3 SERVIÇO SOCIAL E SAÚDE: PARTICULARIDADES DO TRABALHO PROFISSIONAL NAS UNIDADES DE URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
3.2 PARTICULARIDADES DO TRABALHO DO ASSISTENTE SOCIAL NA REDE DE
URGÊNCIA E EMERGÊNCIA NAS UPAS
O serviço social enquanto profissão inserida na divisão social e técnica do trabalho, não se autodetermina, mas tem seu fundamento na "questão social”, nas mais variadas expressões da desigualdade no modo de produção no sistema capitalista. Ou seja, seu trabalho depende das demandas da realidade social na qual está inserido. De acordo com Iamamoto (2009b), é nessa linha tênue entre a produção da desigualdade social e a luta dos assistentes sociais, que se instalam uma arena de interesses opostos onde se engendra a vida em sociedade: “A questão social
expressa desigualdades econômicas, políticas e culturais das classes sociais, mediadas por disparidades nas relações de gênero, características étnico-raciais e formações regionais." (IAMAMOTO, 2009b, p.177, grifo da autora).
Portanto, em meio a essas contradições é que a Lei 8.662, de 1993, que regulamenta a profissão, principalmente nos art. 4° e 5°, apresenta uma clara definição das competências e atribuições do Assistente Social.
Art. 4º Constituem competências do Assistente Social:
I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organizações populares;
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil;
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, grupos e à população;
IV - (Vetado);
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais;
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais;
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às matérias relacionadas no inciso II deste artigo;
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de Unidade de Serviço Social;
XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades.
Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social:
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social;
III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social;
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de formação regular; VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social;
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de graduação e pós-graduação;
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de pesquisa em Serviço Social;
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais;
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas;
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira em órgãos e entidades representativas da categoria profissional.
Conforme já explicado acima, é preciso, porém, ir mais além, e saber que é primordial o confronto dos desafios impostos nessa arena de conflitos, para que assim, se possa alcançar o objetivo proposto pelo projeto ético-político da profissão, em busca de uma transformação por uma sociedade igualitária, e de superação das relações sociais de exploração do capitalismo.
É exatamente o caso de o profissional não ficar amedrontado diante dos obstáculos, pois não há uma fórmula pronta, mas existem muitas alternativas para se buscar a defesa da construção de um projeto que está em sintonia com os princípios da seguridade social estabelecidos na Constituição Federal de 1988, entre os quais a consolidação da cidadania na forma da garantia de direitos e a qualidade nos serviços de saúde prestados sem descriminação. Por todas essas razões, é notória a importância do trabalho do Assistente Social na política de saúde para o fortalecimento do SUS.
Conforme Costa (2009), a melhor maneira de compreender esse processo é considerar que, por mais simples que possa parecer o trabalho do assistente social, não se trata apenas de conhecer sua própria instituição, mas implica em conhecer minimamente o funcionamento de outras instituições, sejam públicas ou não, para viabilizar o atendimento ao usuário da política de saúde.
Tendo como referência os aspectos discutidos anteriormente, fica claro que os Assistentes Sociais precisam assumir um trabalho profissional que contribua para identificar os impasses que impedem a defesa e a viabilização dos direitos dos cidadãos. "[...] Um projeto democrático se constrói no jogo de poderes e contrapoderes, [...]este é o terreno em que um projeto ético-político profissional comprometido com a universalização dos direitos pode enraizar-se e expandir-se." (IAMAMOTO, 2009, p. 166, grifo da autora). Mas, a partir dessa afirmação, cabe dizer, que o trabalho do assistente social na saúde cumpre uma função específica em "[...]estabelecer o elo "perdido", quebrado pela burocratização das ações, tanto internamente, entre os níveis de prestação de serviços de saúde, quanto, sobretudo, entre as políticas de saúde e as demais políticas sociais e/ou setoriais." (COSTA, 2009, p. 341, grifos da autora).
Considerando esses aspectos que orientam a profissão, podemos afirmar que as atividades dos Assistentes Sociais nas Unidades de Pronto Atendimento – UPA, integradas à Rede de Urgência e Emergência do SUS, são realizadas em um contexto de conflitos entre os interesses do capital e a concretização de direitos de cidadania. A garantia desses direitos, expressa uma forma de resistência às medidas neoliberais que impõem uma rigorosa política de ajustes com a redução dos gastos sociais, provocando um desmantelamento das políticas sociais e uma desarticulação da rede de serviços, responsabilizando o indivíduo pela sua situação de vulnerabilidade. Conforme Bravo (2009), essa política de ajuste tem como prioridade a contenção de gastos sociais e a desobrigação do Estado.
