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LISTA DE ABREVIATURAS

1. O PARLAMENTO EUROPEU: COMPOSIÇÃO E FUNCIONAMENTO

1.1. Parlamento Europeu: história e importância

Os quadros a seguir demonstram o histórico institucional do Parlamento Europeu e as fases de evolução dos partidos transnacionais.

QUADRO 1 - Breve histórico do Parlamento Europeu antes do Tratado de Lisboa

Ano Evento Observações

1951

Tratado de Paris - Comunidade Europeia de Carvão

e Aço (CECA)

A estrutura organizacional desta comunidade tinha como instituições: um Conselho de Ministros formado pelos Estados membros – ministros das relações exteriores da França, Alemanha, Luxemburgo, Itália, Bélgica e Holanda;

uma alta autoridade supranacional formada por

funcionários técnicos; uma Suprema Corte de Justiça supranacional para os litígios possíveis; e, uma Assembleia Comum, com o objetivo de buscar legitimação da população e de outros entes dos Estados membros.

1951 Assembleia Comum

A representação era proveniente dos deputados

selecionados nos Estados nacionais. Ademais, não havia eleição direta e o único poder, desta câmara, era o de sanção para com a alta autoridade, quando esta apresentasse o relatório anual. Além disso, a sanção deveria ser efetivada apenas por uma maioria qualificada. Havia seis comitês, conforme as estruturas da alta autoridade, como também uma estrutura interna com escritórios e um conjunto preliminar de regras (KREPPEL, 2002; JUDGE & EARNSHAW 2008, HIX, 1997). 1957 Tratado de Roma - Comunidade Econômica Europeia e a Comunidade de Energia Atômica.

Ambas as comunidades foram iniciativas do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo) e dos países pertencentes à CECA, os quais buscavam uma integração nas áreas de energia, paz, política social e, principalmente, econômica. A assembleia foi ampliada de 78 deputados para 142.

35 1967 Unificação das instituições das três comunidades CECA, Euratom e CEE.

O Tratado de Roma deu um novo incentivo aos parlamentares, pois obtiveram o poder de censurar à comissão não somente no relatório anual, mas a qualquer momento, apesar de permanecer o voto por maioria qualificada na aprovação da censura, e houve, também, a aprovação do procedimento de consulta em algumas políticas do bloco.

1974

Cúpula de Paris - acordo para eleições

diretas.

As eleições diretas para a Assembleia Parlamentar seriam executadas apenas em 1979 para se acomodar aos interesses da Inglaterra (1972). Além deste país, em 1972 também houve a adesão da Dinamarca e da Irlanda à Comunidade Europeia. E, com este alargamento, a assembleia passou de 142 deputados para 198 (KREPPEL, 2002).

1975 Emenda ao Tratado

de Roma.

Foram imbuídos ao PE os seguintes poderes orçamentários: aumento ou diminuição dos gastos da comunidade sem aval do conselho; redistribuição de gastos entre setores orçamentários; rejeição ou suplementação do orçamento anual; e, direito exclusivo de aprovação ou não do orçamento votado na comissão. De maneira a acordar os conflitos foi criado também um Comitê de Conciliação com número igual de membros do parlamento e do Conselho da UE, (JUDGE & EARNSHAW, 2008).

1979

Primeira eleição para Assembleia

Parlamentar

Esta ocorreu entre as datas de 7 a 10 de junho de 1979. A média de comparecimento às urnas foi de 63%, menor que

o comparecimento às urnas nos parlamentos nacionais3. O

parlamento aumentou de 198 para 410 membros.

1981 Adaptação das regras à nova quantidade de membros e países representados na Assembleia Parl.

De acordo com Judge & Earnshaw (2008), os procedimentos institucionais formais dobraram de 54 para 116. Foram incluídos nestes procedimentos os atrasos nos atos legislativos para que os deputados pudessem dar sua opinião acerca dos assuntos pertinentes. Adesão da Grécia.

