Trabalho em Pequenos Negócios no Brasil: o saldo da década perdida
1981 (1) 1984 (1) 1990 (2) Participação dos empregados sem carteira no total de
empregados do setor privado não agrícola
32,9 32,9 34,1
103
Como veremos no próximo capítulo, esse não foi o caso do período 1990-2005, com suas profundas alterações na composição do emprego formal, segundo o tamanho dos estabelecimentos.
Número absoluto de empregados sem carteira assinada do setor privado não agrícola
8.004,8 8.639,8 10.851,8
Total de empregados não agrícolas 24.330,8 26.260,9 31.823.365
Fonte: (1) IBGE, Diretoria Técnica, Departamento de Estudos e Indicadores Sociais. Tabela extraída de: Anuário Estatístico do Brasil 1981. Rio de Janeiro: IBGE, v. 42, 1982. (2) IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Emprego e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil. 1992. Rio de Janeiro: IBGE, v. 52, 1992.
Os dados disponíveis mostram que o grau de assalariamento sem carteira é elevadíssimo nos estabelecimentos com até 10 empregados. Assim, por exemplo, em 1990, no conjunto da estrutura ocupacional do setor privado não agrícola, 34,1% eram empregados sem carteira de trabalho assinada, mas no universo de estabelecimentos com até 10 ocupados, essa proporção era muito mais elevada (71,5%), o que representava aproximadamente 7,8 milhões de empregados sem carteira (veja Quadros 2.3.6 e 2.3.7). Os 3,1 milhões de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada restantes estavam ocupados em estabelecimentos com 11 ou mais empregados.
Pelos dados da PNAD/IBGE, para o universo de estabelecimentos com 11 ou mais empregados, não é possível saber em que tamanho de estabelecimento estavam empregados esses 3,1 milhões de trabalhadores. Assim, não é possível ter certeza se esses empregados trabalhavam em micro, pequenas, médias ou grandes empresas. Considerando que o corte para classificação de empregados no universo de micro e pequenas empresas é de até 49 empregados no Comércio e nos Serviços e de até 99 empregados na Indústria, neste trabalho será adotada a hipótese de que todos esses empregados sem carteira estavam ocupados em micro e pequenas empresas104. Com esta hipótese chega-se à estimativa de que havia 10,8 milhões de trabalhadores em MPE sem carteira de trabalho assinada em 1990, o que é um montante bem maior do que os 6,8 milhões de
104
Os dados da PNAD, referentes aos empregados do setor privado (exclui a Administração Pública) não agrícola com carteira assinada, mostram que apenas 3,5 milhões de empregados com carteira estavam ocupados em estabelecimentos com até 10 empregados. Já os dados da RAIS apontaram 6,8 milhões de empregados com carteira em micro e pequenas empresas, em 31 de dezembro de 1989. Isso mostra que deve haver um volume muito maior de empregados com carteira de trabalho assinada no universo de empregados em estabelecimentos com 11 ou mais empregados, registrados pela PNAD, que são trabalhadores de micro e pequenas empresas, algo acima de 3 milhões, considerando as diferenças de anos e de fontes de pesquisa. Esse também deve ser o caso para o universo de trabalhadores sem carteira de trabalho assinada, que tradicionalmente apresentam uma presença relativamente maior nas menores empresas. A hipótese de considerar trabalhadores de MPE, os 3,1 milhões registrados pela PNAD como empregados sem carteira assinada em estabelecimentos com 11 ou mais empregados parece, portanto, muito plausível.
empregados em MPE do setor formal, registrados pela RAIS em dezembro de 1989105. Isso leva também a uma estimativa de que o ritmo de expansão do emprego formal no segmento de MPE, de 54,3%, entre 1980 e 1989, foi maior do que o ritmo de expansão do emprego assalariado sem carteira, por hipótese empregados de MPE, de 35,6%, entre 1981 e 1990.
Quadro 2.3.7
Distribuição dos empregados, com e sem carteira de trabalho assinada, segundo
número de pessoas ocupadas no trabalho principal no setor privado não agrícola. Brasil, 1990.