Diante disso, as circunstâncias que particularizam o trabalho do Serviço Social refletem a dinâmica das relações sociais contemporâneas, pois o Serviço Social atua sobre interesses opostos, respondendo as demandas do capital e as demandas da classe trabalhadora, reforçando a mola mestra reprodutora das contradições da sociedade. Por conseguinte, suas ações são direcionadas para o caráter emergencial e focalizado, parecendo que
O plantão é a única atividade comum à maioria dos assistentes sociais da SMS, ainda que, em algumas unidades, esta atividade não seja reconhecida por este nome nem como um serviço ou atividade pensada, planejada, organizada, reduzindo-se a ações isoladas desenvolvidas pelo assistente social para ‘resolver problemas do usuário’. (VASCONCELOS, 2012b, p.170).
Para Vasconcelos (2012b), o usuário é ouvido e encaminhado pelo Serviço Social, em sua maior parte, para acessar recursos externos. Mas, por se caracterizar como uma unidade de emergência, não se tem comumente um acompanhamento do usuário e segue-se para o bom andamento na rotina na instituição. Práticas burocráticas, realizada com fim em si mesma, sem vínculos e sem acompanhamento contínuo.
No que tange à dimensão operativa do Serviço Social na área de saúde, os principais instrumentos operacionais que fazem parte da rotina nas intervenções dos Assistentes Sociais em uma unidade de pronto atendimento são: entrevistas, formulários, fichas cadastrais, encaminhamentos, declarações, solicitações, parecer, termos de autorização e informativos.
É relevante relembrar, que o trabalho do Assistente Social na UPA se realiza em regime de plantão e suas demandas são espontâneas por parte das pessoas usuárias daquele serviço, ou seja, de quem vem à procura de um atendimento emergencial de saúde, ou através de encaminhamentos internos realizado pela recepção, guardas de segurança, enfermeiros e médicos, sendo quase inexistente um encaminhamento externo advindo de outra instituição. O conjunto de intervenções realizado a partir dessas demandas, para Costa (2009), é objetivado por intermédio dos seguintes eixos: levantamento de dados para caracterização e identificação das
condições socioeconômicas, familiares e sanitárias dos usuários; interpretação de normas e rotinas; agenciamento de medidas e iniciativas de caráter emergencial; procedimentos de natureza socioeducativa, informação e comunicação em saúde; desenvolvimento de atividades de apoio pedagógico e técnico-político.
Em relação ao primeiro tópico, o levantamento de dados para caracterização e identificação das condições socioeconômicas e sanitárias dos usuários nas UPAs, consiste no primeiro contato com usuário a partir de sua internação/observação, mas dependendo da gravidade clínica desse usuário, a entrevista social é realizada com
um familiar, cuidador ou outro responsável que esteja fazendo o acompanhamento do paciente. Durante a entrevista segue-se um roteiro contido na ficha social através de um questionário que contém perguntas sobre os dados pessoais, socioeconômicos, previdenciários, trabalhistas, acompanhamento na rede de saúde, condições de moradia, apoio familiar, se já foi submetido a algum tipo de violência, de transtorno, se possuiu deficiência ou se fez algum uso de substância química.
A partir do reconhecimento da profissão de que as condições de vida implicam no resultado da saúde, a obtenção desses dados se faz necessária para uma análise da realidade concreta através de todos os DSS que interferem nesse processo de adoecimento. (COSTA, 2009). Essa prática profissional faz parte da rotina do Assistente Social nas UPAs, sendo normalmente a primeira atividade direcionada ao usuário na Instituição. Além de orientar os demais passos ou processos do trabalho profissional, esses inquéritos socioeconômicos também têm a finalidade de reunir um conjunto de informações para subsidiar pesquisas ou elaborar planejamentos que melhor viabilize o acesso dos usuários aos seus direitos.
O Serviço Social possui uma sala específica de atendimento nas UPAs, mas por muitas vezes se faz necessário que a entrevista social seja realizada ao lado do leito do paciente, onde não tem condições adequadas para tal demanda, devido o estado clinico agravado do paciente, que pode estar em isolamento ou em terapia intensiva. Desta forma, já se torna um desafio obter os dados sociais que são tão importantes para o trabalho, seja ela individual ou coletiva, o que caracteriza o trabalho como atividade burocrática ou até mesmo não realizada, que se reproduz de forma acrítica. Dessa forma, se houver um aumento repentino da demanda no setor, o profissional se preocupa muito mais na ação de preenchimento da ficha para dar conta da rotina, restringindo a intervenção em sua verdadeira finalidade, ou seja, todas as informações são meramente arquivadas perdendo seu primordial valor, e o trabalho não alcança a totalidade da realidade concreta deste indivíduo.
