O BNP Paribas Factor – Instituição Financeira de Crédito, S.A. foi constituído em 1987 por iniciativa do seu acionista, o BNP Paribas. Foi a terceira empresa de factoring a operar em Portugal e a primeira a fazer parte da “Factors Chain International”. Pelo facto de pertencer a um grande grupo internacional e à FCI, o BNP Paribas Factor pode intervir nos principais mercados internacionais e prestar serviços de factoring aos exportadores portugueses em mais de 82 países.
A atividade desenvolvida pela BNPPF, embora sendo uma IFIC - Instituição Financeira de Crédito, o que lhe permite deter e gerir um vasto leque de negócios, está apenas vocacionada e focalizada para o factoring.
Assim, os riscos a que a Instituição está mais exposta são os riscos de crédito e os riscos operacionais. De seguida, abordam-se estes dois principais riscos22.
1. Risco de Crédito
O risco de crédito é definido como a probabilidade de ocorrência de impactos negativos nos resultados ou no capital, devido à incapacidade de uma contraparte cumprir os seus compromissos financeiros perante a Instituição.
O risco de crédito é um risco considerado pela Instituição como relevante dado que a sua atividade depende unicamente da sua carteira de clientes e, consequentemente, do grau de cumprimento destes.
A avaliação das imparidades da carteira é efetuada em conformidade com o disposto na IAS 39 e tendo em consideração as caraterísticas específicas da sua atividade. A análise é efetuada de acordo com as seguintes abordagens:
i – Créditos com e sem indícios de imparidade – definição: são considerados créditos com indícios de imparidade, todos os créditos em que haja atrasos ou alterações da forma de pagamento habitual. Para além disto, são considerados indícios de imparidade , todas as informações externas negativas, tais como redução de limite de crédito pela seguradora, existência de incidentes, dívidas ao Fisco e à Segurança Social e moras registadas no Banco de Portugal.
ii – Análise Coletiva de Imparidade: considerando a homogeneidade da carteira de crédito (factoring), a avaliação coletiva da imparidade económica da carteira de créditos é calculada tendo por base as taxas históricas (últimos 10 anos), de entrada dos créditos em contencioso e de recuperação de créditos pelo cntencioso. Esta análise tem demonstrado que, as provisões contabilizadas são substancialmente superiores ao risco de crédito histórico (análise coletiva).
iii – Análise individual de Imparidade: sempre que sejam detetadas situações que configurem dificuldades, comportamentos inadequados, serão imediatamente considerados em vigilância e alerta (watch-list), com acompanhamento permanente e decisões adequadas para minorar ou evitar perdas. O cálculo da imparidade individual é efetuado crédito a crédito, quando existam indícios objetivos de existência de imparidade individual, entre outros, os seguintes:
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- Incidentes e Incumprimentos;
- Registo de incidentes do Banco de Portugal;
- Alertas de risco que indiciem degradação da situação da empresa ou grupo;
- Penhora de contas;
- Pedidos de insolvência;
- Dívidas ao Fisco e Segurança Social;
- Acentuado aumento da probabilidade de incumprimento;
- Contas degradadas.
De sublinhar que, o valor da imparidade do crédito é estimado com base nos fluxos de caixa esperados e estimativas do valor a recuperar. Estas estimativas são efetuadas com base em pressupostos determinados a partir da informação histórica disponível e da avaliação da situação dos clientes.
O crédito em situações de incumprimento é acompanhado pela Direção de Risco e Contencioso. Ao longo do processo, são equacionadas todas as soluções que privilegiem a regularização dos créditos de forma extrajudicial. Na impossibilidade de ressarcimento dos créditos a Instituição recorre à via judicial.
2. Risco Operacional
O Risco Operacional no universo BNP Paribas define-se como a ocorrência de impactos negativos nos resultados ou no capital, decorrentes de falhas na análise, processamento ou liquidação das operações, de fraude internas ou externas, de a atividade ser afetada devido à utilização de recursos em regime de
outsourcing, de processos de decisão internos ineficazes, de recursos humanos insuficientes ou inadequados ou da inoperacionalidade das infra-estruturas.
No que diz respeito ao BNP Paribas Factor, a gestão do risco operacional rege-se pelos princípios do Grupo BNP Paribas tendo como base um conhecimento profundo do processo de negócio, do ambiente e contexto económico, suportado de regras, metodologias e procedimentos reconhecidos.
O processo de gestão de risco operacional assenta numa meticulosa cartografia de riscos que tem por último a mitigação deste risco em específico e todos os riscos a que a entidade está sujeita face à sua tipologia de negócio.
Numa primeira fase é efetuado um levantamento de todos os eventos que de alguma forma poderiam fazer com que a entidade incorresse em risco. Baseado na metodologia Basileia II, os eventos são correlacionados com o tipo de risco ou riscos e o tipo de efeito ou efeitos.
Depois de avaliada a frequência e gravidade potencial que estes eventos teriam a nível do capital e resultados da entidade é determinado o Underlying Risk.
Através de um exaustivo e rigoroso levantamento de todos os procedimentos e controlos existentes quer de 1º quer de 2º nível que de alguma forma irão mitigar a probabilidade de ocorrência dos mesmo, é possível ter uma boa avaliação do atual sistema de controlo interno.
Por último e utilizando Dynamic Indicators, contendo os incidentes históricos têm como resultado o risco residual, risco tal que a entidade está preparada para incorrer para desempenhar a sua atividade conforme delegação do Conselho de Administração.
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O principal risco do factoring e onde existe uma grande preocupação por parte do BNP Paribas Factor é em relação ao Risco de Fraude. O serviço de factoring é um método que faz circular o dinheiro dentro do sistema financeiro e esse é um dos passos quando falamos em Branqueamento de Capitais, a circulação. Simplificadamente, a empresa de factoring transfere dinheiro de um determinado bem para uma empresa e recolhe dinheiro desse mesmo bem de outra empresa. Não é o sistema mais comum, tradicional e seguro que existe dentro do sistema financeiro e por isso, o risco de fraude está muito presente no seio das Instituições deste tipo de crédito. Além disso, o meio de pagamento utilizado, das empresas devedores para as empresas de factoring, também está muito suscetível à fraude, nomeadamente os cheques.
No caso do BNPPF, em circunstâncias de fraude, nunca verificadas, a empresa perde a totalidade do financiamento. Nestes casos, não há garantias nem seguradoras que cubram a perda, ou parte dela. Para evitar estas situações, o Banco tem vários mecanismos que permitem manter a situação do risco de fraude, controlada em parte, porque é impossível controlar este risco na totalidade. Assim, os mecanismos tomados são ao nível de controlos de 2º nível que a Organização efetua, no caso do BNPPF, esta responsabilidade é da Direção de Compliance e Controlo Permanente, nomeadamente:
i - Controlo KYC (Know Your Customer) que não é mais do que um estudo à empresa cliente, desde identificação dos gestores até aos últimos beneficiários efetivos;
ii - KYT (Know Your Transactions) que permite ao Banco fazer uma análise às transações, através de verificação da veracidade das faturas;
iv - Controlo de devedores em USD;
v - Controlo de nacionalidade de devedores.
Segundo Anderson (2007), existe um trade-off entre o custo de fraude e as medidas preventivas. É praticamente impossível que o mercado consiga acabar com a fraude totalmente, uma vez que o custo a suportar seria demasiado elevado, em termos de recursos necessários e perda de negócios.