2.2 Parque Científico e Tecnológico (PCT)
2.2.3 Parques científicos e tecnológicos no Brasil
As primeiras experiências brasileiras pertencem a 2ª geração de parques (os seguidores). E buscam, basicamente, transformar aqueles municípios com algum potencial para C&T instalado em um centro de atração ou de criação de empresas de alta tecnologia. Neste sentido, acreditava-se que com a sua implantação, seriam gerados empregos mais bem qualificados e remunerados, gerando efeitos indiretos de encadeamento industrial, o que acarretaria maior arrecadação de impostos para esses municípios.
O movimento de Parques Tecnológicos no Brasil é bastante recente, surgiram nos anos 1980, através do Programa de Implantação de Parques de Tecnologia, fruto da iniciativa do presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) na época, Lynaldo Cavalcanti de Albuquerque (MIRANDA; BEVILACQUA, 2011). Deste modo, percebe-se que todos os embriões nasceram com recursos públicos e apoiados no conhecimento gerado nas universidades públicas.
No cenário brasileiro, as primeiras incubadoras estabeleceram-se espalhados pelo país, mais precisamente, em Campina Grande-Paraíba, em Santa Maria-Rio Grande do Sul, em São Carlos - São Paulo, Joinville – Santa Catarina, Manaus-AM e em Petrópolis - Rio de Janeiro. Tais experiências geraram mudanças nas concepções das lideranças acadêmicas e científicas no país, que passaram a acreditar no grande potencial do relacionamento entre universidades, centros de pesquisa e os segmentos da indústria. Então, com a difusão destas iniciativas, criou-se a Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (ANPROTEC), cujo objetivo é apoiar e articular parques tecnológicos e incubadoras.
No final dos anos 1990 até início de 2003, percebe-se que as iniciativas de PCTs no Brasil começam a prosperar mais rapidamente. Como exemplos, o Parque Tecnológico do Rio de Janeiro, o Polo de informática de São Leopoldo e o TECNOPUC (RS), o Sapiens Parque
em Florianópolis, o Porto Digital em Recife, o Sergipe Tec em Aracajú, o Parque Tecnológico da Univap em São José dos Campos, entre outros.
É possível observar que no Brasil, assim como em outros países periféricos, os PCTs nascem de políticas públicas científicas e tecnológicas que têm como base modelos adotados em países de capitalismo avançado. Acontece que as condições necessárias para sua implantação e a realidade dos países periféricos são bem diferentes, ocasionando, mais de três décadas depois do surgimento das primeiras experiências, resultados bastante modestos que são frutos da fraqueza da interação entre o potencial de C&T e o desenvolvimento econômico no país.
A esse respeito, segundo Steiner, Cassim, Robazzi (2008), no Brasil, há uma assimetria perversa entre geração de conhecimento e a capacidade de usá-lo. Isto significa não se tem a capacidade de transformar conhecimento em riqueza. Ainda de acordo com esses autores, outro fator que desfavorece o país é a quantidade de pesquisadores na empresa e no meio acadêmico. Neste sentido, observa-se que a maioria encontra-se nas universidades.
De tal modo, não há o entendimento de que “a pesquisa aplicada e o desenvolvimento necessários a criação de inovação tecnológica e competitividade deve ocorrer na empresa” (CRUZ, 2000, p.7). Isso significa que quase a totalidade da atividade de pesquisa e desenvolvimento ocorre em ambiente acadêmico ou instituições governamentais, tornando o conceito de pesquisador na empresa ainda incipiente no Brasil.
De acordo com Dagnino (2007), a permanência dessa debilidade na experiência brasileira tem como causa os fatores a seguir:
A baixa intensidade tecnológica da indústria brasileira;
A baixa capacidade de absorção do pessoal pós-graduado pela empresa privada;
A baixa capacidade de utilização do potencial científico para inovação tecnológica;
A propriedade estrangeira das empresas de maior intensidade tecnológica e sua baixa propensão a inovar
O baixo potencial de mobilização da capacidade de P&D pública pela empresa privada;
O baixo potencial de captação de recursos pelas instituições de P&D via contratação de projetos de pesquisa com a empresa privada;
Assim sendo, pode-se dizer que o descompasso entre a capacidade de transformar conhecimento em riqueza, ou seja, a capacidade de utilizar o potencial de C&T no sistema produtivo e a tentativa de imitar acriticamente as experiências de sucesso dos países avançados, sem considerar a realidade brasileira, são causas essenciais do não atingimento das metas propostas pela implementação de parques tecnológicos no país.
Diante deste cenário, a criação de PCTs no Brasil, aliada a política de inovação tecnológica, deve tentar preencher essas lacunas e atenuar os descompassos, diminuindo o hiato entre produção e aplicação do conhecimento. Além disso, para que essas iniciativas sejam viáveis devem-se considerar as especificidades locais, ou seja, a realidade de cada localidade, seu potencial produtivo, suas características sociais, politicas, econômicas e culturais.
Com relação aos modelos, as experiências brasileiras seguem as tendências internacionais. Ou seja, observa-se a inexistência de um conceito amplo e universal de Parque Cientifico e Tecnológico, pois, eles são muito diversos uns dos outros. Entretanto, é possível perceber em comum a presença dos stakeholders envolvidos - universidades e institutos de pesquisa, empresários e acadêmico-empresários, agentes financeiros e venture capitalists, governos e agências de desenvolvimento e os principais objetivos, a saber: geração de empregos; estabelecimento de novas empresas; facilitação da interação entre universidades e empresas localizadas no parque e promoção e difusão de tecnologias inovadoras (VEDOVELLO; JUDECI; MACULAN, 2006).
Desta forma geral, os parques tecnológicos brasileiros possuem as seguintes características: lócus delimitado, com infraestrutura para promoção de empresas de alta tecnologia, predomínio da articulação, cooperação e o planejamento, cujo objetivo principal é o desenvolvimento regional. Além disso, no caso do Brasil, os projetos de parques têm demonstrado extrema dependência do aporte de recursos públicos, comprometendo a autos sustentabilidade dessas iniciativas.