Capítulo I – Percursos e impressões:da experiência ao conhecimento
1.5 Roteiro de entrevistas
1.5.3 Parte C – Atuação programática do setor de SMAPS
Podemos observar uma distinção entre os atores do setor humanitário do passado, especialmente aqueles de variação religiosa, os quais acreditavam que Deus estava ao seu lado, e os atuais, que acreditam na a ciência, em conformidade com as chamadas “intervenções baseadas em evidências”. Hoje, no setor de SMAPS, há tendências importantes em torno das várias discussões técnicas sobre as ligações
entre pesquisa e prática, tipos de intervenções, relevância e sustentabilidade, com esforços crescentes para se desenvolver intervenções que sejam escalonáveis;
inclusive intervenções de autoajuda; com uso de tecnologia; lançamento de "pacotes"
de intervenções padronizadas, assim por diante. Nesse contexto:
1. Qual seria sua opinião sobre isso? Além disso, como ficam as intervenções para engajar os determinantes sociais e as dimensões do bem-estar?
2. Pergunta final (se já não respondeu): Atualmente, qual seria o argumento ou pergunta desafiadora para o campo da SMAPS? (para os decisores políticos e / ou profissionais)
1.6 Breve biografia dos entrevistados
Mark Van Ommeren
Consultor de Saúde Pública na área de Saúde e Mental e coordenador da equipe de pesquisa e evidência de saúde mental (Mental health evidence and research – MER) da Organização Mundial da Saúde - OMS. É ponto focal da OMS para saúde mental e apoio psicossocial (SMAPS) em emergências e tem desempenhado um papel fundamental no desenvolvimento de documentos normativos amplamente utilizados sobre SMAPS em emergências, incluindo as Diretrizes IASC sobre SMAPS (2007), diferentes edições do Manual do Projeto Esfera30, bem como uma série de orientações e ferramentas técnicas publicadas pela OMS. Seu trabalho e seus interesses incluem:
desenvolvimento de políticas de SMAPS em emergências focadas no desenvolvimento de técnicas de intervenção; “Reconstruir melhor” (Building Back Better) os sistemas de saúde mental; e desenvolver, testar e/ou disseminar intervenções escalonáveis.
Mike Wessells
Professor da Columbia University, no Programa de Migração Forçada e Saúde.
Pesquisador atuante na área de apoio psicossocial e proteção infantil. É ex-co-presidente do Grupo de Trabalho do IASC sobre Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Situações de Emergência. Recentemente, foi um ponto co-focal em SMAPS para a revisão dos padrões humanitários do Projeto Esfera. Ele conduziu uma extensa pesquisa sobre os impactos da guerra e da violência política sobre crianças, e é autor de “Child soldiers: from violence to protection” (Harvard University Press, 2006) (Crianças-soldados: da violência à proteção). Atualmente é o pesquisador líder em
30The Sphere Project – Projeto Esfera – é um conjunto de padrões e normas mínimas universais que deveriam ser aplicáveis aos setores básicos de resposta humanitária.
vários países sobre o fortalecimento dos mecanismos de proteção à criança baseados na comunidade, permitindo ligações efetivas com os sistemas nacionais de proteção à criança. Ele regularmente aconselha agências da ONU, governos e doadores sobre questões de proteção à criança e apoio psicossocial, inclusive em comunidades e escolas. Em toda a África e Ásia, ele atua no desenvolvimento de programas baseados na comunidade e culturalmente fundamentados que ajudam pessoas afetadas por conflitos armados e desastres naturais.
Peter Ventevogel
Psiquiatra eantropólogo médico e desde 2013 trabalha como Oficial Sênior de Saúde Mental da Agência das Nações Unidas para Refugiados (ACNUR) em Genebra. De 2008 a 2013, ele foi o editor-chefe da revista científica "Intervention Journal of Mental Health and Psychosocial Support in Conflict Affected Areas", publicada pela War Trauma Foundation. Trabalhou com a ONG holandesa Health Net TPO, em projetos de saúde mental no Afeganistão (2002 - 2005) e Burundi (2005-2008) e como Assessor Técnico em Saúde Mental, na sede, em Amsterdã (2008-2011). Em 2011 e 2012, ele também trabalhou como psiquiatra na Arq Foundation, o centro nacional de especialistas em trauma na Holanda. Ele também fazia, regularmente, consultorias para a OMS no Egito, Jordânia, Líbia, Paquistão, Sudão e Síria. Foi diretor de vários cursos acadêmicos de curta duração em todo o mundo.
Sarah Harrison
Co-Presidente do Grupo de Referência IASC de Saúde Mental e Apoio Psicossocial em Emergências Humanitárias desde 2016 e assessora técnica da área de SMAPS para Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. É psicóloga na área de SMAPS em emergências, com experiência em várias ONGs internacionais e ACNUR na Turquia, Síria, Jordânia, Mianmar, Haiti, Índia, Paquistão, República Democrática do Congo, Somália, Quênia, Etiópia, Afeganistão e Serra Leoa.
Lynne Jones
Psiquiatra de crianças e adolescentes, escritora, pesquisadora e assistente social.
