4. GEODIVERSIDADE IN SITU
4.3.2 Parque da Cidade
O Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte (figura 4.31) foi criado com o objetivo de funcionar como um espaço de promoção e proteção do meio ambiente e da cultura local. Compreende o campo de dunas dos bairros de Candelária, Cidade Nova e Pitimbu, dentro dos limites da ZPA-01, regulamentada em 1995.
Figura 4.31 – Imagem de satélite com destaque para o Parque da Cidade, área da ZPA-01.
Foto: Matheus Lisboa
Esta é a principal área de recarga do aquífero da cidade do Natal, sendo fundamental para o fornecimento de água potável na cidade. As dunas desta região possuem direção principal NW-SE, seguindo a orientação principal dos ventos na cidade.
As dunas dessa região são entendidas por Fonseca et al. (2012) como depósitos eólicos litorâneos vegetados (figura 4.32). São, essencialmente, formada por areias quartzosas bem selecionadas de coloração esbranquiçada a amarelada.
Figura 4.32 – Corpos de dunas vegetados no Parque da Cidade.
Em 2006 foi iniciada a construção do Memorial de Natal e de outras pequenas edificações que vieram a compor a área de uso público do Parque. As obras, projetadas por Oscar Niemeyer, tiveram sua primeira etapa concluída em 2008, mas a totalidade do parque só ficou disponível à população em 2014.
No parque existem trilhas perpassando pelas dunas para serem percorridas, além da execução de projetos de educação ambiental e de história e cultura potiguar.
Em relação aos valores definidos por Gray (2013), nos dois parques naturais da cidade do Natal são identificados, além do valor intrínseco, os seguintes serviços ecossistêmicos da geodiversidade:
regulação, identificado devido à participação dos corpos dunares do Parque das
Dunas e do Parque da Cidade no controle da qualidade da água percolada dos sedimentos até o lençol freático;
suporte, devido à participação dos corpos dunares nos processos do solo, fornecendo
sedimentos para a formação de solos arenosos. A presença de vegetação nos parques, sobre as dunas, também é identificada neste serviço da geodiversidade, por servirem de habitat para as espécies vegetais e animais. No caso do Parque da Cidade, toda a estrutura da sede, incluindo o Memorial de Natal utilizou como plataforma para sua construção os corpos de dunas na região;
provisão, explicado pela participação das dunas na filtragem da água infiltrada no
lençol freático, possibilitando sua potabilidade e permitindo que ela seja utilizada como bebida;
cultural, devido à presença de trilhas que cortam os campos de dunas nos dois
parques e que funcionam como atividades de lazer. Este serviço também é identificado por meio dos programas de conscientização ambiental, que promovem desenvolvimento social através de atividades lúdicas e de voluntariado;
conhecimento, observado em ambos os parque, aonde diversas pesquisas com
enfoque geológico-geomorfológico já foram desenvolvidas, a exemplo de Jesus (2002), Fracasso (2005) e Freiras e Saraiva Jr (2013), que trabalharam no Parque das Dunas, e Silva Jr. (2015) que mostra as feições geomorfológicas do Parque da Cidade como importante destaque. São consolidadas no parque atividades que visam a educação ambiental, da qual o recurso da geodiversidade é parte integrante, o que também justifica este serviço ecossistêmico.
A partir dos valores definidos e pelas definições de Brilha (2015), pode-se classificar o Parque das Dunas e o Parque da Cidade como geossítios, devido à sua importância para a geociência.
Devido às extensões dos dois parques de Natal, ambos são classificados como área, de acordo com que definem Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010).
4.4 MANGUEZAIS
Os mangues na cidade do Natal são encontrados no estuário do Rio Potengi, em suas duas margens (figura 4.33). Constituem a Zona de Proteção Ambiental 8, conforme o Plano Diretor vigente (Lei Complementar Nº 082/2007).
Figura 4.33 – Imagem de satélite mostrando os mangues da cidade do Natal, localizados nas duas margens do Rio Potengi.
Fonte: Google Earth
São entendidos, geologicamente, como depósitos flúvio-marinhos, constituídos por areias finas, siltes e argilas, cuja laminação é fina. Sua composição é rica em carbonato e matéria orgânica (figura 4.34). Os mangues são fontes de alimentação, refúgio e reprodução de várias espécies de crustáceos e peixes.
Figura 4.34 – Fotografia do mangue de Natal, destaque para a quantidade de matéria orgânica, identificada pela forte tonalidade cinza e pelo cheiro de enxofre proveniente do material em decomposição.
Ao longo dos anos, muitas áreas de mangue em Natal foram devastadas para dar lugar a criatórios de camarão e antigas salinas. Com isso, a área total hoje protegida pela ZPA-08 é, aproximadamente, 50% da original.
