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5 PARQUE DAS AVES

No documento RODOLFO SILVA BERTOLI (páginas 31-43)

5.1 Histórico do Parque

O Parque das Aves foi criado em 1994, em Foz do Iguaçu/PR, por Dennis e Anna Croukamp. Conta com uma área de 16 hectares, dos quais 8 são de construções e destinados à visitação do público e os outros 8 hectares são área de preservação ambiental. O parque não é apenas um zoológico de aves, é um centro destinado à educação e conservação ambiental e de realização de importantes projetos de preservação de espécies ameaçadas. Conta atualmente com 919 espécimes de 132 espécies distintas. Atualmente é o maior parque de aves da América latina. Localiza- se em Foz do Iguaçu, no estado do Paraná.

5.2 Objetivos e Projetos Desenvolvidos

Os principais objetivos do parque são a exposição de animais e arrecadação de recursos para manutenção do parque, reprodução de aves em cativeiro, desenvolvimento de projetos referentes à reintrodução de animais à áreas protegidas, pesquisa em conservação ambiental e manutenção sustentável do parque e promoção de atividades educacionais a fim de despertar a consciência ecológica de adultos e crianças.

Além de importantes projetos de pesquisa, o parque das aves esmera-se em desenvolver projetos para a população de Foz do Iguaçu e cidades vizinhas. Desde 2007 desenvolve-se o projeto “O Parque das Aves é de Foz”, no qual os moradores da cidade têm acesso gratuito ao parque em uma determinada data, beneficiando até entao 11830 pessoas. Também é notável o projeto “Criança Especial”, realizado na

Semana do Excepcional, que desde 2006 já atendeu mais de 1720 pessoas com necessidades especiais. Os profissionais da Educação Ambiental realizam visitas guiadas e atividades lúdicas referentes à preservação ambiental.

5.3 Estrutura Física

São 16 hectares, sendo a metade de área construída. As principais estruturas serão mencionadas a seguir, dentre elas estão a oficina, hospital veterinário, cozinha e depósito de alimentos, recintos de imersão, recintos fechados, quarentena, educação ambiental, etc.

Figura 4 – Mapa esquemático das instalações do Parque das Aves. Fonte: www.parquedasaves.com.br

5.3.1 Oficina

Todas as instalações do parque (casas, depósitos, recintos, sistema de filtração de água) são construídas por uma equipe própria de funcionários do parque. Na oficina há todos os instrumentos necessários para a manutenção e construção dessas estruturas. Os recintos estão em constante renovação, para um maior conforto dos animais. Os projetos de novos recintos são discutidos e acompanhados de perto por toda a equipe de profissionais responsáveis, incluindo os biólogos, o médico veterinário responsável e a proprietária do parque.

5.3.2 Área Interna

Na área interna localiza-se a cozinha e o refeitório, no qual os funcionários tomam café da manhã e almoço. Próximo ao refeitório há 16 recintos extras, que servem para manutenção de animais que não estão em exibição ou que estejam em tratamento, recuperação ou observação. Há também o recinto das cobras mansas, que abriga jibóias que podem ser manipuladas pelos visitantes. No isolamento são mantidas as araras e jandaias mansas que podem ser manipuladas pelos turistas e também animais que serão encaminhados para outras instituições. Há ainda o biotério, que abriga ratos, galinhas e coelhos, sendo apenas os ratos reproduzidos no parque, as galinhas e coelhos são comprados conforme necessidade e mantidos em recintos apropriados em uma divisão específica do biotério.

5.3.3 Hospital Veterinário

O hospital veterinário é uma construção recente, com espaços bem aproveitados e de alta funcionalidade. É constituído basicamente por uma sala de internamento com

gaiolas móveis de diversos tamanhos que podem ser retiradas conforme necessidade, dois banheiros, um ambulatório e escritório do médico veterinário, uma sala de autoclavagem e esterilização de materiais e um laboratório. A sala de incubação e sala de filhotes localizam-se no mesmo prédio, porém o acesso é restrito para evitar a veiculação de patógenos.

5.3.4 Sala de Necropsia

Composta por uma bancada, torneira, exaustão de ar, armários para armazenamento de equipamentos e materiais para exames complementares, balança de precisão e geladeira. Nela eram realizadas necropsias e preparação de materiais (esqueletos, ovos, etc.) para o uso na educação ambiental.

5.3.5 Cozinha e Depósito de Alimentos

Há uma funcionária responsável pela cozinha, preparando a comida de todos os animais mantidos no parque, facilitando o trabalho dos tratadores que devem apenas retirar a quantidade necessária de alimento já preparado para os animais sob seus cuidados. Na cozinha são preparados também alimentos de maior complexidade, como uma ração especialmente formulada para tucanos, para lóris, entre outras.