Diante desses pressupostos, a entrevista social revela sua crucial utilidade de estabelecer um vínculo entre o Serviço Social (como representante da instituição) e o seu usuário, resultando neste quesito a responsabilidade de localizar famílias que se indispõe de acompanhar seus pacientes, principalmente no caso de idosos, ou de usuários em situação de rua ou com alta clínica que não tem parentes no município e não tem para onde ir.
Desta maneira, a entrevista social perde sua dimensão investigativa, de subsidiar uma análise crítica e aprofundada dos DSS na relação saúde/doença da população usuária, devido à falta de conhecimento e compreensão dos demais profissionais da unidade sobre as atuações dos Assistentes Sociais conforme indica os Parâmetros de Atuação do Serviço Social na saúde (CFESS, 2010).
É importante compreender que cada um profissional tem suas particularidades na relação saúde/doença, contemplando os determinantes e condicionantes que permeiam esse processo de adoecimento da população, intervindo cada um dentro de suas competências e habilidades. Portanto, é importante ressaltar, que trabalhar em equipe, como nos relata Iamamoto não se trata da “diluição das particularidades profissionais”, mas
[...] são as diferenças de especializações que permitem atribuir unidade à equipe, enriquecendo-a e, ao mesmo tempo, preservando aquelas diferenças”, o assistente social tem uma atribuição que lhe é peculiar, atua na “observação e interpretação das condições de saúde do usuário” o que é uma competência diferente, da competência do médico, dos enfermeiros, técnicos e nutricionistas. (IAMAMOTO, 2012, p.64).
Deste modo, é muito importante que o profissional conheça o PEPSS, para conhecer seus limites e possibilidades dentro da instituição e também fazer conhecido aos demais profissionais e usuários.
No caso especifico da UPA Sul, a Regulação7 dos pacientes não é realizada pelo Serviço Social, após a resistência e embate de alguns Assistentes Sociais que lutaram pela retirada dessa atividade administrativa por entenderem que não é uma
7Regulação em saúde no SUS pode ser entendida como uma ferramenta para organizar o fluxo de atendimento de todos os níveis de atenção na saúde. A Política Nacional de Regulação preconiza a implantação da mesma em todas as unidades federadas, e organiza os processos de regulação da seguinte forma: Regulação de Sistemas de Saúde: com o objetivo de definição de macrodiretrizes para regulação da atenção, a partir dos Princípios e Diretrizes do SUS. Regulação da Atenção à Saúde: com o objetivo de garantir a adequada prestação de serviços à população, através da produção de ações diretas e finais de atenção à saúde e definição de estratégias e macrodiretrizes para Regulação do Acesso à Assistência e Controle da Atenção à Saúde. Regulação do Acesso à Assistência: com o objetivo de efetivar a disponibilização da alternativa assistencial mais adequada à necessidade do cidadão por meio de atendimentos às urgências, consultas, leitos, apoio diagnóstico, terapias. (MINISTÉRIO DA SAÚDE,2008)
atribuição privatista do Assistente Social, o que de fato representou uma conquista para toda categoria na Unidade. Apesar, da regulação ser realizada no setor administrativo, ainda se mantém vínculo com o Serviço Social em busca de dados, porque durante a inserção do usuário no sistema de regulação (SISREG) para transferências, marcação de exames e consultas especializadas para outros hospitais da rede, percebe-se em inúmeras vezes que os dados pessoais estão incompletos, fazendo com que, constantemente, no meio de uma intervenção, seja interrompida a atividade para se procurar dados, burocratizando cada vez mais a rotina.
Sobre o segundo eixo de interpretação de normas e rotinas, o Assistente Social transmite informações acerca das normas internas da instituição, tais como: horários e regras das visitas; horários de troca de acompanhantes regras para o acompanhante transitar nas dependências da unidade e a importância de estar identificado com pulseira do acompanhante; regras internas de comportamento e higiene para proteção do paciente e do próprio acompanhante e orientação do kit necessário de higiene pessoal ao paciente que está na sala vermelha. É muito importante para realização desta atividade que o profissional possua conhecimento das portarias, resoluções e regras da unidade e do sistema de saúde. Costa (2009), afirma que esse tipo de atividade tem a finalidade de informar e ao mesmo tempo assegurar o disciplinamento deste usuário, a partir do momento que o cumprimento de normas é o objeto de sua atividade, ou seja, é a forma de seguir um fluxo já pré-estabelecido.