Número de pessoas ocupadas no estabelecimento Total Assalariados com Carteira
Assalariados sem Carteira
1 a 5 (em %) 49,5 10,8 60,3 6 a 10 (em %) 7,1 5,9 11,2 Até 10 (em %) Número absoluto 56,6% 16,7% 71,5% 7.759.000 11 ou mais (em %) Número absoluto 43,4 83,3 28,5 3.092,8 Total (em %) Número absoluto (100,0) 31.823.365 (100,0) 20..971,6 (100,0) 10.851,8
Fonte:IBGE. Anuário Estatístico de 1994, Rio de Janeiro. IBGE, vol. 54, 1994.
As maiores participações dos empregados sem carteira de trabalho assinada – que por hipótese eram todos empregados de MPE - encontravam-se, em 1981, no conjunto dos empregados nos ramos da Prestação de Serviços (62,9%), Construção Civil (45,0%), Atividades Sociais (36,3%), no Comércio de Mercadorias (26,4%) e nos Serviços Auxiliares da Atividade Econômica (21,6%) (veja Quadro 2.3.3). Essas são atividades tradicionalmente marcadas pela elevada presença de micro e pequenas empresas.
No conjunto dos empregados do setor privado não agrícola, observa-se que a participação dos empregados sem carteira de trabalho assinada manteve-se estável, entre 1981 e 1984 (32,9%
105
Em função dos problemas de expansão da amostra todos os dados da PNAD estão superestimados. Por isso, não se pode considerar que o número de trabalhadores sem carteira fosse mesmo 10,8 milhões em 1990. Entretanto, considerando que, do total de empregados do setor privado não agrícola (31,8 milhões), com e sem carteira de trabalho, a maioria (56,5%) estava empregada nos estabelecimentos com até 10 empregados em 1990, aproximadamente 18,0 milhões, segundo os dados da PNAD, certamente, o universo de empregados em MPE é
do total de empregados), elevando-se para 34,1% em 1990. Isso indica, portanto, que a expansão do assalariamento sem carteira foi maior na segunda metade da década.
Entretanto, no interior de alguns ramos de atividade, o assalariamento sem carteira elevou-se mais rapidamente no período 1981-84: na Prestação de Serviços; nas Atividades Sociais; na Indústria de Transformação e nos Serviços Auxiliares da Atividade Econômica. Com exceção deste último ramo de atividade, em todos os demais ramos ocorreu redução do peso do assalariamento sem carteira no período 1984-90; mas apenas na Prestação de Serviços, com uma expressiva queda neste período, o peso do assalariamento sem carteira era menor em 1990 do que em 1981. Observa-se, portanto, que dos cinco ramos com graus mais elevados de assalariamento sem carteira, três deles apresentaram maior crescimento do emprego sem carteira no período mais agudo da crise econômica (1981-83).
A forte crise no setor industrial contribuiu para a elevação do emprego sem carteira nas micro e pequenas empresas. Mas nesse período de fortes impactos negativos da crise sobre o mercado de trabalho brasileiro, os ramos com maior concentração de micro e pequenas empresas e de elevado grau de assalariamento sem carteira – Prestação de Serviços e Atividades Sociais – também sofreram de forma mais acentuada os efeitos da crise, o que contribuiu para a elevação do trabalho sem carteira assinada nas micro e pequenas empresas desses ramos de atividade (veja Quadro 2.3.8).
muito maior do que os 6,8 milhões de empregados com vínculos formalizados. Esses mesmos problemas limitam as comparações das taxas de expansão do emprego formal (RAIS) e do emprego sem carteira (PNAD).
Quadro 2.3.8
Grau de assalariamento sem carteira de trabalho assinada do setor privado não agrícola, por setor de atividade. Brasil, 1981, 1984 e 1990.