1983 Declaração Solene

de 1983

A partir daqui, o conselho tinha que responder questões solicitadas pela Assembleia Parlamentar. O parlamento agora tinha o poder de esboçar propostas legislativas e

3 O índice mais baixo foi na Inglaterra com 33% e o mais alto foi na Bélgica com 91% - França – 61%, Itália

– 85%, Luxemburgo – 89%, Dinamarca – 47%, Alemanha – 65%, Irlanda - 64% e Holanda – 58% (KREPPEL, 2002).

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enviar à comissão – “own initiative report” – (JUDGE & EARNSHAW, 2008).

1985 Adesões Portugal e Espanha.

1987 Ato Único Europeu

Este implantou mudanças nas regras de votação no Conselho de Ministros, de unanimidade para maioria qualificada. A comissão assumiu o papel de implementar as decisões do bloco (HIX, 1996; 1997). A Assembleia

Parlamentar foi apoderada com o procedimento

cooperativo, o qual dava direito, em certos tópicos, deste parlamento emendar a legislação diretamente. Além disso, reconheceu o nome da Assembleia Parlamentar como Parlamento Europeu e o deu o direito de vetar a entrada de um novo membro à UE (HIX, 1996, JUDGE & EARNSHAW, 2008, KREPPEL, 2002). 1990 - 1991 Reuniões intergovernamentais

O Parlamento Europeu, através das reuniões parlamentares com os Estados membros, como também com a comissão e Conselho de Ministros, buscou influenciar as decisões intergovernamentais das cúpulas de 1990 e 1991.

1992 Tratado de

Maastricht

Judge & Earnshaw (2008) listam as ações deste tratado em relação ao PE: 1- processo de iniciativa legislativa do PE – restrito ao julgamento da Comissão Europeia; 2- reconheceu todos os procedimentos do PE; 3- o parlamento, a partir deste tratado, passou a receber relatórios anuais do Banco Central Europeu, bem como o direito deste órgão legislativo ser consultado nas reuniões deste banco; 4- permite o parlamento levar à corte outras instituições quaisquer que não respeitem as medidas dos tratados; 5- a inserção do procedimento de codecisão I (KREPPEL, 2002).

1995 Adesões Áustria e Suécia. O número de deputados no PE vai para

626.

1996 Reuniões

intergovernamentais

O PE participou ativamente desta conferência, inclusive obtendo cópias documentais de todas as reuniões.

1997 Tratado de

Amsterdã

Em relação ao PE houve a expansão do procedimento de codecisão para mais 23 temas políticos, totalizando 38 assuntos políticos em que o parlamento poderia participar com influência; o papel do parlamento em indicar membros para a comissão foi fortalecido, bem como a função de

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aprovação do presidente da Comissão Europeia; limite de 700 assentos na câmara legislativa; estabeleceu-se as regulações e condições gerais das performances dos deveres de seus membros – com a aprovação do conselho por unanimidade.

2001 Tratado de Nice

De maneira geral, havia o incentivo a participação do

cidadão, maior transparência e, consequentemente,

democratização das instituições europeia, principalmente do Parlamento Europeu. O presidente da Comissão Europeia deveria ser sabatinado pelos parlamentares europeus, houve o aumento do número de membro no parlamento de 700 para 732, o procedimento de codecisão aumentou para seis novas áreas (JUDGE & EARNSHAW, 2008, p.56-57, HIX et al 2007). 2003/ 2004 Estatuto dos partidos de nível europeu

Este regulamentou o financiamento e as tarefas dos partidos políticos de nível europeu (transnacionais).

2005

Tratado Constitucional não aprovado na França

e na Holanda

Houve o papel ativo do parlamento na formulação do Tratado Constitucional. Esta foi a primeira vez que o PE influenciou de maneira incisiva a formulação de um tratado.

2006

Fóruns: discussões acerca do Tratado

Constitucional

O objetivo era fomentar o debate público e democratizar as decisões. Além dos fóruns de cidadãos, houve também dois encontros entre o PE e os parlamentares nacionais.