O que torna esta ação contraditória, se por um lado o Serviço Social é o assegurador de normas na instituição, por outro lado, ele é agente constituído de atender as exceções, o responsável de quebrar a própria regra estabelecida, como por exemplo, uma visita fora do horário regular, a entrada de uma criança para visita de um parente, uma troca de acompanhante fora do horário de troca, e claro que todas essas decisões envolvem riscos clínicos e que estão fora do âmbito social, são realizadas em conjunto com a equipe médica. Essa é a típica atividade que em dias de aumento na demanda ou ela é suprimida ou não é realizada, pelo fato do Assistente Social se centrar em situações mais emergenciais.
Já acerca dos procedimentos de natureza socioeducativa, informação e comunicação em saúde, o Assistente Social se utiliza como recurso principal o instrumento da fala. É através do seu conhecimento, que ele se comunica com o usuário, desde o acolhimento à sua alta clínica e social, até a socialização dos serviços de saúde através de palestras, seminários, encaminhamentos externos para
articulação da rede de saúde com as demais políticas sociais, e orientação sobre o trâmite para as judicializações. Nas Unidades de complexidade terciárias que hoje também envolve as upas pela alta demanda de pacientes internados, se exige mais entre a comunicação do Serviço Social com os pacientes, médicos e familiares. (VASCONCELOS, 2012b).
Essa questão se torna mais visível em relação aos casos de óbito na unidade, apesar do Serviço Social na UPA Sul, não fazer a comunicação do óbito à família, o Assistente Social está presente durante todo o processo, seja na orientação aos familiares das instruções para liberação do corpo no Serviço de Verificação de Óbito – SVO, ou nas instruções dos documentos necessários para requerer o atestado de óbito no cartório, seja como apoio emocional aos familiares, no alivio de tensão e nos encaminhamentos necessários se precisar de mais recursos externos.
Lidar diretamente na ponta da precariedade dos serviços, diante de uma sobrecarga de demanda, nesse elo entre a instituição e a classe trabalhadora, e ao mesmo tempo, como trabalhador assalariado, implica em muitos pontos de tensão. Ao se fazer uma ligação para informar ao usuário do SUS que o exame ou a consulta que ele aguardava a meses foi desmarcada, não é incomum ouvir a resposta do outro lado, não precisa mais, já morreu, só nos traz a certeza que algo precisa ser realizado, nós temos o poder da fala e o usuário diante de nós. O presente documento parâmetros (2010) nos mostra que
[...] as ações a serem desenvolvidas pelos assistentes sociais devem transpor o caráter emergencial e burocrático, bem como ter uma direção socioeducativa por meio da reflexão com relação às condições sóciohistóricas a que são submetidos os usuários e mobilização para a participação nas lutas em defesa da garantia do direito à saúde (CFESS 2010, p.43).
Nesse sentido, é importante realizar a atividade na perspectiva da coletividade para melhor engajamento com vistas a alcançar a efetivação do direito social.
Já no eixo de casos de agenciamento de medidas e iniciativas de caráter emergencial-assistencial, este retrata a maior parte das demandas, devido à constante precarização dos serviços de saúde diante dos ataques neoliberais de contrarreforma no SUS. Isso se reflete na superlotação das unidades, burocratização, precariedade da qualidade dos serviços, espera prolongada nos atendimentos;
questões que incidem diretamente nas principais demandas de caráter emergencial que chegam no serviço Social e que, segundo o CFESS (2010),são a reclamação da demora no atendimento, a falta de uma ambulância própria como transporte para todos os tipos de remoções, (inclusive de bolsa de sangue), falta de condições para compra de medicamentos e alimentos para dar continuidade ao tratamento gerando um agravamento da morbidade e mortalidade.
As principais ações emergenciais desenvolvidas pelo Serviço Social nas UPAs são os encaminhamentos para auxilio funeral, transporte sanitário para remoção de pacientes regulados para os hospitais de retaguarda, para realizações de exames de alta complexidade, para diálises de paciente internados e remoção de alta para pacientes sem condições de voltar para casa. Um dos grandes desafios do Serviço Social nas Upas, inclusive do nosso munícipio é relacionado aos transportes que compõe a rede municipal de atendimento à saúde realizado pelo Serviço de Atendimento Móvel - SAMU, o transporte sanitário e o transporte do Programa de Acessibilidade Especial Porta-a-Porta – PRAE.