Ramos de Atividade 1981 (1) 1984 (2) 1990 (2)
Indústrias de transformação 14,6 18,7 17,7
Indústria da Construção 45,0 11,9 45,9
Outras atividades industriais 15,3 15,2 20,1
Comércio de mercadorias 26,4 23,2 29,0
Prestação de serviços 62,9 78,6 61,8
Serviços auxiliares da atividade econômica 21,6 23,0 23,8
Transporte e Comunicação 15,6 6,7 17,0
Atividade Sociais 36,3 42,5 40,9
Outras atividades 8,2 8,2 12,3
Participação dos empregados sem carteira no total de empregados do setor privado não agrícola
32,9 32,9 34,1 Fonte: (1) IBGE, Diretoria Técnica, Departamento de Estudos e Indicadores Sociais. Tabela extraída de: Anuário Estatístico do Brasil 1981. Rio de Janeiro: IBGE, v. 42, 1982. (2) IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Emprego e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Tabela extraída de: Anuário Estatístico do Brasil. 1992. Rio de Janeiro: IBGE, v. 52, 1992.
Em outros ramos de atividade, no entanto, ocorreu uma forte queda da participação do emprego assalariado sem carteira, no período 1981-84, como nos casos da Construção Civil e do ramo Transporte e Comunicação e, em menor medida, no Comércio de Mercadorias. Esses casos devem refletir uma pressão maior em termos de redução do quadro de trabalhadores que afetou principalmente o universo de empregados sem carteira, caso que parece muito provável no setor da Construção Civil. Nesses três casos, o crescimento da participação do assalariamento sem carteira foi muito acentuado no período 1984-90, o que contribui para que no final da década os patamares fossem maiores do que no início da década. No ramo ‘Outras’ atividades industriais e ‘Outras’ atividades do setor Terciário, o grau de assalariamento sem carteira manteve-se estável no período mais agudo da crise e elevou-se sensivelmente no período 1984-89. Portanto, dos nove ramos de atividade considerados, cinco deles apresentaram maior ritmo de elevação do emprego sem carteira no período 1984-90 e, com exceção do ramo da Prestação de Serviços, em todos os demais a participação dos empregados sem carteira era maior no final da década do que no início.
Quadro 2.3.9
Empregados de 10 anos ou mais de idade, no trabalho principal, por carteira de trabalho assinada pelo empregador, segundo ramos de atividade. Brasil, 1990.
Brasil
Ramos de Atividade Total
Empregados sem carteira Número absolutos Distrib. (em %)
Indústrias de transformação (1) 8 194 458 1 448 471 13,4
Construção (1) 2 421 827 1 111 836 10,2
Outras atividades industriais (1) 782 687 157 529 1,5
Comércio de mercadorias (1) . 4 378 232 1 270 340 11,7
Prestação de serviços (1) 6 516 007 4 024 269 37,1
Serviços auxiliares da atividade econômica (1) 1 292 049 307 017 2,8
Transporte e comunicação (1) 1 792 616 304 576 2,8
Atividades Sociais (1) 5 007 373 2 047 298 18,9
Outras atividades (1). 1 438 116 176 973 1,6
Brasil
Total não agrícola (2)
31.823.365 10.848.309 100,0
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Emprego e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios. Tabela extraída de: Anuário estatístico do Brasil. 1992. Rio de Janeiro: IBGE, v. 52, 1992. 1) Exclusive empregados da zona rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá. (2) Exclusive empregados de Tocantins e da zona rural de Rondônia, Acre, Amazonas, Roraima, Pará e Amapá, e exclusive empregados da Administração Pública
Como resultado dessa evolução, e do peso de cada ramo de atividade no total dos empregados sem carteira de trabalho assinada, observa-se que no final da década, a maioria dos empregados sem carteira estava no setor de Prestação de Serviços (37,1%), nas Atividades Sociais (18,9%), na Indústria de Transformação (13,4%), no Comércio de Mercadorias (11,7%) e na Construção Civil (10,2%) (veja Quadro 2.3.9). Como, por hipótese, todos esses empregados sem carteira estavam ocupados em micro e pequenas empresas, é interessante a comparação com a distribuição do emprego formal em MPE, segundo os ramos de atividade.
Com essas estimativas, observa-se que nas MPE da Indústria de Transformação, a presença era relativamente maior de empregados com carteira de trabalho assinada, concentrando 26,6% do total do emprego formal das MPE e apenas 13,3% do total dos empregados sem carteira. Na Construção Civil, o peso do trabalho assalariado sem carteira é relativamente muito maior, pois nesse ramo concentra-se apenas 5,3% dos empregados com carteira e 10,3% dos sem carteira. Nas ‘Outras’ atividades industriais, a presença dos empregados formais é tão relevante quanto a dos empregados sem carteira. Portanto, em função da situação do emprego nas MPE da
Indústria de Transformação, as MPE do conjunto do setor Secundário empregavam uma proporção maior do total de empregados com carteira do que dos empregados sem carteira (veja Quadro 2.3.10)106.