Tem-se empenhado na área de SMAPS em situações de desastre, conflito e pós-conflito, desde 1990, em todo o mundo. Sua última publicação foi “Outside the Asylum:
A Memoir of War, Disaster and Humanitarian Psychiatry” publicado em junho de 2017, na qual explora sua experiência como psiquiatra em guerra e zonas de desastre por 25 anos. Publica com frequência suas reflexões sobre seu trabalho atual com migrantes na Europa e na América Central. Até 2011, era a assessora técnica sênior em saúde mental do International Medical Corps. É diretora de curso do programa de Saúde Mental em Emergências Complexas do Instituto Internacional de Assuntos Humanitários, Universidade de Fordham, ademais, presta consultorias para a Organização Mundial de Saúde. É consultora técnica no desenvolvimento para uma série de temas da área para OMS e ACNUR, além de membro do centro de estudos avançados da Universidade de Harvard.
Ananda Galappatti
Antropólogo médico e atuante no campo de SMAPS em situações de conflito, desastre e pobreza. Seu trabalho neste campo, nos últimos 18 anos, tem sido sobre estratégias para intervenções que melhorem o acesso ao conhecimento e habilidades, construindo redes de colaboração para aumentar a coerência programática no campo de SMAPS no Sri Lanka e no mundo. Seus interesses abrangem a provisão de respostas emergenciais de SMAPS, a integração de SMAPS à reconstrução e ao desenvolvimento pós-emergência, cuidados e proteção de crianças vulneráveis, respostas à violência baseada em gênero e serviços para pessoas com transtornos mentais graves. É cofundador da revista Intervention Journale continua a atuar em seu conselho editorial. Ele é cofundador e atual membro do Conselho de Administração da rede global de SMAPS e afiliado do Centro de Pesquisa e Análise de Políticas Sociais da Universidade de Colombo.
Leslie Snider
Psiquiatra, líder na área de SMAPS, autora de várias publicações no setor, inclusive o manual sobre “Primeiros Cuidados Psicológicos”, da OMS. Ela dirigiu um programa de estudos por 10 anos em Saúde Mental Internacional e Antropologia Médica. Além do trabalho clínico em saúde mental pública, possui mais de 20 anos de experiência em programas internacionais para crianças e famílias afetadas por desastres, conflitos, HIV/AIDS, pobreza e exploração. Ela colaborou com várias organizações da ONU, governamentais e não governamentais e atuou como consultora do governo dos EUA, na UNICEF entre outros.
Alison Schafer
Psicóloga, completou sua pesquisa de doutorado no Sudão do Sul, explorando vários elementos da Saúde Mental e Apoio Psicossocial (SMAPS). Atualmente é oficial técnica no Departamento de Saúde Mental e Abuso de Substâncias, da Organização Mundial de Saúde. Nos últimos oito anos, foi consultora técnica global de SMAPS para a World Vision International. Em seu papel como assessora técnica de SMAPS, atuou em dezenas de emergências, como a crise de ebola em Serra Leoa, ao prolongado conflito na Síria e nos territórios palestinos ocupados da Cisjordânia e Gaza.
Orso Muneghina
Formado em Ciências Políticas, chefe de resposta a emergências da Aldeias Infantis (SOS Children´s Village Italy), é especialista em desenvolvimento e coordenação de programas e projetos de SMAPS destinados a comunidades vulneráveis em zonas de conflito. Trabalha principalmente em questões de direitos da criança, deficiência e proteção aos refugiados. É o autor de várias publicações no campo de SMAPS.
Zeinab Hijazi
Zeinab Hijazi, tem mais de 13 anos de experiência no apoio aos programas de SMAPS. Trabalhou com a organização “International Medical Corps” na região do Oriente Médio e Norte da África (MENA), fornecendo consultoria regional por 6 anos em orientação e supervisão em desenvolvimento, monitoramento, avaliação e gestão de atividades de SMAPS culturalmente apropriadas no Líbano, na Jordânia, na Síria, na Turquia, no Iraque, na Tunísia, na Líbia e no Iêmen. Também foi consultora e atualmente está sediada em Nova York com a Unidade de Proteção à Criança em Emergências da UNICEF, de onde fornece orientação de programa e apoio técnico para melhorar a abordagem da UNICEF à provisão de saúde mental e apoio psicossocial a crianças e famílias em situações humanitárias.
Milena Osório
Milena Osorio é Psicóloga Clínica e coordenadora do setor de Saúde Mental e Apoio Psicossocial do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV). Possui 21 anos de experiência em trabalho humanitário, especificamente na elaboração e implementação de programas de saúde mental para ajudar vítimas de conflitos armados, violência e desastres. Milena trabalhou por 16 anos no campo, fornecendo suporte de saúde mental para esses grupos em todo o mundo. Milena exerce a função de coordenação em SMAPS na sede do CICV em Genebra desde 2013, liderando e fornecendo apoio técnico a uma equipe de quase 100 profissionais que trabalham hoje para o CICV no campo da saúde mental em 82 programas em todo o mundo. Milena é colombiana, onde começou a ajudar as vítimas do conflito em seu país, pautada em estudos sobre direitos humanos.
EM EMERGÊNCIAS HUMANITÁRIAS
CAPÍTULO II
Região remota no interior do Sudão do Sul, antes da independência de 2011
Sudão do Sul, 2009
Sudão do Sul - Foto aérea da região do Grande Nilo Superior, 2009
Sudão tem sido afetado por guerra e conflitos desde antes da independência.
Estimativas apontam que pelo menos dez mil pessoas morreram no conflito já no período pós-independência.
Mercado central da cidade de Hargeisa
Mercado típico do centro da cidade de Hargeisa
Somalilândia é considerado internacionalmente como uma região autônoma da Somália, apesar de não ser reconhecida como um estado oficialmente.
CAPÍTULO II – DIRETRIZES IASC DE SAÚDE MENTAL E APOIO