no período de 1995-2000.
Algumas concessões chamam a atenção por envolverem a participação de atores novos no mercado, além de terem um grande número de empresas acionistas, como o caso da Caminhos do Paraná, com oito, e da MGO (Concessionária de Rodovias Minas Gerais Goiás S/A), composta de nove sociedades limitadas com igual participação societária. Todas essas empresas tem apenas essa participação no mercado de concessões rodoviárias. Nesse grupo com pequena representação individual no mercado de concessões, consta, no entanto, uma grande empresa, a Goetze Lobato, 63ª maior construtora brasileira, no mesmo ranking antes mencionado.
paraísos fiscais provavelmente com o intuito de obter alguma vantagem econômica.
Quadro 16 – Participação estrangeira no total de quilômetros concedidos
Fonte: Elaborado a partir dos quadros anteriores.
Na realidade, todos os grupos com participação de capital estrangeiro pertencem ao C20. A CCR e a Triunfo, embora com baixa participação estrangeira em seu capital (pouco mais de 5%), aumentam o índice relativo de presença externa por ocuparem respectivamente a 2ª e a 3ª posição no ranking de maiores concessionárias por extensão de quilômetros.
41,02% da EcoRodovias pertence ao Grupo Gavio, italiano, também gerando uma contribuição significativa para o total de capital externo.
Em relação à Ascendi, embora conste no site EconoInfo21 como sendo de nacionalidade majoritária holandesa, por constar como pertencendo 100% a uma empresa portuguesa, foi colocada como 100% capital português.
Da mesma forma no que diz respeito à Acciona. 76% pertence à Acciona Infraestructuras S.A., espanhola, e 24% da Rodovia do Aço pertence à Acciona Brasil, mas 100% dessa empresa “brasileira” é de propriedade espanhola, motivo pelo qual toda a concessionária foi considerada como sendo de capital espanhol22.
Em relação à Atlantia Bertin – AB Concessões, ocorreu uma renegociação societária recente e é possível que a Atlantia tenha reduzido sua participação visto que surgiu a empresa Infra Bertin Participações S.A. substituindo o grupo em
21 http://www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/posicao-acionaria?codigoCVM=22721.
22 http://www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/posicao-acionaria?codigoCVM=22446 Espanha EUA Itália Canadá Argentina Portugal
Arteris 7,24% 9,46%
CCR (Lazard) 0,79%
EcoRodovias (Gruppo Gavio) 3,52%
Triunfo (Cayuga) 0,63%
Rodovia do Aço (Acciona) 1,04%
Via Bahia (Isolux Corsán) 2,75%
3,49%
Rodovias do Tietê (Ascendi) 1,05%
0,63%
TOTAL 11,03% 1,42% 7,01% 9,46% 0,63% 1,05%
TOTAL GERAL 30,59%
Atlantia Bertin (AB Concessões)
Caminhos do Paraná (Cartellone Inversiones)
algumas fontes. No entanto, em seu site23 ainda consta como possuindo 51% da AB Concessões, e nesse passo foi efetuado o cálculo.
A Isolúx Corsán possui apenas 70% da Via Bahia segundo o site da ABCR, mas por constar como sendo informação de dezembro de 2015 a informação do site EconoInfo24, essa foi a utilizada, com aumento da participação da Isolúx Corsán na Via Bahia.
23 http://www.atlantia.it/en/operations/international-operations.html.
24 http://www.econoinfo.com.br/governanca-corporativa/posicao-acionaria?codigoCVM=22926.
Todas esses acessos em junho de 2016.
5 CONCLUSÃO
O mercado de concessões brasileiras apresenta uma concentração de oligopólio fraco, pelos critérios de Shepherd e Shepherd (2004), e de um mercado desconcentrado ou de baixa concentração pelos critérios do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e do CADE. Os quatro maiores grupos respondem por 51,48% do mercado e os sete maiores por 74,2% do mercado. As 20 maiores empresas de um contexto de 64 atendem quase a totalidade do mercado: 90,7%. O índice HHI apresentou o valor de 916,41.
Outra conclusão importante que a presente pesquisa permitiu aferir é a considerável participação de capital estrangeiro. A presença acentuada de capital estrangeiro, no total de 30,59%, sendo a maior parte (11,03%), espanhol, seguido de canadense (9,46%), italiano (7,01%) e em menor grau norte-americano, argentino e português, revela a atratividade do negócio a nível mundial, chegando a contrariar o senso comum de que o Brasil continua sendo um país fechado para o capital externo.
Superada a hegemonia do modelo determinístico estrutura-conduta-desempenho, os índices de concentração podem ser encarados como uma das muitas características do mercado, não devendo ser analisados de forma restrita e isolada.
Existes benefícios bem como riscos tanto na regulação como na concentração. Os principais riscos de um mercado concentrado no âmbito regulatório são o aumento da assimetria informacional e do poder de pressão junto ao governo, que pode resultar em maior risco de captura regulatória.
Certos métodos de regulação podem funcionar melhor em ambiente desconcentrado, já que dependem da comparação entre diferentes empresas, como o método do yardstick competition.
O momento da licitação é caracterizado por certa concorrência, mas após a obtenção da concessão, a empresa possui um mercado quase monopolístico (com baixa competição intramodal ou intermodal) praticamente garantido pelo período do contrato, havendo inclusive diversos casos de possibilidade de prorrogação. No âmbito federal, é possível que tenhamos contratos de 60 anos de duração, por meio de prorrogação.
O tempo e a quantidade de concessões podem gerar um grande aprendizado e ganhos de eficiência para um grupo de empresa, os quais não necessariamente serão transmitidos à população ou informados ao governo. Em contratos prolongados, a assimetria informacional pode tender a aumentar no médio e longo prazos.
Apesar disso, de acordo com a teoria econômica recente, sabe-se que a concentração não é necessariamente um risco social, podendo ser fonte de ganhos tecnológicos e de escala. (KON,1999)
Há participação das maiores empreiteiras brasileiras no mercado das concessões rodoviárias: a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa e a Soares Penido por meio da CCR; a OAS por meio da Invepar; a CR Almeida através da EcoRodovias; a Odebrecht por meio da Odebrecht Transport; a Queiroz Galvão por meio da Queiroz Galvão Participações e Concessões S.A.
Existem também construtoras brasileiras menores atuando nesse mercado, por vezes como uma joint venture reunindo especializações diferenciadas, como na concessionária MGO, que reúne, entre outras a Gregor, da área de participações; a MaqTerra, de obras rodoviárias; e a Ellenco e a Kamilos, de obras de engenharia em geral.
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