Quadro 2.3.10
Distribuição dos empregados em Micro e Pequenas empresas no setor privado não agrícola, com e sem carteira de trabalho assinada. Brasil, 1989 e 1990.
Distribuição dos empregados no setor privado não agrícola em MPE com carteira
assinada (RAIS/89)
Distribuição dos empregados no setor privado não agrícola em MPE sem
carteira assinada (PNAD/90) Total Secundário (a) 2.260.336 33,4 2.717.836 25,0 Indústria de Transformação 1.799.583 26,6 1.448.471 13,3 Construção Civil 358.894 5,3 1.111.836 10,2 Outras atividades industriais (1) 101.859 1,5 157.529 1,5
Total Terciário (a) 4.503.020 66,6 8.130.473 75,0 Comércio 2.104.220 31,1 1.270.340 11,7 Serviços 2.398.800 35,5 6.860.133 63,2 Total de empregados 6.763.356 100,0 10.848.309 100,0
Fonte: Dados extraídos das Tabelas 2.3.2 e 2.3.10. (1) para os dados da RAIS/89, o total é a soma da Indústria Extrativa Mineral e dos Serviços Industriais de Utilidade Pública SIUP.
As MPE do Comércio apresentavam uma participação maior no total do emprego formal (31,1%) do que no total do emprego sem carteira de trabalho assinada (11,7%), do conjunto de empregados em MPE. Entretanto, a participação dos empregados em MPE no conjunto das atividades de Serviços era de 75% do total dos empregados sem carteira e de 66% dos empregados com carteira. Concentrando a maioria dos empregados em MPE, claramente o
106
A comparação de dados de fontes diferentes e de pesquisas realizadas em momentos diferentes não permite um procedimento adequado para calcular o grau de assalariamento de cada ramo e do conjunto do setor Secundário e do Terciário. No entanto, as indicações são no sentido de que, no conjunto do setor Secundário, na Indústria de Transformação e nas ‘Outras’ atividades industriais, o emprego em MPE deveria estar dividido, mais ou menos, em cerca de 50% de empregados com e sem carteira assinada. Esse já não é o caso da Construção Civil, ramo no qual o grau de assalariamento sem carteira deve ser muito maior nas MPE.
conjunto de atividades de Serviços concentrava também a maior parte dos empregados sem carteira de trabalho do país (veja Quadro 2.3.10)107.
Os dados da PNAD de 1990, também mostram que o ramo de Prestação de Serviços destacava-se com 81,3% dos trabalhadores desenvolvendo suas atividades em estabelecimentos com até cinco ocupados e 87% em estabelecimentos com até 10 ocupados (veja Quadro 2.3.11). A proporção de trabalhadores em estabelecimentos com até 10 ocupados era um pouco menor no Comércio de Mercadorias (66,6%), na Construção (60,7%) e nos Serviços Auxiliares da Atividade Econômica (56,2%)108. Na Indústria de Transformação, 83,3% dos empregados tinham carteira assinada, proporção que era também elevada nas ‘Outras Atividades do Terciário’ (87,7%). No primeiro setor, somente 24,4% do total estavam empregados em estabelecimentos com até 10 empregados; no segundo, apenas 17,4%. Isso mostra que nos setores e ramos de atividade com menor proporção de trabalhadores empregados em pequenos estabelecimentos há também menor proporção de trabalhadores sem carteira (veja quadros 2.3.8 e 2.3.11).
Portanto, a distribuição dos empregados com e sem carteira, no universo de MPE, apresenta situações diferentes não somente em função do peso do emprego de cada ramo de atividade no total do emprego de MPE, mas também em função de diferentes graus de formalização dos vínculos de emprego. Nas MPE da Indústria de Transformação e no Comércio, o conjunto dos empregados apresenta um grau mais elevado de formalização do emprego, como é o caso para o conjunto dos empregados nestes setores de atividade, segundo os dados da PNAD (veja Quadro 2.3.9). Nas MPE do setor de Serviços e da Construção Civil, o grau de formalização do emprego é menor, como também ocorre para o conjunto dos empregados nestes setores (veja Quadros 2.3.8 e 2.3.9).