Entretanto, algumas iniciativas fazem uso do mangue de forma cultural e mais sustentável, como o Bloco “Os Cão”, que desde 1964 promove um desfile na terça-feira de carnaval em que todos usam a lama do mangue no corpo como fantasia, como mostram as figuras 4.35 e 4.36. A lama, um recurso abiótico da natureza, passa a ter, portanto, uma expressão cultural em tempos carnavalescos.
Figura 4.35 – Foliã passando lama do mangue no corpo, este é o “abadá” do Bloco dos Cão na
Redinha.
Foto: Alex Régis / Tribuna do Norte
Figura 4.36 – A lama, que são as argilas dos depósitos flúvio-marinhos, é um recurso da geodiversidade.
Foto: Alex Régis / Tribuna do Norte
Quando é feita a valoração da geodiversidade nos manguezais de Natal a partir das definições de Gray (2013), pode-se afirmar que, além do valor intrínseco, é possível identificar serviços de:
suporte, visto que o mangue é habitat para várias espécies de animais e serviu de
plataforma para a construção das fazendas de camarão e salinas;
cultura, identificado porque, a exemplo do “Bloco dos Cão”, o mangue passou a ter
um significado cultural para algumas pessoas, em especial em períodos carnavalescos.
Apesar de o mangue ser um ambiente ideal para o desenvolvimento de pesquisas e de atividades de ensino, não foram encontrados registros importantes desta função nos
manguezais natalenses que tenham enfoque mais aprofundado nas geociências. Logo, não foram identificados serviços de conhecimento.
A partir da classificação de Brilha (2015), tem-se que os mangues de Natal são lugares de geodiversidade, e são classificados como área, devido à sua extensão, pelas definições de Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010).
4.5 RIOS
Três rios principais banham a cidade do Natal e são responsáveis por abastecer a maior parte da população local, fornecendo águas superficiais ao sistema de abastecimento, como complemento das águas subterrâneas. São os três: Doce, Pitimbu e Potengi. Ambos são classificados como perenes, o que é justificado por uma descarga boa e constante ao longo do ano. São componentes do Aquífero Barreiras, principal da região costeira do Rio Grande do Norte.
Bezerra et al. (2001) mostram que há um evidente controle estrutural sobre os cursos destes três rios, cujas origens são relacionadas a conjuntos de falhamentos que formaram vales estruturais.
4.5.1 Rio Pitimbu
Este rio nasce na cidade de Macaíba e desemboca na lagoa do Jiqui, sendo fundamental para o abastecimento da região. Apenas uma pequena parte de seu curso está dentro do limite municipal de Natal, definindo em alguns locais a divisa da capital com a cidade de Parnamirim (figura 4.37). Parte de sua bacia hidrográfica é protegida pela ZPA- 03.
Terrenos aluvionares são comuns ao longo do rio, em que há presença de areias quartzosas médias a grossas, podendo ocorrer seixos e porções de granulometria mais fina nas proximidades da desembocadura (Fonseca et al., 2012).
Atualmente, o rio Pitimbu, que percorre cerca de 32km desde sua nascente até sua foz, sofre alto grau de degradação, sofrendo com contaminação e assoreamento, além de ter seu curso modificado.
Figura 4.37 – Imagem de satélite com destaque para parte do curso do rio Pitimbu na divisa dos municípios de Natal e Parnamirim.
Fonte: Google Earth
A bacia do rio Pitimbu é a única em Natal que é gerida por um comitê colegiado, com poderes deliberativos, normativos e consultivos, com a função de proteção aos mananciais da bacia. O estado ainda possui mais dois comitês: do rio Ceará-Mirim e do rio Apodi-Mossoró.
4.5.2 Rio Doce
O rio Doce nasce na lagoa de Extremoz, no município homônimo, e percorre 14 km através da zona norte de Natal, através de um curso desviado ao longo dos anos, até a sua desembocadura no rio Potengi. Seu curso, assim como as dunas e lagoas ao longo de seu canal são protegidos pela Zona de Proteção Ambiental 09.
Trata-se de um rio bastante meandrante (figura 4.38), cujas margens apresentam ocupações irregulares em alguns pontos, mas que possui alta interesse turístico, econômico e ambiental.
Figura 4.38 – Imagem de satélite com destaque para parte do curso do rio Doce.
Fonte: Google Earth
Nos últimos anos, as discussões sobre a importância do rio Doce vêm sendo ampliadas em vista do grau de degradação em alguns pontos e pela busca da iniciativa privada por áreas em torno do rio e de suas lagoas devido ao às paisagens paradisíacas existentes.
4.5.3 Rio Potengi
Principal rio da cidade e um dos maiores do estado do Rio Grande do Norte, nasce na cidade de Cerro Corá e percorre 123km até a sua foz no Oceano Atlântico, já na capital potiguar (figura 4.39). Possui, ao longo de suas margens, várias áreas de manguezais.