2007

Emenda do Estatuto dos Partidos de

Nível Europeu

A partir de 2007, os partidos políticos transnacionais puderam ajudar nas eleições para o parlamento, sem apoiar partido e nem candidato específicos.

2009 Tratado de Lisboa

entrou em vigor

Mudanças em relação ao PE foram: proporcionalidade dos assentos na câmara legislativa europeia com o mínimo de seis membros para cada país e o máximo de 96; reafirmação do princípio da democracia representativa, cujo artigo 10 do Tratado da UE já tratava; o procedimento de codecisão foi substituído pelo procedimento legislativo ordinário, ampliando sua base para mais 13 assuntos, incluindo a agricultura e o comércio; o PE e o Conselho da União Europeia decidem por unanimidade por maioria qualificada em diversos temas; PE pode propor emendas nos tratados; e, por fim, com a abolição do orçamento

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compulsório e não compulsório, o PE tem o poder de consenso sobre a perspectiva financeira multianual;

Tabela realizada pelo autor, tendo como parâmetro os estudos de Judge & Earnshaw (2008), Hix (1996; 1997), Hix et al (2007) e Kreppel (2002).

QUADRO 2 - Desenvolvimento dos partidos políticos transnacionais

Fases Evento

1ª fase – otimismo (1970 – 1979)

O nascimento dos três maiores partidos transnacionais: o Partido dos Socialistas Europeus (PSE), cujo nome permanece o mesmo até hoje; a Federação dos Partidos Democratas Cristãos da Comunidade Europeia, atualmente possui o nome de Partido Popular Europeu(PPE); e Partido Europeu dos Liberais, Democratas e Reformistas que em 2012 tornou-se Aliança dos Liberais e dos Democratas da Europa (ALDE).

2ª fase- estagnação (1979

-1989)

O motivo desta estagnação era que os grupos políticos eleitos não tinham poderes suficientes para influenciar a União Europeia. Em outras palavras, a estagnação era oriunda do baixo poder de influência do PE no aparato institucional do bloco e, consequentemente, restrição na atuação dos partidos políticos.

Estagnação

Hix (1996) explica que as federações possuíam vários problemas internos, principalmente, em relação à convergência partidária em temas específicos. Exemplo disso foram os debates efetuados dentro do PSE, havia muitas divergências entre as estratégias dos partidos socialdemocratas (AUST, 2004). Outro problema, citado por Hix (1996), era a falta de recursos financeiros para estes europartidos e, mesmo, para os próprios grupos políticos eleitos, o orçamento era bem reduzido. Como consequência deste último item, as campanhas eleitorais eram mal sucedidas, favorecendo o que veio a ser chamado por Schmitt (2005) de eleições de segunda ordem.

39 3ª fase - Renascença - Originou-se com o Ato Único Europeu e se fortaleceu com o Tratado de Maastricht (1992)

Renascença porque os europartidos foram essenciais para os debates

acerca do Tratado de Maastricht4, gerando ânimo ao PE. Este

adquiriu, por exemplo, o poder de codecisão com o Conselho da União Europeia. Ademais, houve o fortalecimento da clivagem direita/esquerda, principalmente, em relação a que modelo econômico a Europa deveria seguir naquele período - discussões acerca de um projeto neoliberal de integração – centro direita – ou de um projeto de um capitalismo mais regulado – centro esquerda (HOOGHE et al, 2002). 4ª fase - alargamentos de 2004 e 2007, bem como as regulações dos partidos políticos transnacionais de 2003 e 2007.

