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Os parques urbanos são elementos inseridos na cidade como formas de composição da paisagem e como meios de interação entre seres humanos, animais e natureza. Estes são atribuídos ao lazer, já que são aproveitados para descanso, prática de atividade esportiva, interação entre crianças e também como formas de preservação da fauna

8 Parque linear caracterizam-se como uma intervenção urbanística associadas aos cursos d'água, principalmente

34 e da flora existente em locais não degradados de cidades. Com o passar do tempo e a forma dinâmica e corrida da vida moderna, tais locais, perderam espaço para áreas de lazer fechadas em condomínios, que promovem apenas a interação humana de mesma classe social, rompendo a troca de experiências e a promoção de relações diversas. Unido a essa questão soma-se a falta de iniciativa, gestão e manutenção destes locais pelo poder público e pelas comunidades locais.

O crescimento das cidades e a massificação da paisagem, por construções cada vez maiores e ocupações quase totais do lote, tornou os espaços livres menores em relação ao terreno. Sendo assim, Macedo, 1997, afirma que tal contexto forçou os usuários do espaço a buscarem soluções como parques, praças e ruas, já que os espaços livres são o palco de parte da vida urbana ao ar livre. Com isso, o poder público para reverter a ocupação exacerbada do lote, cria recuos, aumentando-se as áreas livres de empreendimentos, que acabam sendo destinadas ao lazer, através da inserção de equipamentos, como piscina, quadras, playgrounds e outros. Para Macedo, 1997, a rua perde suas características de área de lazer, destinando-se seus espaços a circulação e ao acesso dos lotes e ponto de parada para veículos. Assim, as praças, parques e espaços livres dos lotes ficam encarregados de cobrir esta falta, mesmo estas duas primeiras sendo mal distribuídas.

Na população de baixa renda, diferente das de maior poder aquisitivo, que possuem suas áreas de lazer intramuros, há uma maior importância dos espaços de livres, estes até os criam. Serpa, 1997, diz que os prédios não são isolados por muros e os espaços livres a frente de prédios, adquirem feições de pequenas praças de importância local, bastante usadas pelos moradores do entorno. Já os espaços mais reservados são usados para varal de roupa, estacionamento, plantio de hortícolas, temperos e plantas ornamentais ou áreas de estar, sendo uma extensão de suas casas.

Na visão de Macedo, Queiroga e Dregeas, 2012, ocorre uma necessidade cultural de vegetação, com o aumento na quantidade de construções e impermeabilização por quadra urbana, e a consequente diminuição dos espaços livres disponíveis, que ocorre paralelamente a uma redução das áreas permeáveis, passiveis de plantio dentro do espaço privado. Alguns locais que possuem vegetação mesmo que longe dos preceitos adotados por ambientalistas são os bairros ocupados por segmentos de alto poder aquisitivo. Nestes locais a vegetação não aparece na totalidade do espaço urbano, essa se encontra em quintais e jardins, o que nem sempre é adotado por populações de baixa renda, devido ao custo do solo urbano. Essa vegetação está presente na cidade, de forma geral, nos poucos parques existentes, na praça públicas, nas ruas e avenidas arborizadas, em jardins sobre laje nas áreas verticalizadas, nos terrenos baldios, nas poucas florestas urbanas, em alguns campi universitários e ao longo de muitas das orlas praianas e fluviais.

35 A criação da legislação ambiental, como relacionada nos itens anteriores, também contribuiu para a criação de parques urbanos, nos espaços de vegetação ainda intacta, ou em estado de degradação a serem recuperados. No entanto, Carneiro, 1997, deixa claro que as diversas concepções de parques têm mudado durante anos, influenciadas pelas características socioeconômicas e culturais da população e também pela localização nos aglomerados urbanos. Com isso, os projetos paisagísticos, as funções e usos de parques variam de acordo com o modo de vida da população. Sendo assim, torna-se imprescindível a participação dos usuários, no planejamento e no gerenciamento de parques.

Uma visão mais ampla no que diz respeito a espaços de lazer urbanos, bem como a Parques Urbanos é feita por Silva, 2004, onde este diz:

Os Parques urbanos, os logradouros públicos (grandes avenidas com amplas calçadas) lagos e lagoas urbanizados atingem diferentes camadas sociais e têm múltiplos usos. A classe média se exercita e recreia-se ao longo das caminhadas e corridas, põem o papo em dia enquanto oxigena o sangue e queima as calorias para baixar o colesterol e reduzir medidas. É saudável e de graça.

As camadas mais populares veem- como opções e encontros, às vezes, como migrantes dispersos no cotidiano pela cidade. É o lugar da paquera, da festa. Onde se dão os programas culturais populares ou aqueles promovidos pelas autoridades políticas. Aos jovens irreverentes com seus carros e motos ‘envenenados’, servem como estacionamento e parada para tomar ‘uma latinha’, enquanto assistem ao ‘passeio das garotas e à corrida tresloucada daqueles mais ousados, ao som de muita música com volume alto e ensurdecedor. Quanto mais ousadia, mais adrenalina.

