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Pareceres sobre a proposta de Lei de Bases

Capítulo 3 Expectativas institucionalizadas (Constituição e Lei de Bases do Sistema Educativo)

3.3. Pareceres sobre a proposta de Lei de Bases

Com base na nova Constituição e tendo em conta que a legislação anterior que dizia respeito à educação, tinha perdido o sentido, era importante a criação de uma nova Lei de Bases do Sistema Educativo.

Verifica-se uma demora em apresentar uma proposta para a Lei de Bases (Constituição aprovada em 1976 e a proposta só surge em 1980 sendo discutida/aprovada em 1986). Mas não podemos deixar de referir o empenho dos diferentes grupos parlamentares que apresentaram diversas propostas para a criação da LBSE. Também os sindicatos de professores, associações de pais e de estudantes perceberam a necessidade da criação de uma Lei de Bases. O Governo em funções e os diferentes grupos que compunham o parlamento foram apresentando propostas.

O Governo da Aliança Democrática apresentou a primeira proposta em abril de 1980 (proposta de lei n.º 315/I), mas que foi retomada no mesmo ano passando a designar-se proposta de lei n.º 366/I e em fevereiro de 1982 apresentou de novo a proposta n.º 86/II.

O projeto do Partido Socialista- PS foi apresentado em junho de 1980 (projeto de Lei n.º 503/I) que em abril de 1981 retomou o projeto de Lei n.º 180/II que foi rejeitado pela maioria da Aliança Democrática. Reapresentaram os seus projetos em março de 1982 (projeto de Lei n.º 285/II) e em maio de 1984 com o projeto de Lei n.º 328/III.

O projeto de Lei n.º 526/I, do Movimento Democrático Português - Comissão Democrática Eleitoral MPD/CDE, foi dado a conhecer em junho de 1980, mas foi retomado em maio do ano seguinte com o título de projeto de Lei n.º 213/II e em junho

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do 1983 apresentou o projeto de Lei n.º 170/III tendo sido discutido na generalidade mas retirado antes da votação.

Já o Partido Comunista Português PCP deu a conhecer a sua proposta em maio de 1981, projeto de Lei n.º 226/II, projeto que retomou em junho de 1983 (projeto de Lei n.º 34/III).

Foram organizadas várias sessões em todo o país para discutir estas propostas. Era visível o empenho de todos, mesmo sem cunho político.

As propostas de lei finais estavam datadas de 17 de dezembro de 1985 (PCP), 16 de janeiro (PS), 28 de janeiro (MDP/CDE), 28 de fevereiro o (PRD) e de 4 de março o (PSD) de 1986.

Esses projetos chegaram à comissão de Educação, Ciência e Cultura em datas compreendidas entre 17 de dezembro de 1985 e 12 de março de 1986.

Na reunião de 12 de março essa comissão responsável decidiu que era necessário criar uma subcomissão para ajudar, agrupando as várias propostas num só dossiê. Marcaram um debate público para ser realizado entre 15 de março e 5 de maio. A discussão e votação na generalidade foi no dia 6 de maio e a votação final teria de ocorrer até dia 15 de junho.

Os nomes que compunham essa subcomissão eram: Bártolo Paiva Campos (coordenador) e Eurico Lemos Pires ambos do PRD, do PSD eram Fernando Conceição e Manuel Vaz Freixo, a representar o PCP estariam Jorge Lemos e António Osório, do lado do PS eram Agostinho Domingues e José Fillol Guimarães, do CDS eram António Neiva Correia e Narana Coissoró e por fim do MDP/CDE seria José Manuel Tengarrinha.

Entre 25 de março e 30 de abril de 1986 a subcomissão reuniu doze vezes. Contou ainda com a participação de mais dois deputados: Vítor Crespo do PSD e António Barreto do PS.

Para levar o seu trabalho a cabo a subcomissão solicitou informações não especificadas no relatório ao Ministério da Educação e Cultura.

A subcomissão achou por bem imprimir seis mil exemplares do dossiê e enviá- los para os órgãos mais ligados à educação como: as delegações do distrito escolar, escolas preparatórias, escolas preparatórias e secundárias, estabelecimentos de ensino superior (universitário e politécnico), sindicatos, associações de pais e estudantes, governos civis, câmaras municipais, estabelecimentos de ensino particular, secretarias

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do Ministério da Educação e Cultura, jornais e revistas ligadas à educação e à Conferência Episcopal Portuguesa.

Foi feito um apelo à participação da rádio e da televisão. No dia 15 de abril, a RTP transmitiu a conferência de imprensa com a participação de todos os grupos parlamentares exceto o CDS, mas com muito pouca adesão. O coordenador Bártolo Paiva Campos leu um comunicado e de seguida os deputados dessa comissão, exceto António Neiva Correia e Narana Coissoró, responderam às questões levantadas. Como não teve o impacto esperado, a organização falou diretamente com a Antena 1, a RTP e Rádio Renascença. Apenas a Antena 1 foi transmitindo programas sobre os diversos projetos e com a participação de todos os grupos parlamentares.