Conforme Jansen (2006), com a lei 138 A, a qual estabeleceu no Tratado da União Europeia a existência dos partidos políticos transnacionais, emergiu a necessidade de um estatuto partidário. Assim, através do procedimento de codecisão, foi aprovado o Estatuto dos Partidos Políticos de Nível Europeu. Este não interferiu nos direitos constitucionais dos Estados membros, mas proibia o uso de fundos diretos ou indiretos do orçamento da comunidade para partidos políticos nacionais, como também aplicou a igualdade na regulação financeira dos grupos políticos (JANSEN, 2006). Além disso, o estatuto de 2003 proibia campanhas políticas. Em 2007, foi revogada esta cláusula e os partidos passaram a fazer campanhas em prol das famílias partidárias.

Tabela realizada pelo autor com base em Hix (1996), Hix & Lord (1997), Jansen (2006) e Hooghe et al (2002).

Inicialmente, o Parlamento Europeu era uma câmera meramente consultiva. Conforme observado no Quadro 1, a câmara legislativa europeia, em seus anos iniciais, podia vetar legislações em períodos e assuntos específicos. Com o passar dos anos a realidade foi se transformando a tal ponto que, hoje, 95% da legislação europeia deve passar pelo procedimento legislativo ordinário, e, assim, pelo PE (JUDGE & EARNSHAW, 2008; ARCHICK, 2013).

4

Dentro das reuniões intergovernamentais, os partidos políticos transnacionais buscaram influenciar a constituição do Tratado de Maastricht (JANSEN, 2006; HIX, 1996; HOOGHE et al, 2002). Estas reuniões realmente serviram para debater questões importantes acerca dos problemas do déficit democrático, participação cidadã e os efeitos da própria união monetária. Cumpre salientar que muitos políticos viram a arena transnacional como o meio mais vantajoso para realizar coalizões ou alianças, a fim de influenciar muitos temas importantes do tratado.

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Sumariamente, estes procedimentos abarcam o meio ambiente, os transportes, a defesa dos consumidores, a livre circulação de mercadorias e trabalhadores, a agricultura, a pesca, as iniciativas no quadro da justiça e dos assuntos internos, o turismo, a juventude, o esporte, a imigração, a cooperação policial, entre outros temas que chegam a 86 bases

jurídicas (PARLAMENTO EUROPEU5, 2010; ARCHICK, 2013). Este procedimento não

se aplica a muitos assuntos de política externa e aos temas fiscais (ARCHICK, 2013). De maneira elucidativa, o relatório6 de codecisão da sexta gestão 2004-2009 apresenta os principais resultados deste procedimento neste período. Segundo este relatório (2009), os principais pontos a serem destacados são: 477 peças de legislação foram concluídas; houve o aumento da confiança entre as instituições; aprovação do procedimento e acordos em 1ª leitura aumentaram de uma gestão para outra: de 33% para 72%; de 477 arquivos, 340 foram resolvidos em primeira leitura, 44 em acordos antes de segunda leitura, 63 em segunda leitura, 23 em conciliação; diminuiu-se o número de conciliações de 21% para 5%; poucos acordos falharam; o PE continua a aprimorar seu papel neste procedimento; entre outros pontos.

Já para a sétima gestão os dados não estão completos, mas a partir de julho de 2009 sete procedimentos foram concluídos em primeira leitura. Em 2010, 54 e, em 2011, 62 atos foram concluídos também em 1ª leitura. Em segunda leitura temos 3, em 2009, 12, em 2010, e 12, em 2011. O procedimento de conciliação também foi pouco usado 2 para o segundo semestre de 2009, 1 para o ano de 2010 e 4 para o de 2011. Ao ver a quantidade de procedimentos de codecisão aprovados, entende-se que o Parlamento Europeu já possuía papel fundamental na aprovação e discussão dos atos legislativos mesmo antes do Tratado de Lisboa (HOSLI & THOMSON, 2006). Enfim, conforme consta nas estatísticas do relatório de 2009 sobre os procedimentos de codecisão, de 1999 até o ano de 2011, uma quantidade de 598 documentos foram aprovados em primeira leitura, 329 em segunda leitura e 116 por conciliação.

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Para mais informações vide: <https://infoeuropa.eurocid.pt/files/database/000045001- 000046000/000045709.pdf> Acesso em 10 out. 2013.