Os alimentos frescos como frutas, verduras e ovos são armazenados em refrigeradores no interior da cozinha. As rações secas são armazenadas em um depósito especial, com controle de umidade para evitar o crescimento de fungos e o acesso de pragas.

5.3.6 Recintos de Imersão

Um grande diferencial do parque que encanta visitantes são os viveiros de imersão. São recintos muito grandes, com portas duplas e corredor de segurança, que permitem a entrada de pessoas sem risco de fuga de animais. Nesses recintos as pessoas ficam a poucos metros dos animais, podendo interagir com eles e observar seu comportamento mais próximo ao natural, por estarem em ambientes amplos que permitem com que desenvolvam seu repertório amplo de atividades.

No Parque das Aves os recintos de imersão são temáticos, retratando habitats e seus respectivos habitantes. Alguns exemplos são o “Floresta”(com tucanos, perdizes, jacupemba, jandaia-maracanã, etc.), o “Pantanal”(com tucanos, guará, tuiuiú, gralha- do-pantanal, socó-dorminhoco, etc.), o “Borboletário” (com distintas espécies de borboletas e beija-flores) e o “Asiático” (abriga tucanos, araçaris, gralhas, pavões e em uma parte fechada corujas).

5.3.7 Recintos Fechados

Animais agressivos ou que apresentem algum risco ao visitante não podem ser mantidos em recintos de imersão, o mesmo ocorre com animais destinados à reprodução ou que não convivem pacificamente com outras espécies e devem ser mantidos isolados em ambiente tranqüilo e que proporcione o maior bem estar possível. Há recintos para avestruzes, casuares, flamingos, jacutingas, papagaios, araras, tucanos, urubus-rei e ararajubas, adequados à necessidade de cada espécie e todos podem ser observados pelos visitantes.

5.3.8 Quarentena

Quando novos animais ingressam no parque são mantidos em um prédio isolado, chamado de quarentena, por uma período aproximado de 30 dias. Durante esse período são feitos vários exames complementares para assegurar a saúde do animal e evitar o ingresso de patógenos ao plantel, é feita também a adaptação à dieta elaborada no parque, acompanhamento de peso e comportamento e marcação com microchip e/ou anilha (caso o animal não esteja identificado).

5.3.9 Educação Ambiental

Ao lado da loja, pouco antes da saída do parque, encontra-se a área de educação ambiental. Trata-se de uma estrutura construída especialmente para que as biólogas responsáveis possam realizar trabalhos de educação e conscientização sobre fauna e flora silvestre para grupos escolares ou visitas guiadas. Conta com mesas, material de desenho e pintura, murais educativos, local para apresentação de teatro e outros materiais de apoio que enriquecem o aprendizado e aumentam o interesse das crianças pelas questões ambientais.

5.4 Inventário

Na época do estágio o Parque das Aves contava com um plantel vivo de 919 espécimes e 132 espécies distintas de animais, entre aves, répteis e mamíferos, como pode-se observar no Anexo 2.

5.5 Atividades Desenvolvidas e Casuística

Como parte das atividades, o estagiário em medicina veterinária do Parque das Aves deve acompanhar cada tratador por um dia, totalizando quatro dias para acompanhar o tratamento e manejo de todos os animais mantidos no parque. No quinto dia acompanha-se a rotina da cozinha, com a preparação de alimentos específicos para cada uma das 132 espécies do acervo. A partir do sexto dia acompanhei a rotina do médico veterinário responsável. A distribuição das atividades desenvolvidas pode ser observada no gráfico 4.

Gráfico 4 – Atividades desenvolvidas no mês de agosto no Parque das Aves, divididas por área

A rotina da veterinária constituía-se basicamente de cuidado dos internados, ronda diária, atendimento de novos casos, exames complementares (parasitologia, patologia clínica e bacteriologia), programa de reavaliação anual, desverminação e

microchipagem, elaboração de novas dietas e orientação de tratadores e demais funcionários relacionados ao manejo animal.

Os animais internados eram alimentados duas vezes ao dia. A comida era pesada antes e após a oferta para estimar o consumo alimentar diário. O peso do animal era aferido regularmente para melhor acompanhamento de sua evolução clínica e os dados tabulados no Excel, como pode-se observar no gráfico 5

Gráfico 5 – Exemplo de gráfico de acompanhamento de consumo alimentar diário e massa corporal de um paciente internado no Parque das Aves

No mês de agosto pude acompanhar o internamento e tratamento de 14 animais, citados na tabela 3.

Tabela 3 – Animais internados no mês de agosto no Parque das Aves

Durante o período de internamento buscava-se oferecer o maior conforto para o animal e reduzir ao máximo fatores estressantes, para maximizar a resposta ao tratamento. Um exemplo foi o internamento do Flamingo, um animal muito sensível e suscetível ao estresse, mas que graças à uma boa ambientação e manejo recuperou- se e pôde retornar sem prejuízos ao grupo após o tratamento.

