João Pedro de Souza Aceito
a.pdf 17:06:16 Gati
Outros Atestado_de_matricula.pdf 10/05/2016 João Pedro de Souza Aceito
17:04:30 Gati
Projeto Detalhado / Projeto_detalhado.pdf 10/05/2016 João Pedro de Souza Aceito
Brochura 17:01:28 Gati
Investigador
TCLE / Termos de Termo_de_consentimento.pdf 10/05/2016 João Pedro de Souza Aceito
Assentimento / 17:01:14 Gati
Justificativa de Ausência
Folha de Rosto Folha_de_rosto.pdf 10/05/2016 João Pedro de Souza Aceito
17:00:33 Gati
Situação do Parecer:
Aprovado
Necessita Apreciação da CONEP:
Não
CAMPINAS, 03 de Junho de 2016
Assinado por:
Renata Maria dos Santos Celeghini (Coordenador)
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