6 “The Co-Decision Procedure (ART. 251 TEU) Analysis and Statistic of the 2004-2009 Legislature”. Agosto

de 2009. Disponível em:

<http://ec.europa.eu/codecision/statistics/docs/report_statistics_public_draft_en.pdf>. Acesso em 12 Dez 2013.

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Dentro deste contexto, os grupos partidários estão intimamente envolvidos, pois são através deles, no PE, que os procedimentos são discutidos, emendados e adotados. É, principalmente, pelas Comissões Parlamentares que os deputados mais discutem os projetos. Conforme European Parliament Elections (2009) e Judge & Earnshaw (2008), as Comissões Parlamentares são fundamentais para a discussão dos assuntos pertinentes à União Europeia e, normalmente, quando uma comissão realiza um relatório para a reunião plenária dificilmente ele é modificado.

Os partidos transnacionais, por suas vezes, também possuem importância neste processo legislativo, pois é na arena europeia que são traçadas políticas de longo prazo. Um dos exemplos mais elucidativos é o explicado por Ladrech (2006). Este autor, através dos estudos de Hooghe et al (2002), conta que a promulgação do Ato Único Europeu fez emergir no bloco a discussão de dois projetos: o neoliberal – apoiado pela centro-direita; e o socialdemocrata – apreciado pelos setores de centro-esquerda. A discussão foi tão importante que os partidos transnacionais, de fato, tornaram-se redes de facilitadores para os partidos nacionais, para os grupos partidários no PE e para as empresas, pois eles eram as únicas instituições, naquele momento, com capacidade organizacional, de mobilização e disseminação que podiam levar as discussões por toda a União Europeia.

Na mesma linha, Ladrech (2006) cita Johanson ao dizer que o Partido Popular Europeu foi um considerável ator em coordenar as posições dos governos nacionais para a promulgação do Tratado da União Monetária, como também Ladrech (2006) afirma que o Partido dos Socialistas Europeus foi muito importante na facilitação e no desenvolvimento nos temas relativos ao emprego presentes no Tratado de Amsterdã (1997). Concluindo, Ladrech cita: “[...] Euro-parties must be considered part of the panoply of actors – national and european – who have mobilised to promulgate the various projects that make up the ideological completion in European-level politics” (2006, p. 74).

Na mesma linha de argumentação, Hecke (2010) explica que os partidos transnacionais importam para a União Europeia, porque eles buscam votos, através das eleições europeias, para os grupos partidários, buscam influenciar políticas através da formulação de manifestos políticos e de reuniões com os grupos partidários no PE, e

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procuram ocupar posições políticas no PE7. O autor ainda explana que os grupos partidários

no PE e os partidos transnacionais importam porque vinculam os diferentes níveis

institucionais formais e informais8que vão desde partidos nacionais, autoridades

governamentais, políticos da Comissão Europeia e do Conselho da União Europeia até os deputados do PE.

Outro fator importante é o aumento dos grupos de lobbies e organizações da

sociedade civil em Bruxelas9

.

É interessante ressaltar o tema do lobby, uma vez que expõe a

importância que o PE possui, e, nesse sentido, as Comissões Parlamentares, para as empresas, associações, grupos de interesses, entre outras organizações.

Assim sendo, há dois tipos de lobby na União Europeia: o institucional e o não institucional. O primeiro envolve os comissários e líderes de governos os quais se encontram com os eurodeputados para discutir assuntos específicos, a fim de influenciar as discussões nas Comissões Parlamentares. O segundo é mais evidente e envolve vários setores da sociedade, principalmente empresas.

Na década de 1990 e 2000, Bruxelas foi o segundo lugar do mundo, depois de Washington, que concentrou alto número de grupos de interesses, associações, organizações empresariais, federações de empregadores, agências de think tank, firmas de advocacia, associações regionais, entre outros tipos de grupos (JUDGE & EARNSHAW, 2008, p. 102). Corbett (1998) demonstra que cerca de 150 lobistas por dia tentam influenciar as sessões do PE, através de redes de contatos com os eurodeputados.