De várias zonas do país chegavam convites para a presença da subcomissão em debates públicos mas devido à agenda cheia desse órgão, optaram por estar presentes nos debates de Faro, Porto, Lisboa, Coimbra, Viseu, Funchal, Angra do Heroísmo e Ponta Delgada. Alguns dos deputados parlamentares foram a muitos dos debates organizados. A participação e o empenho de todos eram essenciais para a elaboração de nova lei. A comissão via com bons olhos a participação de toda a população.

Percebia-se a necessidade de clarificar e evitar tomar medidas contraditórias. Devia ser elaborada de acordo com o consenso de todos para evitar conflitos de interesses, ou provocar alterações abruptas na política educativa. A nova Lei não respondeu a todos os problemas mas esperava-se que fornecesse os pilares fundamentais para a educação em Portugal e ajudasse a dar cumprimento ao estabelecido na Constituição.

A Lei devia abordar questões como: a gratuitidade e obrigatoriedade da escolaridade básica, alargamento da educação pré-escolar, meios para segundas oportunidades no âmbito educativo, formação contínua de professores, descentralização e regionalização da administração educativa, gestão democrática das escolas, apoios ao ensino particular e cooperativo e formas de participação ativa de associações de pais, estudantes, professores e outros agentes educativos.

As várias propostas apresentadas abordavam quase todas as questões fundamentais e deixavam uma boa base de trabalho para a tarefa da Assembleia. A elaboração de um texto síntese devia conter todas as sugestões e pareceres públicos.

Até 1985-1986 as propostas/projetos de Lei dos diferentes partidos políticos foram sofrendo alterações até que culminaram em cinco projetos de Lei: n.º 76/IV

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(PCP), n.º 100/IV (PS), n.º 116/IV (MDP/CDE), n.º 156/IV (PRD) e n.º 159/IV (PSD). A nossa análise irá centrar-se nestes últimos cinco documentos.

O projeto de Lei n.º 76/IV do PCP chegou à Comissão de Educação, Ciência e Cultura103 a 17 de dezembro de 1985. Na votação, na generalidade, foi aprovada com os votos a favor: PSD, PS, PRD, PCP, CDS, MDP/CDE, Lopes Cardoso e Maria Santos (Independente) e um voto contra: José Apolinário (PS). A votação, na especialidade, foi aprovada com dois votos contra: CDS e Borges de Carvalho (Independente), abstenção: da parte do MDP/CDE, José Apolinário e António José Seguro (PS) e a favor: PSD, PS, PRD, PCP e Maria Santos (Independente).

O projeto do PS, o projeto de Lei n.º 100/IV enviou o projeto à Comissão de Educação, Ciência e Cultura a 16 de janeiro de 1986. Em termos de votação, na generalidade, foi aprovada com apenas um voto contra: José Apolinário (PS) e a favor PSD, PS, PRD, PCP, CDS, MDP/CDE, Lopes Cardoso e Maria Santos (Independente). No que toca à votação, na especialidade, o resultado foi “aprovação” com votos contra de CDS e Borges de Carvalho (Independente), abstenção da parte do MDP/CDE, José Apolinário e António José Seguro (PS) e a favor de: PSD, PS, PRD, PCP e Maria Santos (Independente).

Seguiu-se o projeto de Lei n.º116/IV dos Independentes (MDP/CDE), com o projeto a chegar no final de janeiro (dia 28) de 1986 à Comissão. No âmbito geral, o projeto foi aprovado com os votos a favor de PSD, PS, PRD, PCP, CDS, MDP/CDE, Lopes Cardoso e Maria Santos (Independente) e a rejeição de José Apolinário. Já na votação, na especialidade, a aprovação contou com a abstenção de José Apolinário, António José Seguro (PS) e do CDS, voto contra de Borges de Carvalho (Independente) e a favor de PSD, PS, PRD, PCP e Maria Santos (Independente).

Um mês depois, 28 de fevereiro, foi entregue o projeto de Lei n.º 156/IV (PRD). Na generalidade foi aprovada, apenas com José Apolinário a votar contra. Na especialidade teve três abstenções: MDP/CDE, José Apolinário e António José Seguro (PS), dois contra: CDS e Borges de Carvalho (Independente) e cinco a favor: PSD, PS, PRD, PCP e Maria Santos (Independente).

O último projeto de Lei era do PSD, o Projeto Lei n.º 159/IV. Foi o último projeto a dar entrada a 4 de março. Quanto à votação, na generalidade, foi aprovada com

103Todos os pareceres foram emitidos pela deputada Amélia Azevedo em representação do Partido Social Democrata.

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oito votos a favor e um contra de José Apolinário (PS), mas, na especialidade, o caso mudou de figura. Os votos a favor passaram a ser cinco, a abstenção passou a ser três: MDP/CDE, José Apolinário e António José Seguro (PS) e contra estava o CDS e Borges de Carvalho (INDEP).

Todos os projetos de Lei foram discutidos na generalidade entre o dia 8 de maio de 1986 e 13 de maio de 1986 e a sua discussão foi plasmada nos Diários das Sessões nº

66, 67 e 68. A votação, na generalidade, ocorreu no dia 13 de maio. Na especialidade

foram discutidos e votados com as diversas intervenções a serem reproduzidas no

Diário das Sessões nº102, de 24 de julho de 1986.