Além da inserção de diferentes tipologias sociais, os Parques Urbanos são importantes meios de inserção artística e cultural entre a população, como Silva, 2004, explicita.

Para aqueles que tocam algum instrumento, ou eternizam cantores por meio das músicas, esses espaços são excelentes oportunidades para mostrar as performances musicais e divulgar novos talentos artísticos. Há também os capoeiristas que realizam nesses lugares, verdadeiros shows de ginga, balanço e acrobacias, sempre animado com o som do berimbau, pandeiro, atabaques e das palmas em ritmo afro-brasileiro.

Os Parques Urbanos atendem a diversas faixas etárias e são ambientes propícios ao esporte, a recreação e o comercio, como Silva, 2004, conclui.

Às crianças e aos adolescentes, os parques e áreas abertas urbanas dispõem de espaços para manobras radicais de skates, patins e bicicletas. Aos mais tranquilos, oportunizam-se soltar com segurança as pipas, papagaios, arraias, pandorgas (...) - depende da região - pois não há riscos de tocar nos fios e postes.

São também nessas praças, parques e logradouros, que muitos artesãos expõem e vendem seus produtos; há pipoca, cachorro-quente, milho verde, água de coco, outros tipos de comida e de bebida típicas.

Os espaços urbanos sejam parques, praças, logradouros, lagos e lagoas urbanizados, são também lugar dos excluídos e de atividades ilícitas: ponto de prostituição, lugar de repouso de andarilhos ou mendigos; tráfico e consumo de drogas; ponto de arregimentação e aliciamento de trabalhadores desocupados ou disponíveis; circuito das migrações temporárias.

36 A concepção da legislação ambiental, como citado em itens anteriores, auxiliou na criação de parques. No entanto, Carneiro, 1997, diz que os parques criados, não foram bem sucedidos, devido a problemas, como falta de verbas para a manutenção, deficiência de responsabilidades entre o governo central e local. Além da falta de funcionários treinados, vandalismo, falta de segurança, e espaços que atendam aos diferentes grupos sociais, incluindo os deficientes físicos e idosos. Serpa, 1997, explica que os parques são diferentes de praças, ruas e logradouros, pois nestes é possível ter um administrador, uma equipe para cuidar da manutenção e um viveiro para suprir as necessidades, sendo assim, mais facilitado a conservação da ordem e da segurança destes.

Outro ponto abordado por Carneiro, 1997, diz respeito aos fatores que influenciam a concepção do parque, como a história, a localização, o tipo de mobiliário urbano, os tipos de brinquedos infantis, a qualidade arquitetônica, e a locação de edificações utilitárias do parque, a provisão dos equipamentos recreativos e a disponibilidade de recursos. Um aspecto que deve ser considerado é o valor estético da paisagem natural do planejamento urbano, amplamente difundido por Burle Marx. O que se vê na realidade é o planejamento de parques na base do improviso, sem considerar os anseios dos usuários e mal administrados.

Segundo Serpa, 1997, o homem moderno é um homem só, vivendo numa sociedade onde o indivíduo se sobrepõe ao coletivo, onde as relações de vizinhança são influenciadas pela densidade populacional do local habitado, pelo nível econômico, o grau de cooperação dos habitantes, bem como pela distância entre as unidades de habitação. Para agravar tal contexto, há a privatização dos espaços livres de uso coletivo, um problema que atinge as cidades como um todo, sem distinção de classe. Com isso, há a privatização de ruas e acesso, restringindo o movimento de passantes, canalizando percursos e provocando a desertificação de muitas áreas urbanas periféricas, assim, há o confinamento de moradores, agravando-se a questão das drogas, e aumentando a violência urbana. Unindo-se a este contexto, há a autovalorização de automóveis em relação ao pedestre.

Assim, torna-se necessário, segundo Silva, 2004, que a vida na cidade, a prática do lazer com variadas formas de exercício e sociabilidade, que aliem grupos, vizinhança, parentes em torno de eventos locais, para coibir a violência real das ruas que ameaça a vida cotidiana. Além da criação de espaços de lazer e locais para o esporte como forma de revitalização da cidade, praças, áreas verdes é preciso introduzir formas de identificação social e pertencimento, ou seja, criar possibilidades de inclusão.

Conclui-se que o homem contemporâneo precisa inserir-se na cidade como um todo, criar relações sociais e de convívio, gerando assim, qualidade de vida. Para que isso, se torne realidade é necessária a criação de Parques Urbanos que levem em consideração anseios da população moradora e onde estejam presentes elementos de lazer e convívio.

37 Além de destes elementos sociais, se torna necessário para o sucesso destes locais, um gerenciamento coerente por parte do poder público ou da própria população, de forma a trazer a estes lugares o pertencimento e o conforto desejável.

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