Um survey realizado por Wessels (1999) em 1996 constatou que cerca de 67.000 contatos eram realizados entre eurodeputados e grupos de interesses por ano (p. 109). O mesmo tipo de pesquisa foi realizado em 2006 e encontrou que 52% dos deputados do Parlamento Europeu tinham contatos semanalmente com grupos organizados, e 40%

7 Esta relação foi feita por Hecke (2010), tendo como base os estudos de Muller & Strom (1999) - Policy,

office, or votes: How Political Parties in Western Europe Make Hard Decisions. Cambridge: Cambridge University Press.

8Formais, porque, através dos procedimentos internos e dos tratados, os políticos possuem contato com outras

instituições nacionais e da UE. E informais, porque todo político europeu compõe um partido político seja ele transnacional, nacional e/ou ambas as filiações.

9 Uma das sedes do Parlamento Europeu. Os escritórios dos eurodeputados se localizam nessa cidade. Além

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tinham algum tipo de interação com “lobbysts” (FARRELL & SCULLY, 2007, p. 24 apud JUDGE & EARNSHAW, 2008, p.103).

Com o surgimento do procedimento de codecisão, os lobistas se tornaram mais interessados com as decisões do Parlamento Europeu e mais ativos em influenciar os

relatores das Comissões Parlamentares10 (JUDGE & EARNSHAW, 2008). Uma vez que a

informação acerca dos assuntos do bloco não é tão rápida quanto se ocorresse em um Estado nacional, os lobistas aproveitam esta situação para serem canais de informação dos eurodeputados. Dessa forma, o deputado não só busca informação institucional, como

também recebe dados dos lobistas para realizar seus relatórios11.

Um ponto fundamental a ser ressaltado é que os poderes do Parlamento Europeu não devem ser vistos de maneira isolada. Eles devem ser entendidos dentro de um

triângulo institucional12em que a Comissão Europeia propõe o ato legislativo, o Parlamento

Europeu e o Conselho da União Europeia discutem de maneira equitativa sob o guarda- chuva do procedimento legislativo ordinário e a Corte de Justiça Europeia supervisiona a implementação do ato legislativo. O balanço de poder entre estas instituições é importante, na medida em que há um jogo de forças entre o supranacionalismo e o intergovernamentalismo. Dentro deste contexto, muitas deliberações influenciaram a comunidade e os Estados membros. A partir de 2008, muitas decisões passaram a ter a crise europeia como foco, sendo essencial a participação do Parlamento Europeu para a discussão e aprovação de algumas medidas.

10 Os relatores são eurodeputados designados para efetuar relatórios, os quais serão apresentados nas

comissões parlamentares. Os relatórios, após aprovação da Comissão Parlamentar, vão à plenária do PE para ser discutido e aprovado.

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Regularização dos lobbies na União Europeia ocorreu com o código de conduta de 1996, no qual tornou público o registro dos lobistas. Além disso, internamente os deputados e seus assistentes obedecem às regras de transparência sobre suas atividades profissionais e quaisquer outras remuneradas. Os registros e as atividades são disponibilizados eletronicamente.

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O triângulo institucional é formado pela Comissão Europeia (CE) - a qual possui o poder de iniciativa legislativa, implementação das decisões políticas, guardiã dos tratados europeus, assegura que os Estados membros adotem suas provisões, é formada por 28 comissários especializados em temas como energia, agricultura, etc que permanecem no cargo por cinco anos –, Conselho da União Europeia (CUE) – o qual age conforme a iniciativa legislativa oriunda da CE e decide, na maioria das vezes, em conjunto com o PE, exceto em assuntos fiscais e política externa o CUE tem a palavra final, este conselho é formado pelos ministros dos Estados membros, dependendo do assunto são ministros da agricultura, política externa, cidadania, meio