Figura 4.39 – Imagem de satélite com destaque para a desembocadura do rio Potengi no Oceano Atlântico.
O rio Potengi possui uma relação intrínseca com a história da cidade do Natal, está presente desde o início no cotidiano de muitos dos moradores e visitantes, através das pontes construídas sobre eles, a cidade está ligada. É ele que divide a zona norte, maior região administrativa da cidade, das demais. É também espaço de desenvolvimento econômico e lazer.
Hoje em declínio, o remo foi, desde 1897, um dos principais esportes praticados em Natal, e era justamente no canal do rio Potengi que os atletas em seus barcos praticavam seus treinos e competições eram realizadas (figura 4.40). Ainda hoje há sedes em funcionamento de clubes de regatas na rua Chile, bairro da Ribeira.
Figura 4.40 – Foto de 2012 mostrando jovem praticante do Remo no rio Potengi.
Foto: Rodrigo Sena / Tribuna do Norte
Ainda hoje o rio Potengi tem sua fundamental importância para a cidade, nele está localizado o estaleiro da Marinha do Brasil e o terminal portuário de Natal, que viabiliza operações de importação e exportação de diversos produtos, além de ser porta de entrada de turistas que chegam à cidade em cruzeiros.
Dos valores da geodiversidade definidos por Gray (2013), além do valor intrínseco, são identificados nos principais rios de Natal os serviços ecossistêmicos de:
regulação, é explicado devido à participação dos rios no ciclo hidrológico, o que
de água dos rios, sobretudo do rio Doce e Potengi, em direção ao oceano, influenciando o movimento de águas oceânicas na região;
suporte, devido a presença de espécies de peixes e crustáceos que usam os rios como
habitat;
provisão, uma vez que estes rios são fundamentais para o abastecimento de água
potável na cidade do Natal, através de suas relações com o aquífero Barreiras, disponibilizando-a para ser bebida;
cultura, este serviço é identificado pela paisagem dos rios, que propiciam uma
qualidade ambiental ao meio, assim como através das atividades de lazer que são realizadas nos cursos dos rios, com destaque à prática do remo no rio Potengi. Atividades voluntárias de proteção aos mananciais, como recolhimento de lixo nos rios caracterizam este serviço da geodiversidade através do desenvolvimento social;
conhecimento, principalmente embasado na quantidade de trabalhos científicos que
versam sobre os mananciais dos rios Doce, Pitimbu e Potengi, e que colaboram a formação, via educação, de profissionais que possam a vir trabalhar na área. Todos os rios são fundamentais em diversos estudos da dinâmica hidrogeológica local.
Pela classificação de Brilha (2015), os rios de Natal podem ser identificados como geossítios, devido à sua importância científica, atestada pela diversidade de trabalhos, sobretudo no domínio das geociências, em ambos cursos d’água.
Devido às extensões dos rios, eles passam a ser classificados como áreas, de acordo com o que definem Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010).
4.6 LAGOAS INTERDUNARES
Medeiros (2001) define lagoas como “depressões com forma variada, contendo ou não água, de origem natural ou artificial”. Em Natal, são conhecidos 10 conjuntos de lagoas naturais, sendo 5 na região a norte do rio Potengi e 5 a sul, muitas das quais foram impermeabilizadas pela ação antrópica ao longo dos anos.
Medeiros (2001) e Amaral et al. (2005) mostram que dos conjuntos naturais, apenas 1 permaneceu intacto e 3 foram totalmente destruídos (quadro 4.1). Todas faziam parte do sistema de drenagem natural da cidade que, com sua supressão parcial ou total, passou a demandar obras de engenharia para escoamento de águas pluviais em Natal.
Quadro 4.1 – Lagoas interdunares da cidade do Natal e seu atual estado de conservação.
Fonte: Amaral et al. (2005)
Lagoas Posição Geográfica Preservada Parcialmente Destruída Totalmente Destruída
Centro Administrativo (3 lagoas) S X
Sapo N X Azul N X Lagoinha (7 lagoas) S X Pajussara N X Guamoré N X Campina S X Jacob N X Seca S X Manuel Felipe S X
Hoje dois conjuntos de lagoas estão compreendidos nas Zonas de Proteção Ambiental 05 e 09, que protegem a associação de dunas e lagoas no bairro de Ponta Negra (figura 4.41) e ao longo do vale do rio Doce, respectivamente.
Figura 4.41 – Imagem de satélite de 2014 mostrando um conjunto de lagoas no bairro de Ponta Negra.