107
No caso do Terciário, a comparação indica que o grau de assalariamento sem carteira nas MPE do conjunto das atividades do setor de Serviços deve ser bem maior do que no Comércio.
108
Em 1990, a concentração de trabalhadores em pequenos estabelecimentos com até 5 ocupados era ainda mais acentuada nas regiões Nordeste (61,0%), Sul (53,1%) e Centro-Oeste (53,4%). Nessas regiões menos de 40% deles estavam em estabelecimentos com 11 ou mais ocupados (veja quadro 2.11). Na região Norte, a maioria dos trabalhadores (53,7%) desenvolvia suas atividades em estabelecimentos com até 10 ocupados e 46,3% com 11 ou mais ocupados. Somente na região Sudeste mais da metade do total dos ocupados desenvolvia atividades em estabelecimentos com 11 ou mais ocupados, mesmo assim era elevada a presença de trabalhadores em estabelecimentos com até 5 ocupados (41%). CF. IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Emprego e Rendimento. PNAD 1990. Anuário Estatístico do Brasil 1994. Rio de Janeiro, IBGE, v. 54, 1994.
Quadro 2.3.11
Distribuição das pessoas de 10 anos ou mais ocupadas, segundo os ramos de atividade, por faixas de pessoal ocupado nos estabelecimentos. Brasil, 1990
Faixas de Pessoal Ocupado 1990
RAMOS DE ATIVIDADE
1 a 10 11 ou mais (5) Indústria da Transformação e outras atividades industriais 24,4 75,6
Indústria da Construção 60,7 39,3
Comércio de Mercadorias 66,6 33,4
Prestação de Serviços 86,8 13,2
Serviços Auxiliares da Atividade Econômica 56,6 43,4
Outras Atividades do Terciário 17,4 82,6
Fonte:IBGE, Diretoria de Pesquisas, Departamento de Emprego e Rendimento. PNAD 1990. Anuário Estatístico do Brasil 1994. Rio de Janeiro, IBGE, v. 54, 1994.
Enfim, no final dos anos 80, era expressivo o peso dos empregados em micro e pequenas empresas, um montante estimado em aproximadamente 17,6 milhões de empregados com e sem carteira de trabalho assinada, um acréscimo de 5,2 milhões em relação ao início da década. Refletindo, principalmente, a elevação da participação dos empregados formais em MPE no total dos empregados do setor privado não agrícola de 35,8%, em 1980, para 37,9% em 1989 e a elevação dos trabalhadores sem carteira de trabalho no total dos empregados de 32,9% em 1981 para 34,1% em 1990, estima-se que a participação do conjunto dos empregados em MPE no conjunto dos empregados não agrícolas tenha aumentado nos anos 80, de 50,9% para 55,3% (veja Quadro 2.3.12).
Ao longo da década o emprego assalariado reduziu sua participação no conjunto da ocupação não agrícola do país, de 75,6%, em 1981, para 74,6%, em 1989. Essa evolução contribuiu para que a participação dos empregados em MPE no total das ocupações não agrícolas do país fosse um pouco menor do que no conjunto dos empregados do setor privado não agrícola. Entretanto, essa redução do assalariamento é um indicativo da expansão do número de empregadores e de trabalhadores por conta própria, que conformam parcela expressiva dos ocupados em pequenos negócios e empreendimentos informais urbanos, cuja análise sobre o comportamento nos anos 80 será realizada na próxima seção.
Quadro 2.3.12
Estimativa de empregados com e sem carteira de trabalho assinada em micro e pequenas empresas do setor privado não agrícola.
Brasil, 1980-81 e 1989-90
Empregados em MPE e participação no total de empregados do setor privado não agrícola
1980-81 (A) 1989/1990 (B) Variação (B)/(A) (em %)
Número absoluto e variação no período 12.389.468 17.611.665 42,2
1981 1990
Participação em relação à População empregada do setor privado
não agrícola 50,9 55,3
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