Animal Nome Científico Quadro Clínico

Ararajuba Guarouba guarouba Escoriações e retenção de ovo Flamingo-africano Phoenicopterus ruber Apatia e caquexia

Gralha-picaça Cyanocorax crysops Edema de terceira pálpebra

Gralha-picaça Cyanocorax crysops Hematomas e perfuração de olho esquerdo Jacutinga Aburria jacutinga Escoriações e ectoparasitas

Jandaia-maracanã Aratinga leucophtalma Auto mutilação

Jandaia-verdadeira Aratinga jandaya Escoriações e fratura de metacarpo Jandaia-verdadeira Aratinga jandaya Escoriações e hematomas

Lóris-arco-íris Trichoglossus haematodus Dispnéia, apatia e afagia

Papagaio-de-peito-roxo Amazona vinacea Pneumonia e paralisia de membros posteriores Tucano-de-bico-verde Ramphastos dicolorus Perda de peso e capilariose crônica Tucano-de-peito-branco Ramphastos tucanus Tumor em região uropigeana

Tucano-toco Ramphastos toco Apatia

Figura 5 – Internamento de um Flamingo. Uso de espelhos para proporcionar maior conforto e segurança ao animal. Parque das Aves. Fonte: Mathias Dislich

A ronda diária era realizada de preferência no período da manhã. Seus objetivos eram a avaliação dos animais e dos recintos, com a finalidade de fazer um diagnóstico precoce de qualquer alteração e/ou irregularidade. Todos os profissionais relacionados ao manejo animal realizavam uma ronda, e qualquer alteração era comunicada imediatamente ao veterinário, biólogas ou ao tratador responsável ou se não fosse urgente era discutida na reunião diária realizada antes do almoço.

Exames complementares eram realizados freqüentemente, tanto em animais enfermos e em tratamento como em animais sadios em seus recintos, para diagnóstico precoce e profilaxia de enfermidades. Os principais exames realizados no parque eram exames coproparasitológicos, esfregaços sanguíneos e hematócrito. Durante o estágio pude acompanhar a realização de 51 exames complementares, dos quais 30 foram exames de fezes, 19 esfregaços sanguíneos e duas citologias.

As necropsias eram realizadas pelo médico veterinário com o auxílio de sua assistente e do estagiário. Procurava-se realizar este procedimento imediatamente após o óbito do animal, mas quando não era possível acondicionava-se o cadáver em um saco plástico no refrigerador. Todos os órgãos eram separados e pesados individualmente. Fragmentos de tecidos eram sempre separados e enviados ao laboratório de Anatomia Patológica da Universidade de São Paulo (USP).

Durante os meses de agosto e setembro é feito o recenseamento anual, com avaliação clínica e desverminação de todos os animais. Em 2009, além dessas ações, todos os animais que não portavam microchip seriam também microchipados. Acompanhei este procedimento em 283 animais, de diversas espécies, como flamingos, papagaios, jandaias, emas, marrecos, araras, grous, guteras, vulturinas, cisnes, tucanos, etc.

6 DISCUSSÃO

A realização de estágio curricular em duas instituições propicia a oportunidade de conhecer distintas realidades e modos de trabalhar. A rotina de um CETAS é o atendimento clínico e/ou cirúrgico imediato de animais que muitas vezes foram vítimas de maus tratos ou posse irresponsável. Por outro lado, o trabalho em um parque zoológico é muito mais voltado ao manejo e nutrição animal, com especial ênfase em medicina preventiva. Fato esse que é claramente observado na casuística das duas instituições. Durante o mesmo período (quatro semanas), acompanhei 156 casos clínicos no CETAS, a maioria devido à má alimentação ou maus tratos. Já no Parque das Aves acompanhei 14 casos, dentre os quais prevaleciam traumas por brigas devido à aproximação da estação reprodutiva. Esses dados reforçam a importância de um manejo adequado para a manutenção de animais saudáveis.

O CETAS, apesar de mantido por uma instituição privada, enfrenta sérios problemas financeiros e de abastecimento. Muitos medicamentos fora do prazo de validade, carência de material básico como algodão e ausência de material essencial para o uso em emergências, como cilindro de oxigênio. No Parque das Aves a situação era distinta, e todo o material necessário era prontamente providenciado. Porém, ambas instituições tem suas vantagens para realização do estágio curricular. Estando no CETAS é possível acompanhar uma imensa variedade de casos e espécies, praticar distintos procedimentos e técnicas, pesquisar e aprender a cada dia sobre as novas espécies recebidas. No Parque das Aves pude perceber a importância do planejamento de ações, da elaboração de dietas adequadas, de programas de prevenção e controle de doenças para que o plantel mantenha-se em equilíbrio.

No documento RODOLFO SILVA BERTOLI (páginas 31-43)

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