Fonte: Google Earth
Entretanto, a lagoa mais conhecida da cidade é a Manoel Felipe (figura 4.42), localizada no bairro do Tirol, aonde foi fundado, em 1962, a Cidade da Criança, uma área verde ao redor da lagoa, com diversas instalações e equipamentos para uso do público, como pedalinhos que podem ser usados para passeios na lagoa (figura 4.43).
Figura 4.42 – Imagem de satélite mostrando a lagoa Manoel Felipe.
Fonte: Google Earth
Figura 4.43 – Foto mostrando passeio de pedalinho na lagoa Manoel Felipe.
Fonte: Blog o Curiozzo
De acordo com os valores definidos por Gray (2013), as lagoas de Natal, além de possuir um valor intrínseco por sua simples existência, expressa os seguintes serviços ecossistêmicos da geodiversidade:
regulação, visto que as lagoas são fundamentais para o controle de alagamentos que
como local final do escoamento natural ou artificial das águas, que serão ali infiltradas pelo solo;
provisão, uma vez que as águas escoadas e armazenadas nas lagoas, no caso de não
estarem poluídas, podem ser utilizadas como bebida;
cultural, identificada na lagoa Manoel Felipe, onde algumas atividades de lazer
ocorrem na lagoa, como o passeio de pedalinhos.
De acordo com a definição de Brilha (2015) a partir dos valores da geodiversidade identificados em cada local, as lagoas de Natal, por não terem um alto valor científico nesta avaliação qualitativa, são classificadas como lugares de geodiversidade.
Já a classificação por extensão da ocorrência, definida por Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010), define que as lagoas natalense que se encontram preservadas, parcial ou totalmente, podem ser classificadas como áreas.
4.7 PEDRA DO ROSÁRIO
A Pedra do Rosário é um local de devoção católica desde 21 de novembro de 1753, quando ali foi encontrada a imagem de Nossa Senhora dos Navegantes, padroeira da cidade, em um caixote de madeira que tinha a inscrição: “Aonde esta imagem chegar, nenhuma desgraça acontecerá”.
A chamada Pedra do Rosário trata-se de um bloco de arenito ferruginoso correlato ao Grupo Barreiras, recoberto por bioclastos. Este bloco está relacionado com uma antiga linha de falésias que contorna o Centro Histórico e prossegue até a faixa Litoral Central.
Sobre o bloco de arenito, foi construído um pilar sobre o qual foi posta uma réplica da padroeira (figura 4.44). Ainda sobre a rocha foi erguido um mirante, a partir do qual é possível observar a paisagem emoldurada pelo rio Potengi e pelos manguezais (figura 4.45).
Figura 4.44 – Bloco de arenito ferruginoso correlato ao Grupo Barreiras que serve como fundação para o pilar.
Fonte: Carvalho (2010)
Figura 4.45 – Foto mostrando a imagem de Nsa Sra da Apresentação sobre o pilar, com o rio Potengi e
seu estuário ao fundo.
Foto: Matheus Lisboa
De acordo com os valores de Gray (2013), pode-se identificar no bloco de arenito que compõe a Pedra do Rosário, além do valor intrínseco, os serviços de:
suporte, uma vez que o bloco de arenito ferruginoso é habitat para alguns espécimes
de ostras e mariscos e porque ele também serviu de plataforma para o pilar de sustentação da imagem de Nossa Senhora da Apresentação e do mirante;
cultural, devido ao significado cultural e histórico agregado a este local, por ter ali
sido encontrada a imagem da padroeira da cidade em 21 de novembro de 1753. Também é possível identificar este serviço devido à qualidade ambiental da paisagem observada a partir do mirante da Pedra do Rosário.
De acordo com a classificação de Brilha (2015), a Pedra do Rosário, por não possuir valores da geodiversidade com teor científico, é classificada como lugar de geodiversidade.
A classificação de Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010) define duas classificações para este local: como ponto, devido à extensão de sua ocorrência ser restrita, e como panorama, uma vez que a partir do mirante sobre a Pedra do Rosário é possível observar o rio Potengi e o seu estuário na margem oposta.
4.8 PANORAMAS DE GEODIVERSIDADE
Seguindo a classificação de Fuertes-Gutiérrez e Fernández-Martínez (2010), utilizada neste trabalho, é possível identificar lugares na cidade do Natal em que a geodiversidade possui amplo destaque nas paisagens locais.
Estes observatórios, ou panoramas de geodiversidade, são identificados aqui como mirantes e são quatro os principais na cidade, a partir dos quais podem ser observados, separadamente ou em conjunto harmonioso, os diferentes recursos que compõem a geodiversidade in situ de Natal, descrita, valorada e classificada neste capítulo.
A seguir, estes mirantes são localizados e as expressões da geodiversidade que são possíveis de, a partir deles, serem observadas são identificadas segundo a nomenclatura utilizada neste trabalho.